-->

Páginas

30 março 2020

Apocailpse Now: as saudades

Dos meus pais. Não há nada que me esteja a custar tanto como não estar com eles. Não vejo a minha mãe há 17 dias. Coisa de menina mimada, talvez, mas eu nunca estive 17 dias sem ver os meus pais. Aliás, minto: estive, sim, senhor. Quando era pequena e a minha mãe me recambiava para o Alentejo, parar passar os três meses das férias de Verão. Mas desde os meus 6 ou 7 anos que isso não acontece. Portanto, sim, estou com umas saudades absurdas dos meus pais. E falo com eles todos os dias e até já fizemos videochamadas. Não é a mesma coisa. Mas é o que tem de ser.

Dos avós. Os meus filhos, habituados a estarem mais tempo com os avós do que comigo, estão ainda com mais saudades deles. O meu filho já só pede para eles virem cá, porque estamos todos trancados há 17 dias e ninguém tem sintomas de nada. 

Não sei quanto tempo mais isto vai durar. Mas sei que, assim que acabar a quarentena, a primeira coisa que eu faço é ir voar daqui com os miúdos para irmos abraçar os meus pais. Falta menos um dia. Está quase.

20 março 2020

Apocalipse Now: os velhinhos gaiteiros

Portanto, estado de emergência, tudo o que não é estritamente necessário à vida está fechado, cafés, cabeleireiros, lojas de roupa, lojas de tralha vária, tudo excepto o que efectivamente nos é essencial à vida.

Pessoas jovens e não tão jovens, daquelas que vivem com o rabo na rua, sempre a laurear a pevide, estão trancadas em casa há dias e dias sem fim (aqui faz hoje uma semana que pus os pés na rua pela última vez). Não há cá passeios, não há cá cafezinhos, nada. E eu, que nem sequer sou apreciadora de gado canídeo, estou com pena de não ter um cão para ter desculpa para sair de casa e apanhar ar, tal é o fartame que para aqui vai já.

E o que é que os velhos gaiteiros fazem? Rua. A jogar às cartas no jardim, a conversar parados em sítios, até ontem, antes de terem fechado os cafés, era vê-los a beber meias de leite e a comer torradas enquanto punham a conversa em dia com as amigas e os amigos. De repente, a terceira idade tem toda uma vida social que não se compadece cá com estados de emergência, é preciso é apanhar ar. E toca de ir para a rua. Enquanto os filhos e os netos, conscientes, se mantêm em casa e lhes berram aos ouvidos para se deixarem estar no sofá, de mantas nas pernas a ver as novelas.

Estes velhos gaiteiros que agora se recusam a ficar em casa porque não é um bichinho chinês que os há-de matar são os mesmos que são contra a eutanásia porque "eles querem-nos mas é matar a todos", não são?

Não, queridos, não vos querem matar. Ninguém vos quer matar. Bem pelo contrário. Querem que vivam, saudáveis e felizes por muitos e longos anos. É por isso que vos mandam ficar em casa, para que o bichinho não vos apanhe. É que, sabem, vocês já levam uns anos valentes no lombo e já não estão tão aptos a fugir do bicho. Se vos quisessem matar, era agora que vos mandavam para a rua, apanhar ar e jogar ao passa a outro e não ao mesmo (e vocês, teimosos como são, ficavam em casa só para chatear, confessem...!).

Por isso, senhores, larguem a merda das cartas por agora. Ou instalem jogos que possam jogar online com os vossos amigos. Peçam ajuda a filhos e netos para isto. E por isso, senhoras, larguem a porra das meias de leite e das torradas. Se precisam assim tanto de dar à língua, combinem uma hora com as amigas e falem à janela, como se fazia há cinquenta anos. É na boa. Vale tudo. Menos andarem na rua a porem-se a jeito de apanhar uma porra de um vírus que, não sendo a eutanásia, é bastante eficaz nisto de vos fazer bater a bota. E ninguém quer isso, tá?

18 março 2020

Apocalipse Now: the war zone

Nota prévia: eu vivo num gueto onde acontecem coisas como tiroteios e homicídios. Just another day at the office todo o ano, portanto. (Vá, eu até moro na parte boa do gueto e só fui assaltada uma vez - saldo menos um euro e cinquenta e um cêntimos - e nunca fui baleada nem esfaqueada. Hurray.)

Na minha rua, aqui à vista da minha janela, há todo um mundo de sítios onde ir: cafés (2), farmácia (1), papelaria (1), mercearia (1), centro de estética (1), talho (1), restaurante (1), churrasqueira (1). Neste momento, há fila para a farmácia e para a papelaria. As esplanadas dos dois cafés estão reduzidas a duas mesas (e são mais duas mesas do que o necessário, em ambos os cafés).

Acho que as pessoas ainda não processaram bem o que é que "isolamento social" significa. Claramente, não significa ir para a esplanada do café, de luvas calçadas, fumar cigarros a 30cm da amiga que vai bebendo café (vi esta ontem). Significa basicamente o que já todos fazíamos e nem sequer nos obriga a grande isolamento, na verdade. Basta estarmos fisicamente sozinhos, mas podemos estar virtualmente ao monte. Como de há uns anos para cá, onde convivemos mais em grupos de Whatsapp do que na vida real, se virmos bem as coisas.

Por aqui, contactos apenas com os meus filhos (isto ainda não parece a casa do Big Brother, ainda não me apeteceu pendurar nenhum da janela e não, não estou movida a happy pills), com o namorado e com o meu pai, que anda a ver se me salva a máquina de lavar roupa.

Estou a trabalhar em casa desde quinta-feira, dia 12. Saí na sexta e não voltei à rua. Ainda não comecei a hiperventilar nem a sentir-me sufocada, o que é estranho, na verdade. Lido bem com isto de estar trancada em casa - eu sou bicho-do-mato e adoro o meu ninho, sabiam?, mas adoro ir ali apanhar ar e beber um café na rua. Calha que reforcei o stock de cafés, incluindo cápsulas, café instantâneo (olá, anos 80 e mexer uma colher de café com meia colher de água, de maneira a fazer espuma) e cappuccino. Serve bem. Também aprendi a fazer o chá que tenho adorado beber (chá preto, gengibre, cravinho, pimenta preta e cardamomo) e vou intercalando. Estou a seguir o horário que estipulei para nós e só engordei 300gr (ainda), culpa das línguas de veado que tentei fazer para o meu filho mas que, por ter lido 0,5l em vez de 0,5dl de leite, acabaram transformadas em queijadas - bem boas, por sinal. 

Aproveitei o fim-de-semana para ver duas séries da Netflix (The Stranger e Safe) e já estou a ressacar. Andei aí meio a patinar com horários de treinos e já percebi o que funciona melhor para mim: de manhã cedo, antes de eles acordarem. Assim, ao fim do dia deixo o espaço e o material para o homem, que continua escravo lá do estaminé onde trabalha.

E é isto. Ah, mentira! Falta acrescentar o seguinte: voltei a escrever. E não estou a falar deste post...

18 fevereiro 2020

Parem o mundo: fiz uma festa de aniversário

Catorze anos depois, voltei a comemorar o meu aniversário como manda o figurino. Não, não fui abduzida por aliens. Não, não fiz uma lobotomia. Não, não me fizeram uma lavagem cerebral. Sou mesmo eu. A pessoa que, nos últimos 13 anos, hibernou violentamente no dia de aniversário, com direito a eliminar contas de redes sociais e desligar telefones, para não ver nem falar com absolutamente ninguém.

Então, o que é que mudou? Nem eu sei. Acho que é por estar em paz comigo. Por ter conseguido aceitar que, contrariamente ao que eu achava, sou uma pessoa importante para os meus amigos e familiares (que espanto...). Basicamente, deixei-me de merdas.

Com quase um mês de antecedência, criei um grupo no Whatsapp onde reuni as minhas pessoas. Partimos daí. A ideia não foi marcar uma espécie de grandioso evento nem nada do género: foi só mesmo um jantar. Coisa calma, tranquila, perto de casa, sem alaridos, sem grandes produções. 

Por estar a uns simpáticos 2 minutos de distância (a pé) de casa, a tentação foi enfiar umas calças de ganga e um camisolão qualquer e descer. Mas não. Houve vestido novo, houve maquilhagem especial, houve salto alto. Porque me apeteceu. Porque eu não sou só isto, mas também posso ser isto. E está tudo bem.

Acabei por juntar um grupinho simpático de amigos antigos, incluindo afilhada e sobrinha emprestada. Não me arrependi por um segundo de ter decidido comemorar assim. 

E sabem que mais? No ano que vem, no mesmo sítio, à mesma hora!

14 fevereiro 2020

Escritora


Para mim, um escritor é alguém que escreve livros e os publica. Ou era. 

Há escritores que, sendo escritores, não escrevem (e por cá temos um ou outro que, na verdade, recorrem a ghost-writers - que são pessoas que escrevem efectivamente o que será assinado por outras. A título de exemplo: James Patterson, um famoso e muito profícuo escritor americano, já só delineia os plots dos seus livros, que depois são escritos por outras pessoas - e só assim consegue publicar 15 livros num ano, como já aconteceu). 

E depois, há pessoas que, escrevendo imenso, não são escritores. Ou melhor, são. Eu é que ainda não encaixei a ideia.

Escrevo desde os 10 anos. Sempre escrevi imenso. Tenho fases mais produtivas do que outras (agora, por exemplo, estou numa espécie de deserto de escrita há demasiado tempo), mas vou sempre escrevendo. Tenho um livro em vias de ser editado. E ainda me custa pensar que sou escritora. Mas sou.
Não me assumir como escritora tira-me a pressão de escrever, que é coisa que me tem dado jeito em alturas de pouca fluidez de escrita (como agora). Acontece que escrevi um livro e tenho mais uns quantos para escrever.

Outra coisa que me afasta de me assumir como escritora é o assustador e mui real síndrome do impostor.


Calha que isto, sendo um bocado parvo, é assustadoramente real. E eu padeço disto mas assim mesmo à grande. Reparem: conscientemente, eu sei o que escrevo e como escrevo. Inconscientemente, acho que não sou boa o suficiente, que vou defraudar expectativas e que não estou ao nível que era suposto estar. E isto não é verdade.

Portanto, sem merdas: eu sou escritora. E, caramba, isto é tudo o que eu sempre quis ser! 

(Agora falta-me viver DE e PARA escrever. Mas isso são outros quinhentos...) 

13 fevereiro 2020

Sobre podcasts

De repente, explodiu o cogumelo dos podcasts. E toda a gente lançou podcasts. Comecei a ouvir podcasts quando a Bumba na Fofinha foi para Nova Iorque e lançou o Fuso. Como não tenho imeeenso tempo livre, a janela temporal que funciona para mim é... o banho. Portanto, quando tomo banho em casa, está sempre um podcast a correr ali. 

Então e, além da Bumba, que podcasts é que eu ouço? Nada de podcasts de bloggers/instagrammers portugueses. Se estou cansada do registo escrito, não vou a seguir mergulhar no mesmo registo falado, claro.

Portanto: Quarenta e Cinco Graus - do economista José Maria Pimentel, consiste em conversas com variadíssimas pessoas sobre temas tão amplos como ciência, psicologia, medicina, economia e até humor. Não ouvi os episódios todos, mas os mais interessantes, para mim, foram os do Ricardo Araújo Pereira e da Luana Cunha Ferreira. (E, se virmos o Ricardo Araújo Pereira no Maluco Beleza, conseguimos perceber que é fácil entrevistar a mesma pessoa, sobre o mesmo assunto, de perspectivas completamente diferentes...)

Terapia de Casal, do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova. Estes dois, alem de terem uma história fabulosa, são duas pessoas que têm em comum duas características que, para mim, são AS CARACTERÍSTICAS: inteligência e humor (que, na verdade, para mim, são uma e a mesma coisa). Neste podcast, eles fazem uma espécie de consulta de terapia de casal, às vezes com convidados (maioritariamente ligados ao humor), outras vezes sozinhos. No fundo, são eles a mostrar visões diferentes sobre uma série de questões que são transversais à vida de (quase) todos os casais.

Serial Killers: bom, este parece-me óbvio. Com o fascínio que eu tenho por gente descompensada, e com o interesse que tenho sobre este tema, não descansei enquanto não encontrei um podcast bom sobre o assunto. Estão lá todos os grandes serial killers: Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, The Zodiac Killer, the BTK Killer... E sim, eu sei, eu sei... é estranho eu gostar tanto disto. Já expliquei: sou fascinada pela forma como aqueles cérebros funcionam e tenho mesmo pena de não ter estudado isto e de não ser esta a minha profissão.

E, no mesmo tema (gente marada que mata pessoas), Crimes of Passion. Aqui há dois episódios sobre a Jodi Arias, de quem já falei aqui no blog, mas há também imensos casos interessantes de gente que não se controla e que se passa um bocadinho, vá.

Portanto, nada de coisas fofinhas, nada de coisas leves e smooth e unicórnios e cenas. Aqui é tudo um bocado mais visceral e para fazer pensar. 

12 fevereiro 2020

Os 41 são os novos... 41


Não sei se me sinto com 41 anos porque não sei como é suposto uma pessoa sentir-se com 41 anos. Sei que me sinto bem.

Fiz as pazes com uma série de coisas. Foi o primeiro ano em muitos em que não me blindei e morri para o mundo. Trabalhei de manhã, fui almoçar sozinha, fui ao cinema sozinha (e escolhi um filme de merda, mas enfim...), fui treinar, e acabei a noite a jantar nos meus pais. Tudo calmo e maravilhoso.

Soube-me bem. Não me fechei. Aceitei os mimos. E senti-me estranhamente leve por isso.

Portanto, 41 anos, em paz comigo. Deve ser isto que se sente com esta idade...

10 fevereiro 2020

Respirar...

Na cama, no caminho de e para o trabalho (incluindo toda as deslocações a pé), em filas de espera várias: ebooks no Kobo.

Enquanto cozinho, faço limpeza e conduzo: audiobooks no telemóvel.

Enquanto tomo banho: podcasts no Spotify.

Informação constante a entrar. Às vezes, só quero silêncio. Raramente consigo. Porque me custa não aproveitar o tempo. Porque me custa a inércia. E, no fim, custa-me o ruído, o frémito, a rodinha de hamster sempre a andar.

Às vezes, só queria conseguir parar. E respirar. Silêncio. Sem informação. Sem pensamentos. Cérebro em serviços mínimos. 

(Meditação, eu sei. Não consigo. Sinto que estou a perder tempo que podia usar de forma proveitosa. Uma estupidez, também sei.)


04 fevereiro 2020

Sobre as últimas leituras

Este ano, o meu desafio do Goodreads é ler 40 livros. E, a não ser que alguma coisa muito estranha aconteça na minha vida, esse número vai ser ultrapassado facilmente. É que hoje é dia 4 de Fevereiro e já li seis livros, portanto...

Bom, desde que comprei outro Kobo (o meu primeiro entregou a alma ao criador numa definhação lenta que se arrastou por meses e meses até dar o sopro final a meio do ano passado - e eu nem sei como sobrevivi até Dezembro sem o substituir...), tem sido um vê-se-te-avias. E têm sido leituras óptimas...


"Só o Tempo Dirá" é o primeiro livro de sete que compõem a Saga dos Clifton. Ora acontece que isto é muito bom. Mas muito bom mesmo. É daqueles livros que se lêem de enfiada, sem parar. A escrita é simples e muito fluida e... bom, na verdade, esta saga podia, na boa, ser uma novela da TVI, mas em bom. Com diálogos decentes e bem escritos, em vez daquelas xaropadas que ninguém aguenta. Se querem perder-se facilmente em horas de leitura, aconselho sem reservas. E olhem que eu implico com novelas da TVI mas assim mesmo à bruta...


Não sendo um Chris Carter (que, a propósito, vai lançar um stand-alone algures durante este semestre), é um bom thriller, sim senhor. Muito aclamado no ano passado e tal. Se gostam do género, mergulhem.


Este livro foi um dos maiores fenómenos literários do ano passado. Ainda estou para perceber porquê. Achei a maior seca, na verdade. Foi uma leitura dolorosa. Diálogos péssimos, uma trama absolutamente inverosímil (imaginem uma miúda que não vai à escola tornar-se, do nada, bióloga marinha...). Não gostei nada. Mas... a minha opinião é mesmo contrária à da maioria das pessoas que leu isto, portanto se gostam de histórias a puxar ao drama, talvez isto vos agrade.


E para terminar (por hoje), voltamos ao que mais me apaixona: gente morta. Este é o segundo livro de uma série que já tem seis títulos editados cá. Li o primeiro há uns anos e não amei. Nunca mais me interessei por esta dupla nórdica. No final do ano passado, trouxe isto da biblioteca e olhem... gostei mesmo muito! Tem tudo o que um bom thriller deve ter: um psicopata em condições, um detective cheio de problemas pessoais para resolver, uma boa intriga e um jogo de gato e rato bem construído. Gostei mesmo e quero ler os quatro livros que me falta.


Afinal, ainda não acabei. Isto acabou de sair e é o que ando a ler agora. Comecei ontem à noite, li 10% do livro (sim, digital...) e acabou de morrer uma pessoa. Ainda não posso falar muito mas... até ver, estou a gostar... Quando acabar, conversamos sobre isto novamente.

Boas leituras!

10 janeiro 2020

20.20

Quase um mês sem escrever aqui. Eu bem tenho ideias fixas de escrever com regularidade e tal mas... não. E não por várias razões. Um: não me apetece escrever sobre banalidades e contar que fui às compras e apanhei limões em promoção. Dois: continua a não me apetecer vender os meus filhos e, mantendo a mesma ideia há mais de doze anos, é bem capaz de NUNCA acontecer. Três: continuo a não querer ser influencerzzzz e a não achar a mínima graça a catálogos disfarçados de blog. Quatro: não me apetece expor a minha vida pessoal. Cinco: não há por aí assim nenhum grande feito meu que mereça tempo de antena (e isto vai mudar quando houver data para a edição do livro, portanto depois falamos nisso).

Bom, maneiras que o que eu tenho hoje para contar é mais uma situação caricata que me aconteceu ontem. Pois que estava eu numa paragem de autocarro à beira das Amoreiras, à espera, de phones nos ouvidos (mas não estava a ouvir nada, estava mesmo só com os phones postos, a ler o meu livro - que, by the way, está a ser CHATO nas horas, mas depois falo nisto e em mais uns quantos livros), quando sou abordada por um senhor que me pergunta as horas. Ligo o ecrã do telemóvel e respondo. Ele não se foi embora e eu pensei que me fosse pedir dinheiro (acontece imenso, tinha-me acontecido na véspera, no metro). Mas não. O senhor sorri e diz qualquer coisa entredentes. Como não percebi, tirei um dos phones e pedi para repetir. Ele sorriu e fez-me sinal para tirar o outro phone - porque não devia querer falar muito alto. Eu tirei e ele, sempre a sorrir, pergunta-me

- É comprometida?

Abanei a cabeça, pisquei os olhos, incrédula. Disse que sim. Ele agradeceu, virou costas e foi-se embora em direcção ao horizonte...

E é isto. A minha vida continua a ser uma estranha sucessão de momento inacreditáveis e surreais, que caberiam, na boa, numa sitcom...