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02 agosto 2019

Banha da cobra, influenciadores e o poder do dinheiro

Há coisas que me tiram do sério. Algumas arrancam-me apenas um revirar de olhos. Outras pedem que gaste com elas alguns minutos de atenção. É o caso.

Não é muito difícil que quem anda pelo Instagram se cruze com gente que nos enfia códigos de desconto da Prozis pelos olhos dentro. Mais figura pública, menos figura pública, o que não falta são 10% de desconto + ofertas a rodos. Nada contra. 

Antes de avançar, importa referir: sou cliente da marca, consumo whey e manteiga de amendoim deles, já usei códigos de desconto (e quando escolho o código a usar ganha o que tiver a oferta melhor - os descontos são sempre de 10%, mas as ofertas associadas variam de influenciador para influenciador e mudam semanalmente), estes produtos são bons e têm uma boa relação qualidade/preço e isso é o que me importa. Estou-me nas tintas para quem são os "embaixadores" da marca.

Então a que propósito é que vem este post? Pois que a Prozis resolveu "lançar" uns electroestimuladores de abdominais, que vende a 50€. Aquilo é uma maquineta que se cola à barriga, emite choques e... bom, e nada. Mas pronto. Também há quem acredite que a Nossa Senhora apareceu em cima de uma árvore, não é? 

Já todos vimos a Carolina Patrocínio e a sua barriga, certo? Ela já tinha a barriga traçada muito antes dos electroestimuladores, mas agora divulga-os, como se aquilo fosse a solução milagrosa. Ela e mais uma carrada de gente fit (que são quem fornece os tais códigos de desconto) desataram a divulgar aquilo. E há-de haver quem compre aquela merda e acredite que aquilo resolve alguma coisa. 

Ou seja, temos maquinetas inúteis, vendidas a um preço absurdo, e divulgadas por pessoas que têm corpos magros e tonificados, que conseguiram com muito trabalho árduo, mas sem a intervenção daquela porra. Isto faz algum sentido? Para mim, não. É só mesmo vender banha da cobra a preço de caviar. E por falar no preço... A mesmíssima coisa, no Aliexpress, custa... menos de 10€. 

26 julho 2019

Disclaimer

40 anos e ainda dou comigo a justificar coisas em mim. "Sou assim porque...", "eu digo isto mas,..." e afins são coisas que facilmente me ouvem dizer. Porquê? Não faço puto de ideia. É como se sentisse que preciso de pedir desculpa por ter opiniões e formas de agir, como se precisasse de me barricar antes sequer de me sentir atacada, uma espécie de devesa antecipada, já a prever o que possa vir de encontro a mim. Uma estupidez.

A parte boa é que, tendo consciência disto, cada vez menos caio neste erro. Já estou a chegar àquele ponto em que me preocupo... zero. Ainda não estou no zero-zero, mas para lá caminho... e é libertador, até porque pedir desculpa por sermos como somos é mais ou menos como insinuar que haveremos de mudar. E até podemos fazê-lo. Mas que seja por nós e não pelos outros. Porque os outros... bem, sejamos nós como formos, arranjarão sempre maneira de criticar. E aos 40 já temos idade para saber que nunca agradaremos a toda a gente (da mesma maneira que nós não gostamos de tudo quanto nos passa pela frente) e está tudo bem.

[Fim do momento Gustavo S@ntos. Podem seguir viagem rumo ao fim-de-semana. Obrigada e boa tarde.]

23 julho 2019

Vira o disco e toca o mesmo...

Lá ando eu de volta com o dilema de sempre: quero escrever mais aqui no blog, não quero plantar aqui a minha vida pessoa, não quero que isto seja drama, não quero entrar na espiral do assunto comida/ginásio/forma física, não quero criar um bolha cheia de nada. Quero criar conteúdo interessante, com que vocês se relacionem, que vos diga alguma coisa. Mas para isso preciso da vossa ajuda...

Vou deixar, no Instagram, que é a plataforma que permite isto, uma espécie de sondagem para perceber quais são os temas de que vocês preferem que fale. Obviamente, não escrevo para toda a gente e quem me lê aqui procurará outro tipo de conteúdo noutros sítios. Há assuntos que são meus e outros que não me dizem nada e convosco sei que se passa o mesmo. Posto isto, era giro saber quais é que são os meus pontos fortes e fracos, pelos olhos de quem me lê.

Alinham?

22 julho 2019

Time Lapse

Acabei de perceber que não escrevia há quase um mês. Vamos a update: tudo na mesma. Mentira: adoptei uma série de... plantas. Isso: eu, que mal me consigo manter viva a mim e que mantenho os meus filhos em óptimo estado, achei que era altura de me comprometer ao nível do relvado. E como eu sou 8 ou 80, não me limitei a levar uma planta para casa: levei... OITO. Entre elas, estão bambus, uma aloe vera e uma micro suculenta. Mas também tenho coisas assim mais imponentes tipo... um coqueiro. Isso. Co-quei-ro. (Insanity level: stellar...)

Ah e tal, plantas porquê? Porque ando a ver se dou uma volta na minha casa. Quero destralhar, tornar tudo mais acolhedor e menos cheio de tralha inútil. E achei que aquilo precisava de vida. Por outro lado, é um desafio a mim mesma: eu sempre deixei morrer plantas. Enquanto estive casada, era o ex que tratava delas porque eu nem me lembrava que aquilo existia. Claro que acabaram por morrer e eu deitei tudo fora. Mas agora senti falta do compromisso e da dedicação que elas pedem. Reparem: a minha vida sou eu, os miúdos e os gatos. Cinco seres para manter vivos, bem sei. Mas faltava-me qualquer coisa... Por agora, resolvi com plantas. E, até ver, está a correr relativamente bem: uma está às portas da morte (mas a que a minha mãe tem em casa dela também está) e há outra que ainda nã ofala a mesma língua que eu, portanto, ainda não percebi o que é que ela quer - mais água?, menos água?, sol directo?, muita luz mas filtrada?... Pois, não sei... mas hei-de descobrir (e se não descobrir faço-lhe o funeral, pronto).

Então e mais coisas? Nada de especial. Férias com os miúdos, mau tempo, neura descomunal, cinema bom, livros bons, muitas aguarelas pintadas, muitas auto-descobertas e... não tarda é Agosto.

25 junho 2019

Living

Tenho muitas (demasiadas) vezes a sensação de que perco demasiado tempo com merdas. Não sei se é por ter batido nos 40 e ter começado a pensar que, se calhar, já vou a meio da viagem (espero ir a meio... ou menos, vá!, que não me apetece nada que isto acabe agora), ou se é mesmo por ter consciência do meu tempo enquanto bem precioso. Sei que dou comigo, cada vez mais, a achar que não devia perder tempo em coisas inúteis. 

Vou combatendo isto como posso, sem achar que tenho de estar sempre a fazer coisas. Aliás, muito do tempo que perco é tempo de descanso de que abdico para coisas tão parvas como... estar a varrer feeds de redes sociais.

Uma das coisas em que mais invisto tempo (e dinheiro...) é na leitura. Nunca vou entender as pessoas que dizem que não têm tempo para ler (ou para o que quer que seja). Não é NUNCA uma questão de falta de tempo. É SEMPRE uma questão de gestão de prioridades. O que, para mim, é prioritário, para outra pessoa pode não ser. Para mim, ler, ir ao ginásio e ver as minhas séries são coisas prioritárias. É por isso que lhes dedico tempo e é por isso que as encaixo no meu dia-a-dia como encaixo outras tarefas. Há pessoas que preferem ler revistas, dormir, passear o cão ou o canário. Não importa. Cada um gere as mesmas 24 horas diariamente, não é? As minhas 24 horas duram o mesmo que as de toda a gente. Mas, nessas 24 horas vezes não sei quantos dias que este ano já leva, já meti a leitura de 22 livros, já meti muitas horas de treino e de dança e muitos episódios de séries. Porquê? Porque isso me faz feliz. 

Tenho as minhas estratégias para aproveitar o tempo, obviamente. Acho que já falei de algumas. Por exemplo: ao domingo, faço comida para a semana toda, para depois demorar o menos possível com jantares em casa e para ter sempre comida para levar para o trabalho. Enquanto cozinho e enquanto faço a limpeza da casa, ando sempre com o telemóvel e uns phones atrás, para estar a ouvir audiobooks (os que tenho ouvido demoram entre 7 e 9 horas, pelo que, entre cozinha e limpeza, despacho praticamente um audiobook por fim-de-semana). Enquanto passo a ferro, vejo episódios de séries. Às vezes abdico do convívio à hora de almoço para ler, para escrever ou para ver mais um episódio de qualquer coisa, ou meio filme, conforme me apeteça. É raríssimo sentar-me no sofá, ao serão. Porquê? Porque, se for treinar ao fim do dia e tiver os miúdos comigo, significa que os vou buscar já perto das 21h, para ainda irmos jantar (e é aqui que entra a comida que fiz no fim de semana), depois ainda tenho de tomar banho, preparar as coisas para o dia seguinte e, vá, convém dormir (para terem uma noção, este mês tenho dormido em média 7.5 horas por noite, o que é maravilhoso, considerando tudo o que tenho para fazer).

Então, no meio disto tudo, o que é que eu NÃO faço? 
Não ando a passear em shoppings, não saio muito com amigos, não vou muitas vezes beber café fora. Evito deslocações demasiado extensas (já me bastam as horas que demoro de casa para o trabalho e vice versa - que, a propósito, são cerca de 2h30 por dia, que ocupo a ler e, vá, a navegar na net).

Claro que há excepções. E claro que deixo muita coisa por fazer. Ando para destralhar roupeiros há imenso tempo, tenho feito aos pouquinhos, mas não me tem apetecido abdicar do meu tempo em prol disto. Claro que ando cansada e que até me apetece não fazer absolutamente nada de vez em quando. E está tudo bem.

Isto tudo para dizer o quê? Que cada vez menos me perco em feeds vários - o do Instagram é a minha paixão e vou conseguindo ver tudo já sem estar constantemente a olhar para aquilo, que uso algumas apps que me ajudam nisto tudo e que sinto que aproveito cada vez melhor esta areia que me resta numa ampulheta que não sei até quando durará. E sabem que mais? Adorava ter tido esta consciência há uns 15 ou 20 anos. Tenho a certeza de que teria perdido muito menos tempo e de que teria investido estes anos todos de uma maneira muito mais inteligente.  

19 junho 2019

O amor é lindo


Às vezes, o amor é uma dobradiça perra, uma fechadura que não corre, o barulho de metal a raspar em metal, o arrepio na nuca que não vem das coisas boas, mas sim das coisas que parecem estar bem mas não estão. Outra vezes, o amor é um tetris onde as peças encaixam devagarinho e sem esforço, de vez em quando temos de virar uma peça para que não fique um bocadinho de espaço vazio, para que o encaixe se faça perfeito, mas ganhamos pontos e subimos de nível e o jogo evolui sem grandes percalços. É sabido: gosto de lâminas afiadas na carne, sangue a pingar devagarinho, aquele arrepio do perigo, da incerteza, da insegurança. Na ficção, gosto disto tudo. Na minha vida, já deixei de lado as chaves que não fizeram abrir a fechadura, o som áspero do metal é a antítese da saudade. Na minha vida, já só quero a Primavera do amor devagar, sem lombas acidentadas, sem drama desnecessário. Talvez seja a isto que sabe a maturidade. Já podiam ter avisado, uma pessoa gasta metade da vida a consumir-se sem necessidade nenhuma. 

06 junho 2019

Floresta Mágica no Bombarral

Fui convidada pela Câmara do Bombarral a ir passar o fim-de-semana do Dia da Criança à Floresta Mágica, na Mata Municipal. Ora eu nunca tinha ido ao Bombarral. Não fazia ideia do que me esperava, mas não podia recusar a oportunidade de estar com os miúdos num lugar encantado, onde eles se iam divertir a sério. 

O programa das festas começava com uma Caça aos Pirilampos, na noite de sexta (dia 31). Quis muito que os miúdos vissem pirilampos verdadeiros, já que só conhecem os da CERCI, portanto dei fogo à peça, marquei um quarto para nós num Alojamento Local em Ferrel, a 20km do Bombarral (conto esta história noutro post, prometo... porque claro que tinham de acontecer coisas...), arranquei com eles ao final da tarde rumo a Ferrel, para ir buscar a chave do quarto. Como estávamos mega apertados de tempo e eu sou uma pessoa desenrascada, fiz uma paragem técnica no McDonald's de Torres Vedras para abastecer. A paragem em Ferrel foi rapidíssima. Voltámos logo para o Bombarral, porque não queríamos perder nada.

Assim que me aproximei do espaço percebi o cuidado com que tudo estava feito. À entrada, estavam duas mascotes a receber os caçadores. O pórtico de entrada, pintado à mão, dava o mote para a magia que aquela floresta guardava... e não me enganei! 

A primeira paragem foi na Aldeia das Fadas, uma zona muito gira do circuito. Para abrir o fim-de-semana, ouvimos a história do Tio Lobo, contada genialmente. Até eu, que tenho mais 35 anos do que o público-alvo da história, vibrei com aquilo tudo!  


Seguiu-se a caça aos pirilampos, guiada pela Bruxa Jójó - e a minha filha encantada com todo o figurino da bruxa... A Mata está cheia de pirilampos, mas talvez por ser muita gente e porque estávamos a fazer barulho, não foi assim a chuva de pirilampos que a organização esperava. Eu acho só que eles queriam mesmo dar o melhor àquela audiência... porque a carrada de pirilampos que nós vimos chegou bem para ter os miúdos super felizes... E eu ainda cacei mesmo um pirilampo, que eles puderam ver de perto!

Quando terminou voltámos para Ferrel, com a promessa de que estaríamos de volta no sábado a seguir ao almoço. E assim foi. Tivemos uma tarde espectacular, por todas as razões e mais alguma. Em primeiro lugar, a Mata Municipal está muitíssimo bem cuidada. Há bancos e pontos de água espalhados pelo recinto, de maneira a que quem por lá passeia tem sem tudo assegurado. Depois, o parque infantil merece destaque. Eu não sei há quanto tempo o Bombarral tem este tratamento, mas que aquilo está bem feito, está.

Os miúdos passaram a tarde a fazer as 97654 actividades disponíveis na Floresta. Houve de tudo: um mini musical do Timon e do Pumba (fabuloso!), tatuagens com purpurinas, um poeta a escrever com uma pena e um tinteiro (e a minha filha, que já se habituou às brush pens da mãe, por causa do bullet journal, retribuiu o gesto e escreveu qualquer coisa para o poeta assim mesmo à profissional da caligrafia da Idade Média), animais da quinta, incluindo cabras, pavões, perus, coelhos e patos, póneis para montar e para passear de carroça, uma escola de bruxas, onde fizeram varinhas mágicas, o mundo da Alice no país das Maravilhas, onde decoraram bolachas e jogaram ao jogo das cadeiras, insufláveis onde se queimaram de tanto lá andar (a sério, vieram os dois com pele arrancada dali!). 






Ali pelo meio andavam uns quantos animadores, que iam vestindo outras peles durante todo o evento e os miúdos reconheciam-nos e metiam-se com eles e eles interagiam... bom, foi só espectacular mesmo!

Entretanto, ao final do dia, fomos jantar ao restaurante O Pão, também a convite da Câmara. Estávamos mesmo a entrar no restaurante quando começara a passar os atletas que estavam a participar na Corrida da Pêra e do Vinho. Lá no meio, a Rosa Mota e também guardo um post para contar esta história, porque há coisas que só mesmo a mim, não é...?

Jantámos e, como íamos dormir na Floresta - porque havia um acampamento, para o qual fomos convidados mas que está aberto ao público mediante inscrições, voltámos, pusemos as coisas na tenda e fomos para as actividades nocturnas: voltámos à Aldeia das Fadas e... ups... acordámos os duendes da aldeia que estavam a dormir nas suas casas! Eles aproveitaram a invasão para contar histórias e deixar toda a gente bem disposta: éramos umas dez famílias a passar uma noite diferente! Quando acabou esta parte, fomos novamente caçar pirilampos: como estava calor e éramos menos, a esperança era que se vissem ainda mais pirilampos... e foi o que aconteceu. No final, tivemos uma ceia que assentou mesmo bem, antes de irmos dormir. 


Claro que eu não dormi nada, porque... pássaros, insectos e o Papagaio (que é um pónei) a relinchar a noite toda, mais o frio e o facto de eu já não ter 15 anos e, portanto, já ter umas costas que agradecem colchões em vez de chão duro. Mas... nem isso me desanimou!

Acordámos cedo, fomos tomar o pequeno-almoço (e fiquei mesmo com pena de não ter pedido a receita do bolo que lá estava e que foi provavelmente o melhor bolo caseiro que comi até hoje  MESMO!) e ficámos até à hora de almoço a passear e a fazer ais actividades. As únicas que eles não tinham feito no dia anterior foram asseguradas no domingo: andar de pónei e amassar pão.

Para o meu filho, o ponto alto foi o stand dos dinossauros: esteve a tirar pedra de um fóssil de tartaruga e pôde ver e tocar num osso de dinossauro verdadeiro que está a ser retirado de pedra também. Ela adorou andar a fazer varinhas mágicas, a decorar lápis de carvão e a escola de bruxas. 


De certeza que me estou a esquecer de coisas aqui pelo meio, mas o espaço tinha tanta, tanta coisa que é difícil falar de tudo.

Adorámos cada minuto, eles já fizeram saber que "ó mãe, promete que para o ano vimos outra vez!" e eu fiquei mesmo com muita vontade de lá voltar. Afinal de contas são só 45 minutos que separam Lisboa do Bombarral, o caminho faz-se lindamente e não fica caríssimo.

Muito, muito obrigada à Câmara do Bombarral pelo convite. Sem ele, eu não teria descoberto isto e foi mesmo fabuloso. E obrigada à Dra. Patrícia Pereira, a vereadora que nos acompanhou, e a todo o staff que nos fez sempre sentir em casa. Fomos realmente bem recebidos e isso vale ouro!

Entretanto, fica a sugestão: mesmo sem Floresta Mágica, a Mata Municipal, que fica mesmo no centro do Bombarral, merece uma visita, com piquenique incluído! 

04 junho 2019

Preconceito

Gays. Árabes. Pretos. Burros. Comunistas. Indianos. Manequins. Ricos. Do gueto. Tios. De direita. Católicos. Lésbicas. Protestantes. Que amamentam. Que marcam cesarianas. Barmaids. Caixas de supermercado. Mães solteiras. Loiras. Tatuados. Gordos. Deprimidos. Nerds. Drogados. Intelectuais. Que vêm telenovelas. Vegans. Metaleiros. Góticos. Bodybuilders. Hospedeiras de bordo. De Cascais. Transexuais. 

Preconceito. Provavelmente já todos fomos alvo de algum tipo de preconceito. Provavelmente já todos tivemos algum tipo de preconceito em relação a outras pessoas. 

A empatia não é um processo linear nem imediato. Não empatizamos com tudo nem com todos. Há temas que nos são mais queridos e outros com os quais não conseguimos lidar tão bem. Conscientemente, é preciso fazer um esforço para erradicar o preconceito e aprender a conviver com coisa que, por uma razão ou outra, nos provocam algum desconforto. Às vezes, a única razão para este desconforto é o desconhecimento.

Quando conhecemos pessoas que são diferentes de nós, que têm vivências diferentes das nossas, acabamos por deixar cair alguns destes preconceitos. Ali em cima elenquei uma série de características com as quais aprendi a conviver, fruto da convivência mais ou menos intensa. Aprendi a respeitar, aprendi a nem sequer olhar para aquelas pessoas de acordo com esta catalogação. São pessoas. São o X, a Y, o Z e por aí adiante. São pessoas que são muito mais do que gay, árabe, preto, etc.. 


Nisto tudo, há um tema que me é particularmente caro: a cena LGBTIQ+. Porque tenho amigos gays. Porque tenho um amigo trans. E porque sei o que eles penam para serem só pessoas normais, cidadãos de pleno direito à vista da sociedade. Nem sequer entendo que tenham de se colocar nesta ou naquela gaveta. São pessoas. Ponto. Amam quem amam, dormem com quem dormem e isso não deveria ser questão para ninguém, excepto para eles. Também não entendo que as outras pessoas tenham de aceitar o que quer que seja que não lhes diga directamente respeito. Ultrapassa-me.

bom, isto tudo a que propósito? Disto: Só Que Não. Vejam os 10 episódios. Cada episódio tem mais ou menos 10 minutos e é um testemunho dado na 1ª pessoa por vítimas dos mais diversos tipos de preconceito. Vejam e pensem um bocadinho sobre o assunto: que preconceitos têm? Como é que os podem eliminar? Vão um bocadinho mais longe: ponham-se no lugar daquelas pessoas. Não ia ser bom, pois não? Pois...

28 maio 2019

A Maria do Instagram

A propósito da estreia de mais um disparate televisivo (Like Me, na TVI), apeteceu-me pensar um bocadinho sobre isto das redes sociais e do influencerziarismo (pronto, já estou a gozar... não tenho mesmo remédio!).

Vamos ignorar o Facebook, que isso é chão que já deu uvas, e foquemo-nos no Instagram. 

Breaking news: as pessoas querem ter seguidores porque isso é uma potencial fonte de rendimento. Desengane-se quem acha que a Maria quer chegar a 10 mil pessoas para as ajudar a escolher o rímel que hão-de usar ou o sítio onde hão-de fazer a próxima viagem. Há zero altruísmo na caça ao follower. ZERO.

A Maria quer 10 mil seguidores porque isso a valida enquanto influencerzzz e a aproxima de marcas e de coisas a que não chegaria de outra maneira. A Maria não quer 10 mil seguidores porque isso lhe desbloqueia uma série de funcionalidades bru-tais no Instagram (tipo a ceninha do Swipe Up, que é assim a mega invenção salva-vidas de todo o sempre - ESTOU A SER IRÓNICA, OK?!) (novo parêntesis para dizer que estou a rir até agora...). A Maria quer 10 mil seguidores porque isso poderá proporcionar-lhe coisas e experiências e dinheiro a que, com um trabalho dito normal, nunca na vida teria acesso.

A Maria não quer 10 mil seguidores para fazer um serviço à comunidade. A Maria quer 10 mil seguidores para se servir a si mesma. 

Quem faz este serviço não anda na caça ao seguidor nem ao like. E, quando tem de andar, é por um bem maior. Conheço vários casos de pessoas que usam a sua voz e o seu alcance nas redes sociais para fazerem serviço social. A Liliana, por exemplo, usa a sua rede para resolver casos de miséria, para ajudar famílias devastadas por doenças. A Marisa, por exemplo, usa a sua rede (que devia ser beeeeeeem maior) para alimentar famílias que passam fome. As Marias do Instagram andam em bicos de pés a pedir batatinhas, fazem-se convidadas para eventos, assumem-se como comunicadoras de vernizes e de cremes para... bom, para terem vernizes e cremes à borla e, no limite, para aumentarem o seu rendimento, que poderá servir basicamente, vá, uma família, que por acaso é a sua.

Nada contra. Cada um vive do que quer. Cada um vende-se pelo preço que quer, ou a troco do que quer. Mas não façam das pessoas burras a dizerem que querem os 10 mil seguidores para terem a porra do Swipe Up disponível no Instagram. Assumam as merdas que fazem. E, de caminho, já que estão numa de assumir, assumam a publicidade que fazem, assumam as borlas e as ofertas e o que escrevem a troco de dinheiro, em vez de continuarem a atirar areia para os olhos das pessoas. Ou acham mesmo que o mundo inteiro descobriu "aquele" detergente, "aquele" creme, "aquelas" toalhitas precisamente no mesmo dia? Pleaseeee...

16 maio 2019

Sem mas

Quando conheci a Catarina estávamos as duas entre amores e desamores. Éramos umas miúdas armadas em fortes, românticas inconfessas, a sarar feridas mais ou menos superficiais e, nos entretantos, à procura do amor. 

Anos mais tarde, quando a minha vida se encaminhou, a Catarina dizia-me muitas vezes que a minha história a fazia acreditar no amor. Era a história-de-amor-para-sempre. Lembro-me de, no meu casamento, à saída da igreja, ela me abraçar e, as duas de lágrimas nos olhos, voltarmos a falar nisto. Afinal, a história de amor para sempre não foi para sempre, mas foi linda. 

Entretanto, a vida. E eu deixei de acreditar. Em amores à prova de vida, em amores para sempre, em amores reais. Perdi a esperança no amor, porque perdi a esperança em mim. Tornei-me cínica. Passei a olhar para fotografias de casamentos e a ver prazo de validade em tudo. Comento muitas vezes com a Lia o quanto os casamentos - lindos - que ela fotografa me parecem ser todos uma coisa a prazo. O problema não são os casamentos. Sou meu, que deixei de acreditar. Acredito em paixões, em coisas temporárias, em contratos a termo, em coisas fugazes. Mas custa-me muito acreditar que um dia vou encontrar a minha história-de-amor-para-sempre. Isto não devia ser assim mas é. É uma defesa minha, apenas. E é triste.

Há quatro anos, a Catarina encontrou o Pedro. Mentira. O Pedro encontrou a Catarina. E a Catarina, também descrente e desiludida e sem expectativas, permitiu-se ser encontrada. Um mês e meio depois, estavam casados. Não sei se é para sempre. Mas sei que é a única relação em que não sinto um prazo de validade. Olho para eles e vejo a mesma pessoa em dois corpos diferentes. Eu explico: é como se, juntos, fossem uma unidade. São diferentes, muito diferentes. Mas complementam-se. Acrescentam-se. Salvam-se todos os dias e isso é a definição do amor. 

E eu, que acredito em muito pouco, olho para eles e vejo a história-de-amor-para-sempre que me devolve um bocadinho da esperança na vida, em geral. Porque o que há entre eles é amor. Amor. Com as chatices normais das relações reais, com as contas, o sono, as discórdias e o mais que isto de dividir a vida com alguém implica. Mas é um amor sem mas. É um amor inteiro, que aceita, que luta, que cresce. É um amor pleno. Sem mas. E isso é tudo o que se pode querer de um amor, seja ele para a vida toda ou só para um bocadinho.