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11 novembro 2019

Continuo viva...

... porém adoentada.

Eu sei que ando mega atrasada nos textos por aqui. Eu sei. Mas... a vida acontece e às vezes leva-nos para longe das teclas de um computador. Tenho uma série de coisas para contar e não decidi ainda se vai tudo a eito neste post ou se separo os assuntos em suaves prestações. Já se vê. (Sim, aqui é mais ou menos sem rede e sem grande planeamento.)

Bom, na semana passada houve lançamento do livro novo do João Tordo (vai ter post à parte porque... João Tordo!), houve Joker (vai ter post à parte porque... Oscar-in-the-making) e é capaz de ter havido mais uma ou duas coisas a assinalar.

Por hoje, isto: há uns anos escrevi um post em que contei como achava sempre que ninguém me reconheceria em lado nenhum. Eu explico: tenho 40 anos e continuo a achar que as pessoas nunca fixam a minha cara. Se estiver de óculos de sol, pior ainda. Acho mesmo que sou aquela pessoa que não se memoriza. Mas... talvez não seja bem assim.

Hoje, hora de almoço, Av. Infante Santo. Saio de um Uber e sou abordada por uma rapariga que me pergunta se sei onde fica a nova CUF. Não sabia. Nem o motorista do Uber. Nem a minha amiga com quem eu ia almoçar e a quem liguei a perguntar. Pequeno compasso de espera e a rapariga vira-se de novo para mim e pergunta:

Desculpe... não tinha um blog?

Respondo que sim. Ela diz-me que já não me segue, mas que seguia até à altura em que a minha filha mais velha nasceu. Digo que ela vai fazer 12 anos... E ela: sim, veja lá aos anos. Agora olhei para si e pensei: é ela!

Agradeci e sorri. Afinal se calhar não sou assim tão transparente nem tão invisível... (e ela descobriu onde é que fica a nova CUF, cortesia de um senhor mais bem informado do que os restantes intervenientes deste episódio.)  

29 outubro 2019

Outra vez arroz: publicidade em blogs e afins

Nota prévia: não tenho a mínima pachorra para virgens ofendidas. 

De vez em quando estala assim uma polémica que, se as pessoas pensassem um bocadinho, não tinha razão nenhuma de ser. Ontem calhou-me a mim. Vi, numa conta de Instagram que seguia (atenção ao tempo verbal), uma coisa que me pareceu outra vez arroz: publicidadezinha disfarçada. Peguei naquilo e, do alto da minha conta super seguida (2607 seguidores agora, sendo que ontem por esta hora eram 2582), portanto uma coisa hiper relevante, como está bom de ver, decidi assinalar a ocorrência. E a autora do post reagiu. Ofendidíssima porque toquei na ferida. Diz a moça que desde que, em Março deste ano, saiu um manual de normas de boas práticas de publicidade nas redes sociais, tem seguido as directrizes. Repito: Março de 2019. 

Ora, a primeira vez que eu toquei neste assunto - e se não fui a primeira a fazê-lo, andei muito perto disso -, foi em 2012. Há SETE anos. Aqui está o post. O que disse na altura é o que digo hoje e foi o que disse sempre: assinale-se a publicidade TODA que se faz. Honestidade e transparência não me parecem conceitos assim tão alienígenas, mas posso estar errada.

Entre 2012 e Março deste ano, não precisei de merda de manual de boas práticas nenhum. Bastou-me ética e bom senso. E não tenho MESMO telhados de vidro. Tudo o que aqui chegou via oferta ou convite foi sempre devidamente assinalado e explicado. Não houve um caso sequer em que eu tenha assobiado para o ar e fingido que não estava a usar/fazer qualquer coisa a que tive acesso por via publicitária.

Quando me deparo com sítios onde a prática comum é o encapotamento, é natural que questione. Não como gelados com a testa, lamento.

Cada vez menos tenho pachorra para gente que vive atrás de véus. Não entendo, como não entendia em 2012, a necessidade de disfarçar, de fingir que é tudo muito real e sentido. Quando a mesma pessoa adora sete marcas de shampoo com mês e meio de diferença, algo se passa. Querem vender espaço publicitário? Vendam. Mas não finjam que não estão a fazê-lo. Simples. É, repito, uma questão de ética e de bom senso. E se as pessoas fossem sérias e honestas, não era preciso haver um manual de boas práticas a delimitar a coisa. 

(E lá no meio daquilo, a senhora decide classificar-me como "pseudo-blogger". Pseudo-blogger, o caralhinho. Blogger mesmo. Há 16 anos, 4 meses e 3 dias. Sem me vender, sem vender os meus filhos, sem vender a alma ao diabo e, last but not least, sem vender a minha dignidade e a minha honestidade. Porque, para mim, valem muito mais os tais 2600 seguidores no Instagram e as 400 ou 500 pessoas que me lêem aqui - e que me seguem há anos e anos e já sabem do que a casa gasta - do que ser seguida por 50 mil pessoas apenas e só porque me vendi pelo caminho. )

08 outubro 2019

Com amigos destes...

(Eu sei... eu sei que hoje era ficção... mas tenho a cabeça tão cheia com textos que nada têm que ver com ficção que hoje não dá mesmo. Vocês percebem.)

Hoje fui aos Correios. 27 pessoas à minha frente. Fui fazer tempo para onde? Bertrand. Entrei e, por sorte, estava ao telefone, o que fez com que, na verdade, não tenha prestado muita atenção aos livros. Saí sem danos.

Voltei aos Correios. 15 pessoas à minha frente. Fui fazer tempo para onde? FNAC. Entrei e, por azar, não estava ao telefone, o que fez com que, na verdade, agarrasse um livro de uma nova autora portuguesa (há vida para além do Chagas Freitas, do Raúl Minh'Alma e do Afonso Noite-Luar - que por acaso é o Raúl Minh'Alma nos dias em que está mais horny - sabiam?). Acontece também que às tantas levanto os olhos do livro e vejo quem? O funcionário da FNAC que me "vendeu" O Homem das Castanhas (que adorei, não sei se já disse aqui) e que é o meu amigo dos livros. O rapaz diz-me boa tarde, eu respondo e agradeço a dica do tal livro. O rapaz já sabe que sou dos thrillers. Pergunta-me se gosto de livros históricos. Digo que sim, só não sou fã de thrillers de espionagem (gosto mesmo é de sangue, nada a fazer). Aconselha-me um livro que saiu no Verão. "Chama-se 1793, passa-se nessa época, na Suécia, e é brutal! É daqueles de ficar a ler até de madrugada!". Tudo o que eu preciso, portanto. Quando dou por mim tenho um livro novo na mão. Ansiosa por despachar "O Triunfo dos Porcos", do George Orwell, que estou a achar uma seca - alegoria maravilhosa, mas escrita chata de mais. Já só quero viajar até 1793...


(Entretanto, Suma de Letras, pela vossa rica saúde, usem uma fonte num tamanho que não careça de uma lupa para ser lido!!)

07 outubro 2019

Weekending

Fim-de-semana nota mil. Assim em brutal mesmo.

Sexta à noite: filme no sofá com os miúdos. Dormi o tempo todo. A miúda desistiu a meio. O miúdo aguentou estoicamente - até porque o filme foi escolha dele e tinha dinossauros, claro.

Sábado: acordar cedo e rumar à biblioteca de Oeiras, para ir levantar um livro que reservei. Chegar lá e bater com o nariz na porta. Ter um rasgo de inteligência e afirmar "deve ser por causa das eleições, amanhã". Dois segundos depois, bater com a mão na testa e "porra, hoje é feriado!"

Voltar para casa, almoçar e rumar a Lisboa, para irmos ao lançamento do livro "Ser Super Mãe É uma Treta!", da minha Susana Almeida. Bater com as vistinhas na Rapariga da Serra assim que cheguei. Depois apareceu a Carmen. E a Ana. Tudo gente que me faz rir muito, todos os dias. Às tantas aproxima-se de mim a Escadinhas (e se ainda não o fizeram, por favor ajudem a causa dela, que merece MUITO), porque me reconheceu lá do fundo. E a Gorda, passado um bocado foi a Gorda (que é macérrima, vocês não acreditem em tudo o que lêem nas redes sociais, por amor da Santa). E pronto. O lançamento foi espectacular, super simples, super... a Susana! Leiam o livro e percebam que, nisto da maternidade, estamos todas a fazer o melhor que podemos e a fingir que sabemos o que andamos aqui a fazer, mesmo quando não fazemos puto de ideia. 

Serão? Filme no sofá! Mas desta vez aguentámos todos!

Domingo foi dia de missa. Literalmente. Fui deixar o mais novo à igreja, peguei na mais velha e fomos aviar recados: compras e votar. Estavam umas filas absurdas nas mesas de voto, assim nível claustrofobia mesmo. Fosse aquilo fila para outra coisa qualquer e teria desistido. Acontece que demorei tanto e estava tão em cima da hora que tive de pedir socorro ao pai das crianças para ir buscar o mais novo. Acontece também que lá me despachei tipo ninja e ainda cheguei primeiro que o pai. E ainda esperei uns 10 minutos pelo miúdo.

À tarde, foi tempo de passeio no Paredão. Na semana passada tinha lá estado e vi por lá um barco pirata giro para eles brincarem (com slide incluído). Não fazia ideia se aquilo é permanente ou não, e, se não fosse, se ainda estaria lá em Outubro. Arriscámos. Estava. Mil voltas de slide depois, breve passeio de patins (para ela) e de ténis (para ele e para nós). Um calorão absurdo, uma tarde daquelas mesmo espectaculares (sequei a roupa toda!). Tudo a pedir uma pizza night! E estava tããããããããão boa! Já provei mil massas diferentes e esta que faço sempre continua a ser a minha preferida! Nos entretantos, projecções e resultados das eleições a acontecerem, miúdos na cama às 21h30 e... the end!

ADENDA: no sábado, no lançamento, encontrei a Joana, que foi aquela pessoa que, quando há coisa de 11 anos, me fartei de escrever em blogs em meu nome e resolvi criar um blog anónimo (este, onde assinava como Marianne), demorou exactamente duas horas a perceber que aquela Marianne era eu. Tens o miúdo mais giro de sempre, Joaninha!!!

04 outubro 2019

Doutora Google

Na terça-feira tive de ir com o meu filho ao hospital porque a criança estava com umas borbulhas e com umas manchas meio estranhas e de repente também há um caroço no pescoço e eu, hipercondríaca hipocondríaca by proxi, agarrei em mim e no gaiato e ala que é Cardoso a caminho do S. Francisco. 

Ao fim de uma hora de espera, lá entramos nós no gabinete da médica, que era assim super simpática e boa onda. Manda despir o miúdo e começa a vê-lo.

Médica (depois de lhe revirar a cabeça à procura de uma borbulha que fosse): Estava a ver se isto seria uma versão muito leve de varicela, mas não é. Não tem nenhuma borbulha acima do pescoço (nota: até tinha. no meio da testa, tipo bindi - googlem, se não sabem o que é -, mas não foi a primeira a aparecer).

Eu: pois... eu também pensei nisso, mas lá no sítio onde eu tirei o meu curso de medicina isto não se parece muito com varicela.

Médica (avia-me uma palmada na perna, abre sorriso e pergunta): tirou onde?

Eu: errrr... no Google!

Médica: gargalhada...


30 setembro 2019

Considerações várias sobre matérias desconexas

1. 
Tenho o cabelo pelo rabo. Não sei como isto aconteceu, não sei como não me deu uma daquelas travadinhas destruidoras nestes três anos de cabelo a sério. A franja voou várias vezes e não torna a ir. Mas já me apetece dar aqui um desbaste que não, não vai ser pelo queixo, nem sequer pelo meio das costas. Ainda assim, tenho uma sorte do caraças porque isto, mesmo sendo gigante, é lavar, passar amaciador, secar a franja e deixar secar o resto ao ar (beach waves dos pobres, na verdade). A ver se trato disto ainda em Outubro, para cumprir a minha média de duas idas ao cabeleireiro por ano (sendo que a primeira do ano foi em Julho ou Agosto).

2.
Acho que já me despedi da praia por este ano. Não foi a época mais espectacular de sempre, mas foi bom. Por mim, podíamos voltar a Maio novamente (muitos nervos quando vejo malta de bikini a contar os dias que faltam para o Natal!!).

3.
Ando a ler pouco e a ver poucos filmes e séries. Porquê? Porque a vida acontece. E porque, em Setembro, dormi uma média de 9.6h por noite. Bem precisava. Ainda assim, a Anatomia já voltou (yay) e ando a ver especiais de comédia do Netflix assim à grande. Sobre os livros, depois de ter lido o mais recente do meu Chris Carter, fiquei um bocado órfã de livro e não foi fácil voltar a encontrar algo que me agarrasse. Entretanto, ando com saudades de um bom romance histórico, que era género que devorava há coisa de 10 anos. 

4. 
Voltei a escrever am âmbito profissional. Algures no tempo, a minha vida deixou de ser letras e passou a ser números e, pese embora adorar a certeza dos algarismos, já tinha saudades de brincar com palavras. A parte boa é que, aparentemente, de onde veio este trabalho está para vir mais. Lénia que escreve é Lénia feliz. 

5. 
O tempo arrefece e eu ligo o forno e vai de scones e vai de bolos e de bolachas e... não pode ser. Senhor PT não deixa. Percebi recentemente que o meu braço direito é balofo, ao passo que o esquerdo é fit. Provavelmente, isto é cortesia de um acidente de carro que tive há mais de 20 anos (desloquei os ossinhos do braço todos, mas foi tudo ao sítio a quente, zero cirurgias envolvidas, zero fisioterapia, zero tudo e agora, olha, a diferença entre os meus braços é brutal e nada habitual. Trataremos disto com treinos unilaterais. Vou fazer mono-treino que é um mimo. Seja.

6.
A espectacular Susana, dona do tasco Ser Super Mãe é uma Treta, lança hoje o seu primeiro livro que se chama... Ser Super Mãe É uma Treta! Se forem nazis do parto em casa, da amamentação, das fraldas de pano, da alimentação do neandertal, da educação "o menino quer, o menino tem", se calhar é melhor não lerem. Se forem daquelas mães que, mais ou menos a cada dois dias, estão capazes de meter os filhos no Transiberiano, então este livro é para vocês. É um "que se foda" gigante à maternidade perfeitinha (e inexistente) e é um dedo do meio bem espetado na tromba da culpa que a vida insiste em fazer-nos sentir. Super orgulhosa de ti, Susana!

7.
É tudo, por agora. Amanhã cá vos espero, para uma terça-feira de ficção um bocadinho diferente do habitual...

27 setembro 2019

Interrupção

Esta semana, por coisas que de vez em quando acontecem nas vidas que não são feitas em modo curadoria para redes sociais, estive ausente. Não cumpri o meu próprio calendário (mas ficou tudo em agenda para a semana que vem), não partilhei nada do que queria. Foi mesmo uma semana de recolhimento (em modo montanha-russa, uma animação pegada). Já passou. 

Bom, mas desta semana, retive um momento especial. Na quarta-feira, na aula de kizomba, apareceu uma rapariga que conheci ali e que treina lá no ginásio. Conversa de circunstância e percebi que ela estava super tristinha. A rapariga é linda (não, a sério, é LINDA) e nos olhos só tinha tristeza e desalento. E eu não consegui lidar. Fiz-lhe uma festa na cara, como que a levantar-lhe o sorriso e disse-lhe isso mesmo: que ela é linda e merece sorrir. E ela sorriu. 


Sabem aquilo de as mulheres serem sempre uma cabras umas para as outras? Bom, nem sempre. E a parte gira é que o facto de eu lhe ter dito aquilo, em vez de me fazer sentir inferiorizada (por estar a muitos anos-luz da beleza dela), fez-me sentir bem. Não esperei nada em troca, não tirei nenhum benefício disto. Limitei-me a ser sincera e a tentar animar aquela mulher um bocadinho. E tenho a certeza de que o dia dela ficou melhor. Não lhe resolvi o problema, mas dei-lhe um sorriso. 

Não custa nada. Não temos de nos sentir superiores inferiorizando ninguém. Somos muito mais fortes juntas. 

24 setembro 2019

4_100


Ela nunca me disse, mas eu sabia. Olhava-a nos olhos e sabia que aquilo só podia ser amor. Não sendo amor, como é que se tolerava aquilo, a dor, a carne rasgada, a pele em sangue, os ossos visíveis a perfurarem a pele? Não sendo amor, como é que se toleravam as palavras rudes, os insultos, a violência? Eu sabia que era amor. Ela não aceitaria nada a não ser por amor. Ter-se-ia ido embora, teria levado tudo, ter-me-ia deixado sozinho, teria partido sem deixar rasto nem maneira nenhuma de a encontrar. Não sendo por amor, talvez fosse por medo.

19 setembro 2019

Pessoas sem noção...

[Há uns anos, eu tinha uma secção no blog que se chamava qualquer coisa como "não há nada que não me aconteça". Estou a pesar seriamente em ressuscitar essa secção...]

Ontem o meu filho tinha uma consulta aqui em Lisboa. Dona avó trouxe-o e eu fui ter com eles. Já estávamos despachados e fomos para os elevadores. Juntou-se mais uma série de pessoas, chegou um elevador, as pessoas que chegaram depois de nós decidiram entrar no elevador sem respeitar porra nenhuma, pelo que sobrámos nós e outro senhor, que devia andar aí pelos seus 60 anos. Eu e a minha mãe estávamos a falar sobre a consulta do miúdo, entretanto chega outro elevador e entramos os quatro nele. Acontece o seguinte:

Senhor: olhe, desculpe, se é para o menino tirar sinais, peçam uma segunda opinião. Aqui há uns anos, pediram-me mil e quinhentos contos para ser operado à próstata. Eu fui ver de outro médico, acabaram por me operar por setecentos e cinquenta. So tive de fazer radioterapia e fiquei à mesma com tesão. Aqui queriam-me fazer outro tratamento e ficava sem tesão. Por isso, é melhor irem ver de outro médico...

Eu ia murmurando uns "hum-huns" ali pelo meio e dei por mim a olhar para a minha mãe e a tentar (com muito esforço) não me rir...

18 setembro 2019

Solteira mas não sozinha

Há duas semanas escrevi sobre a minha experiência pós-divórcio, sem aprofundar nenhuma vertente em particular. Recebi imensas mensagens e decidi ir falando sobre a coisa mais em detalhe (obviamente sem entrar em... detalhes).

Acho que, para a maioria das mulheres que passa por um divórcio ou separação (estou-me nas tintas para que nível de casamento viveram - casamento civil, religioso, ajuntamento, namoro, o que for), o maior medo que vem com isto é o de ficarem sozinhas para sempre - o medo de não voltarem a amar, de não voltarem a encontrar alguém que as ame e que as faça felizes. 

Sejamos honestos: salvo raríssimas excepções, ninguém gosta de estar sozinho. A ideia de passar a vida toda a solo pode ser absolutamente assustadora. Mas.

A única base sólida para uma relação feliz é uma felicidade imbatível a solo. Parece contraditório, mas não é. E isto que vou dizer vai soar a merda à la Gustavo Santos, mas é a mais pura das verdades: nós não podemos pôr a nossa felicidade nas mãos de ninguém. Para já, porque é arriscado e porque a probabilidade de dar asneira é gigante. Depois porque ninguém tem de ter a responsabilidade de nos fazer felizes. A felicidade de cada um de nós é da exclusiva responsabilidade de... cada um de nós.

A ideia de termos uma relação não é que ela nos complete enquanto pessoas. É que ela nos transborde. Se nos sentirmos incompletos vamos estar a dar ao outro um poder sobre nós que ele não pode nem deve ter. Se nos sentirmos incompletos, o mais provável é que nos contentemos com a primeira merda que aparecer. E não pode.

Precisamos de uma pessoa que nos acrescente ao todo que nós já somos. Que nos faça ir mais além. Que nos ame com tudo e apesar de tudo. Mas não precisamos de ninguém para vivermos felizes. E enquanto não aprendermos a estar felizes sozinhos, muito dificilmente uma relação correrá bem.

Posto isto, há aqui alguns pontos claramente positivos nisto de se ser solteiro e que vão ajudar a preparar-nos para o que a vida nos trouxer, quando estivermos prontos para amar e para nos deixarmos amar.

Nota prévia: não vivo sozinha e obviamente não estou a incluir os meus filhos enquanto parte de um casal. Eles são a minha prioridade, mas não ocupam o espaço do namorado.

EU

Estarmos sozinhos permite-nos focarmo-nos apenas em nós. Deixamos de ter de incluir na equação as vontades, as rotinas e as necessidades de outras pessoas e passamos a ser só nós. Isto pode ser visto como a epítome da solidão ou como o expoente máximo do self-care. Eu escolho ver por este segundo prisma. Estar sozinha permitiu-me ouvir as minhas próprias vontades e trabalhar em mim. Permitiu mimar-me, cuidar de mim e pôr-me em primeiro na minha lista de prioridades. Estar sozinha fez com que eu visse realmente quem eu sou e obrigou-me a pensar no que quero para mim, em quais são as minhas necessidades e os meus desejos.

TEMPO

Ser solteira é ser dona de todo o meu tempo. Faço o que quero, como quero e quando quero. E se não quiser fazer... não faço. Simples assim. Se quiser jantar às quatro da tarde, janto. Se não quiser jantar de todo, não janto. Se me apetecer ficar uma noite inteira no sofá, fico. O tempo é meu e eu faço o que eu quiser.

ESPAÇO

Pessoalmente, sou dona de um espaço reduzido, pelo que não sinto grande diferença neste aspecto. Mas não preciso de dividir um sofá. E se estiver um calor que não se aguenta, posso dormir atravessada na cama. As gavetas da casa-de-banho são todas minhas. O roupeiro é só meu. Eu decido se quero as almofadas verdes ou azuis, se quero ali aquele quadro ou se quero bancos ou cadeiras na cozinha. E não pergunto a ninguém.

OS OUTROS

Se me apetecer estar sozinha, estou. Se me apetecer sair e conviver, saio. Eu decido. O ritmo é o meu, as vontades, mais uma vez, também. Estar sozinha permite-me conhecer pessoas e dar-me a conhecer (e estou a falar sem segundas intenções).

COISAS NOVAS

Uma das coisas que mais tentei fazer enquanto estive solteira foi conhecer sítios novos e fazer coisas que nunca tinha feito. Claro que é maravilhoso partilhar isto em casal, mas nada impede que se faça a solo. Há uns anos, ainda tinha algum pudor em fazer certas coisas sozinha (como seja ir jantar fora  ou sair à noite), mas deixei de ter. Quero ir, vou. Simples.


O CÉU É O LIMITE

A sociedade impõe muita coisa que as mulheres não podem ou não devem fazer, seja porque são coisas perigosas, seja porque as faz ficar mal-vistas. Guess what? Caguei. Lixei-me para as convenções sociais e decidi que o meu único limite é o da bondade e o da minha dignidade. Não faço nada que prejudique ninguém e não faço nada com que não me sinta confortável. Mas isso vale para quando estou solteira e para quando não estou.

Em resumo: eu usei os meus anos de solteira para cuidar de mim. E só quando me senti verdadeiramente tranquila, segura e em paz com a mulher que sou agora é que me permiti abrir a porta à possibilidade de acrescentar alguém à minha vida. Continuo a sentir-me dona de mim, não abdiquei de nada, porque aprendi exactamente quem sou. E só faz sentido assim.

Ninguém sabe o dia de amanhã. Nada me garante que passe o o resto da vida acompanhada, como nada me garante que fique sozinha. Nunca saberei. Mas sei que estou preparada para ambos os cenários e que, aconteça o que acontecer, hei-de saber lidar.

Portanto, conselho de amiga: invistam em vocês, foquem-se em vocês e mentalizem-se de que nunca ninguém vos vai dar o amor de que vocês precisam. Esse amor tem de estar dentro de vocês. Cultivem-no.