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19 junho 2019

O amor é lindo


Às vezes, o amor é uma dobradiça perra, uma fechadura que não corre, o barulho de metal a raspar em metal, o arrepio na nuca que não vem das coisas boas, mas sim das coisas que parecem estar bem mas não estão. Outra vezes, o amor é um tetris onde as peças encaixam devagarinho e sem esforço, de vez em quando temos de virar uma peça para que não fique um bocadinho de espaço vazio, para que o encaixe se faça perfeito, mas ganhamos pontos e subimos de nível e o jogo evolui sem grandes percalços. É sabido: gosto de lâminas afiadas na carne, sangue a pingar devagarinho, aquele arrepio do perigo, da incerteza, da insegurança. Na ficção, gosto disto tudo. Na minha vida, já deixei de lado as chaves que não fizeram abrir a fechadura, o som áspero do metal é a antítese da saudade. Na minha vida, já só quero a Primavera do amor devagar, sem lombas acidentadas, sem drama desnecessário. Talvez seja a isto que sabe a maturidade. Já podiam ter avisado, uma pessoa gasta metade da vida a consumir-se sem necessidade nenhuma. 

06 junho 2019

Floresta Mágica no Bombarral

Fui convidada pela Câmara do Bombarral a ir passar o fim-de-semana do Dia da Criança à Floresta Mágica, na Mata Municipal. Ora eu nunca tinha ido ao Bombarral. Não fazia ideia do que me esperava, mas não podia recusar a oportunidade de estar com os miúdos num lugar encantado, onde eles se iam divertir a sério. 

O programa das festas começava com uma Caça aos Pirilampos, na noite de sexta (dia 31). Quis muito que os miúdos vissem pirilampos verdadeiros, já que só conhecem os da CERCI, portanto dei fogo à peça, marquei um quarto para nós num Alojamento Local em Ferrel, a 20km do Bombarral (conto esta história noutro post, prometo... porque claro que tinham de acontecer coisas...), arranquei com eles ao final da tarde rumo a Ferrel, para ir buscar a chave do quarto. Como estávamos mega apertados de tempo e eu sou uma pessoa desenrascada, fiz uma paragem técnica no McDonald's de Torres Vedras para abastecer. A paragem em Ferrel foi rapidíssima. Voltámos logo para o Bombarral, porque não queríamos perder nada.

Assim que me aproximei do espaço percebi o cuidado com que tudo estava feito. À entrada, estavam duas mascotes a receber os caçadores. O pórtico de entrada, pintado à mão, dava o mote para a magia que aquela floresta guardava... e não me enganei! 

A primeira paragem foi na Aldeia das Fadas, uma zona muito gira do circuito. Para abrir o fim-de-semana, ouvimos a história do Tio Lobo, contada genialmente. Até eu, que tenho mais 35 anos do que o público-alvo da história, vibrei com aquilo tudo!  


Seguiu-se a caça aos pirilampos, guiada pela Bruxa Jójó - e a minha filha encantada com todo o figurino da bruxa... A Mata está cheia de pirilampos, mas talvez por ser muita gente e porque estávamos a fazer barulho, não foi assim a chuva de pirilampos que a organização esperava. Eu acho só que eles queriam mesmo dar o melhor àquela audiência... porque a carrada de pirilampos que nós vimos chegou bem para ter os miúdos super felizes... E eu ainda cacei mesmo um pirilampo, que eles puderam ver de perto!

Quando terminou voltámos para Ferrel, com a promessa de que estaríamos de volta no sábado a seguir ao almoço. E assim foi. Tivemos uma tarde espectacular, por todas as razões e mais alguma. Em primeiro lugar, a Mata Municipal está muitíssimo bem cuidada. Há bancos e pontos de água espalhados pelo recinto, de maneira a que quem por lá passeia tem sem tudo assegurado. Depois, o parque infantil merece destaque. Eu não sei há quanto tempo o Bombarral tem este tratamento, mas que aquilo está bem feito, está.

Os miúdos passaram a tarde a fazer as 97654 actividades disponíveis na Floresta. Houve de tudo: um mini musical do Timon e do Pumba (fabuloso!), tatuagens com purpurinas, um poeta a escrever com uma pena e um tinteiro (e a minha filha, que já se habituou às brush pens da mãe, por causa do bullet journal, retribuiu o gesto e escreveu qualquer coisa para o poeta assim mesmo à profissional da caligrafia da Idade Média), animais da quinta, incluindo cabras, pavões, perus, coelhos e patos, póneis para montar e para passear de carroça, uma escola de bruxas, onde fizeram varinhas mágicas, o mundo da Alice no país das Maravilhas, onde decoraram bolachas e jogaram ao jogo das cadeiras, insufláveis onde se queimaram de tanto lá andar (a sério, vieram os dois com pele arrancada dali!). 






Ali pelo meio andavam uns quantos animadores, que iam vestindo outras peles durante todo o evento e os miúdos reconheciam-nos e metiam-se com eles e eles interagiam... bom, foi só espectacular mesmo!

Entretanto, ao final do dia, fomos jantar ao restaurante O Pão, também a convite da Câmara. Estávamos mesmo a entrar no restaurante quando começara a passar os atletas que estavam a participar na Corrida da Pêra e do Vinho. Lá no meio, a Rosa Mota e também guardo um post para contar esta história, porque há coisas que só mesmo a mim, não é...?

Jantámos e, como íamos dormir na Floresta - porque havia um acampamento, para o qual fomos convidados mas que está aberto ao público mediante inscrições, voltámos, pusemos as coisas na tenda e fomos para as actividades nocturnas: voltámos à Aldeia das Fadas e... ups... acordámos os duendes da aldeia que estavam a dormir nas suas casas! Eles aproveitaram a invasão para contar histórias e deixar toda a gente bem disposta: éramos umas dez famílias a passar uma noite diferente! Quando acabou esta parte, fomos novamente caçar pirilampos: como estava calor e éramos menos, a esperança era que se vissem ainda mais pirilampos... e foi o que aconteceu. No final, tivemos uma ceia que assentou mesmo bem, antes de irmos dormir. 


Claro que eu não dormi nada, porque... pássaros, insectos e o Papagaio (que é um pónei) a relinchar a noite toda, mais o frio e o facto de eu já não ter 15 anos e, portanto, já ter umas costas que agradecem colchões em vez de chão duro. Mas... nem isso me desanimou!

Acordámos cedo, fomos tomar o pequeno-almoço (e fiquei mesmo com pena de não ter pedido a receita do bolo que lá estava e que foi provavelmente o melhor bolo caseiro que comi até hoje  MESMO!) e ficámos até à hora de almoço a passear e a fazer ais actividades. As únicas que eles não tinham feito no dia anterior foram asseguradas no domingo: andar de pónei e amassar pão.

Para o meu filho, o ponto alto foi o stand dos dinossauros: esteve a tirar pedra de um fóssil de tartaruga e pôde ver e tocar num osso de dinossauro verdadeiro que está a ser retirado de pedra também. Ela adorou andar a fazer varinhas mágicas, a decorar lápis de carvão e a escola de bruxas. 


De certeza que me estou a esquecer de coisas aqui pelo meio, mas o espaço tinha tanta, tanta coisa que é difícil falar de tudo.

Adorámos cada minuto, eles já fizeram saber que "ó mãe, promete que para o ano vimos outra vez!" e eu fiquei mesmo com muita vontade de lá voltar. Afinal de contas são só 45 minutos que separam Lisboa do Bombarral, o caminho faz-se lindamente e não fica caríssimo.

Muito, muito obrigada à Câmara do Bombarral pelo convite. Sem ele, eu não teria descoberto isto e foi mesmo fabuloso. E obrigada à Dra. Patrícia Pereira, a vereadora que nos acompanhou, e a todo o staff que nos fez sempre sentir em casa. Fomos realmente bem recebidos e isso vale ouro!

Entretanto, fica a sugestão: mesmo sem Floresta Mágica, a Mata Municipal, que fica mesmo no centro do Bombarral, merece uma visita, com piquenique incluído! 

04 junho 2019

Preconceito

Gays. Árabes. Pretos. Burros. Comunistas. Indianos. Manequins. Ricos. Do gueto. Tios. De direita. Católicos. Lésbicas. Protestantes. Que amamentam. Que marcam cesarianas. Barmaids. Caixas de supermercado. Mães solteiras. Loiras. Tatuados. Gordos. Deprimidos. Nerds. Drogados. Intelectuais. Que vêm telenovelas. Vegans. Metaleiros. Góticos. Bodybuilders. Hospedeiras de bordo. De Cascais. Transexuais. 

Preconceito. Provavelmente já todos fomos alvo de algum tipo de preconceito. Provavelmente já todos tivemos algum tipo de preconceito em relação a outras pessoas. 

A empatia não é um processo linear nem imediato. Não empatizamos com tudo nem com todos. Há temas que nos são mais queridos e outros com os quais não conseguimos lidar tão bem. Conscientemente, é preciso fazer um esforço para erradicar o preconceito e aprender a conviver com coisa que, por uma razão ou outra, nos provocam algum desconforto. Às vezes, a única razão para este desconforto é o desconhecimento.

Quando conhecemos pessoas que são diferentes de nós, que têm vivências diferentes das nossas, acabamos por deixar cair alguns destes preconceitos. Ali em cima elenquei uma série de características com as quais aprendi a conviver, fruto da convivência mais ou menos intensa. Aprendi a respeitar, aprendi a nem sequer olhar para aquelas pessoas de acordo com esta catalogação. São pessoas. São o X, a Y, o Z e por aí adiante. São pessoas que são muito mais do que gay, árabe, preto, etc.. 


Nisto tudo, há um tema que me é particularmente caro: a cena LGBTIQ+. Porque tenho amigos gays. Porque tenho um amigo trans. E porque sei o que eles penam para serem só pessoas normais, cidadãos de pleno direito à vista da sociedade. Nem sequer entendo que tenham de se colocar nesta ou naquela gaveta. São pessoas. Ponto. Amam quem amam, dormem com quem dormem e isso não deveria ser questão para ninguém, excepto para eles. Também não entendo que as outras pessoas tenham de aceitar o que quer que seja que não lhes diga directamente respeito. Ultrapassa-me.

bom, isto tudo a que propósito? Disto: Só Que Não. Vejam os 10 episódios. Cada episódio tem mais ou menos 10 minutos e é um testemunho dado na 1ª pessoa por vítimas dos mais diversos tipos de preconceito. Vejam e pensem um bocadinho sobre o assunto: que preconceitos têm? Como é que os podem eliminar? Vão um bocadinho mais longe: ponham-se no lugar daquelas pessoas. Não ia ser bom, pois não? Pois...

28 maio 2019

A Maria do Instagram

A propósito da estreia de mais um disparate televisivo (Like Me, na TVI), apeteceu-me pensar um bocadinho sobre isto das redes sociais e do influencerziarismo (pronto, já estou a gozar... não tenho mesmo remédio!).

Vamos ignorar o Facebook, que isso é chão que já deu uvas, e foquemo-nos no Instagram. 

Breaking news: as pessoas querem ter seguidores porque isso é uma potencial fonte de rendimento. Desengane-se quem acha que a Maria quer chegar a 10 mil pessoas para as ajudar a escolher o rímel que hão-de usar ou o sítio onde hão-de fazer a próxima viagem. Há zero altruísmo na caça ao follower. ZERO.

A Maria quer 10 mil seguidores porque isso a valida enquanto influencerzzz e a aproxima de marcas e de coisas a que não chegaria de outra maneira. A Maria não quer 10 mil seguidores porque isso lhe desbloqueia uma série de funcionalidades bru-tais no Instagram (tipo a ceninha do Swipe Up, que é assim a mega invenção salva-vidas de todo o sempre - ESTOU A SER IRÓNICA, OK?!) (novo parêntesis para dizer que estou a rir até agora...). A Maria quer 10 mil seguidores porque isso poderá proporcionar-lhe coisas e experiências e dinheiro a que, com um trabalho dito normal, nunca na vida teria acesso.

A Maria não quer 10 mil seguidores para fazer um serviço à comunidade. A Maria quer 10 mil seguidores para se servir a si mesma. 

Quem faz este serviço não anda na caça ao seguidor nem ao like. E, quando tem de andar, é por um bem maior. Conheço vários casos de pessoas que usam a sua voz e o seu alcance nas redes sociais para fazerem serviço social. A Liliana, por exemplo, usa a sua rede para resolver casos de miséria, para ajudar famílias devastadas por doenças. A Marisa, por exemplo, usa a sua rede (que devia ser beeeeeeem maior) para alimentar famílias que passam fome. As Marias do Instagram andam em bicos de pés a pedir batatinhas, fazem-se convidadas para eventos, assumem-se como comunicadoras de vernizes e de cremes para... bom, para terem vernizes e cremes à borla e, no limite, para aumentarem o seu rendimento, que poderá servir basicamente, vá, uma família, que por acaso é a sua.

Nada contra. Cada um vive do que quer. Cada um vende-se pelo preço que quer, ou a troco do que quer. Mas não façam das pessoas burras a dizerem que querem os 10 mil seguidores para terem a porra do Swipe Up disponível no Instagram. Assumam as merdas que fazem. E, de caminho, já que estão numa de assumir, assumam a publicidade que fazem, assumam as borlas e as ofertas e o que escrevem a troco de dinheiro, em vez de continuarem a atirar areia para os olhos das pessoas. Ou acham mesmo que o mundo inteiro descobriu "aquele" detergente, "aquele" creme, "aquelas" toalhitas precisamente no mesmo dia? Pleaseeee...

16 maio 2019

Sem mas

Quando conheci a Catarina estávamos as duas entre amores e desamores. Éramos umas miúdas armadas em fortes, românticas inconfessas, a sarar feridas mais ou menos superficiais e, nos entretantos, à procura do amor. 

Anos mais tarde, quando a minha vida se encaminhou, a Catarina dizia-me muitas vezes que a minha história a fazia acreditar no amor. Era a história-de-amor-para-sempre. Lembro-me de, no meu casamento, à saída da igreja, ela me abraçar e, as duas de lágrimas nos olhos, voltarmos a falar nisto. Afinal, a história de amor para sempre não foi para sempre, mas foi linda. 

Entretanto, a vida. E eu deixei de acreditar. Em amores à prova de vida, em amores para sempre, em amores reais. Perdi a esperança no amor, porque perdi a esperança em mim. Tornei-me cínica. Passei a olhar para fotografias de casamentos e a ver prazo de validade em tudo. Comento muitas vezes com a Lia o quanto os casamentos - lindos - que ela fotografa me parecem ser todos uma coisa a prazo. O problema não são os casamentos. Sou meu, que deixei de acreditar. Acredito em paixões, em coisas temporárias, em contratos a termo, em coisas fugazes. Mas custa-me muito acreditar que um dia vou encontrar a minha história-de-amor-para-sempre. Isto não devia ser assim mas é. É uma defesa minha, apenas. E é triste.

Há quatro anos, a Catarina encontrou o Pedro. Mentira. O Pedro encontrou a Catarina. E a Catarina, também descrente e desiludida e sem expectativas, permitiu-se ser encontrada. Um mês e meio depois, estavam casados. Não sei se é para sempre. Mas sei que é a única relação em que não sinto um prazo de validade. Olho para eles e vejo a mesma pessoa em dois corpos diferentes. Eu explico: é como se, juntos, fossem uma unidade. São diferentes, muito diferentes. Mas complementam-se. Acrescentam-se. Salvam-se todos os dias e isso é a definição do amor. 

E eu, que acredito em muito pouco, olho para eles e vejo a história-de-amor-para-sempre que me devolve um bocadinho da esperança na vida, em geral. Porque o que há entre eles é amor. Amor. Com as chatices normais das relações reais, com as contas, o sono, as discórdias e o mais que isto de dividir a vida com alguém implica. Mas é um amor sem mas. É um amor inteiro, que aceita, que luta, que cresce. É um amor pleno. Sem mas. E isso é tudo o que se pode querer de um amor, seja ele para a vida toda ou só para um bocadinho.

14 maio 2019

Na Casa da Gorda


Hoje estou na Casa da Gorda. A Gorda (que é magra, não que isso seja relevante, mas achei que devia dizer-vos que não podem acreditar em tudo o que lêem because... aldrabices!) entrevistou-me. Além de ter estado largos minutos a rir à gargalhada sozinha, no carro, ainda deu para me pôr a pensar um bocadinho. Vão lá ler, vá.

13 maio 2019

Mindset

Descobri, há coisa de dois, três anos, que perder peso é uma questão de cabeça. De mindset. Quando meto na cabeça que a coisa vai... vai mesmo. É o caso agora. Depois de ter passado o ano de 2017 entre os 55 e os 58kg, deixei-me estar e cheguei a 2019 com 64kg. Esta não sou eu. Eu sou muito mais do que os números que aparecem na balança, mas não me reconheço neste corpo revestido de boneco Michelin. Não me comparo com ninguém - sei que há pior e melhor mas... não quero saber, não me diz respeito, não é essa a minha guerra. A minha luta é comigo. Decidi que já chegava. E que chegava de uma data de coisas associadas a este aumento de peso que, obviamente, não aconteceu do ar.

Andei super desleixada com o ginásio,  a usar todas as desculpas para não ir treinar. Ou porque estou cansada, ou porque me atraso, ou porque a Lia não pode ir. Na semana passada, treinei seis vezes. Tenho os meus planos de treino feitos de acordo com o meu objectivo e a chave é a consistência. Mesmo. Não há milagres, nem há excepções à regra.

Desisti de esperar pela Lia para ir treinar. Vou sozinha, já nem aviso, já nem pergunto. Nada. Para não cair na tentação de embarcar num barco que não é o meu. Organizei o meu tempo de maneira a conseguir treinar sem prejudicar ninguém. Vou, meto os meus phones, ponho a minha música a tocar, faço o que tenho a fazer. Por norma, são 20 minutos de cardo intenso e 30 minutos de musculação, que é mais ou menos o tempo que demoro a fazer os quatro planos diferentes que tenho montados (um plano para cada dia de treino, bem entendido). 

Apesar de saber mais ou menos o que posso e não posso comer, em termos de qualidade e de quantidades, senti necessidade de controlar isto de maneia apertada, nesta fase. Isto implica balanças. Peso a comida, mas permito-me comer coisas que não pesei e que é um "mais ou menos". Sem problema, porque tenho marquem para isso. Voltei ao jejum intermitente, mas não estou a fazer 16 horas d jejum diário, ainda. Nem sei se as farei, na verdade. Tenho feito entre 12 e 14 horas, conforme posso e conforme tenho ou não fome (agora, por exemplo, estou há 13 horas sem comer e ainda não me deu a fome, por isso continuemos).

Andava numa luta com a água. Havia dias (principalmente ao fim de semana) em que não bebia mais de meio litro. Resultado: retenção de líquidos, obviamente. Neste momento, estou a beber cerca de 4l por dia. Sem esforço nenhum. Arranjei uma garrafa de onde não me custa nada beber (e isto tem TUDO que ver com engenharia e com a forma como a água sai com mais ou menos esforço da minha parte, e esta garrafa é perfeita para isso) e arranjei estratégias. A garrafa é de 600ml. Bebo uma entre casa e o trabalho, logo de manhã. Encho quando chego ao escritório e bebo outra até ao almoço. Mais duas ou três durante a tarde, mais uma durante o treino e a última à noite, em casa. Passo a vida a caminho da casa de banho. E? Qual é o problema? No meu caso, até é bom para me mexer, porque a casa de banho é na outra ponta do escritório e isto evita que passe horas a fio sentada.

Resultado disto tudo, ao fim de uma semana: um quilo e meio já foi. Ainda tenho um longo caminho pea frente, até aos meus 58kg e até aos meus 20/22% de massa gorda. Mas, como disse lá em cima, a chave é a consistência. E se isto implica almoçar atum e pepino na praia, pois que seja. O que é facto é que, mesmo assim, durante a semana passada ainda deu para comer coisas como bolo de aniversário, gelado e estrelitas. Equilíbrio é fundamental. E não, não estou numa cena radical, a comer só alfaces. Bem longe disso. E o que é facto é que isto, comigo, resulta. Portanto... continuemos. 

08 maio 2019

Movie time... soon!

Os próximos tempos avizinham-se giros, aqui para a menina. Está tanta coisa boa para estrear que vai ser ver-me enfiada em salas de cinema assim... muito! Para começar, estou super ansiosa para ver este:

Zac Efron no papel de Ted Bundy? QUEROOOO!

Além deste, assinalei mais dezassete que quero ver. Problema: tudo a estrear durante o mês de Maio... Vai ser bonito, não vai? (Conforme for vendo vou falando deles aqui. O costume, portanto.)

07 maio 2019

Bullet Journal

Eu sou aquela pessoa que se mete em tudo, cheia de entusiasmo, mas que rapidamente se farta de tudo (basicamente porque deixo de sentir a adrenalina do desafio, começo a ficar entediada e sigo caminho - blame it on the zodiac... sou aquário, não é suposto estar muito tempo parada).

Em Janeiro, meio do nada, comecei a usar um Bullet Journal. Para quem não está familiarizado com a coisa, aquilo é basicamente um mix de agenda e diário, absolutamente maleável, que cada um constrói à medida das suas necessidades. Desde que me meti nisto, descobri várias coisas.


A primeira é que afinal gosto de desenhar. Sou das que decora o BuJo (este é o nickname fofinho da coisa), que faz tudo bonitinho, que põe washitape e autocolantes - uma pirosada só... mas que me relaxa imenso. Aprendi a fazer aquele lettering (continuo à guerra com o q, o k, o s e o g, mas com calma e com prática isto vai lá) e gosto mesmo muito de explorar este lado mais artsy.

Depois, descobri que enquanto estou de volta daquilo o mundo lá fora é um lugar estranho e muito, muito distante. Desligo completamente. O que nenhuma meditação e nenhum yoga conseguiu fazer por mim, foi fácil, fácil com o BuJo. Desligo de tudo. Fico só ali, entre rabiscos e planeamentos e é como se não houvesse mais nada que me preocupasse.

Outra coisa que o BuJo me trouxe foi a consolidação de alguns hábitos (e noutros... não há BuJo que me valha!). Uma das coisas que é habitual fazer no BuJo é um Habit Tracker. Isto permite ter uma noção do que fazemos (ou não) durante o mês. Ora, eu tinha o péssimo hábito de ser altamente negligente com a minha pele. Deitava-me com maquilhagem 90% das vezes, era raro pôr creme de noite, o creme de dia era quando calhava. Pois que ando certinha nisto desde o início do ano. E tratar da minha pele tornou-se um hábito diário como outro qualquer.


Outra coisa que é a desorientação total, para mim, é o sono. Portanto... toca de criar um Sleep Tracker também. Todos os dias anoto a hora a que me deito e a que acordo e quantas horas dormi. Isto permite-me saber que, por exemplo, em Abril dormi 218,5 horas e que a média por noite foi de 7,28 horas (vivam os fins-de-semana dormir até tarde e a fazer sestas, para compensar o escasso sono durante a semana!). Em Fevereiro, por outro lado, dormi apenas 183 horas, portanto, uma média de 6,5 horas por noite. Fraco, muito fraco. Mas em Março, que foi assim o paraíso do sono, para mim, dormi 281 horas, o que dá 9,06 horas de sono médio diário. Nada mau, para quem tem vida e tudo!


Outra coisa que gosto de ter em atenção é o meu mood diário. Vejam o mês passado...


Em Abril, só tive meia dúzia de dias assim meio nhec. Os outros foram todos dias bons. Foram mesmo. Sinal de que estou em paz comigo, apesar das chatices pontuais. E sinal de que, apesar de tudo, consigo ser feliz e estar bem comigo, mesmo quando o universo não conspira a meu favor.

A fechar: habituei-me a escolher um tema por mês. Isto faz com que tenha um código de cores que uso e que mantém tudo bonito. Depois vou adaptando o resto conforme a coisa vai correndo. Um exemplo: comecei o ano a usar duas páginas por semana e apercebi-me de que sobrava imenso espaço em branco. Não preciso de desperdiçar, portanto passei a fazer cada semana numa só página. Depois há umas páginas que mantenho mensalmente: os trackers, uma página com o resumo do mês, outra com uma frase ou uma palavra por dia, que servem para me pôr a pensar na vida. Tenho ainda uma página onde ponho as coisas em que me quero focar durante o mês - em Maio, por exemplo, é isto:


Para Maio, escolhi este tema e estes tons de azul:


Quem daí usa este sistema? 

29 abril 2019

Mudar

Se há coisa de que nunca tive medo é de mudar. As mudanças não me assustam nada. Pelo contrário. Gosto da adrenalina do desconhecido, gosto de me descobrir nas mudanças que vão acontecendo na minha vida. Aprendo sempre qualquer coisa sobre mim. Depois, há mudanças que se cristalizam e outras que têm um tempo de vida mais curto. E mudo novamente, sem medos, sem me assustar.

Em Setembro, deixei de comer carne. Senti que não precisava daquilo para viver - e não preciso. Mas preciso daquilo para viver melhor. Este fim-de-semana perdi algum tempo a rever os últimos seis meses da minha vida - desde Setembro, portanto. Entre tempo perdido e aprendizagens várias, tenho alocados nas ancas mais quatro quilos. E sim, tem que ver com o fact de ter deixado de comer carne. A saciedade que eu tinha com os bifes de frango foi compensada com coisas muito mais calóricas. E, aos poucos, eu mudei. E não gosto do que vejo. Sinto que, sem a carne, acabo a fazer escolhas péssimas, que se reflectiram num aumento de peso e de massa gorda. Não gosto NADA disto. E não quero isto para mim. Portanto, o frango volta à minha roda alimentar. Sem dramas. 

No fim-de-semana, comi duas refeições de peito de frango grelhado... e a sensação que tive a seguir foi esclarecedora: saciada, sem fome ao fim de meia hora, sem necessidade de comer massa e arroz em barda. Pode ser impressão minha? Pode. Mas, para já, fica assim. Principalmente em dias de treinos mais intensos, é possível que haja carne, sim. Estes seis meses ensinaram-me a cozinhar alternativas vegetarianas, que vou continuar a comer. Mas quero mesmo voltar a sentir-me bem comigo e, portanto, siga para bifes. 

Ah e tal, o que é que vais almoçar? Uma massa com cogumelos shitake e marron que está assim qualquer coisa de fenomenal. Sem carne, portanto.