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04 dezembro 2019

Doze

A minha filha fez doze anos e eu estou a processar.

Esqueçam cólicas, noites sem dormir, birras de mil diabos. Esqueçam isso tudo. Isso é facílimo. A walk in the park. Fodido, realmente fodido, é lidar com a adolescência. Não há sequer comparação. Mesmo. E lamento não dourar a pílula e não vir para aqui dizer que está a ser óptimo. Não está. São desafios constantes. São braços de ferro diários. Somos nós a querer mantê-los num caminho mais ou menos seguro e saudável e são eles a quererem saltar a cerca. Faz parte. Eu sei. Been there. Acontece que a minha cerca era electrificada e eu sabia mesmo que não me podia esticar. Esta acha que está à vontadinha. Não está.

Obviamente, há coisas fabulosas nisto de ela ter doze anos. Já não tenho de lhe limpar o rabo. Sobrevive sem eu intervir de hora a hora. Colabora mais em casa (sob coação). Conseguimos conversar sobre mais assuntos. 

Vejo nela muito de mim e consigo antecipar as lutas que ela vai ter, porque eu também já as tive. Somos muito diferentes e, ao mesmo tempo, somos demasiado iguais. Coitada, herdou o melhor e o pior de mim. Mea culpa.

Eu adorava ser a mãe fofinha da parentalidade positiva e o camandro. Não sou. Sou a mãe exausta, que leva tudo às costas. Sozinha. Valem-me os meus pais, que me ajudam mais do que deviam, mais do que mereciam. Sem eles, eu já estaria com uma pedra por cima e um bonito "Aqui jaz uma mãe que não aguentou mais", ao lado de uma fotografia qualquer. 

Estes doze anos foram maravilhosos. Mas, confesso, estou muito ansiosa por vê-la com 30 anos e já livre destes dramas adolescentes todos. Mesmo que isso signifique que eu tenha 58 anos e os pés para a cova.

Doze anos. Ouch...

29 novembro 2019

Gente burra

Eu sei que estou a ficar velha quando tenho cada vez menos pachorra para gente burra. E, parece-me, há cada vez mais gente burra por aí.

Ontem, no Instagram, post de uma influencerzzzz onde ela mostrava uns botins e uma caneca de chicória, que consome por ser intolerante a alguns componentes do café. Até aqui, tudo tranquilo (e os botins são giros, sim). 

O festival começa quando uma mente iluminada lhe pergunta onde é que ela compra a chicória... E eu não resisti.



Portanto... nenhuma daquelas pessoas percebeu o que se passou ali. Humor, dizem, é o maior sinal de inteligência e nenhuma delas teve o mínimo sentido de humor. Nenhuma percebeu. Zero. 

Já acho absolutamente absurdo e imbecil que a carneirada pergunte onde as influencerzzzz compram TUDO (incluindo a porra da chicória!). Acho ainda mais absurdo que não entendam ironia, sarcasmo e piadas. E é por isto que entendo o sucesso das influencerzzz. Ninguém questiona, ninguém tem sentido crítico. Limitam-se a ir a correr, em rebanho, comprar toda e qualquer merda que elas divulguem. É triste...

28 novembro 2019

Coisas que (se) importam

Portanto, importamos merda de todo o lado, principalmente dos Estados Unidos (mas não só porque... cortejos de samba no Carnaval são assim uma coisa absurda que, sabe Deus como, persiste no frio gélido do Inverno português).

Já veio o Halloween. Já veio o Valentine's Day. Já veio a Black Friday. Até já veio o basebol e há campos disto cá em Portugal, imaginem! Já veio toda a porra e mais alguma. 

O que é que não veio? Provavelmente, a única coisa bonita: o Thanksgiving.

Os senhores americanos, lá nas suas americanices, abrem a época nataleira com o dia de Acção de Graças (que celebram na última quinta-feira de Novembro - tudo paz e amor e família, para no dia a seguir enlouquecerem, regredirem uns milhões de anos e virarem homens das cavernas à caça pela pechincha mais barata, numa selva inenarrável de gente a atropelar-se para comprar merdas de que não precisa, mas pronto).

Portanto, feriado, ruma tudo a casa, chacina de perus em barda, família reunida e a coisa dá-se. E é bonito (menos a chacina de perus, vá).

O que é que há de bonito nisto e por que é que eu acho que esta é a única americanice que devíamos ter importado?

Agradecer. Agradecer as coisas boas que temos na vida. Agradecer pelas pessoas maravilhosas que tornam a nossa caminhada mais leve. Agradecer até pelas merdas que nos acontecem e que, por muito más que sejam, nos ensinam sempre qualquer coisa e nos trazem sempre qualquer coisa de positivo. 

Este ano, apetece-me parar para agradecer. Está a ser um ano incrível, mas não está a ser só meu. 

Aos meus filhos. Pelo amor, pelos desafios, pelo companheirismo, pelo crescimento conjunto, pelos cabelos brancos que me dão, sinal de que estão a crescer.

Aos meus pais. Pelo amor, pelo apoio, pela ajuda (que não tem preço MESMO!), por tudo o que fazem por mim e pelos meus filhos.

À Lia. Pelo amor-de-marida, pela amizade sem fim, por ser a irmã que não tinha e agora já tenho. Há 15 anos a fazer de mim uma pessoa um bocadinho melhor. 

Aos amigos. Que não sendo imensos (odeio multidões), são os certos. Pela amizade à prova de bala, pela conversa deitada fora, pelas gargalhadas, pelo apoio. Por serem as luzes que evitam que me estampe em árvores várias pela estrada que é a minha vida (e que, tantas, tantas vezes, parece uma daquelas nacionais hiper esburacadas onde quase ninguém passa e onde, mesmo assim, há acidentes de hora a hora).

À empresa que é a minha segunda (e, às vezes, primeira) casa. Pelo bom ambiente, pelo tratamento justo, pela alegria. Quatro anos depois, continuo a ser sempre feliz à segunda-feira de manhã, e isso só significa que vou a caminho de um sítio onde adoro estar.

Aos meus ídolos. O João, mentor de palavras, que me fez trilhar sozinha um caminho que me aterrorizava. O Manel, companheiro de escrita, que me desafia sempre e que acredita em mim mesmo quando só escrevo porcaria. 

Ao meu editor. Porra, esperei trinta anos para poder dizer isto! Por ter acreditado em mim sem me conhecer de lado nenhum, só com base no meu trabalho, no que escrevi com tudo o que tinha cá dentro.

A vocês. Que estão desse lado sempre. Muitos há dezasseis anos e meio. Caramba, temos uma relação no pico da adolescência, naquela fase em que é pêlo por todo o lado, pés a cheirarem mal, estômagos sem fundo, trombas constantes e braços de ferro permanentes. Felizmente, a nossa relação não é assim e é por isso que por aqui nos mantemos. E sim, adoro saber que me lêem. 

E, a fechar, ao J. Pelo amor, pela cumplicidade, pelas saudades, pelo companheirismo, pelas gargalhadas, pelo mimo, pelo carinho, pela alegria que trouxeste à minha vida. Mudaste tudo. E eu voltei a acreditar.

A vocês, a cada um de vocês que me dá tanto, que me ilumina tanto, OBRIGADA.

18 novembro 2019

"A Noite Em Que o Verão Acabou" ou um dos melhores livros de 2019, a mês e meio do ano acabar



Prólogo

Este homem é um fenómeno. Em Março lança "A Mulher Que Correu Atrás do Vento": 400 e tal páginas de angústias, de quatro mulheres cheias de novelos, de muitas questões existenciais, daquelas que tocam no nervo. Em Novembro lança este livro: 667 páginas de um crime tão, mas tão bem montado, senhores...


5 de Novembro de 2019, Sintra

Corro para uma livraria. O livro ainda não chegou. Naquela cadeia, em Lisboa e arredores, só está disponível numa loja (demasiado longe para que vá até lá). Quinze quilómetros depois, numa loja de outra cadeia, o livro já chegou mas ainda está em paletes. Peço que me arranjem um exemplar. Pago. No carro, leio as primeiras linhas. Cinco quilómetros. Num semáforo vermelho, leio mais um pouco. 


7 de Novembro de 2019, Lisboa

Chego à apresentação do livro com 128 páginas lidas. Mais tempo houvesse. Chego cedo. Consigo cumprimentar o João antes de começar a apresentação. Falamos sobre o livro dele. E sobre o meu. O meu mentor (que será sempre o meu ídolo, a minha luz de farol), está prestes a receber no "clube" uma nova colega. Falamos sobre isto de fazer apresentações de livros. Estou no céu. 

A apresentação começa. A Clara Capitão é a editora que mais paz transmite. Está ali, meses e meses de trabalho árduo em cima, dois livros editados em meia dúzia de meses e ela naquela tranquilidade de quem sabe que apostou novamente no cavalo certo.

Francisco José Viegas. Conheço da TV, dos blogs, do Twitter. Não conheço da escrita. Abre a boca e eu entro num vórtice. De repente, já não estou numa apresentação de um livro, mas sim num aula de escrita de thrillers e policiais. E eu, que sou incapaz de catalogar o meu livro, que é tanta coisa não sendo, de caras, coisa nenhuma de fronteiras definidas, percebo isto como um soco no estômago: sem querer, sem pensar nisso, sem fazer por isso, a gaveta onde o meu livro cabe é a minha gaveta preferida. Sem querer, sem fazer por isso e sem ter essa intenção, escrevi um thriller. Wow.

Volto à apresentação. Se não tivesse já a certeza de que queria ler este livro, esta apresentação teria tratado disso. A maneira com o Francisco José Viegas nos faz navegar no livro sem nos estragar a leitura e sem que possamos já sair dela é magistral. Avanço: a caminho do Metro, pesquiso livros dele porque é um autor que agora quero muito ler. 

Recuo: João Tordo e Clara Capitão, a editora, não se entendem acerca do número de livros que ele escreveu. Também não sei. Sei que os tenho todos autografados. Este é mais um. E, entre as palavras do João, o toque de humildade que o faz tão humano, tão nosso, tão igual a nós: "bem-vinda ao 'clube'". (Está quase, caramba...)

Avanço: continuo a ler. Sempre que posso. Tento chegar à resolução dos crimes, ao cerne da questão, ao culpado, a quem fez o quê. Não consigo. Está tudo demasiado bem escondido. E demasiado bem montado.


18 de Novembro de 2019, Lisboa

Chego ao trabalho. Preparo o pequeno-almoço, como faço sempre. Estou a dez páginas do desenlace. Que se lixe. Leio. Página 667: "Mas o que eu lhe quero dizer é: 'Vai. Não tenhas medo.'" 
Fecho o livro. Respiro fundo. Que viagem... (Review aqui.)

11 novembro 2019

Continuo viva...

... porém adoentada.

Eu sei que ando mega atrasada nos textos por aqui. Eu sei. Mas... a vida acontece e às vezes leva-nos para longe das teclas de um computador. Tenho uma série de coisas para contar e não decidi ainda se vai tudo a eito neste post ou se separo os assuntos em suaves prestações. Já se vê. (Sim, aqui é mais ou menos sem rede e sem grande planeamento.)

Bom, na semana passada houve lançamento do livro novo do João Tordo (vai ter post à parte porque... João Tordo!), houve Joker (vai ter post à parte porque... Oscar-in-the-making) e é capaz de ter havido mais uma ou duas coisas a assinalar.

Por hoje, isto: há uns anos escrevi um post em que contei como achava sempre que ninguém me reconheceria em lado nenhum. Eu explico: tenho 40 anos e continuo a achar que as pessoas nunca fixam a minha cara. Se estiver de óculos de sol, pior ainda. Acho mesmo que sou aquela pessoa que não se memoriza. Mas... talvez não seja bem assim.

Hoje, hora de almoço, Av. Infante Santo. Saio de um Uber e sou abordada por uma rapariga que me pergunta se sei onde fica a nova CUF. Não sabia. Nem o motorista do Uber. Nem a minha amiga com quem eu ia almoçar e a quem liguei a perguntar. Pequeno compasso de espera e a rapariga vira-se de novo para mim e pergunta:

Desculpe... não tinha um blog?

Respondo que sim. Ela diz-me que já não me segue, mas que seguia até à altura em que a minha filha mais velha nasceu. Digo que ela vai fazer 12 anos... E ela: sim, veja lá aos anos. Agora olhei para si e pensei: é ela!

Agradeci e sorri. Afinal se calhar não sou assim tão transparente nem tão invisível... (e ela descobriu onde é que fica a nova CUF, cortesia de um senhor mais bem informado do que os restantes intervenientes deste episódio.)  

29 outubro 2019

Outra vez arroz: publicidade em blogs e afins

Nota prévia: não tenho a mínima pachorra para virgens ofendidas. 

De vez em quando estala assim uma polémica que, se as pessoas pensassem um bocadinho, não tinha razão nenhuma de ser. Ontem calhou-me a mim. Vi, numa conta de Instagram que seguia (atenção ao tempo verbal), uma coisa que me pareceu outra vez arroz: publicidadezinha disfarçada. Peguei naquilo e, do alto da minha conta super seguida (2607 seguidores agora, sendo que ontem por esta hora eram 2582), portanto uma coisa hiper relevante, como está bom de ver, decidi assinalar a ocorrência. E a autora do post reagiu. Ofendidíssima porque toquei na ferida. Diz a moça que desde que, em Março deste ano, saiu um manual de normas de boas práticas de publicidade nas redes sociais, tem seguido as directrizes. Repito: Março de 2019. 

Ora, a primeira vez que eu toquei neste assunto - e se não fui a primeira a fazê-lo, andei muito perto disso -, foi em 2012. Há SETE anos. Aqui está o post. O que disse na altura é o que digo hoje e foi o que disse sempre: assinale-se a publicidade TODA que se faz. Honestidade e transparência não me parecem conceitos assim tão alienígenas, mas posso estar errada.

Entre 2012 e Março deste ano, não precisei de merda de manual de boas práticas nenhum. Bastou-me ética e bom senso. E não tenho MESMO telhados de vidro. Tudo o que aqui chegou via oferta ou convite foi sempre devidamente assinalado e explicado. Não houve um caso sequer em que eu tenha assobiado para o ar e fingido que não estava a usar/fazer qualquer coisa a que tive acesso por via publicitária.

Quando me deparo com sítios onde a prática comum é o encapotamento, é natural que questione. Não como gelados com a testa, lamento.

Cada vez menos tenho pachorra para gente que vive atrás de véus. Não entendo, como não entendia em 2012, a necessidade de disfarçar, de fingir que é tudo muito real e sentido. Quando a mesma pessoa adora sete marcas de shampoo com mês e meio de diferença, algo se passa. Querem vender espaço publicitário? Vendam. Mas não finjam que não estão a fazê-lo. Simples. É, repito, uma questão de ética e de bom senso. E se as pessoas fossem sérias e honestas, não era preciso haver um manual de boas práticas a delimitar a coisa. 

(E lá no meio daquilo, a senhora decide classificar-me como "pseudo-blogger". Pseudo-blogger, o caralhinho. Blogger mesmo. Há 16 anos, 4 meses e 3 dias. Sem me vender, sem vender os meus filhos, sem vender a alma ao diabo e, last but not least, sem vender a minha dignidade e a minha honestidade. Porque, para mim, valem muito mais os tais 2600 seguidores no Instagram e as 400 ou 500 pessoas que me lêem aqui - e que me seguem há anos e anos e já sabem do que a casa gasta - do que ser seguida por 50 mil pessoas apenas e só porque me vendi pelo caminho. )

08 outubro 2019

Com amigos destes...

(Eu sei... eu sei que hoje era ficção... mas tenho a cabeça tão cheia com textos que nada têm que ver com ficção que hoje não dá mesmo. Vocês percebem.)

Hoje fui aos Correios. 27 pessoas à minha frente. Fui fazer tempo para onde? Bertrand. Entrei e, por sorte, estava ao telefone, o que fez com que, na verdade, não tenha prestado muita atenção aos livros. Saí sem danos.

Voltei aos Correios. 15 pessoas à minha frente. Fui fazer tempo para onde? FNAC. Entrei e, por azar, não estava ao telefone, o que fez com que, na verdade, agarrasse um livro de uma nova autora portuguesa (há vida para além do Chagas Freitas, do Raúl Minh'Alma e do Afonso Noite-Luar - que por acaso é o Raúl Minh'Alma nos dias em que está mais horny - sabiam?). Acontece também que às tantas levanto os olhos do livro e vejo quem? O funcionário da FNAC que me "vendeu" O Homem das Castanhas (que adorei, não sei se já disse aqui) e que é o meu amigo dos livros. O rapaz diz-me boa tarde, eu respondo e agradeço a dica do tal livro. O rapaz já sabe que sou dos thrillers. Pergunta-me se gosto de livros históricos. Digo que sim, só não sou fã de thrillers de espionagem (gosto mesmo é de sangue, nada a fazer). Aconselha-me um livro que saiu no Verão. "Chama-se 1793, passa-se nessa época, na Suécia, e é brutal! É daqueles de ficar a ler até de madrugada!". Tudo o que eu preciso, portanto. Quando dou por mim tenho um livro novo na mão. Ansiosa por despachar "O Triunfo dos Porcos", do George Orwell, que estou a achar uma seca - alegoria maravilhosa, mas escrita chata de mais. Já só quero viajar até 1793...


(Entretanto, Suma de Letras, pela vossa rica saúde, usem uma fonte num tamanho que não careça de uma lupa para ser lido!!)

07 outubro 2019

Weekending

Fim-de-semana nota mil. Assim em brutal mesmo.

Sexta à noite: filme no sofá com os miúdos. Dormi o tempo todo. A miúda desistiu a meio. O miúdo aguentou estoicamente - até porque o filme foi escolha dele e tinha dinossauros, claro.

Sábado: acordar cedo e rumar à biblioteca de Oeiras, para ir levantar um livro que reservei. Chegar lá e bater com o nariz na porta. Ter um rasgo de inteligência e afirmar "deve ser por causa das eleições, amanhã". Dois segundos depois, bater com a mão na testa e "porra, hoje é feriado!"

Voltar para casa, almoçar e rumar a Lisboa, para irmos ao lançamento do livro "Ser Super Mãe É uma Treta!", da minha Susana Almeida. Bater com as vistinhas na Rapariga da Serra assim que cheguei. Depois apareceu a Carmen. E a Ana. Tudo gente que me faz rir muito, todos os dias. Às tantas aproxima-se de mim a Escadinhas (e se ainda não o fizeram, por favor ajudem a causa dela, que merece MUITO), porque me reconheceu lá do fundo. E a Gorda, passado um bocado foi a Gorda (que é macérrima, vocês não acreditem em tudo o que lêem nas redes sociais, por amor da Santa). E pronto. O lançamento foi espectacular, super simples, super... a Susana! Leiam o livro e percebam que, nisto da maternidade, estamos todas a fazer o melhor que podemos e a fingir que sabemos o que andamos aqui a fazer, mesmo quando não fazemos puto de ideia. 

Serão? Filme no sofá! Mas desta vez aguentámos todos!

Domingo foi dia de missa. Literalmente. Fui deixar o mais novo à igreja, peguei na mais velha e fomos aviar recados: compras e votar. Estavam umas filas absurdas nas mesas de voto, assim nível claustrofobia mesmo. Fosse aquilo fila para outra coisa qualquer e teria desistido. Acontece que demorei tanto e estava tão em cima da hora que tive de pedir socorro ao pai das crianças para ir buscar o mais novo. Acontece também que lá me despachei tipo ninja e ainda cheguei primeiro que o pai. E ainda esperei uns 10 minutos pelo miúdo.

À tarde, foi tempo de passeio no Paredão. Na semana passada tinha lá estado e vi por lá um barco pirata giro para eles brincarem (com slide incluído). Não fazia ideia se aquilo é permanente ou não, e, se não fosse, se ainda estaria lá em Outubro. Arriscámos. Estava. Mil voltas de slide depois, breve passeio de patins (para ela) e de ténis (para ele e para nós). Um calorão absurdo, uma tarde daquelas mesmo espectaculares (sequei a roupa toda!). Tudo a pedir uma pizza night! E estava tããããããããão boa! Já provei mil massas diferentes e esta que faço sempre continua a ser a minha preferida! Nos entretantos, projecções e resultados das eleições a acontecerem, miúdos na cama às 21h30 e... the end!

ADENDA: no sábado, no lançamento, encontrei a Joana, que foi aquela pessoa que, quando há coisa de 11 anos, me fartei de escrever em blogs em meu nome e resolvi criar um blog anónimo (este, onde assinava como Marianne), demorou exactamente duas horas a perceber que aquela Marianne era eu. Tens o miúdo mais giro de sempre, Joaninha!!!

04 outubro 2019

Doutora Google

Na terça-feira tive de ir com o meu filho ao hospital porque a criança estava com umas borbulhas e com umas manchas meio estranhas e de repente também há um caroço no pescoço e eu, hipercondríaca hipocondríaca by proxi, agarrei em mim e no gaiato e ala que é Cardoso a caminho do S. Francisco. 

Ao fim de uma hora de espera, lá entramos nós no gabinete da médica, que era assim super simpática e boa onda. Manda despir o miúdo e começa a vê-lo.

Médica (depois de lhe revirar a cabeça à procura de uma borbulha que fosse): Estava a ver se isto seria uma versão muito leve de varicela, mas não é. Não tem nenhuma borbulha acima do pescoço (nota: até tinha. no meio da testa, tipo bindi - googlem, se não sabem o que é -, mas não foi a primeira a aparecer).

Eu: pois... eu também pensei nisso, mas lá no sítio onde eu tirei o meu curso de medicina isto não se parece muito com varicela.

Médica (avia-me uma palmada na perna, abre sorriso e pergunta): tirou onde?

Eu: errrr... no Google!

Médica: gargalhada...


30 setembro 2019

Considerações várias sobre matérias desconexas

1. 
Tenho o cabelo pelo rabo. Não sei como isto aconteceu, não sei como não me deu uma daquelas travadinhas destruidoras nestes três anos de cabelo a sério. A franja voou várias vezes e não torna a ir. Mas já me apetece dar aqui um desbaste que não, não vai ser pelo queixo, nem sequer pelo meio das costas. Ainda assim, tenho uma sorte do caraças porque isto, mesmo sendo gigante, é lavar, passar amaciador, secar a franja e deixar secar o resto ao ar (beach waves dos pobres, na verdade). A ver se trato disto ainda em Outubro, para cumprir a minha média de duas idas ao cabeleireiro por ano (sendo que a primeira do ano foi em Julho ou Agosto).

2.
Acho que já me despedi da praia por este ano. Não foi a época mais espectacular de sempre, mas foi bom. Por mim, podíamos voltar a Maio novamente (muitos nervos quando vejo malta de bikini a contar os dias que faltam para o Natal!!).

3.
Ando a ler pouco e a ver poucos filmes e séries. Porquê? Porque a vida acontece. E porque, em Setembro, dormi uma média de 9.6h por noite. Bem precisava. Ainda assim, a Anatomia já voltou (yay) e ando a ver especiais de comédia do Netflix assim à grande. Sobre os livros, depois de ter lido o mais recente do meu Chris Carter, fiquei um bocado órfã de livro e não foi fácil voltar a encontrar algo que me agarrasse. Entretanto, ando com saudades de um bom romance histórico, que era género que devorava há coisa de 10 anos. 

4. 
Voltei a escrever am âmbito profissional. Algures no tempo, a minha vida deixou de ser letras e passou a ser números e, pese embora adorar a certeza dos algarismos, já tinha saudades de brincar com palavras. A parte boa é que, aparentemente, de onde veio este trabalho está para vir mais. Lénia que escreve é Lénia feliz. 

5. 
O tempo arrefece e eu ligo o forno e vai de scones e vai de bolos e de bolachas e... não pode ser. Senhor PT não deixa. Percebi recentemente que o meu braço direito é balofo, ao passo que o esquerdo é fit. Provavelmente, isto é cortesia de um acidente de carro que tive há mais de 20 anos (desloquei os ossinhos do braço todos, mas foi tudo ao sítio a quente, zero cirurgias envolvidas, zero fisioterapia, zero tudo e agora, olha, a diferença entre os meus braços é brutal e nada habitual. Trataremos disto com treinos unilaterais. Vou fazer mono-treino que é um mimo. Seja.

6.
A espectacular Susana, dona do tasco Ser Super Mãe é uma Treta, lança hoje o seu primeiro livro que se chama... Ser Super Mãe É uma Treta! Se forem nazis do parto em casa, da amamentação, das fraldas de pano, da alimentação do neandertal, da educação "o menino quer, o menino tem", se calhar é melhor não lerem. Se forem daquelas mães que, mais ou menos a cada dois dias, estão capazes de meter os filhos no Transiberiano, então este livro é para vocês. É um "que se foda" gigante à maternidade perfeitinha (e inexistente) e é um dedo do meio bem espetado na tromba da culpa que a vida insiste em fazer-nos sentir. Super orgulhosa de ti, Susana!

7.
É tudo, por agora. Amanhã cá vos espero, para uma terça-feira de ficção um bocadinho diferente do habitual...