-->

Páginas

22 março 2017

Material de treino: os espelhos

Nos ginásios, por norma, há toda uma panóplia de apetrechos que podemos usar nos nossos treinos: halteres, barras, discos, bancos, caneleiras, máquinas várias e... espelhos. Desconfio que a maioria das pessoas que treina em ginásios desconhece em absoluto para que servem aqueles espelhos todos. Servem, imagine-se, para se corrigirem posturas enquanto se fazem os exercícios. Que espanto!

Um exemplo: no ginásio onde treino, há, naturalmente, mais homens do que mulheres a treinar na sala de musculação (as mulheres continuam a ter medo de ficarem parecidas com homens - não vai acontecer, nem que treinem 5h por dia... a não ser que metam suplementos de testosterona e quejandos, não vai acontecer, ok? Portanto, a maioria das senhoras prefere aulas de grupo, o que deixa as salas de musculação para o machame e para meia dúzia de mulheres). Ora, e pegando em mim mesma, passa-se o seguinte: tenho um plano novo, com coisas que nunca fiz. Pasmem-se: preciso dos espelhos para me auto-corrigir porque, sem eles, não tenho tanta noção da minha postura. Calha também que a fauna masculina tende a ser herdeira do Narciso e curte mesmo é estar ao espelho a avaliar bíceps e peitorais. Nada contra. Desde que ninguém precise da porra do espelho para o treino. Ontem, por exemplo precisava de um espelhinho pequenino que ali estava. À frente do espelho, a tralha de um garoto de 16 anos que lá treina. E o garoto agarrado ao telemóvel, a passarinhar paracá e para lá. Perguntei se ia precisar do espelho: "vou, a seguir". Ok, então com licença que eu vou fazer as minhas séries. Fiz. Nos meus descansos, sua alteza aproveitou para medir bíceps e tríceps e lá voltou ao telefone. Acabei o que tinha a fazer. E ele continuou a medir-se... (Depois admiram-se de demorarem 2h a "treinar" e de não verem resultados. Que surpresa...)


20 março 2017

Ao pai dos meus filhos

Já não somos um casal, mas continuas a ser o pai perfeito. Já não somos um casal, mas continuas a ser a melhor escolha que eu fiz na vida. Não me arrependo dos anos que passei contigo. Porque foram maravilhosos enquanto o que nos uniu foi amor. E porque deles resultaram aqueles dois miúdos que te chamam Pai.

Poderia mudar muita coisa na minha vida. Nunca mudaria o facto de tu seres o pai deles. Só tenho de te agradecer pelo pai que és para eles. Pela forma como os tratas, como os amas, como os guias. Por seres o rochedo em que eles se apoiam. Por fazeres equipa comigo. Não funcionamos enquanto casal, mas somos imbatíveis enquanto pais. Espero que consigamos sempre manter esta ligação que nos une e espero que, juntos, façamos sempre o melhor por eles.

És o Melhor Pai do Mundo. Nunca te esqueças disso, prometes?

16 março 2017

E por falar em divulgações de jeito...


No próximo sábado há cinema solidário - óptimo programinha para matar dois coelhinhos de uma cajadada só: cinema com as crianças e ajudar a Unicef. 

Trata-se de uma iniciativa da NOS e do Canal Panda em que, dia 18 de março (sábado) várias salas de
cinema vão exibir 4 filmes com bilhetes a 2€, cujas receitas vão reverter, na totalidade, para a UNICEF Portugal.

Os filmes – ‘Cantar!’, ‘Mínimos’, ‘Cegonhas’ e ‘A Vida Secreta dos Nossos Bichos’ – têm inicio às
11h00. No Colombo vai estar a mascote do Panda himself e nas outras salas também vão estar mascotes ligadas ao Canal Panda.

Targeting

Recebo dezenas de press releases de marcas várias, enviados por diversas agências de comunicação. Muito raramente divulguei um destes press releases. Não tenho um blog publicitário, não alinho em publicidades encapotadas e, se fizesse publicidade ao que quer que seja, teria de ser paga para isso. Ainda assim, continuo diariamente a apagar vários emails com press releases.

Espanta-me sempre o quão ao lado estes press releases são. Recebi um agora que falava de lembranças do Dia do Pai a 700 e tal euros. Oi? Nem eu compro coisas desse valor, nem acho que o público do meu blog o faça. Nunca comunicaria uma coisa destas, lamento. Não vivo no país das maravilhas, não vivo numa bolha consumista e tenho mais que fazer do que andar a dar no copy-paste de press releases ou, pior ainda, a reescrever os textos para que pareçam meus. Não contem comigo. Lamento.

Querem que divulgue coisas? Conheçam-me. Saibam que me interesso por livros, por cinema, por fitness. Saibam que estou dedicada a mim, a alcançar os meus objectivos que, sim, passam muito pelo meu corpo neste momento. Tenho quase 40 anos e apetece-me tratar de mim como nunca tratei. Apetece-me olhar para o espelho e amar o que vejo. Querem oferecer-me cenas? MyProtein, Prozis, BiotechUSA e marcas de vestuário de fitness, sejam bem-vindas. Agora lembranças do Dia do Pai a 700 euros?? A sério??...

08 março 2017

XX

Guardem lá as flores. Não preciso de flores. Preciso que não sejam paternalistas comigo. Preciso que percebam que sou capaz do mesmo, salvaguardando diferenças biológicas. Vocês, homens, também são capazes do mesmo que nós, salvaguardando as referidas diferenças biológicas. Ou seja, em querendo, são capazes de fazer o mesmo que nós, excepto parir e amamentar.

Exemplos:

- São capazes de pôr roupa a lavar, estender e apanhar. São até capazes de passar a ferro, acreditem. Eu também não nasci ensinada e aprendi.
- São capazes de cozinhar e de lavar loiça.
- São capazes de manobrar um aspirador (acreditem, não é rocket science, vocês conseguem).
- São capazes de mudar fraldas, fazer papas e preparar biberões.
- São capazes de ir às compras e de comprar fruta que não esteja amassada.
- São capazes de limpar pó e de lavar janelas.

Nós também somos capazes de algumas coisas. A saber:

- Usar um berbequim e pendurar quadros.
- Arranjar uma tomada eléctrica.
- Montar móveis.
- Carregar coisas pesadas.
- Trocar pneus, ver níveis de óleo no carro (esta por acaso aprendi há pouco tempo!) e ver a pressão dos pneus.
- Abrir frascos de vidro (uma pancadinha na tampa normalmente resolve o empeno).

Isto parece sexista? É porque é. Nós fomos educadas a assumir certas tarefas que estão desde sempre atribuídas às mulheres (vem lá de trás, da pré-história: os homens iam caçar, as mulheres ficavam a tratar da gruta). Vocês foram educados a assobiar para o ar e a fingir que não percebem por que raio não se penduram camisas pelo colarinho. Com isto, fomos ficando em casa, entretidas a ser mães e a fazer bainhas, e os homens foram ganhando terreno no mundo do trabalho. Depois, um dia, quisemos mais e fomos conquistar o mundo do trabalho - esquecemo-nos foi de que os homens ainda não estavam preparados para ir conquistar as respectivas casas e fazer alguma coisa por lá. Portanto acumulámos trabalhos e funções e continuamos a ouvir o trinado dos que assobiam para o lado e fingem que não vêm os pêlos do gato que precisam de ser aspirados e a fralda do mais novo que está muito mais cheia do que todas as nossas carteiras.

Acredito que esta coisa da igualdade de género começa em nós, mulheres, e não nos homens. Como assim? Olhem, podemos educar os nossos filhos como educamos as nossas filhas, para começar. Fazê-los perceber que, uma vez que têm duas mãozinhas como as meninas, são capazes do mesmo. E ensiná-los como as ensinamos a elas. Depois, não puxando a nós tudooooooo o que acontece em casa. Sei do que falo: fiz esta asneira e bem me arrependi. Parece-me lógico: homem e mulher vivem na mesma casa, homem e mulher trabalham, homem e mulher fazem o que há a fazer em casa. Simples, acho.

Felizmente, as coisas estão a mudar um bocadinho neste aspecto.Ainda bem para nós e para eles, que deixam de ser crianças em ponto grande.

Por outro lado, continuamos a ganhar menos pelo mesmo trabalho, continuamos a não chegar a lugares de topo com a mesma frequência do que eles, apesar de termos as mesmas qualificações. Continuamos a ser olhadas de lado quando pomos a carreira à frente da continuidade da espécie. Continuamos a ser olhadas de lado quando nos fazemos ouvir. Continuamos a ser olhadas de lado e, pior ainda, somos olhadas de lado não só por homens, mas também por mulheres.

Continuo a não gostar disto de haver um Dia da Mulher. E espero ansiosamente que um dia deixe de ser preciso que este dia exista.

06 março 2017

Desastres

Sábado à noite, jantar no Ground Burger. Depois de me passarem dezenas de facturas de lá pelas mãos - os meus colegas são fãs -, apeteceu-me experimentar.

Espera relativamente curta - não há marcações, as pessoas sentam-se por ordem de chegada -, tudo organizado e a fluir. Chega a nossa vez, encaminham-nos para uma mesa que fica perto do balcão. Estou a ir e um empregado que está à minha direita vira-se de repente, bandeja com umas 6 imperiais na mão, bate em mim e entorna-me aquilo tudo para cima. Fico alagada em cerveja: calças, casaco, sapatos, tudo é um mar de cerveja. Fico estática, a sala congela a olhar para aquele espectáculo. O empregado, muito rapidamente, vira-se para mim e mata tudo com um

a culpa não foi minha!

Reajo: ora aí está a coisa indicada para se dizer...

Saio para a casa de banho, para tentar remediar o estrago. Casa de banho sem papel higiénico. Salvam-me as toalhas de mãos do hall. Toda eu sou uma central de cervejas. Que agradável...

Regresso à mesa. Oferecem-nos uma série de coisas para compensar o estrago - não compensa. Os hamburgers são de facto muito bons mas, não soubesse eu da qualidade deles, não sei se voltaria ali.

(O mau serviço continuou, já não connosco mas com o casal ao nosso lado. Chegaram primeiro do que nós, pediram primeiro e já nós íamos a meio do jantar quando um empregado foi ver se eles queriam mais alguma coisa, se faltava algo. Faltava tudo: os hamburgers deles ainda não tinham vindo, nem os acompanhamentos. Vieram a seguir.)

Suponho que tenha sido só um azar. Mas achei que o serviço está longe de ser bom. A sorte é a comida ser realmente boa (mas os preços... o céu é o limite, não é? Mais um bocadinho e achávamos que estávamos a jantar no Belcanto ou assim...).

27 fevereiro 2017

Alive and... living

Ando meio virada para dentro. Descobri que a minha casquinha é um sítio fixe para se estar. Gosto disto, de viver para mim, de estar nos sítios onde me sinto bem, de me enroscar nos abraços que me sabem bem, de ter o coração e a cabeça a funcionar para o mesmo lado. Aprendi que preciso primeiro de me focar em mim. Vale o que vale. Sabe-me bem.

Descobri que quero coisas. E essas coisas dependem de mim e do meu esforço e só cabe nelas quem está comigo, quem me apoia, quem puxa por mim. Quem revira os olhos e me pergunta "mas queres isso para quê?" abandona o barco na hora. Darwin explica.

Entretanto, decidi que este ano não ia perder tempo. Portanto, em vez de, por exemplo, andar a picar canais aleatoriamente e acabar a ver episódios do America's Got Talent, tenho visto filmes e mais filmes. E séries. E tenho lido. Não tenho escrito tanto quanto gostaria, mas parece que depois de ter acabado o livro estava era a precisar de uma folga para respirar entre as minhas próprias palavras.

(Mais sobre os livros e os filmes e as séries em breve...)

13 fevereiro 2017

3.8

Trinta e oito.

Este ano, ao contrário dos últimos anos, só me semi-recolhi. Apetecia-me celebrar um ano fantástico. Apetecia-me agradecer o que a vida me deu durante os 37. Não me apetecia atender mil telefonemas mas não houve mil telefonemas (graçasadeus!). Comemorar o meu aniversário soa-me sempre a auto-homenagem que é o tipo de coisa que me mexe com os nervos. E eu, apesar de ser extrovertida e tal, sou muito reservada e gosto muito pouco de holofotes em cima de mim pelo que eu sou. Adiante.

Sexta-feira de férias só para mim: compras básicas, ginásio, arrumar a casa, cinema a solo. Fui ver o La La Land. Asneira. Não gostei daquilo - e eu adoro a dupla Gosling/Stone, mas nem isso salva o filme. Não sou de musicais. A história é banal e previsível. A fotografia do filme é incrível. Uma ou duas músicas salvam a honra do convento. Para mim, passa ali à rasquinha. Arrependi-me de não ter ido ver o Fragmentado, na verdade - mas resolvo isto no fim-de-semana que vem. Na empresa, tudo maluco a tentar descobrir quando é que eu fazia anos... e eu com muito pouca vontade de assumir a coisa - já disse que não gosto do alarido dos aniversários quando a aniversariante sou eu?

Sábado de aniversário com os miúdos. Manhã do meu dia passada lentamente. Ginásio em cima da hora de almoço. Almoço a seguir com os pais e com os filhos. Festa de anos da filha da melhor amiga à tarde. Depois, deixar os filhos nos avós para poder ir jantar fora. Um sushi muito bom (no Honorato Sushi, ali para os lados do Restelo). Depois siga para Oeiras, em busca de um chocolate quente e de um crepe - sem sorte. Acabámos em Sintra, no sítio do costume, a beber um leite com chocolate manhoso (blargh!) e a comer um crepezinho bom.

Resumo do dia: excelente. Soube mesmo, mesmo bem. Só não estive com a Lia, que foi a minha pessoa que me faltou abraçar. De resto, tive o meu mundo num abraço (em vários abraços, vá). Digo isto muitas vezes e sinto isto cada vez mais: não preciso de mais nada. Está óptimo assim. 

08 fevereiro 2017

Equilíbrio

Acho que encontrei o meu...

Tenho-me obrigado a olhar para trás e a avaliar o que foi o meu último ano, o que foram as minhas últimas guerras. Tem sido muito interessante perspectivar tudo e ver tudo com alguma distância.

Percebi que tudo o que consegui foi porque fui à luta, foi porque me esforcei, foi porque fiz acontecer. Ganhei a minha guerra com o meu peso - hoje de manhã, 57.8kg - e sinto-me muito bem comigo. Tenho treinado 4 vezes por semana, tenho objectivos, corro atrás deles e tenho conseguido chegar lá. As mudanças que tive no espaço de um mês foram o suficiente para me motivar a querer ainda mais. Não é vaidade. É querer sentir-me bem comigo. Olho para mim agora e olho para o que era em 2005 e a diferença é brutal. Tenho quase 40 anos e fui capaz de fazer isto? Hell, yeah! E isto prova que, querendo e lutando, as coisas acontecem.

Perdi os medos acerca da minha escrita e acabei o livro. Não sei o que vai acontecer a seguir, mas estou cá para descobrir. Ainda estou na fase das correcções, que vai demorar um bom bocado, e a seguir logo se vê. A única certeza que tenho é que vai haver segundo livro, que já está começado. Só porque sim. Mesmo que não seja para publicar. É uma coisa que me dá prazer, portanto é válida.

Assumi as rédeas da minha vida e fui atrás da minha felicidade. Não me enganei. Nem todos os dias são fáceis. Há coisas más, claro que sim. Mas reencontrei-me e esta sou eu. Não preciso de muito para ser feliz, é um facto. Mas preciso de me sentir eu, preciso de ter perto de mim pessoas que me deixam ser eu, que não me anulam, que não esperam que seja coisas que não sou. Preciso de pessoas que puxam por mim e não de pessoas que não são mais do que peso morto. Descobri que o meu coração é um órgão vivo, que bate com força. E foi tão bom descobrir isto...

Percebi que posso continuar a ser a miúda, apesar de ser adulta. Não tenho de me reger por imposições que não me dizem nada. Tenho quase 40 anos e às vezes sinto-me uma adolescente com tanto ainda por viver.

Deixei de fazer fretes. Já poucos fazia, agora não faço nenhuns. Estou com quem quero, quando quero. Não faço nada por obrigação, não faço o que se espera de mim só porque alguém decidiu que devia ser assim. E se me apetecer estar sozinha em casa, estou. E se me apetecer não estar, não estou. Recuso cobranças e evito fazê-las (e há tempos levei assim um abre-olhos que me corrigiu o que havia a corrigir... acho!). Dou o que quero, aceito o que me dão. Tudo o que seja forçado não serve. Tudo o que não seja por vontade não serve. Vale para ambos os lados - para o que dou e para o que recebo.

Ainda não curei aquela sensação de que nunca sou suficiente, faça eu o que fizer. Ainda não esqueci os "mas" todos que ouvi. Mas aprendi que talvez eles não sejam problema meu. Talvez seja mesmo assim. A minha maneira de não perpetuar isto é fazer diferente com quem me rodeia. Os meus filhos são suficientes sempre, por exemplo. Gosto sem "mas". E se antes não tinha problema nenhum em verbalizar sentimentos, agora ainda tenho menos. Porque quem me rodeia tem de saber que estou ali porque amo, porque quero, porque gosto. Sem aspas, sem parênteses, sem nenhum mas. Todos temos defeitos e é também por causa deles que somos quem somos. Isso não nos enfraquece - bem pelo contrário. E quando conseguimos ver as pessoas para além das suas falhas, quando conseguimos aceitá-las e amá-las apesar de tudo... é mesmo, mesmo bom. E é sempre o suficiente.

Não perdi os meus medos todos. E ainda bem. Mas sei que as coisas acontecem porque eu faço por isso. Mais medo, menos medo, tenho é de andar sempre em frente. E eu sou suficiente para os meus objectivos, para as minhas guerras, para o que quero. Duvidei muito de mim quando toda a gente à minha volta acreditava. Isso puxou-me para trás. Faltou-me a confiança. Faltou-me gostar de mim. Felizmente, tenho quem me ensine isso em pequenos gestos (e às vezes com grandes safanões, que fazem falta). E quanto mais eu gostar de mim, mais as pessoas à minha volta vão gostar também, não é? (Sem exageros, obviamente...)

E é isto. Este é o tempo para crescer. Para me fortalecer. Para conquistar. E para saborear tudo o que a vida me trouxe no ano passado (e a vida foi assim uma amiga brutal que me trouxe algumas das melhores coisas de sempre, na verdade).

06 fevereiro 2017

O meu livro

Sexta à noite, já dia 4 de Fevereiro, três e meia da manhã, escrevi aquele **FIM** e chorei. Chorei cinco anos de guerra comigo mesma. De medos. De não saber como se faz isto de escrever um livro. De desiludir quem espera um dia vir a ler isto. De me desiludir a mim própria.

Tinha prometido que terminava isto até dia 10. Sabia que ainda me faltava fechar nós, atar pontas soltas, encerrar bocadinhos que fui deixando espalhados aqui e ali. Sexta-feira, lareira acesa, café bebido, ainda meio doente mas já a acusar a medicação e as horas de sono que tive de manhã, abri o documento e lancei-me ao caminho. E quando dei por mim estava terminado. Este longo caminho que é o meu primeiro livro está terminado. Seis dias antes do prazo que combinámos.

Falta rever. Falta mudar coisas que sei que tenho de mudar, falta acrescentar detalhes, falta reescrever alguns bocados que, tendo sido escritos em alturas de maior cansaço e menor concentração, já não me agradam por aí além.

Não sei se isto algum dia será editado. Não sei se tem qualidade para isso. Sei que cumpri o meu sonho: escrevi um livro. Nunca sonhei editar; sempre sonhei escrever. Hei-de fazer justiça ao triunvirato da realização pessoal e, visto que já tenho dois filhos, hei-de arranjar maneira de plantar uma árvore em breve.

E virá também a quinta (e, à partida, última) tatuagem. Não sei quando, mas será este ano. No Porto, com a tinta do Vesna, obviamente. Lá chegaremos.

Depois de acabar de escrever o livro estive quase três horas a digerir aquilo. Pico de adrenalina brutal. Em silêncio. Só eu e umas mensagens a dar conta do cumprimento do prazo.

Passei o resto do fim-de-semana a comemorar. Tudo no sítio certo. O coração a bater como deve ser. Os sorrisos rasgados. As conversas, os planos, os detalhes. E hoje, na praia, o sol a bater de chapa e toda a tranquilidade do mundo. Não há outro sítio onde eu queira estar. Não preciso de muito para ser feliz. Dias como ontem e hoje são tudo quanto me basta.


A seguir? O segundo livro, já começado. Sem prazos definidos (ainda), mas com a certeza de que não quero demorar cinco anos a escrevê-lo. Logo se vê o que farei com ele. Quanto mais não seja, a gaveta é um lindo sítio para morar...

(Devo muito a muito a gente por causa deste livro. Hei-de agradecer a todos, num post que vou escrever em breve. Mas por agora... obrigada a quem acreditou, a quem incentivou, a quem esteve comigo nestes cinco anos de caminho lento mas tão, tão bom...)