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19 fevereiro 2018

Guilty Pleasure

Podemos começar a semana assim, com um guilty pleasure rasca, de gosto muito duvidoso, quase a fazer a Ana Malhoa parecer uma senhora com classe? Se sim... 'bora lá...



(É mauzito, é... Mas, trashyness à parte, é provavelmente das músicas mais sexy que por aí rodam agora. Não quer dizer que seja bom. É só sexy AF...)

(Bati no fundo. Eu sei. Get over it.)

16 fevereiro 2018

Do not judge a book by its cover

(and do not let yourselves be fooled by the title of the post.)

(não é sobre livros. é sobre séries.)

(o que é que me deu para estar a escrever apontamentos assim?)

Genéricos de séries: a-d-o-r-o. Em bom, obviamente. Exemplos? Hannibal. The Affair. Gypsy. Cardinal. Dexter - que foi a série que me fez apaixonar por genéricos bem feitos.

ADENDA: entretanto cheguei à segunda temporada do Cardinal e percebi que o genérico é diferente... portanto estão aí os dois. Enjoy.










12 fevereiro 2018

3.9

Trinta e nove. Último antes dos entas, blábláblá, inserir clichés aqui. Sem paciência.

Não gosto de celebrar o meu aniversário. Não acho que seja motivo de celebração. Sou só uma pessoa em sete mil milhões de pessoas e todos fazemos anos. Este ano, por estar a viver uma coisa nova e especial, decidi dar uma hipótese também a isto. Portanto, peguei nas minhas duas miúdas e fomos jantar e dançar. Foi bom. Foi a parte boa deste processo todo. Mas foi no sábado, véspera do meu aniversário. Daí em diante foi sempre a descer.

Dormi pouco. Dormi mal. Acordei e arrastei-me um bocado. Não me apetecia nada além de estar no sofá o dia todo, enrolada numa manta, a ver filmes. Mas tenho aquela estranha tradição de ir ao cinema sozinha no meu dia de anos e não quis mudar isso. Não tinha por que mudar e não mudei. Portanto agarrei em mim e fui ao Fórum Sintra. Comi uma sopa (mega exagero: comi umas dez colheres de uma sopa que até estava boa, mas eu estava sem fome e nada a fazer), escolhi ver um thriller que atende por "Todo o Dinheiro do Mundo" (irónico, eu sei) e pronto. Devo ter passado uma meia hora do filme a dormir (e hei-de rever o filme à conta disto, mas enfim). No intervalo, para ver se acordava, fui buscar umas pipocas. Enjoo. Saí dali e decidi que merecia um presente de aniversário. Não ia à procura de nada. Encontrei umas sandálias e um body e siga.

Pelo meio, meia dúzia de telefonemas, umas quantas mensagens e eu arrependida de não ter feito o que faço sempre, que é desligar tudo e hibernar.

Tudo o que podia correr mal no dia do meu aniversário... correu. Salvou-se o jantar com pais e filhos (e um entrecosto assado no forno que estava uma delícia, que a pessoa pode estar a bater mal em todas as frentes, mas continua a saber cozinhar) e um bolo de bolacha que a minha mãe insiste em fazer, apesar de eu não conseguir comer aquilo.

Hoje de manhã, chego ao Facebook e aquilo informa-me de que faço anos. Hoje. Portanto, há anos que tenho a minha data de aniversário oculta no Facebook. Este ano, não só tenho aquela porra visível, como o dia ainda por cima está errado. Lovely. Tentei mudar. Não dá. Diz que mudei aquilo há poucos dias e que não posso mexer tão cedo. Não mudei porcaria nenhuma. Não há-de faltar muito para eu apagar a merda da conta do Facebook, parece-me.

E é isto. Trinta e nova e cada vez menos paciência para coisas. Muita vontade de paz, de sossego, de amor e carinho, de coisas boas, de sorrisos no sítio certo. Tudo o resto é uma cruz por cima.

(Obrigada a quem se manifestou no meu dia.)

P.S.: Para o ano, quando forem 40, tenciono celebrar à minha maneira. Bem longe daqui.

08 fevereiro 2018

Carta aberta às mães de primeira viagem

Hoje, vi no Facebook a nota sobre o regresso ao trabalho de uma amiga que foi mãe há poucos meses. Percebi nos comentários dela a mesma vivência que eu tive há quase 10 anos, quando regressei depois de ter a minha primeira filha. E apeteceu-me escrever-vos, mães estreantes que ainda não passaram por isto mas já estão a bater mal.

Resumo do que aí vem numa frase: não é tão mau como parece. Não é mesmo. Sosseguem.

(Eu explico)

Cerca de um mês antes de voltar ao trabalho, tinha a minha miúda quatro meses, comecei a pensar na vidinha: como ia ser passar o dia inteiro sem ela, como ia ser só a ver de manhã e à noite, como ia ser não acompanhar tudo, não ver tudo, não estar lá com ela para tudo. Claro que deixei que a angústia se instalasse e aquilo foi um pequeno buraco negro na minha vida. Sofri por antecipação. Sem razão nenhuma, percebi depois.

Reparem: eu tinha a sorte de ter uma filha que dormia noites inteiras desde o mês e meio de idade, já a tinha passado para o quarto dela (sim, sou o tipo de mãe que muda os filhos para os respectivos aposentos assim que eles deixam de precisar de mim durante a noite), ela era uma miúda tranquila, que basicamente comia e dormia, não era nenhum  diabo da Tasmânia (agora é...). E eu tinha medo do que aí vinha, por perder aquele tempo com ela.

Por volta desta altura, a pediatra mandou introduzir os sólidos, para ser eu a fazer a habituação dela. Não me passou pela cabeça insistir na amamentação exclusiva pelo menos durante seis meses (e ainda bem, porque assim que voltei ao trabalho fiquei sem leite).

Portanto, mais isto: não era eu que lhe ia dar a comida, não era eu que ia ver as gracinhas dela, não era eu que... nada. Era a ama. E a ama era uma rapariga porreira, que tinha uns 26 anos e três filhos, tinha sido mãe aos 17 anos, estava mais do que apta para a coisa (depois teve mais uma filha, antes dos 30, e não sei se parou por aí, que entretanto perdi-lhe o rasto).

Bom, lá voltei. Sei que era Maio, os dias estavam a ficar maiores, eu ia beneficiar de duas horas de redução de horário, portanto ia sair às 16h30 e...

O primeiro dia foi um bálsamo. Olha, pessoas crescidas! Olha, assuntos de adultos! Olha, não tenho de mudar de fraldas! Olha, não tenho de estar a ouvir o Panda... E soube bem! Soube muito bem! À tarde, quando regressei, enfiei o nariz no pescoço dela e a vida seguiu. Ela estava bem, eu estava bem. Adaptámo-nos. Foi fácil. Passei a ter as duas valências: era uma mulher que trabalhava durante parte do dia, era mãe no resto do tempo. Também era mãe quando estava a trabalhar e, nos dois ou três primeiros dias, as mamas avisavam quando eram horas de ela comer, mas isso acabou rapidamente.

Percebi que tinha andado preocupada para nada. Custou muito menos do que pensei. Acho que não chorei, sequer. Quando passei por isto tudo uma segunda vez, fiz a coisa de outra forma: não pensei em nada disto antes de voltar. Limitei-me a saborear os cinco meses de licença e a voltar calmamente, quando chegou a altura. E foi muito melhor.

Portanto, e voltando ao início, isto não é tão mau como possam pensar. Não custa tanto quanto possam pensar. É uma fase e faz parte, mas tem um lado bom, que é dar algum descanso à cabeça cansada de mãe que, por muito fáceis que os filhos sejam, arranja sempre maneira de se entreter com alguma coisa.

O meu conselho, se é que há um conselho válido é este: relaxem. Aproveitem o tempo para vocês. Aproveitem para se reencontrarem para além da maternidade. Antes de serem mães já existiam e o vosso valor não se esgota na maternidade. E vão ver que, em menos de nada, já se habituaram à rotina e tudo está bem na mesma.

01 fevereiro 2018

Sobre o que ando a ler

No ano passado queria ter lido 24 livros - li 18. Faltou-me tempo (que gastei entre filmes e séries e com a vida no geral) e não cumpri a minha meta. (Mas quis ver 104 filmes e vi mais do que isso, portanto missão cumprida num dos departamentos.)

Este ano quero ler 24 livros novamente. Acontece que fui deixando imensa coisa a meio e decidi que não pego em nada até acabar aquilo. Já terminei três dos que tinha pendurados. E descobri que os audiolivros são uma coisa boa, quando não precisamos de ter a cabeça ocupada, mas apenas as mãos. Ouvi um livro assim e estou quase a terminar o segundo, e isto é maravilhoso, porque é o que faço quando não poderia estar a ler: quando vou a andar pela rua, para o trabalho, quando cozinho, quando limpo a casa, quando estendo roupa... tudo actividades que me ocupam as mãos (ou as pernas, no caso das deslocações), mas que não precisam do meu cérebro para muito.

Tenho mais uma série de livros a meio e vou continuar a acabá-los nos próximos tempos. Mas já quebrei a minha própria regra e decidi começar a ler o Anna Karenina, que já queria ter lido há imenso tempo. Aquilo tem capítulos curtinhos e eu comprometi-me a ler um por dia. Quando acabar de o ler acabei, sem pressas. Hoje, por exemplo, comecei logo com créditos: li dois capítulos. Depois ando com o "Hoje Estarás Comigo no Paraíso", do Bruno Amaral Vieira, na mala, e é o que vou lendo no comboio e ao almoço, se me apetece; na cama, ando a ler "A Coluna de Fogo", do Ken Follett, que não vou andar a carregar comigo (aquilo tem quase 800 páginas e dá para fazer treinos de preparação de bodybuilding com ele!); ando a ouvir uma coisa de que não estou a gostar muito, chamada "Nest", mas está quase a acabar e em breve mudo de ares; no Kobo também tenho uma data de coisas a meio, mas não lhe tenho pegado porque quero mesmo despachar o que anda para ali em papel.

Entretanto, já saiu o "Parem Todos os Relógios", do Nuno Amado, que foi finalista do Prémio Leya, e claro que aqui a menina não resistiu e já o tem em fila de espera. E em Março sai o novo do Tordo e... the rest is history.

Posto isto, diz o Goodreads que, para o meu objectivo, estou com dois livros de avanço. Eu acho que, se isto continuar assim, vou chegar ao fim do ano com o meu objectivo largamente superado. E isso é tão bom!!

31 janeiro 2018

Da vida

Às vezes, a minha vida acontece numa concha fechada. Tem sido assim. Gosto pouco de viver em palcos. Gosto de viver dentro de portas. De mim sei eu. Partilho o essencial e, mesmo assim, às vezes acho que falei de mais. Prefiro guardar para mim o que é verdadeiramente importante. Costumo dizer que sou a pessoa extrovertida mais reservada do mundo. E sou. De mim, sabe-se o que eu deixo que se saiba. À superfície, vem aí 1% de tudo. O resto é meu. Sentimentos, vontades, planos, ideias. Guardo tudo. Porque não interessa ao mundo; interessa-me a mim. E gosto pouco de plateias e de holofotes em cima da minha vida. Sei lá... se calhar estou só cada vez mais bicho-do-mato. Ou estou a aprender a defender-me de coisas que não me fazem falta e que, na verdade, só atrapalham.

16 janeiro 2018

2_100

Abriu a janela e o pássaro, mesmo solto, escolheu ficar. Pousou-lhe no ombro, bicou-lhe a orelha, talvez tenha deixado no ar um trinado qualquer. Nem todas as prisões são necessárias, pensou. A este, não fazia falta a janela fechada, só a segurança da alpista e da água fresca, os gestos de amor possíveis entre humanos e pássaros. Talvez não seja preciso amarrar nada. O maior dos amores é livre, pode ir embora, mas prefere ficar onde sente o coração pulsar. Um amor feito de amarras não é amor. Quando nada te prende e ficas mesmo assim — isso é amor.

15 janeiro 2018

Supernanny - Super exposição

Não vi o programa da polémica de hoje (Supernanny, da SIC), mas li imensa coisa e percebi o contexto (não sabendo exactamente o conteúdo - ou seja, sei que há uma criança que precisou de uma "intervenção", sei que há uma família e uma psicóloga (que, segundo a própria não está ali na condição de psicóloga). Mas o que há aqui é uma família que foi paga para expor uma situação familiar em torno de uma criança).

Por pontos:

1. Quem me segue e sabe que tenho dois filhos, já se apercebeu de que eles não aparecem em lado nenhum, de maneira explícita. Não há UMA foto deles na net, daquelas que permitem identificá-los. Zero. Porquê? Porque eu não sou dona da vida (nem do futuro) deles. Eles têm direito à sua privacidade, a serem protegidos, a não serem expostos por serem meus filhos. Uma coisa é contar um ou outro episódio sobre eles. Outra, bem diferente, é inundar tudo quanto é rede social com milhares de imagens deles. Imaginem que, daqui a uns anos, um deles resolve que quer trabalhar na PJ, como agente infiltrado. Pois... lá se vai... tudo. Imaginem, simplesmente, que são pessoas reservadas, a quem não interessa serem conhecidos. Pois... Eu não tenho o direito de usar a imagem deles para o que quer que seja. eu não ganho dinheiro à custa dos meus filhos. Ah, e tal, e os miúdos que são modelos? Certo. Não tem nada a ver. Vestem uma personagem, não há grande maldade nisso. Quando os meus filhos quiserem aparecer (e tiverem idade para isso), veremos o que acontece. Até lá, não os exponho. Sei de outra polémica qualquer que houve há pouco tempo, na blogosfera, sobre fotos de crianças a usarem penicos. Vocês gostavam que as vossas mães tivessem disponibilizado este tipo de imagens vossas ao mundo? Eu ODIAVA. E não faço aos meus filhos o que não gostaria que a minha mãe me fizesse a mim. Já bastam as fotos oficiais da escola, com aqueles modelitos assustadores, que nos envergonham a todos sempre que a nossa mãe se lembra de sacar do álbum nos almoços de família.

2. Até acredito que aquela criança em particular precise de ajuda. Há vários sítios onde pode recebê-la. Nenhum envolve câmeras, maquilhadores, guiões e afins. O que há aqui é uma exploração atroz de uma situação delicada. Como é que aquela criança vai ser vista, daqui em diante, no seu dia-a-dia? Reality shows em tenra idade, a sério? Não bastam as tretas das Casas dos Segredos? É mesmo preciso descer tão baixo...?

Os meus filhos são meus, mas eu não sou dona deles. Eles têm direito à sua privacidade, têm direito de não serem conhecidos, têm o direito de poder, um dia destes, ir a uma entrevista de emprego sem que os futuros empregadores os vejam sentados num penico, ou todos sujos de papa, ou a fazer a birra de uma vida. (São tudo situações normais, certo. Mas nós também não gostamos muito de aparecer lavados em lágrimas ou bebedíssimos, pois não? Se nos resguardamos de situações constrangedoras, porque é que os expomos a eles? E mesmo que não sejam situações más, porque é que os expomos, de todo?)

Já disse isto aqui várias vezes: para mim, a vaidade que tenho nos meus filhos (e, portanto, o orgulho que possa ter em mostrá-los) não poderá ser nunca superior ao seu direito à privacidade. Eles têm a vida pela frente. E a vida deles é deles, não é minha. Eu não sou ninguém para decidir que eles são material de exposição. A net não é tão privada nem tão segura como possamos pensar. E o que aparece uma vez na net fica para sempre na net. E e calhar há coisas que não cabem em lado nenhum a não ser na esfera privada de cada um... 

Movie time

Para 2018 mantenho o objectivo que tinha em 2017: quero ver pelo menos 104 filmes. Hoje é dia 15 e já vi... doze. Como? Quatro filmes por fim-de-semana e a coisa dá-se. Bom, mas o que quero mesmo é dizer-vos isto: ontem, sem filhos e sem melhor amiga por perto, com ponte aérea em modo ponte aérea, estava sozinha e sem planos. Excepto cinema. Decidi que queria ir ver dois de quatro filmes. As opções eram "Três Cartazes à Beira da Estrada", "Jogo da Alta Roda", "Só Para Ter a Certeza" e "Wonder". Ginástica de sítios e horários de sessões e acabei a ver os dois primeiros. E que tal?


"Três Cartazes à Beira da Estrada" é um drama pesado, que fala sobre justiça (ou a falta dela) e sobre os pequenos vícios das cidades pequenas. Aquilo vai em crescendo e somos sugados para a angústia daquela mãe que, vendo que ninguém faz muito para descobrir quem raptou, violou e matou a filha, resolve atirar ao chão a primeira peça do dominó, na esperança de que tudo o resto caia a seguir. E cai. Frances McDormand a pôr-se a jeito para mais uma nomeaçãozinha para o Oscar e um Woody Harrelson que me faz confusão ver envelhecido (porque me lembro dele bem mais miúdo... quando também eu era bem mais miúda!). Nove estrelinhas em 10. Vale muito a pena.


"Jogo da Alta Roda" é puro entretenimento. No bom sentido. Baseado num caso verídico, conta a história de Molly Bloom que, algures nos anos 2000, deu por si a organizar todo um esquema de jogos de poker. Jessica Chastain a mostrar que sabe o que anda aqui a fazer e um Idris Elba fabuloso (eu sou daquelas parolas que fica sempre estarrecida quando apanha actores britânicos a representarem americanos sem sombra da sua very British accent!) dão corpo a tudo isto. A maneira como a história anda para a frente e para trás, para nos mostrar motivações e justificar acções, está muito bem conseguida. Estive duas horas completamente desligada do mundo e não são todos os filmes que conseguem fazer isto. Não sendo um filme de acção aceleradíssimo (nada disso), é daqueles filmes que nos mantém offline por um tempo e isso é muito bom. Ah, e no final, cena do tribunal, olhei para a Jessica Chastain e pensei que também teria gostado muito de ver isto feito pela Julia Roberts. Não sei porquê, porque acho que esta senhora também é capaz de sacar um lugarinho nos cinco favoritos, lá no Dolby Theater... 

10 janeiro 2018

1_100

Era toda uma névoa de pensamentos enleados e não saber para onde ir a seguir, a chuva que caía violenta sobre o cabelo desprotegido, o frio a vergar corpos, o anoitecer triste sobre os carros, as luzes a incendiarem poças de água, despojos do dia guardados no sítio onde se guardam as memórias a que não voltamos. Era Ana e o telefone na mão, a bateria a querer morrer, a incerteza a crescer dentro dela, a estrada a fugir-lhe dos pés e ele na outra ponta da cidade, o corpo ainda quente, o cheiro ainda vivo e afinal o fim.