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18 fevereiro 2020

Parem o mundo: fiz uma festa de aniversário

Catorze anos depois, voltei a comemorar o meu aniversário como manda o figurino. Não, não fui abduzida por aliens. Não, não fiz uma lobotomia. Não, não me fizeram uma lavagem cerebral. Sou mesmo eu. A pessoa que, nos últimos 13 anos, hibernou violentamente no dia de aniversário, com direito a eliminar contas de redes sociais e desligar telefones, para não ver nem falar com absolutamente ninguém.

Então, o que é que mudou? Nem eu sei. Acho que é por estar em paz comigo. Por ter conseguido aceitar que, contrariamente ao que eu achava, sou uma pessoa importante para os meus amigos e familiares (que espanto...). Basicamente, deixei-me de merdas.

Com quase um mês de antecedência, criei um grupo no Whatsapp onde reuni as minhas pessoas. Partimos daí. A ideia não foi marcar uma espécie de grandioso evento nem nada do género: foi só mesmo um jantar. Coisa calma, tranquila, perto de casa, sem alaridos, sem grandes produções. 

Por estar a uns simpáticos 2 minutos de distância (a pé) de casa, a tentação foi enfiar umas calças de ganga e um camisolão qualquer e descer. Mas não. Houve vestido novo, houve maquilhagem especial, houve salto alto. Porque me apeteceu. Porque eu não sou só isto, mas também posso ser isto. E está tudo bem.

Acabei por juntar um grupinho simpático de amigos antigos, incluindo afilhada e sobrinha emprestada. Não me arrependi por um segundo de ter decidido comemorar assim. 

E sabem que mais? No ano que vem, no mesmo sítio, à mesma hora!

14 fevereiro 2020

Escritora


Para mim, um escritor é alguém que escreve livros e os publica. Ou era. 

Há escritores que, sendo escritores, não escrevem (e por cá temos um ou outro que, na verdade, recorrem a ghost-writers - que são pessoas que escrevem efectivamente o que será assinado por outras. A título de exemplo: James Patterson, um famoso e muito profícuo escritor americano, já só delineia os plots dos seus livros, que depois são escritos por outras pessoas - e só assim consegue publicar 15 livros num ano, como já aconteceu). 

E depois, há pessoas que, escrevendo imenso, não são escritores. Ou melhor, são. Eu é que ainda não encaixei a ideia.

Escrevo desde os 10 anos. Sempre escrevi imenso. Tenho fases mais produtivas do que outras (agora, por exemplo, estou numa espécie de deserto de escrita há demasiado tempo), mas vou sempre escrevendo. Tenho um livro em vias de ser editado. E ainda me custa pensar que sou escritora. Mas sou.
Não me assumir como escritora tira-me a pressão de escrever, que é coisa que me tem dado jeito em alturas de pouca fluidez de escrita (como agora). Acontece que escrevi um livro e tenho mais uns quantos para escrever.

Outra coisa que me afasta de me assumir como escritora é o assustador e mui real síndrome do impostor.


Calha que isto, sendo um bocado parvo, é assustadoramente real. E eu padeço disto mas assim mesmo à grande. Reparem: conscientemente, eu sei o que escrevo e como escrevo. Inconscientemente, acho que não sou boa o suficiente, que vou defraudar expectativas e que não estou ao nível que era suposto estar. E isto não é verdade.

Portanto, sem merdas: eu sou escritora. E, caramba, isto é tudo o que eu sempre quis ser! 

(Agora falta-me viver DE e PARA escrever. Mas isso são outros quinhentos...) 

13 fevereiro 2020

Sobre podcasts

De repente, explodiu o cogumelo dos podcasts. E toda a gente lançou podcasts. Comecei a ouvir podcasts quando a Bumba na Fofinha foi para Nova Iorque e lançou o Fuso. Como não tenho imeeenso tempo livre, a janela temporal que funciona para mim é... o banho. Portanto, quando tomo banho em casa, está sempre um podcast a correr ali. 

Então e, além da Bumba, que podcasts é que eu ouço? Nada de podcasts de bloggers/instagrammers portugueses. Se estou cansada do registo escrito, não vou a seguir mergulhar no mesmo registo falado, claro.

Portanto: Quarenta e Cinco Graus - do economista José Maria Pimentel, consiste em conversas com variadíssimas pessoas sobre temas tão amplos como ciência, psicologia, medicina, economia e até humor. Não ouvi os episódios todos, mas os mais interessantes, para mim, foram os do Ricardo Araújo Pereira e da Luana Cunha Ferreira. (E, se virmos o Ricardo Araújo Pereira no Maluco Beleza, conseguimos perceber que é fácil entrevistar a mesma pessoa, sobre o mesmo assunto, de perspectivas completamente diferentes...)

Terapia de Casal, do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova. Estes dois, alem de terem uma história fabulosa, são duas pessoas que têm em comum duas características que, para mim, são AS CARACTERÍSTICAS: inteligência e humor (que, na verdade, para mim, são uma e a mesma coisa). Neste podcast, eles fazem uma espécie de consulta de terapia de casal, às vezes com convidados (maioritariamente ligados ao humor), outras vezes sozinhos. No fundo, são eles a mostrar visões diferentes sobre uma série de questões que são transversais à vida de (quase) todos os casais.

Serial Killers: bom, este parece-me óbvio. Com o fascínio que eu tenho por gente descompensada, e com o interesse que tenho sobre este tema, não descansei enquanto não encontrei um podcast bom sobre o assunto. Estão lá todos os grandes serial killers: Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, The Zodiac Killer, the BTK Killer... E sim, eu sei, eu sei... é estranho eu gostar tanto disto. Já expliquei: sou fascinada pela forma como aqueles cérebros funcionam e tenho mesmo pena de não ter estudado isto e de não ser esta a minha profissão.

E, no mesmo tema (gente marada que mata pessoas), Crimes of Passion. Aqui há dois episódios sobre a Jodi Arias, de quem já falei aqui no blog, mas há também imensos casos interessantes de gente que não se controla e que se passa um bocadinho, vá.

Portanto, nada de coisas fofinhas, nada de coisas leves e smooth e unicórnios e cenas. Aqui é tudo um bocado mais visceral e para fazer pensar. 

12 fevereiro 2020

Os 41 são os novos... 41


Não sei se me sinto com 41 anos porque não sei como é suposto uma pessoa sentir-se com 41 anos. Sei que me sinto bem.

Fiz as pazes com uma série de coisas. Foi o primeiro ano em muitos em que não me blindei e morri para o mundo. Trabalhei de manhã, fui almoçar sozinha, fui ao cinema sozinha (e escolhi um filme de merda, mas enfim...), fui treinar, e acabei a noite a jantar nos meus pais. Tudo calmo e maravilhoso.

Soube-me bem. Não me fechei. Aceitei os mimos. E senti-me estranhamente leve por isso.

Portanto, 41 anos, em paz comigo. Deve ser isto que se sente com esta idade...

10 fevereiro 2020

Respirar...

Na cama, no caminho de e para o trabalho (incluindo toda as deslocações a pé), em filas de espera várias: ebooks no Kobo.

Enquanto cozinho, faço limpeza e conduzo: audiobooks no telemóvel.

Enquanto tomo banho: podcasts no Spotify.

Informação constante a entrar. Às vezes, só quero silêncio. Raramente consigo. Porque me custa não aproveitar o tempo. Porque me custa a inércia. E, no fim, custa-me o ruído, o frémito, a rodinha de hamster sempre a andar.

Às vezes, só queria conseguir parar. E respirar. Silêncio. Sem informação. Sem pensamentos. Cérebro em serviços mínimos. 

(Meditação, eu sei. Não consigo. Sinto que estou a perder tempo que podia usar de forma proveitosa. Uma estupidez, também sei.)


04 fevereiro 2020

Sobre as últimas leituras

Este ano, o meu desafio do Goodreads é ler 40 livros. E, a não ser que alguma coisa muito estranha aconteça na minha vida, esse número vai ser ultrapassado facilmente. É que hoje é dia 4 de Fevereiro e já li seis livros, portanto...

Bom, desde que comprei outro Kobo (o meu primeiro entregou a alma ao criador numa definhação lenta que se arrastou por meses e meses até dar o sopro final a meio do ano passado - e eu nem sei como sobrevivi até Dezembro sem o substituir...), tem sido um vê-se-te-avias. E têm sido leituras óptimas...


"Só o Tempo Dirá" é o primeiro livro de sete que compõem a Saga dos Clifton. Ora acontece que isto é muito bom. Mas muito bom mesmo. É daqueles livros que se lêem de enfiada, sem parar. A escrita é simples e muito fluida e... bom, na verdade, esta saga podia, na boa, ser uma novela da TVI, mas em bom. Com diálogos decentes e bem escritos, em vez daquelas xaropadas que ninguém aguenta. Se querem perder-se facilmente em horas de leitura, aconselho sem reservas. E olhem que eu implico com novelas da TVI mas assim mesmo à bruta...


Não sendo um Chris Carter (que, a propósito, vai lançar um stand-alone algures durante este semestre), é um bom thriller, sim senhor. Muito aclamado no ano passado e tal. Se gostam do género, mergulhem.


Este livro foi um dos maiores fenómenos literários do ano passado. Ainda estou para perceber porquê. Achei a maior seca, na verdade. Foi uma leitura dolorosa. Diálogos péssimos, uma trama absolutamente inverosímil (imaginem uma miúda que não vai à escola tornar-se, do nada, bióloga marinha...). Não gostei nada. Mas... a minha opinião é mesmo contrária à da maioria das pessoas que leu isto, portanto se gostam de histórias a puxar ao drama, talvez isto vos agrade.


E para terminar (por hoje), voltamos ao que mais me apaixona: gente morta. Este é o segundo livro de uma série que já tem seis títulos editados cá. Li o primeiro há uns anos e não amei. Nunca mais me interessei por esta dupla nórdica. No final do ano passado, trouxe isto da biblioteca e olhem... gostei mesmo muito! Tem tudo o que um bom thriller deve ter: um psicopata em condições, um detective cheio de problemas pessoais para resolver, uma boa intriga e um jogo de gato e rato bem construído. Gostei mesmo e quero ler os quatro livros que me falta.


Afinal, ainda não acabei. Isto acabou de sair e é o que ando a ler agora. Comecei ontem à noite, li 10% do livro (sim, digital...) e acabou de morrer uma pessoa. Ainda não posso falar muito mas... até ver, estou a gostar... Quando acabar, conversamos sobre isto novamente.

Boas leituras!

10 janeiro 2020

20.20

Quase um mês sem escrever aqui. Eu bem tenho ideias fixas de escrever com regularidade e tal mas... não. E não por várias razões. Um: não me apetece escrever sobre banalidades e contar que fui às compras e apanhei limões em promoção. Dois: continua a não me apetecer vender os meus filhos e, mantendo a mesma ideia há mais de doze anos, é bem capaz de NUNCA acontecer. Três: continuo a não querer ser influencerzzzz e a não achar a mínima graça a catálogos disfarçados de blog. Quatro: não me apetece expor a minha vida pessoal. Cinco: não há por aí assim nenhum grande feito meu que mereça tempo de antena (e isto vai mudar quando houver data para a edição do livro, portanto depois falamos nisso).

Bom, maneiras que o que eu tenho hoje para contar é mais uma situação caricata que me aconteceu ontem. Pois que estava eu numa paragem de autocarro à beira das Amoreiras, à espera, de phones nos ouvidos (mas não estava a ouvir nada, estava mesmo só com os phones postos, a ler o meu livro - que, by the way, está a ser CHATO nas horas, mas depois falo nisto e em mais uns quantos livros), quando sou abordada por um senhor que me pergunta as horas. Ligo o ecrã do telemóvel e respondo. Ele não se foi embora e eu pensei que me fosse pedir dinheiro (acontece imenso, tinha-me acontecido na véspera, no metro). Mas não. O senhor sorri e diz qualquer coisa entredentes. Como não percebi, tirei um dos phones e pedi para repetir. Ele sorriu e fez-me sinal para tirar o outro phone - porque não devia querer falar muito alto. Eu tirei e ele, sempre a sorrir, pergunta-me

- É comprometida?

Abanei a cabeça, pisquei os olhos, incrédula. Disse que sim. Ele agradeceu, virou costas e foi-se embora em direcção ao horizonte...

E é isto. A minha vida continua a ser uma estranha sucessão de momento inacreditáveis e surreais, que caberiam, na boa, numa sitcom...

13 dezembro 2019

Random shit

(Eu tenho é de me orientar e de escrever com frequência, como as bloggers normais. Isto já não se parece com nada...)

Cenas assim meio aleatórias:

- Pessoa (eu) marca jantar de Natal da empresa com dois meses de antecedência. Pessoa (eu) compra presente do amigo secreto com um mês de antecedência, para evitar romaria ao shopping, no dia do jantar de Natal, à hora de almoço, para comprar presente do amigo secreto. Pessoa (eu) esquece-se do presente em casa, no dia do jantar de Natal (hoje). Pessoa (eu) vai acabar a ir em romaria ao shopping à hora de almoço. Génia.

- 41 livros lidos em 2019, até agora. Alguns flops, mas, no geral, foi uma boa colheita. Comecei ontem a ler o primeiro livro (de sete) da saga dos Clifton, do Jeffrey Archer. Estimo que me tenha lixado. Com F. É que li 40 páginas em menos de nada...

- "O Irlandês" - não fosse o De Niro, o Pesci e o Pacino e aquilo era a maior seca da história. 3h30 de diálogos outra vez arroz, máfia, mortes, negociatas, máfia, mais mortes, ainda mais mortes, mais negociatas e... menos duas horas de filme e teria sido bom.

- "Marriage Story" - a Scarlett é provavelmente a pior actriz de sempre. Overrated que dói. O filme tem diálogos bons, a meio da coisa o Kilo Ren desata a cantar e é o La La Land (que odiei) all over again. O que salva o filme é a Laura Dern, mas assim de caras. E sim, passei por um divórcio, aquilo chafurda nas feridas todas, passa uma mensagem poderosa sobre como é fácil passar do amor ao ódio num cenário de guerra. Mas... não justifica o buzz todo. Mesmo nada.

- Posto isto, estou a apostar as minhas fichas todas no "The Two Popes", que estreia ainda este mês na Netflix. Vejam lá se se redimem com este, por favor.

- Ainda não vi o "Roma". Continuo a não ter intenção de ver.

É tudo, por agora...

04 dezembro 2019

Doze

A minha filha fez doze anos e eu estou a processar.

Esqueçam cólicas, noites sem dormir, birras de mil diabos. Esqueçam isso tudo. Isso é facílimo. A walk in the park. Fodido, realmente fodido, é lidar com a adolescência. Não há sequer comparação. Mesmo. E lamento não dourar a pílula e não vir para aqui dizer que está a ser óptimo. Não está. São desafios constantes. São braços de ferro diários. Somos nós a querer mantê-los num caminho mais ou menos seguro e saudável e são eles a quererem saltar a cerca. Faz parte. Eu sei. Been there. Acontece que a minha cerca era electrificada e eu sabia mesmo que não me podia esticar. Esta acha que está à vontadinha. Não está.

Obviamente, há coisas fabulosas nisto de ela ter doze anos. Já não tenho de lhe limpar o rabo. Sobrevive sem eu intervir de hora a hora. Colabora mais em casa (sob coação). Conseguimos conversar sobre mais assuntos. 

Vejo nela muito de mim e consigo antecipar as lutas que ela vai ter, porque eu também já as tive. Somos muito diferentes e, ao mesmo tempo, somos demasiado iguais. Coitada, herdou o melhor e o pior de mim. Mea culpa.

Eu adorava ser a mãe fofinha da parentalidade positiva e o camandro. Não sou. Sou a mãe exausta, que leva tudo às costas. Sozinha. Valem-me os meus pais, que me ajudam mais do que deviam, mais do que mereciam. Sem eles, eu já estaria com uma pedra por cima e um bonito "Aqui jaz uma mãe que não aguentou mais", ao lado de uma fotografia qualquer. 

Estes doze anos foram maravilhosos. Mas, confesso, estou muito ansiosa por vê-la com 30 anos e já livre destes dramas adolescentes todos. Mesmo que isso signifique que eu tenha 58 anos e os pés para a cova.

Doze anos. Ouch...

29 novembro 2019

Gente burra

Eu sei que estou a ficar velha quando tenho cada vez menos pachorra para gente burra. E, parece-me, há cada vez mais gente burra por aí.

Ontem, no Instagram, post de uma influencerzzzz onde ela mostrava uns botins e uma caneca de chicória, que consome por ser intolerante a alguns componentes do café. Até aqui, tudo tranquilo (e os botins são giros, sim). 

O festival começa quando uma mente iluminada lhe pergunta onde é que ela compra a chicória... E eu não resisti.



Portanto... nenhuma daquelas pessoas percebeu o que se passou ali. Humor, dizem, é o maior sinal de inteligência e nenhuma delas teve o mínimo sentido de humor. Nenhuma percebeu. Zero. 

Já acho absolutamente absurdo e imbecil que a carneirada pergunte onde as influencerzzzz compram TUDO (incluindo a porra da chicória!). Acho ainda mais absurdo que não entendam ironia, sarcasmo e piadas. E é por isto que entendo o sucesso das influencerzzz. Ninguém questiona, ninguém tem sentido crítico. Limitam-se a ir a correr, em rebanho, comprar toda e qualquer merda que elas divulguem. É triste...