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16 janeiro 2018

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Abriu a janela e o pássaro, mesmo solto, escolheu ficar. Pousou-lhe no ombro, bicou-lhe a orelha, talvez tenha deixado no ar um trinado qualquer. Nem todas as prisões são necessárias, pensou. A este, não fazia falta a janela fechada, só a segurança da alpista e da água fresca, os gestos de amor possíveis entre humanos e pássaros. Talvez não seja preciso amarrar nada. O maior dos amores é livre, pode ir embora, mas prefere ficar onde sente o coração pulsar. Um amor feito de amarras não é amor. Quando nada te prende e ficas mesmo assim — isso é amor.

15 janeiro 2018

Supernanny - Super exposição

Não vi o programa da polémica de hoje (Supernanny, da SIC), mas li imensa coisa e percebi o contexto (não sabendo exactamente o conteúdo - ou seja, sei que há uma criança que precisou de uma "intervenção", sei que há uma família e uma psicóloga (que, segundo a própria não está ali na condição de psicóloga). Mas o que há aqui é uma família que foi paga para expor uma situação familiar em torno de uma criança).

Por pontos:

1. Quem me segue e sabe que tenho dois filhos, já se apercebeu de que eles não aparecem em lado nenhum, de maneira explícita. Não há UMA foto deles na net, daquelas que permitem identificá-los. Zero. Porquê? Porque eu não sou dona da vida (nem do futuro) deles. Eles têm direito à sua privacidade, a serem protegidos, a não serem expostos por serem meus filhos. Uma coisa é contar um ou outro episódio sobre eles. Outra, bem diferente, é inundar tudo quanto é rede social com milhares de imagens deles. Imaginem que, daqui a uns anos, um deles resolve que quer trabalhar na PJ, como agente infiltrado. Pois... lá se vai... tudo. Imaginem, simplesmente, que são pessoas reservadas, a quem não interessa serem conhecidos. Pois... Eu não tenho o direito de usar a imagem deles para o que quer que seja. eu não ganho dinheiro à custa dos meus filhos. Ah, e tal, e os miúdos que são modelos? Certo. Não tem nada a ver. Vestem uma personagem, não há grande maldade nisso. Quando os meus filhos quiserem aparecer (e tiverem idade para isso), veremos o que acontece. Até lá, não os exponho. Sei de outra polémica qualquer que houve há pouco tempo, na blogosfera, sobre fotos de crianças a usarem penicos. Vocês gostavam que as vossas mães tivessem disponibilizado este tipo de imagens vossas ao mundo? Eu ODIAVA. E não faço aos meus filhos o que não gostaria que a minha mãe me fizesse a mim. Já bastam as fotos oficiais da escola, com aqueles modelitos assustadores, que nos envergonham a todos sempre que a nossa mãe se lembra de sacar do álbum nos almoços de família.

2. Até acredito que aquela criança em particular precise de ajuda. Há vários sítios onde pode recebê-la. Nenhum envolve câmeras, maquilhadores, guiões e afins. O que há aqui é uma exploração atroz de uma situação delicada. Como é que aquela criança vai ser vista, daqui em diante, no seu dia-a-dia? Reality shows em tenra idade, a sério? Não bastam as tretas das Casas dos Segredos? É mesmo preciso descer tão baixo...?

Os meus filhos são meus, mas eu não sou dona deles. Eles têm direito à sua privacidade, têm direito de não serem conhecidos, têm o direito de poder, um dia destes, ir a uma entrevista de emprego sem que os futuros empregadores os vejam sentados num penico, ou todos sujos de papa, ou a fazer a birra de uma vida. (São tudo situações normais, certo. Mas nós também não gostamos muito de aparecer lavados em lágrimas ou bebedíssimos, pois não? Se nos resguardamos de situações constrangedoras, porque é que os expomos a eles? E mesmo que não sejam situações más, porque é que os expomos, de todo?)

Já disse isto aqui várias vezes: para mim, a vaidade que tenho nos meus filhos (e, portanto, o orgulho que possa ter em mostrá-los) não poderá ser nunca superior ao seu direito à privacidade. Eles têm a vida pela frente. E a vida deles é deles, não é minha. Eu não sou ninguém para decidir que eles são material de exposição. A net não é tão privada nem tão segura como possamos pensar. E o que aparece uma vez na net fica para sempre na net. E e calhar há coisas que não cabem em lado nenhum a não ser na esfera privada de cada um... 

Movie time

Para 2018 mantenho o objectivo que tinha em 2017: quero ver pelo menos 104 filmes. Hoje é dia 15 e já vi... doze. Como? Quatro filmes por fim-de-semana e a coisa dá-se. Bom, mas o que quero mesmo é dizer-vos isto: ontem, sem filhos e sem melhor amiga por perto, com ponte aérea em modo ponte aérea, estava sozinha e sem planos. Excepto cinema. Decidi que queria ir ver dois de quatro filmes. As opções eram "Três Cartazes à Beira da Estrada", "Jogo da Alta Roda", "Só Para Ter a Certeza" e "Wonder". Ginástica de sítios e horários de sessões e acabei a ver os dois primeiros. E que tal?


"Três Cartazes à Beira da Estrada" é um drama pesado, que fala sobre justiça (ou a falta dela) e sobre os pequenos vícios das cidades pequenas. Aquilo vai em crescendo e somos sugados para a angústia daquela mãe que, vendo que ninguém faz muito para descobrir quem raptou, violou e matou a filha, resolve atirar ao chão a primeira peça do dominó, na esperança de que tudo o resto caia a seguir. E cai. Frances McDormand a pôr-se a jeito para mais uma nomeaçãozinha para o Oscar e um Woody Harrelson que me faz confusão ver envelhecido (porque me lembro dele bem mais miúdo... quando também eu era bem mais miúda!). Nove estrelinhas em 10. Vale muito a pena.


"Jogo da Alta Roda" é puro entretenimento. No bom sentido. Baseado num caso verídico, conta a história de Molly Bloom que, algures nos anos 2000, deu por si a organizar todo um esquema de jogos de poker. Jessica Chastain a mostrar que sabe o que anda aqui a fazer e um Idris Elba fabuloso (eu sou daquelas parolas que fica sempre estarrecida quando apanha actores britânicos a representarem americanos sem sombra da sua very British accent!) dão corpo a tudo isto. A maneira como a história anda para a frente e para trás, para nos mostrar motivações e justificar acções, está muito bem conseguida. Estive duas horas completamente desligada do mundo e não são todos os filmes que conseguem fazer isto. Não sendo um filme de acção aceleradíssimo (nada disso), é daqueles filmes que nos mantém offline por um tempo e isso é muito bom. Ah, e no final, cena do tribunal, olhei para a Jessica Chastain e pensei que também teria gostado muito de ver isto feito pela Julia Roberts. Não sei porquê, porque acho que esta senhora também é capaz de sacar um lugarinho nos cinco favoritos, lá no Dolby Theater... 

10 janeiro 2018

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Era toda uma névoa de pensamentos enleados e não saber para onde ir a seguir, a chuva que caía violenta sobre o cabelo desprotegido, o frio a vergar corpos, o anoitecer triste sobre os carros, as luzes a incendiarem poças de água, despojos do dia guardados no sítio onde se guardam as memórias a que não voltamos. Era Ana e o telefone na mão, a bateria a querer morrer, a incerteza a crescer dentro dela, a estrada a fugir-lhe dos pés e ele na outra ponta da cidade, o corpo ainda quente, o cheiro ainda vivo e afinal o fim.

Gostar não basta

Não basta gostar, não basta gostar muito, não basta amar. É preciso dizer que se gosta, que se gosta muito, que se ama. É preciso mostrar. Em gestos pequenos e em gestos grandiosos. Uma mensagem de bom dia. Um abraço. Um elogio. Um "vi isto e lembrei-me de ti". Um presente inesperado. Um convite só para matar saudades. Ceder o melhor lugar no sofá. Acordar mais cedo para fazer café. Preparar "aquele" jantar. Planear um passeio. Gramar com aquela série de que não se gosta só para fazer companhia. Ouvir até ao fim. Não interromper. Calçar os sapatos alheios e entender. Dar a mão. Engolir sapos (não todos). Podes gostar muito, podes amar. Se não mostrares, isso vale muito pouco. Porque, assumindo que bolas de cristal são coisas do reino da ficção, o outro não adivinha. Isto vale para amigos, família, namorados, maridos, o que for. Acresce o seguinte: hoje estamos cá todos, amanhã podemos não estar. Não deixes por dizer, não deixes por mostrar. Se gostas, cuida, trata, protege, rega, alimenta, segura, vai até ao fim do mundo, se for preciso. O amor, seja de que tipo for, é demasiado valioso para ser deixado por mostrar.

09 janeiro 2018

100

Apetece-me partilhar convosco aquilo que sei fazer melhor: escrever ficção. Ando dividida entre vários projectos de escrita (e ODEIO a palavra projecto e o conceito de projecto, mas por agora chamemos-lhes isto: projectos), com pouco tempo para me dedicar a tudo com a atenção que isto me merece. Ainda assim, sinto falta dessa vertente por aqui. Porque esta é a minha casa.

No seguimento das mudanças de hábitos que estou a tentar fazer, mais uma: escrever aqui ficção com mais frequência. Sem obrigatoriedade nem cadência estipuladas, mas a tentar não perder o ritmo. Posto isto, regressam os micro-contos em 100 palavras. Parece-me um bom sítio por onde começar. Pode acontecer achar que algumas das ideias que forem surgindo mereçam mais do que 100 palavras. Se isso acontecer, volto a elas noutros moldes.

Não quero fazer disto um blog literário nem de escrita criativa. Mas quero investir cada vez mais nisto. E, de caminho, uso a minha plataforma onde vocês já sabem do que a casa gasta. Haja tempo. E palavras.

Timelapse

 (Foto da Lia, Agosto 2017.)

Não sei como isto aconteceu. Anteontem estava a fazer um teste só naquela de tirar teimas, teste no bolso de trás das calças, ali esquecido até ter começado a magoar-me, duas riscas, um telefonema para a Sofia, a sala de partos, horas naquilo, seis e onze da manhã e um choro forte, ela no meu colo, ela na minha vida para sempre, mais um teste, mais umas riscas ultra-desmaiadas mas eu tinha a certeza, afinal é um rapaz, como assim?, onde é que lhe ponho os ganchos? (até ela levou ganchos no cabelo pouquíssimas vezes, preocupação mais imbecil, céus), quarenta semanas e não há maneira de isto acontecer, uma lomba na estrada, comprimido da indução a fazer efeito há duas ou três horas e pop, que barulho foi este?, foram as águas a rebentar, ai, vais-me sujar o carro todo, não vou nada que a bolsa rebentou em cima e nem uma gota de líquido até chegar ao hospital, sala de partos e assunto arrumado em três horas, cinco e trinta e oito e mais um miado banda sonora para toda a vida. Anteontem isto e agora estes dois, este tamanho, esta vida, dez anos e pouco, quase sete anos, tanta conversa, tanto mimo, os dias feitos de gritos, despachem-se que estamos atrasados, e de mimo, amo-te muito, e eu amo-te muito a ti, beijos a toda a hora, abraços apertados e um nó cada vez mais forte, cada vez menos lasso. A vida, a minha vida, não é só isto, mas é mais isto, é tudo isto, é tanto isto e eu sem isto não era nada do que sou, talvez fosse feliz, uma felicidade diferente, nem melhor nem pior, diferente e, para mim, esta é a minha felicidade, estes dois corações pequenos que fazem o meu coração tão maior.

08 janeiro 2018

Recomeços

(Foto da Lia, Agosto 2017) 

O meu início de ano nunca é em Janeiro - sou uma September girl, acho que faz mais sentido realinhar as coisas no regresso ao trabalho, depois das férias, do que no início do ano civil mas, desta vez, estou a aproveitar para afinar ainda mais as coisas.

Sinto que ando demasiado ligada a redes sociais. Bem, na verdade, estou com o Facebook pelos cabelos. Tenho praticado muito o unfollow: simplesmente, desligo tudo (e todos) o que não tem interesse nenhum para mim. Lamento, mas não me apetece saber da vida d toda a gente... e não, não partilho muito da minha. O meu Facebook (versão pessoal) tem basicamente o tracking dos livros que estou a ler. Posso escrever um ou outro apontamento, mas é raro...

O Instagram é a minha rede social e é giro ver como ela evolui comigo. Tive uma fase em que seguia mães, entretanto deixou de me interessar por aí além. Sigo duas (e um pai) que são imbatíveis pelo sentido de humor (@camp_patton, escrito pela Grace, que tem seis filhos todos seguidinhos, assim uma coisa tipo família Von Trapp mas em bom; @mother_of_daughters e @father_of_daughters, a Clemmie e o Simon, pais de quatro miúdas - ele, em particular, é hilariante). Depois tive uma fase decoração-e-coisas-bonitas mas fartei-me da fantasia da coisa, prefiro vidas mais reais. Agora sigo imensa gente do fitness mas... qualquer dia farto-me, que isto de passar o dia a ver frango e batata doce às tantas enjoa. Sigo os amigos de sempre, obviamente, e esses são para ficar onde estão. Bom, resumindo, é aqui que gasto mais tempo.

Entretanto, decidi dar uma oportunidade à meditação. Saquei uma app e tenho tirado uns minutos todos os dias para me dedicar a isto. Não sei se me está a ajudar grande coisa, mas pelo menos durante aqueles três minutos consigo esvaziar um bocadinho a cabeça.

Também saquei umas apps para ver se consigo aqui alterar uns hábitos menos bons e... bom, o pior que pode acontecer é fartar-me e desinstalar tudo.

Tenho conseguido estar menos agarrada ao telefone. Decidi que este ano quero ler ainda mais e ver ainda mais filmes. É dia 8 e já vi oito filmes. Não está mau, certo? Também ando a conseguir avançar com as minhas leituras. Sou muito dispersa, a minha atenção muda de sítio com demasiada facilidade e é por isso que ando sempre a ler vinte livros ao mesmo tempo. Bom... not anymore. Decidi que vou acabar todos os livros que tenho na minha lista de "currently reading", no Goodreads. Eventualmente pegarei num novo ali pelo meio - duvido que consiga despachar tudo até Março e em Março há livro novo do Tordo e está-se mesmo a ver, não é...? Portanto, livros novos, só depois de acabar estes. E isto leva-me a outro ponto: este ano não quero comprar mais de seis livros. Sai na semana que vem o novo do Nuno Amado, finalista do Prémio Leya, e quero muito comprar. Vai sair o Tordo. Sairão mais coisas, com certeza. Mas não quero mesmo abusar... É que as estantes lá em casa não crescem, mas o stock sim... e a coisa está complicada.

Isto leva-me a outra coisa - destralhar: tenho tentado ver-me livre de tralha. Tudo o que já não presta, não serve ou não faz falta vai fora. Não necessariamente para o lixo, obviamente, mas para fora da minha vida. Sinto-me muito melhor à medida que me livro destas coisas que são só tralha, que me empata a vida, que cria entropia, que não serve para nada a não ser para ocupar espaço. Chega.

Decidi que vou aprender a dizer que não. Tenho os meus dias estruturados para cumprir as minhas tarefas e o que aparecer entretanto será resolvido de acordo com a urgência e a relevância. Não posso estar sempre a interromper-me para apagar fogos alheios... mas já sei que isto vai ser toda uma dificuldade, porque eu tenho mesmo a mania de resolver tudo a toda a gente na hora.

Portanto, para este ano quero mais tempo para mim, mais tempo para o que me dá prazer, menos dispersão, menos tempo perdido com porcarias que não me levam a lado nenhum. Quero simplificar, quero aproveitar mais, quero andar menos enervadinha, quero stressar menos, quero cuidar mais de mim, quero estar mais e melhor com os meus filhos, quero ouvir o bater do meu coração. Quero ser feliz sem artefactos, sem efeitos especiais, sem altas produções. Só eu e os meus amores, eu e as minhas coisas, eu e as minhas pessoas. O resto é paisagem, ruído de fundo, folclore. E fica fora do programa.

31 dezembro 2017

2017

Comecei o ano passado com uma dor gigante, fruto de um amor unilateral, que me destratou quando eu merecia muito mais. Culpa minha, que não soube dizer não na altura certa. Culpa minha, que aceitei menos do que merecia e precisava. Não me arrependo de nada e sei agora que precisei disto tudo para aprender. Sobre mim, sobre o mundo, sobre o amor. Aprendi que não quero nunca mais um amor a meio gás, meio amor, amorizade ou coisa que o valha. Não quero nada que não seja intenso, imenso e meu. Se for para ser pela metade, não quero coisa nenhuma. E acho que esta é a minha grande lição deste ano: se dou tudo, não posso receber menos do que isso.

Não fui a mãe perfeita, nem nunca vou ser. Erro muito, falho muito, mas não há ninguém que ame mais aquelas pestes do que eu. O meu mundo não gira à volta deles, mas eles são o mais importante. Não me esqueço de mim nem de tudo o que faz a minha vida, mas eles são o primeiro pensamento. Deixei de me sentir culpada por falhar tanto. É a vida. Sou eu. Sem máscaras, sem filtros, sem querer ficar bem na fotografia. Sou real, não tenho uma vida de instagram, não preciso de provar nada a ninguém a não ser a eles os dois, que viveram dentro de mim. O resto é fantochada, folclore, artefacto.

Acabei de escrever o meu livro e a sensação foi mil vezes melhor do que esperava. Vivi de sorriso nos lábios a cada crítica que fui tendo. Não esperava tanto, de coração. Escrevi exactamente a história que quis contar, não houve mão de editor (ainda) pelo meio. Houve conselhos (valiosíssimos) do João Tordo e tenho a certeza de que sem ele, sem os cursos dele, o meu livro não seria igual. Comecei a escrever o segundo e queria, a esta altura, já o ter quase terminado. Infelizmente, deixei-me enlear na tristeza do fim do Verão e bloqueei. Depois deixei estar. É para retomar agora, sem prazos, quando estiver pronto está e logo se vê o que acontece a seguir.

Dediquei-me a mim, no ginásio, como nunca imaginei. Não é futilidade, é amor próprio. É querer andar cá muito tempo. Vi do que sou capaz e para o ano que vem quero ainda mais. Tenho andado sem me chatear com isto, dei um tempo, aligeirei. Lá para quarta, quando a minha vida voltar à normalidade, retomo os treinos e rapidamente me ponho no ponto em que estava quando adoeci e deixei de treinar. Sem stress.

Saí muito, dancei, conheci pessoas, conversei muito, varri muita gente para fora da minha vida. Sem apelo nem agravo, sem lamentações. É o que é. Darwin explica.

Aprendi que o meu valor só depende de mim e que não preciso de validação externa. Ninguém precisa. Continuo sem dar para o peditório do "being famous for no reason" que parece ser o mantra do mundo dos blogs. Ainda há dias tive uma conversa sobre a possível "profissionalização" deste pardieiro e a minha posição é a mesma há 14 anos: nop, não quero. Não me imagino a seguir por essa via e, a fazê-lo, seria sempre num contexto literário, de criação de conteúdos, de escrita criativa. Não sei... Por aí. De resto, continuo a não me querer vender por coisas que não me fazem sentido - e é por isso que os convites que aceito têm sempre muito que ver comigo: cinema, decoração e pouco mais. Nada contra quem segue outros caminhos, mas eu não sou assim e continuo sem ver razão para deixar de ser eu neste sítio que é a minha casa e onde está toda uma vida.

Estreitei o laço que tenho com a minha Lia que, regressada a casa depois de quatro anos emigrada em Beja, tem sido a companhia mais que perfeita. Não há nada que pague uma amizade assim. Com a minha Sofia tenho pena de que a vida nos impeça de estarmos mais vezes juntas, as três. Quando estamos é sempre maravilhoso. E acho que se calhar devíamos assumir o compromisso de jantarmos juntas uma vez por mês...

Os meus pais continuam a ser o meu grande porto de abrigo, a rede que me segura sempre, o amparo mais valioso do mundo. Não há palavras para lhes agradecer o tanto que fazem por mim, por nós. São eles que vão buscar os miúdos à escola, são eles que cuidam deles enquanto eu trabalho e só chego a horas de jantar. São eles que asseguram os dias em que preciso de trabalhar mais cedo ou até mais tarde. São eles que me permitem a flexibilidade que adoro ter com o meu trabalho.

E por falar em trabalho... continuo apaixonada pelo que faço, pela empresa, pela equipa. Que sítio do caraças que a vida me trouxe...! Não troco aquilo por nada. É uma casa, uma coisa que adoro e onde sei que faço a diferença. Não há um dia em que me arrependa do caminho que me levou ali e isso vale ouro. Continuo a ansiar pelas segundas-feiras, apesar do cansaço, apesar do que vai sendo preciso resolver. Sou realmente muito grata por tudo o que tenho ali. Sempre.

Não sei o que 2018 vai trazer-me. Conto descobrir já amanhã. Sei que entro sem expectativas, a querer ver o que acontece, de coração aberto e de braços abertos para o que vier. Que seja bom. E que, quando não for, eu saiba olhar para a frente e relativizar. As coisas têm a importância que lhes dermos e se sobrevivi a 2017... sobrevivo a qualquer coisa. Mas, sabem?, acho que vai ser um ano do caraças. Em bom. Em muito, muito bom...

Adeus, 2017.
Olá, 2018!


20 dezembro 2017

Se é para sonhar...

Era um par de cada, se faz favor...