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19 setembro 2019

Pessoas sem noção...

[Há uns anos, eu tinha uma secção no blog que se chamava qualquer coisa como "não há nada que não me aconteça". Estou a pesar seriamente em ressuscitar essa secção...]

Ontem o meu filho tinha uma consulta aqui em Lisboa. Dona avó trouxe-o e eu fui ter com eles. Já estávamos despachados e fomos para os elevadores. Juntou-se mais uma série de pessoas, chegou um elevador, as pessoas que chegaram depois de nós decidiram entrar no elevador sem respeitar porra nenhuma, pelo que sobrámos nós e outro senhor, que devia andar aí pelos seus 60 anos. Eu e a minha mãe estávamos a falar sobre a consulta do miúdo, entretanto chega outro elevador e entramos os quatro nele. Acontece o seguinte:

Senhor: olhe, desculpe, se é para o menino tirar sinais, peçam uma segunda opinião. Aqui há uns anos, pediram-me mil e quinhentos contos para ser operado à próstata. Eu fui ver de outro médico, acabaram por me operar por setecentos e cinquenta. So tive de fazer radioterapia e fiquei à mesma com tesão. Aqui queriam-me fazer outro tratamento e ficava sem tesão. Por isso, é melhor irem ver de outro médico...

Eu ia murmurando uns "hum-huns" ali pelo meio e dei por mim a olhar para a minha mãe e a tentar (com muito esforço) não me rir...

18 setembro 2019

Solteira mas não sozinha

Há duas semanas escrevi sobre a minha experiência pós-divórcio, sem aprofundar nenhuma vertente em particular. Recebi imensas mensagens e decidi ir falando sobre a coisa mais em detalhe (obviamente sem entrar em... detalhes).

Acho que, para a maioria das mulheres que passa por um divórcio ou separação (estou-me nas tintas para que nível de casamento viveram - casamento civil, religioso, ajuntamento, namoro, o que for), o maior medo que vem com isto é o de ficarem sozinhas para sempre - o medo de não voltarem a amar, de não voltarem a encontrar alguém que as ame e que as faça felizes. 

Sejamos honestos: salvo raríssimas excepções, ninguém gosta de estar sozinho. A ideia de passar a vida toda a solo pode ser absolutamente assustadora. Mas.

A única base sólida para uma relação feliz é uma felicidade imbatível a solo. Parece contraditório, mas não é. E isto que vou dizer vai soar a merda à la Gustavo Santos, mas é a mais pura das verdades: nós não podemos pôr a nossa felicidade nas mãos de ninguém. Para já, porque é arriscado e porque a probabilidade de dar asneira é gigante. Depois porque ninguém tem de ter a responsabilidade de nos fazer felizes. A felicidade de cada um de nós é da exclusiva responsabilidade de... cada um de nós.

A ideia de termos uma relação não é que ela nos complete enquanto pessoas. É que ela nos transborde. Se nos sentirmos incompletos vamos estar a dar ao outro um poder sobre nós que ele não pode nem deve ter. Se nos sentirmos incompletos, o mais provável é que nos contentemos com a primeira merda que aparecer. E não pode.

Precisamos de uma pessoa que nos acrescente ao todo que nós já somos. Que nos faça ir mais além. Que nos ame com tudo e apesar de tudo. Mas não precisamos de ninguém para vivermos felizes. E enquanto não aprendermos a estar felizes sozinhos, muito dificilmente uma relação correrá bem.

Posto isto, há aqui alguns pontos claramente positivos nisto de se ser solteiro e que vão ajudar a preparar-nos para o que a vida nos trouxer, quando estivermos prontos para amar e para nos deixarmos amar.

Nota prévia: não vivo sozinha e obviamente não estou a incluir os meus filhos enquanto parte de um casal. Eles são a minha prioridade, mas não ocupam o espaço do namorado.

EU

Estarmos sozinhos permite-nos focarmo-nos apenas em nós. Deixamos de ter de incluir na equação as vontades, as rotinas e as necessidades de outras pessoas e passamos a ser só nós. Isto pode ser visto como a epítome da solidão ou como o expoente máximo do self-care. Eu escolho ver por este segundo prisma. Estar sozinha permitiu-me ouvir as minhas próprias vontades e trabalhar em mim. Permitiu mimar-me, cuidar de mim e pôr-me em primeiro na minha lista de prioridades. Estar sozinha fez com que eu visse realmente quem eu sou e obrigou-me a pensar no que quero para mim, em quais são as minhas necessidades e os meus desejos.

TEMPO

Ser solteira é ser dona de todo o meu tempo. Faço o que quero, como quero e quando quero. E se não quiser fazer... não faço. Simples assim. Se quiser jantar às quatro da tarde, janto. Se não quiser jantar de todo, não janto. Se me apetecer ficar uma noite inteira no sofá, fico. O tempo é meu e eu faço o que eu quiser.

ESPAÇO

Pessoalmente, sou dona de um espaço reduzido, pelo que não sinto grande diferença neste aspecto. Mas não preciso de dividir um sofá. E se estiver um calor que não se aguenta, posso dormir atravessada na cama. As gavetas da casa-de-banho são todas minhas. O roupeiro é só meu. Eu decido se quero as almofadas verdes ou azuis, se quero ali aquele quadro ou se quero bancos ou cadeiras na cozinha. E não pergunto a ninguém.

OS OUTROS

Se me apetecer estar sozinha, estou. Se me apetecer sair e conviver, saio. Eu decido. O ritmo é o meu, as vontades, mais uma vez, também. Estar sozinha permite-me conhecer pessoas e dar-me a conhecer (e estou a falar sem segundas intenções).

COISAS NOVAS

Uma das coisas que mais tentei fazer enquanto estive solteira foi conhecer sítios novos e fazer coisas que nunca tinha feito. Claro que é maravilhoso partilhar isto em casal, mas nada impede que se faça a solo. Há uns anos, ainda tinha algum pudor em fazer certas coisas sozinha (como seja ir jantar fora  ou sair à noite), mas deixei de ter. Quero ir, vou. Simples.


O CÉU É O LIMITE

A sociedade impõe muita coisa que as mulheres não podem ou não devem fazer, seja porque são coisas perigosas, seja porque as faz ficar mal-vistas. Guess what? Caguei. Lixei-me para as convenções sociais e decidi que o meu único limite é o da bondade e o da minha dignidade. Não faço nada que prejudique ninguém e não faço nada com que não me sinta confortável. Mas isso vale para quando estou solteira e para quando não estou.

Em resumo: eu usei os meus anos de solteira para cuidar de mim. E só quando me senti verdadeiramente tranquila, segura e em paz com a mulher que sou agora é que me permiti abrir a porta à possibilidade de acrescentar alguém à minha vida. Continuo a sentir-me dona de mim, não abdiquei de nada, porque aprendi exactamente quem sou. E só faz sentido assim.

Ninguém sabe o dia de amanhã. Nada me garante que passe o o resto da vida acompanhada, como nada me garante que fique sozinha. Nunca saberei. Mas sei que estou preparada para ambos os cenários e que, aconteça o que acontecer, hei-de saber lidar.

Portanto, conselho de amiga: invistam em vocês, foquem-se em vocês e mentalizem-se de que nunca ninguém vos vai dar o amor de que vocês precisam. Esse amor tem de estar dentro de vocês. Cultivem-no. 

17 setembro 2019

3_100

Cá dentro jazem eles, os que matei porque não conseguia ouvi-los, os que escondi entre palavras sussurradas, os que gritam e pedem que os salve. Cá dentro jazo eu, morto e inacabado, uma vida de mil vidas, às vezes maior que o silêncio que me engole, outras vezes apenas um farrapo de desespero. Sou eu que vivo tanta gente e não sei de todos, nem sempre os reconheço quando aparecem, nem sempre lhes abro a porta, mas eles entram sempre, ganham cada batalha, tornam-me num cenário de guerra manchado de sangue e de recordações que não são minhas. Antes morresse.

16 setembro 2019

2019-2020 kick-off

Começa hoje o novo ano lectivo (para a maioria dos miúdos, vá). Acabaram os três longos e penosos meses de férias (para os pais, que às tantas já não sabem o que hão-de fazer aos filhos, e para os filhos, que às tantas já não têm mesmo nada para fazer). Hurray...

Então e por cá, como foi?

Bom, começámos com uns clássicos...

- Mãe, o que é que eu visto? (Eu é que sei? Escolhe a tua roupa, ora!)

- Mãe, já estamos atrasados? (Não, porra! Acordei-vos cedo para não nos atrasarmos...)

- Ó mãe, ela 'tá-me a chatear... / Ó mãe, ele não me dá espaço no lavatório... / Ó mãe... / Ó mãe... (fodaaaaaa-se.....!)

- Trânsito de merda à porta da antiga escola dela porque a) aqui a esperta da mãe resolveu fazer o mesmo caminho que, sim, é mais curto, mas não deu o devido desconto aos mil e novecentos carros que iam estar a largar putos lá à porta e b) porque andaram a fazer uma ciclovia que reduziu bastante as faixas de rodagem, então agora só dá para passar um carro para cada lado porque estacionamentos e largada de miúdos e afins e aquilo está tud absolutamente empandeirado e ninguém anda...

E o meu clássico favorito, mas assim de longe: GREVE! Sim, há greve de funcionários no primeiro dia de aulas. Curiosamente calha a uma segunda-feira num mês em que não há feriados, but hey... who's counting? (Já sei, já sei: o direito à greve e as eleições e mimimi... outra vez arroz!). Portanto, primeiro dia de aulas e a miúda está onde? Em casa da avó. Adoro.

12 setembro 2019

Leonor e as opiniões sinceras

No primeiro fim-de-semana de Agosto deu-se o grandioso evento anual que são as festas da terra da minha mãe. Ora a terra da minha mãe é uma aldeia perdida no Alto Alentejo onde se passa basicamente... nada. 

(Pequeno parênteses: nos anos áureos da minha adolescência, nada era coisa que certamente não se passava ali. Vivi histórias giras, giras, naquela terra, fiz amigos que adoro e com quem, apesar de passar meses sem falar, tenho uma proximidade que não tenho com amigos mais presentes. Era o tempo das noites nas fontes, do pão quente às quatro da manhã, das bebedeiras de vodka que não acabaram em coma alcóolico sabe Deus como, das primeiras paixões, dos bailes até às tantas, das açordas de madrugada, das cartas trocadas durante o resto do ano, de contar os dias para ser Agosto novamente e irmos todos para lá...)

Bom, eu já estou naquela geração que passa as festas lá sentadinha numa cadeira a olhar para o relógio à espera que sejam horas de regressar ao quartel, mas a minha filha está a chegar à idade em que começa a querer viver aquilo de outra maneira. Já começa a ter os amigos de lá, já me desaparece durante meias horas para estar lá sentada num muro, à conversa com os amigos. Não há-de faltar muito para começar a ir beber água às fontes, mas isso é outra conversa.

Este ano, logo na primeira noite, apanhámos uma senhora acordeonista que cantava, vá, mal. Diz aqui a menina para a sua filha:

- Leonor, quando disseres que eu canto mal, lembra-te desta senhora, ok?
- Podes crer, mãe... nunca pensei que houvesse alguém que cantasse pior do que tu...

A coisa ficou assim, sofremos mais um bocado, eu bebi mais uma sangria e o assunto morreu.

Na semana passada, íamos os três no carro quando eu decidi que era boa ideia cantarolar o que estava a dar na rádio. E lá de trás ouço um...

-  Olha, mãe, eu só não digo que és a pior cantora do mundo porque lembro-me bem daquela mulher na aldeia...

11 setembro 2019

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10 setembro 2019

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É a agonia de te saber noutra casa, noutra cama, a pores comida noutros pratos, a abrires outras janelas, a dares água a outras plantas. O vómito de me desfazer a cada instante, antes tu, agora nada, a vida esbatida e rasurada, não foi nada disto que te pedi. 
As promessas foram hiatos, a voz que te sai da garganta e não quer dizer nada, só as mãos na minha carne e apesar disso nada. Sempre nada. Nunca foi nada.
E tu imenso e tão vazio, silêncio frio de inverno a chegar.
E eu tão morta e tão sozinha. Fim.

09 setembro 2019

Bullet Journal - Decorações & Mariquices

Ora então, antes de mais, boa segunda-feira a todos e boa semaninha, sim?

Vamos falar de bonecada? 
Esta coisa de usar um bullet journal é muito gira e tal, mas pode assustar. Se procurarem pelo tema nesse antro de perfeição que é o Pinterest, vão deparar-se com coisas nível Louvre. Não têm de fazer igual, ok? Não precisam de ser o Van Gogh para manter um bullet journal. 

Eu gosto de desenhar. É uma coisa que me faz desligar de tudo e serve para descomprimir. Então, todos os meses escolho um tema de que goste e faço tudo a partir daí: escolho as cores que quero usar e penso na maneira de montar uma coisa minimamente coerente. 

Para Setembro, apetecem-me faróis em tons de azul e vermelho. É aquela cena marinheira gira e meio retro. 


Bom, eu faço sempre umas páginas que me dão um jeitaço, mas a maravilha do bullet journal é que ninguém manda em nós e cada um faz como quiser. 




Portanto, uso um Mood Tracker porque é uma boa forma de ter uma percepção de como foi o meu mês. Desta vez fiz assim, em círculo (e calculei mal a coisa e deu aquele extra vermelho que... enfim...). Há mil maneiras de fazer isto, obviamente. Querem ver

O Sleep Tracker ajudou-me a perceber que tenho de me deitar mais cedo e que tenho de largar a porra do telemóvel quando vou para a cama. Mas percebi que até durmo mais do que pensava...

Por fim, o Habit Tracker é uma óptima maneira de mudar e solidificar hábitos. Eu tenho as minhas categorias de eleição, mas é à vontade do freguês. Graças a isto, não me esqueço de tomar os meus suplementos e não vou para a cama sem tirar a maquilhagem, por exemplo.

Então e como é que podemos ter um bullet journal giro sem sermos artistas plásticos ao nível da Bienal de Veneza? 

Fácil: autocolantes, washitapes e recortes vários!



Estes dois últimos exemplos são do meu mês de julho, que dediquei ao fundo do mar - fartei-me de desenhar anémonas e de pintar fundos do mar em aguarelas. 

Portanto, onde é que isto se arranja? Aliexpress e Tiger, por exemplo. A Tiger tem tido uns conjuntos de autocolantes giros e coloridos que ajudam bastante. E o Aliexpress é um mundo onde só não conseguem comprar uma mãe (e vai daí... não sei, não...). 

Então e aqueles papéis amarelados com letras, são o quê? São... páginas de um livro! Há uns meses, encontrei um carregamento brutal de livros ao lado do meu trabalho. Estava a chover e eu lixei-me para isso: pus-me de gatas a escolher o que queria levar para casa. No meio daquilo estava um livro com as páginas a saltar. Pensei imediatamente que ia usá-lo exactamente para isto! 

E é isto. Como vêem, não precisam de ter umas super skills. Podem divertir-se com muito pouco. E o melhor de tudo é que podem adaptar tudo ao vosso gosto e às vossas necessidades. E se perceberem que uma coisa que fizeram este mês não funcionou, descartam e no mês seguinte já não repetem a dose.

[Contem-me tudo: gostam destes posts? é informação útil? Querem que fale mais sobre o tema? dúvidas e questões específicas, há?]

06 setembro 2019

Sugestões à sexta

Sexta-feira, dia de sugestões por aqui... e hoje vamos a livros! Trago três que me roubaram cinco estrelas no Goodreads. Quem me segue por aqui já sabe do que a casa gasta: não sugiro nada que não valha MESMO a pena. E estes três valem bem todos os minutos que lhes possamos dedicar. Vamos lá?


"Li" este livro ainda no ano passado, mas ficou na memória. Pus aquele "li" entre aspas porque, na verdade, ouvi o audiobook. Não sei se já vos disse: adoro audiobooks. Ouço-os quando preciso de ter as mãos ocupadas, mas não o cérebro - a limpar a casa e a cozinhar, por exemplo. Uso uma app que me permite ouvir os livros a 1.5x a velocidade de leitura, o que faz com que consiga "despachar" um livro em coisa de 6 a 8 horas. E é uma forma maravilhosa de rentabilizar o tempo em que não precisamos de pensar. 

Mas falemos do livro. A Celeste Ng, tal como a Liane Moriarty e a Gillian Flynn, é mestre na criação de personagens. Todas contam as suas histórias através das personagens que criam e não o inverso. Não sei se consigo explicar isto muito bem, mas sinto que há livros em que são as histórias que criam as personagens e há outros em que acontece o inverso. E são estes os meus preferidos. São livros em que a tensão não vem dos acontecimentos em si, mas das acções e reacções das personagens personagens. 

Neste livro, vamos até Shaker Heights, uma pequena cidade nos Estados Unidos. Estamos no final dos anos 90 e vamos acompanhar  a vida daquela comunidade através da vivência de duas famílias onde há vários adolescentes. O livro centra-se muito nos jovens e usa-os para contar a história que nos leva a conhecer o passado de Mia e da sua filha Pearl, recém-chegadas a Shaker Heights, e da família Richardson, que entra em confronto directo com Mia, graças a um acontecimento que abala a pequena comunidade.



Três irmãos perdem os pais num acidente de viação e são enviados para um colégio interno, onde crescem de maneiras completamente diferentes. Neste livro, acompanhamos o seu crescimento, os fossos que se criam entre eles e a maneira como a vida os vai reaproximando.

É uma história sobre pessoas e relações entre elas e o que nós temos aqui são corações e almas despidas à nossa frente, angústias e medos, certezas e desejos. E a história tem o ritmo certo, tem várias camadas que se interligam, tem tudo para ficar connosco durante imenso tempo.

Mais uma vez, somos levados pela mão durante a adolescência e acabamos a crescer com estas personagens.



Antes de mais, deixem-me dizer-vos que, se ainda não sabem que este livro existe, é porque têm andado a dormir! 

Eu não sou nada de romances Young Adult, mas este tinha de ler. Porque se passa aqui, entre o Estoril e Lisboa, no final dos anos 90. Porque conta a história de Isabel, adolescente que cresceu sem redes sociais, sem tecnologia, sem ecrãs ligados o dia inteiro. Tal como eu. Apesar de ser meia dúzia de anos mais velha do que esta Isabel e de nem todas as referências serem as minhas, consegui viajar até à minha própria adolescência e matar saudades de tudo o que vivi. 

As personagens têm vida, são reais, não são monocromáticas nem unidimensionais. A história em si é-nos dada com os solavancos próprios daquela idade em que nos estamos a descobrir a nós mesmos e ao que queremos da vida. Este livro está mesmo, mesmo, bem escrito e garanto-vos que vai valer a viagem!

A Helena foi ainda mais longe e criou uma playlist no Spotify, playlist essa que serve de banda sonora ao livro. E o que é que eu fiz? O óbvio: li o livro sempre com a playlist a tocar. Apesar de muitas daquelas músicas já me terem apanhado numa idade pós-adolescência, continuam a ser as músicas que eu também ouvia e cujas letras ainda hoje sei de cor. E se já estava completamente imersa no universo do livro, ainda mais fiquei. 


Se ainda não me seguem no Goodreads, podem tratar disso aqui. Não vivo sem isto e é o sítio onde tenho o tracking das minhas leituras mais actualizado.


Ah, e estou a pensar em lançar-vos um desafio daqui a pouco tempo: e se lêssemos um livro em conjunto e debatêssemos ideias a seguir? Alinhavam?


[Quando escolhi os livros de que vos queria falar não reparei no fio condutor comum: a adolescência. Calhou... Mas só agora, quando acabei de escrever sobre eles, é que reparei neste pequeno detalhe. Se calhar é para me ir preparando, porque com uma filha quase a bater nos 12 anos, já vai sendo altura de começar a habituar-me à ideia...]

05 setembro 2019

André e as perguntas embaraçosas...

Há dias, no carro, a caminho de uma praia da Costa, crianças atrás, adultos à frente, tudo na santa paz do Senhor. Algures por ali, passamos ao lado de uma unidade hoteleira que tem a designação em letras garrafais. Do banco de trás, uma voz de macho pequeno pergunta:

- Mãe, o que é um motel?

Adulto condutor ri-se e olha para mim, à espera de ver como é que vou descalçar esta bota...

- Então, filho, é uma espécie de hotel, mas assim deitado, vês? Os hotéis costumam ser prédios altos. Os motéis são mais ou menos a mesma coisa, mas assim mais baixinhos e deitados... 

(Por dentro, eu estava a gargalhar... e a fazer um esforço brutal para não me desmanchar.)

- Mãe, um dia podemos ir a um motel?
- Pode ser que vás, filho, mas assim quando fores mais velho...