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15 novembro 2018

Vulnerável

Ser vulnerável não é ser fraco, não é ser incapaz, não é estar aquém. Ser vulnerável é permitir que a estrutura abane, é saber que há vida, é aceitar o medo e a falta de ar. Ser vulnerável é aceitar a imperfeição, é aproveitar para crescer, é entender que somos feitos de carne e sangue e lágrimas. Ser vulnerável é baixar a guarda, mostrar o flanco, aceitar a possibilidade da dor.

Durante muito tempo, não aceitei a minha vulnerabilidade. Achei que não podia, que tinha de ser sempre um rochedo, que nada podia afectar-me, que eu tinha de estar sempre acima das tempestades que viessem. E quando sentia a água a chegar-me aos pés, fugia, refugiava-me, trancava-me na minha concha, para que nada me tocasse mas, acima de tudo, para que ninguém se sentisse na obrigação de me mimar para sossegar a tal vulnerabilidade.

Ontem não estava bem. A constipação a voltar, as hormonas a operarem maravilhas, a falta de sono da noite anterior e ontem o mundo era uma nuvem muito negra prestes a rebentar numa trovoada à minha volta. Podia ter-me escondido debaixo dos lençóis até aquilo passar. Mas eu sabia o que me faltava, sabia o que poderia dissipar tudo aquilo. E em vez de me esconder na minha concha (que é uma concha confortável, tranquila e bem arranjada, fruto de anos e anos de trabalho nisto), mostrei o flanco, despi-me de muralhas e disse de forma clara o que me fazia falta. 

Há abraços que nos salvam. Ontem salvaste-me assim. 

14 novembro 2018

Heranças

Nem sempre gosto de ver a maneira como os meus filhos são pequenas réplicas minhas mas há coisas em que tenho um orgulho do caraças: sentido de humor e gosto pela leitura.

Lá em casa há centenas (largas centenas, vá) de livros. Não há livros escondidos (bom, há um da Érica Fontes que me foi emprestado como curiosidade, que ainda não cheguei a ler - e que não me parece que venha a ler - e que não faço questão que eles encontrem, mas tirando isso é à vontade), está tudo à disposição. Claro que, sabendo o que sei hoje, se calhar vou tentar evitar que a miúda leia "A Insustentável Leveza do Ser" aos doze ou treze anos, como fez a mãe dela, mas pronto. 

O meu ponto é este: eles sempre me viram agarrada a livros, tenho livros em todas as divisões da casa, leio enquanto estou no sofá, leio na cama, no wc, até a cozinhar ando ali de audiobook nas orelhas. Sempre. E eles desde pequenos que adoram livros. O miúdo então foi de mais: andou ansioso para começar a ler porque era o único que não conseguia e isso deixava-o frustrado, mas não o impedia de interagir com livros: todas as noites se deitava na cama a "ler" um livro (pedia-me que lho lesse uma vez, memorizava a história e repetia-a depois sozinho). 

Agora todas as noites pedem se podem ficar um bocadinho a ler - podem sempre. Ela anda embrenhada no Harry Potter - e a pedir para ir à biblioteca buscar o próximo livro, porque quer ler e ver o filme a seguir. Ele respira dinossauros e tudo o que seja livro sobre o assunto é lido até já não existirem letras.

É este o meu contributo para a causa da literatura: garantir que eles têm à disposição os meios para serem leitores ávidos, incentivar o exercício, fazê-los perceber que os livros são uma óptima companhia (principalmente se se virem na contingência de não terem mais companhia nenhuma). E tenho a certeza que é precisamente porque gosta de ler que já começam a gostar de escrever. E sim, isto deixa-me mesmo muito orgulhosa.

Estou muito longe de ser a melhor mãe do mundo, mas tenho a certeza de que estou a fazer isto bem. 

12 novembro 2018

A walk down memory lane

Há alguns dias recebi uma notificação no Facebook: um antigo colega de escola criou um grupo com o intuito de reunir a turma daqueles três anos. Que anos? Não se lembrava. Mas alguém trouxe luz à questão: 1991-1994. Fomos colegas do 7º ao 9º ano - depois a turma dividiu-se, alguns continuaram juntos e outros mudaram de rumo (tipo eu, que fui para Humanidades com Alemão para conhecer gente nova...).

Estamos a reunir pessoas de quem já não me lembrava, outras que não vejo desde 1997 (fomos ficando na mesma escola até ao 12º). Já começaram a aparecer os tesourinhos deprimentes todos... e está a ser tão giro! Mesmo, mesmo bom isto de reencontrar pessoas do século passado. Não tarda há um jantar e... lá vai a coisa para a RTP Memória!

(Estava a comentar isto com o meu colega do lado. Ora o rapaz nasceu em 1995... Eu saí da faculdade em 2001, ano em que ele entrou na primária... e é nestas alturas que percebo que já não tenho propriamente 20 anos - e ainda bem!)

08 novembro 2018

Shall we dance?

Não sei se já caí em mim - acho que não. Há friozinho na barriga, nervoso miudinho e tal. Mas também há a certeza de que vou dar o meu melhor, de que vou fazer tudo o que puder, de que vou continuar a investir na minha formação, de que vou continuar a aprender com os melhores, de que quero muito transmitir a paixão que isto é para mim.

Então mas... como assim? Então, eu explico: o João é meu colega nas aulas de kizomba tradicional. Dá aulas há mais de um ano, tem aulas há mais de cinco, já fez três formações de professor e sabe bem o que faz. Há umas semanas, desafiou-me para lhe dar apoio enquanto a professora que dá aulas com ele no centro de Lisboa está ausente por motivos de trabalho. Eu aceitei o desafio, claro. Entretanto, desafiou-me para o acompanhar nas aulas que vai dar em Benfica... e eu não podia mesmo recusar, não é?

Para mim, isto é um desafio. E uma prova de confiança. Portanto... vamos lá! Gostava muito, muito de vos ter lá, a experimentar isto connosco! Vai ser bom, prometo! Quem vem?


06 novembro 2018

A porta está aberta

Fui convidada pela Susana, autora do facelog Ser Super Mãe é uma Treta, para responder ao inquérito rápido a mães que ela tem publicado semanalmente. Sabem aqueles textos que nos saem da (i)alma e que sabem mesmo, mesmo bem escrever? Foi o caso deste. Que gozo do caraças que eu tive a responder àquilo!
Bom, o meu inquérito saiu hoje e trouxe-me muita gente nova aqui para o pardieiro. Tudo orgânico, 'tá? Não comprei seguidores!

Portanto, pessoas novas recém-chegadas, é o seguinte: não sou de famílias betas, sou (muito) suburbana, ando de comboio e de metro todos os dias, também já experimentei as trotinetes que há agora em Lisboa e não gostei, que aquilo faz doer os antebraços, não tenho irmãos, tenho dois filhos que trato por nomes que não são os deles (especialmente em público e mais especialmente ainda se calha estarmos perto de pessoas que acham que se mede alguma qualidade humana com base nos maços de notas com que se anda na carteira (sentido figurado, claro), portanto, oficialmente tenho a Leonor e o André, às vezes são o André Manel, o J'quim, o André Augusto, a Marilú (acho que já contei aqui a história desta alcunha), a Joaquina e a Gertrudes (dito Xtrudes, obviamente). 

Escrevo em blogs há 15 anos (neste endereço desde 2008), nunca fui paga para escrever (mas até podia ser, não me importava nada de escrever comunicação institucional para pequenas empresas, também não me importava nada de gerir redes sociais de um ou dois pequenos negócios - olhem eu a ter ideias!), não tenho um catálogo online, vou ao Lidl quando preciso de comprar coisas (normalmente iogurtes porque são baratos, gel de banho e cremes de corpo) e não quando há lançamentos de colecções (cof...) de coisas, já fui a eventos de blogs (muito carinho pelos do Ikea porque, bom, são do Ikea e aquilo é giro de se ver, mas tudo o que tenho em casa de origem sueca foi pago por mim), já deixei de ir.

Não tenho códigos de desconto da Prozis, não tenho pachorra para isso e até sou (muito) cliente - já fui mais, que entretanto a minha vida levou aqui uma volta e eu deixei de ter tanto tempo para treinar. 

Sou pouco dada a evangelizações, até posso desafiar as pessoas a experimentarem qualquer coisa que eu ande a fazer, mas daí a andar no massacre da angariação de clientes/participantes/o que for vai todo um comboio de papéis a que não me presto.

Tudo o que disse no inquérito da Susana resume bem a minha postura: não sou de salamaleques, gosto pouco de fogos de artifício, não tenho o menor fascínio pelos holofotes nem me interessa ser famosa só porque sim. Recuso-me a vender os meus filhos a troco de likes, não os exponho na net, não há uma foto deles que seja em lado nenhum (daquelas em que se vêem caras, porque de costas há duas ou três). Nada contra quem faz disto o seu negócio/modo de vida, mas não é mesmo a minha cena: prezo demasiado a privacidade (minha e deles) para me sujeitar a isso e, principalmente, para os sujeitar a eles. 

Digo o que penso, não faço fretes, não sou fofinha, nunca sacaria uma faixa de miss simpatia mas prezo muito a amizade. Sou de abraços e de afectos, mas digo que sou um tractor - e sou porque, lá está, não tenho papas na língua para dizer o que penso.

Aqui falo da vida no geral, da minha vida em particular (q.b., que a minha mãe é freguesa da xafarica e, apesar de eu ter quase 40 anos, ainda me dá nas orelhas como se eu tivesse 8), escrevo uns micro-contos à terça-feira (hoje por acaso não porque estou de cama e sem inspiração). 

Tirem os sapatos à entrada, sintam-se em casa e bebam um gin por aqui. Sejam bem-vindas.

05 novembro 2018

Dois minutos à Benfica

Sou benfiquista desde que me lembro. Ok, acho graça ao Porto. Meio a sério, meio a brincar, digo que sou benfiportista. (Herege!)

Bom, a verdade é que, sendo benfiquista e gostando do Porto, o única estádio onde tinha entrado era o de Alvalade (o velho). Aconteceu antes da ida da selecção para a Coreia, aquando do mundial (de 2002? Já nem sei!)

Andava há anos a dizer que queria muito ir à Luz. Acontece que tenho um séquito de benfiquistas no trabalho, mas daqueles assim a sério, que têm Red Passes e tudo. Há três anos que andava a dizer que um dia ia com eles.

Na sexta, a meio da tarde, chega-me a pergunta: queres vir à bola? Um dos amigos deles não ia ao jogo e cedia-me o bilhete e... SIIIIIIMMMMMM! Claro que sim! E lá vai ela, feliz e contente, a caminho do estádio, SLB, SLB, SLB, GLORIOSO SLB... Pergunto com quem vamos jogar: Moreirense. Engelhei o nariz e disse "isto vai correr tão mal...". O meu colega contrapôs logo: não vai nada, estamos a vir de uma derrota, temos mesmo de ganhar, eles vão estar picados e vão com tudo para o jogo....". Não concordei. O meu instinto continuava a dizer-me que aquilo não ia acabar bem...(devia ter apostado no meu feeling...)

Tive direito a tudo, incluindo a jantar no tasco mais tasco de sempre, perto do estádio. Calha que não como carne, portanto nada de bifanas. Fui de rissóis de camarão e pronto. Entramos no estádio e... wow...! Claro que adorei tudo, apesar de aquilo estar a meio gás.

Começa o jogo e ao fim de dois minutos está o estádio de pé, a celebrar o golo do Jonas. Achei que aquilo era um bom presente de boas-vindas. O pior veio a seguir... E foi o que se sabe.

No geral, amei a experiência. Sim, quero voltar. Sim, adorei ir com os meus colegas e com os amigos deles. Sim, amei ver o jogo ali e, apesar de aquilo ter acabado mesmo muito mal, quero mesmo repetir a dose. 

Outubro foi... Novembro vai ser...



Outubro foi...

1.
Sem estar à espera, dei duas aulas de kizomba. Não era suposto ser já, não tinha planeado nada disto, mas a oportunidade surgiu e eu agarrei. Tem sido assim o meu percurso na dança: agarro o que a vida me coloca no caminho, aproveito ao máximo e tento fazer de tudo um ensinamento. Sei que tenho um longo caminho a percorrer, mas sei que quero fazê-lo e sei que vou chegar lá. Com calma e com muito trabalho e empenho. Portanto, não sei bem o que vai acontecer a seguir... mas, no que depender de mim, dancemos!

2.
Dissemos adeus à Suri e continuamos a ter saudades dela. Falamos dela de vez em quando e mantemos a memória viva. O Alex continua lá na vida dele, a achar que é o dono disto tudo e o Caramelo continua docinho, docinho. Não mexe, está bom.

3.
Baldei-me aos treinos à grande e fui-me abaixo por causa disso. Mantive-me sem comer carne, aprendi a fazer uma série de pratos novos e não tive qualquer efeito secundário por causa disto tudo. Já lá vai um mês e meio e continua a correr muito bem. 


Novembro vai ser...

1.
Voltei a acender a lareira e está tudo bem. Também voltei a passar parte das tardes de domingo na lavandaria, a secar roupa, mas como isso me evita horas agarrada ao ferro, não me importo nada. 

2. 
Novembro é o National Novel Writing Month. O que raio é isto? É uma iniciativa que nasceu nos Estados Unidos e cujo objectivo é pôr-nos a escrever 50 mil palavras num mês. A ideia é precisamente essa: 30 dias, 50 mil palavras escritas. Ora 50 mil palavras são um romance. Isto serve para quê? Para incentivar a escrita. Para quem, como eu, adora procrastinar e empanca por tudo e por nada, é uma óptima iniciativa. Do meu lado está a correr lindamente: é dia 5 e escrevi... zero palavras no meu livro, até agora. Mas... sem pressões, tenciono escrever o que der para escrever. Podem ser 50 mil, podem ser 150 palavras apenas. Não importa. O que interessa é escrever, por pouco que seja. Se querem um empurrãozinho, talvez este seja um bom princípio.

3.
A sério que estou a tentar voltar a ter uma rotina de treino como eu gosto. Não está fácil, mas acho que já percebi como posso fazer isto acontecer. Calha que isso envolve dias a acordar às 6h30, mas paciência... Ninguém disse que era fácil, pois não?

02 novembro 2018

Ninho

A minha casa é uma espécie de manta de retalhos: não há um fio condutor nem nada que seja uma espécie de linha-mestra que eu siga, em termos de decoração. Claro que gosto das coisas bonitinhas, mas a minha principal preocupação não é a forma mas sim a função. 

Factos: vivo num T2, tenho dois filhos pequenos, cada um do seu género. Eles têm de partilhar o quarto, que não é gigante, e a casa tem de estar habitável para eles e para mim.

Tenho tentado destralhar, mas há um limite muito claro, para mim: usabilidade. Não me faz sentido esvaziar a cozinha, precisar de um tupperware e não ter porque deitei tudo fora em nome do minimalismo, por exemplo. Também não me faz sentido desfazer-me dos meus livros porque não é chique ter uma estante atafulhada. 

O quarto dos miúdos está atascado de coisas e vai ser o próximo alvo. Tenho de dar uma volta ao roupeiro deles, tenho de tirar roupa que já não serve, tenho de deitar brinquedos fora. Não me custa.

A sala está pejada de livros e se há coisa que me lixa é dizerem-me para me ver livre deles. Não vai acontecer, não quero saber que as pessoas achem que vivo atolada em livros que não fazem falta nenhuma. Eu sou o oposto disso: não consigo compreender como é possível viver sem livros.

O meu quarto é o sítio menos cheio da casa. E sim, tenho mil livros na mesa de cabeceira e vou continuar a ter. É a minha forma de viver.

O hall era a minha no-man's-land lá de casa - aquilo é gigante, tem uns 9m2 e não serve para nada, basicamente. Para ajudar à festa, o chão é de mosaico, o que torna tudo mais frio e desinteressante. Quando para lá fui viver, há 15 anos (QUIINZE anos, já...), criei uma espécie de zona de leitura (que nunca usei como tal). Tinha um candeeiro, um puff e pronto. Depois vieram os miúdos e, porque o quarto deles é pequeno, optei por usar o hall como zona de brincar. Entretanto eles cresceram e deixaram de usar aquele espaço. Eu introduzi a regra de não haver sapatos calçados dentro de casa e rapidamente ganhei um ninho de calçado no meio do hall, à porta de casa. Estava farta. 

Andei a estudar hipóteses. Avé, Ikea. Encontrei um móvel que era o ideal para ali: um mini-armário para guardar os sapatos, que também serve de banco (um dos problemas que tínhamos era o de não termos onde nos sentar para atar os ténis). Móvel montado ontem e toca de dar uma volta ao espaço, Tinha lá duas estantes de quatro cubos, também do Ikea. Aquilo tinha livros dos miúdos, calçado num dos cubos e coisas do gato noutro. Mudei as estantes de sítio, pus o móvel novo mesmo à porta, tirei as coisas do gato dali, deitei carradas de livros de pintar (entre outras coisas) fora e aquilo ganhou um novo ar. O comedouro do gato sempre esteve no hall (porque a minha cozinha é pequena, tenho um espaço ocupado com os caixotes da reciclagem, caixote do lixo noutra parede, mesa de cozinha noutra, máquinas e afins e o único espacinho onde posso pôr aquilo é entre o caixote do lixo e o fogão - não está fora de questão, mas ainda não decidi sobre isso e, sinceramente, não me chateia nada ter o comedouro ali, onde está agora, porque não estorva. Dizia a minha Lia ontem que só faltava tirar os livros dos miúdos das estantes do hall (sendo que foi para os guardar que as comprei) e tirar o comedouro dali. Passei-me um bocadinho, vá. Não vou deitar os livros dos miúdos fora. Não tenho espaço para as estantes no quarto deles. E, sinceramente, não quero saber se as pessoas acham adequado ou não. A minha casa serve para eu viver, e eu vivo à minha maneira. E a minha maneira é esta: o meu hall já foi quarto de brincar, agora é zona morta e está tudo bem. Comprei um tapete, arrumei uma prateleira da cozinha onde tinha livros de receitas (que passaram para o hall) e o resultado final agrada-me muito. Consegui que ficasse um espaço acolhedor, coisa que aquilo já não era. Missão cumprida. Próximo desafio: o quarto deles.  

31 outubro 2018

Do lado de lá

Lembram-se de ter pedido para de desejarem sorte na semana passada?

Rewind. Há uns tempos, um dos meus colegas da kizomba, que também é professor, mandou-me começar a pensar em preparar-me para dar aulas. Com ele. Em jeito de brincadeira, deu-me um ano para isso. Na altura, eu não pensava nisto - nem em nada em específico na verdade. Mas a conversa dele fez acender aqui uma luzinha. E pensei que sim, ok, num ano consigo pôr-me minimamente em condições de dar aulas com ele. Vamos a isso.

Fast forward. A professora que dá aulas com ele está a fazer um mestrado e durante umas semanas não consegue estar presente nas aulas.

Na semana passada, ajudei-o pela primeira vez. De impulso, sem esperar que fosse naquele dia (já me tinha dito que me ia pedir ajuda, mas não pensei que fosse já). Não tinha os meus sapatos sequer (e sim, isto é importante). Fui na mesma. A turma é pequenina, eu já os conhecia porque já tinha ido lá assistir a duas aulas e correu bem. Correu mesmo bem.

Ontem voltei. Com sapatos. Correu ainda melhor. Gosto de estar daquele lado. Gosto de perceber onde estão as dificuldades. Gosto de desafio de me pôr naquele papel que talvez seja demasiado cedo para ser meu.

Não estou ali só para ensinar o que sei. Estou para aprender. Tenho um longo, longo caminho pela frente. Mas quero percorrê-lo. Quero estar do lado de cá (a aprender) e do lado de cá (a ensinar). Por agora, em princípio vão ser apenas umas semanas. No futuro... quem sabe?

No meio disto tudo, estou muito, muito grata. A quem me ensina todos os dias, a quem me desafia e me permite evoluir, a quem investe em mim. Estou muito grata ao João, pela oportunidade e pela confiança. Não quero desiludir ninguém: nem quem me ensina, nem quem aprende comigo, nem a mim mesma. Quero estar à altura do desafio. Quero superar expectativas: as minhas e as dos meus professores, as dos alunos com quem possa cruzar-me por aí.
E quero transmitir sempre este amor imenso pela dança. Porque, no fundo, isto é tudo sobre o amor.

Dias assim

Há dias assim. Em que tudo o que eu queria era o aconchego de um sofá. Dias em que prefiro o silêncio ao burburinho. Dias em que prefiro a bolha, a concha fechada, o meu espaço e o meu tempo. Há dias assim. Em que trocava isto tudo por um abraço dado de surpresa, sem que eu o visse chegar.