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12 outubro 2017

Música que dói

Fomos feitos de música. Desde o início. Todo o nosso tempo foi vivido assim, entre músicas que dançámos, músicas que enviámos um ao outro, concertos a que fomos, tanta coisa que dizíamos assim, sem falar, só com as músicas que, de alguma maneira, tornámos nossas.

Tem sido uma luta. Passo o dia a ouvir música e as nossas músicas tornaram-se as minhas músicas. Tive de parar. Tudo me fazia lembrar de nós. Tudo me transportava para um momento qualquer, daqueles tão, tão bons que tivemos.

Estive em silêncio durante algum tempo, a tentar que o tempo e a distância operassem o milagre de tornar aquelas músicas suportáveis depois de tudo. Há algumas que já consigo ouvir. Trazem uma nostalgia boa, aquele calor saboroso das memórias felizes. Mas há outras que simplesmente não consigo...

Não consigo, principalmente, ouvir The Weeknd. E The Weeknd é, provavelmente a minha "banda" preferida. Mas não consigo. Não consigo porque volto à Worten, onde fomos comprar o meu bilhete e onde ouvi um "sei lá eu onde é que vou estar em Julho...". Não consigo porque volto ao dia em que decidi que ia oferecer um bilhete para o concerto do NosAlive. Não consigo porque volto à caixa preta onde guardei o bilhete, tapado com papel de seda e uma embalagem de manteiga de amendoim. Não consigo porque volto aos olhos a explodir de brilho quando viram aquilo, presente de aniversário antecipado. Não consigo porque volto ao dia do concerto, aos quilómetros que andámos para lá chegar. Não consigo porque volto aos caipirões, à caixa amarela de cartão, às músicas, as nossas, que ouvimos ali, ao vivo, naquele concerto fabuloso. Não consigo porque volto a tantos, tantos momentos nossos. Não consigo. Ainda não. Não sei se algum dia vou conseguir.

06 outubro 2017

O amor é um pequeno-almoço levado à cama

Gosto da ideia (romântica) de acordar com um pequeno-almoço levado à cama. Gosto da ideia de que aquela pessoa por quem o meu coração bate em excesso de velocidade se levantou de mansinho para não me acordar e foi à cozinha tratar de tudo. Não é preciso ser coisa digna de hotel. Basta que me garanta que posso continuar na cama até serem horas de almoço. Ignoremos as migalhas que será preciso sacudir. Ignoremos a possibilidade de haver lençóis manchados de café. Ignoremos as leis de Murphy (muito eficazes quando me toca a mim) e imaginemos que corre bem.

Gosto da ideia de ser eu a levantar-me e a tratar de tudo, só para ver um sorriso no rosto de quem dorme comigo. Gosto da ideia de acertar nas preferências todas. É conhecer o outro e dar-lhe o que ele prefere. É pôr a preguiça matinal em stand-by e tratar de um gesto de carinho onde ponho todo o amor que exista ali.

Um pequeno-almoço levado à cama é o mimo latente. É querer o outro sossegado. É querer que acorde devagarinho e que não tenha de fazer nada a seguir. É dizer amo-te numa chávena. É dizer quero o teu bem. É dizer estou aqui para ti, para te mimar sem esperar nada em troca, só porque sim.  É dizer tudo num gesto banal. É dizer tanto, se soubermos ouvir.

03 outubro 2017

Compromissos

Assustam-me as pessoas que têm medo de compromissos. Como se duvidassem da sua própria capacidade de entrega. Como se vivessem ali num limbo, num meio-viver onde tudo é inconsequente. Assustam-me as pessoas que têm medo do definitivo, sendo que efectivamente definitiva, bom, só a morte, não é? Tudo o resto são quereres de agora.

Eu quero hoje. Amanhã posso não querer. Mas enquanto quero, quero muito. E estou lá, inteira nesse meu querer. Entrego-me. Vou ao fundo das coisas, porque acho que só assim as vivo em pleno. Viver pela metade não é a minha praia, nunca foi.

Tenho coisas definitivas na minha vida: os meus filhos, as minhas tatuagens. Coisas que não posso nem quero mudar. Que não mudaria, ainda que pudesse. Se tive medo de me arrepender? Claro. Mas prefiro arrepender-me do que está feito do que do que ficou por fazer, ali perdido no tal limbo da inconsequência.

Não significa fazer all in em todas as jogadas. Significa simplesmente aceitar e abraçar o momento. E se o momento é bom, por que não fazê-lo perdurar? Por que não garantir que sim, é aqui que estou, é aqui que quero estar? Quando não quiser, há como inverter o cenário e ninguém morre por isso. Mas até lá estou por inteiro nas coisas a que me entrego.

Quando te comprometes com as coisas - sejam relações, empregos, amizades, tarefas, desafios, o que for -, na verdade, não estás a criar raízes. Não és uma árvore, certo? Mas não há nada mais bonito do que uma pessoa que se empenha e que permite que o mundo possa contar consigo. Sem mas.




02 outubro 2017

Bucket List

Dei por mim a pensar nisto. Ainda este ano gostava de...

... ir ver um jogo à Catedral - sim, sou aquela espécie de benfiquista fraquinha que nunca entrou no estádio (mas já entrei no da concorrência...).
... ver os trinta filmes que me falta para chegar aos 104, para fazer a média de 2 por semana - para quem, no ano passado, só viu uns 20 filmes, ter passado a marca dos 70 no final de Setembro é um feito histórico.
... escrever, escrever, escrever - sim, segundo livro em produção, com deadline apontado para 10 de Fevereiro, o que não me deixa muito tempo para grandes divagações.
... sair com os miúdos todos os fins-de-semana em que estiverem comigo, apesar da chuva, apesar do frio, apesar de tudo. Precisamos de arejar, de ver coisas, de aprender coisas fora de casa e de gastar energias.
... passar tempo sozinha. Eu, comigo, a minha margarita, as minhas séries, os meus livros. Tempo para respirar.

Três meses para o final do ano. E nove meses para que seja Verão outra vez!... 

29 setembro 2017

She who dances

Eu sou aquela que dança. Sempre. A descer a rua a caminho do Metro. Enquanto espero que o semáforo abra para os peões. Enquanto cozinho. Nos corredores do supermercado. No carro. No banho. Nos treinos. Enquanto trabalho. Danço com as minhas músicas, as que sei que garantem minutos de boa disposição entre movimentos. Danço com músicas de que não gosto assim tanto. Danço sem música. Danço porque me torna leve. Porque me solto. Porque me liberto. Porque viajo para longe. Porque sorrio sempre que me solto e que me deixo ir e sempre que deixo a música fluir através de mim.

Descobri que hei-de dançar cada vez mais. E descobri que há sorrisos, que vêm embalados na dança, que valem tanto a pena.

27 setembro 2017

A dizer adeus

Meses semi na balda... meses a não me preocupar... meses em off... e já chega.

Resolvi que sim, quero. E vou correr atrás. Depende só de mim? Então vai acontecer. Vou ter ajuda? Claro. De quem sabe o que faz. Estou disposta aos sacrifícios que possa ter de fazer? Sim. O que é que ganho com isto? Rigorosamente nada. A não ser a sensação de que consegui, de que apontei a um alvo e acertei. Bull's eye. Vai acontecer.

Adeus, Lénia.

Olá, Lénia. Nice to meet you...

26 setembro 2017

Mudança de idade

Eu sou zero ansiosa com as mudanças dos meus filhos. Fazem parte. Eles crescem. Já não tenho bebés (felizmente. E não tenciono vir a ter!). Acontece, porém, que a mudança por que a minha filha está a passar é, vá, mais acentuada.

Acabou a primária. Escola nova, amigos novos... e manias novas. De repente, tenho uma miúda que já não é uma criança do canal Panda. Calma com o andor: continua a ser uma criança, nem 10 anos tem. Mas a independência é diferente. As responsabilidades (dela) também.

Quando começou a escola, decidiu atirar-me com os problemas dela: ah, não consigo marcar refeições; ah, o cartão não funciona; ah, é preciso fazer o cartão da biblioteca. Minha querida, desenrasca-te. Resolve. Aprende a lidar com as tuas situações. Eu, senhora tua mãe, só vou resolver o que for mesmo obrigatório que seja eu a resolver. De resto, my love, faz-te à vida. E cresce.

Estou sempre lá para guiar e para amparar. Mas não estou lá para fazer as coisas por ela. Já avisei: eu já fiz o 5º ano há muito tempo. Not my circus, not my monkeys. Ela que resolva. Não vou andar a aparar-lhe os golpes todos. E há-de aprender que as acções têm consequências e que é ela que tem de lidar com isso. Eu? Sou só o sistema de vigilância. E estou muito bem com isso.

25 setembro 2017

Chegou o Outono...

... e a bela da constipação. Tão bom. NOT. Estamos os três de molho. Fim-de-semana deles com o pai. E esta que se assina fez o quê? Ficou em casa. Saí sábado à tarde com a minha Lia para uma ida rápida ao Ikea (e fui arrastada para o Careca - e ODIEI aqueles croissants intragáveis... a sério, como é que vocês conseguem comer aquilo?). No regresso, encontrámos um sofá abandonado no meio da rua. Como nós somos duas miúdas ajuizadas que parecem ter, vá, doze anos, acabámos a tirar fotos. No sofá. Isso mesmo. Tão bom ser teenager...

Bom, sábado à noite pedia mesmo um date. Portanto, dona Lia trouxe sushi, que comemos lá em casa, acompanhado de margaritas e de um filme. De notar que tínhamos ido as duas pintar e cortar o cabelo. Tínhamos tudo para ter ido sair. Ficámos em casa. The perks of being encalhadas. You gotta love it... (Aceita que dói menos...)

Domingo foi assim o jackpot. Fiz... zero. Vi filmes (sete, ao todo, durante o fim-de-semana) e dormi. Ora eu andava há meses (mas mesmo há meses... tipo, 10 meses!) sem dormir em condições (obrigada, ansiedade e coração a mil e insegurança e incertezas e emoções a rasgar pano...). Domingo dormi tudo o que não dormi nos meses anteriores. De tal maneira que acabei a ter de fazer duas viradas de comprimidos para a dor de cabeça. Achei que não ia dormir de noite... yeah, right. Dormi, pois. E curei a constipação, que era coisa que fazia falta.

Já os miúdos... acabaram o domingo no hospital, com o pai, e agora andamos em modo carradas de drogas para cima, a ver se aquilo vai tudo ao lugar. Há-de ir.

Boa semana!!

(E, vá, sugiram lá temas para posts. Aposto que não querem saber dos meus fins-de-semana deprimentes para nada...)  

18 setembro 2017

Back to school (F*** my life...)

Ai que giro, os meninos vão voltar às aulas. Staples. Jumbo. Decathlon. Bertrand. Cem euros em material escolar. Vinte euros em material de desporto. Mais vinte euros em livros (a acrescentar aos cinquenta e sete anteriores). Catorze livros e cadernos para forrar. Cento e cinquenta canetas, lápis e afins para etiquetar. A sala em estado de sítio. Mudanças no quarto deles. Falta comprar uma cadeira. Arquivar coisas do ano passado. O quarto em estado de sítio. Fazer refeições para a semana. Tratar de roupas. Medicamentos. Recados.

Ser mãe solteira é giro. 

14 setembro 2017

Back to school (YAY!)

Acabaram as férias. Hurray!! No more "ó mãe, não tenho nada para fazer" all-fucking-day-long. No more "ó mãe, quando é que começam as aulas?", "ó mãe, quando é que sei a minha turma?", "ó mãe, quando é que saem os horários?", "ó mãe, quando é que vamos comprar o meu material escolar?", "ó mãe, quando é que me compras o cartão SIM?" tudo de enfiada, sem respirar, várias vezes ao dia, intercalado com o anterior "ó mãe, não tenho nada para fazer". Acabaram as férias? HALLELUIAH PRAISE THE LORD!

Portanto, agora só tenho de lidar com os mil trezentos e vinte e sete itens das listas de material (e gastar o que daria para alimentar um pequeno país africano aí durante dois anos), só tenho de gerir marcações de refeições, horários, calendários escolares, eventual vida social que possa derivar do facto de haver novos colegas que, azar dos azares, hão-de fazer anos à razão de uma vez por ano (pelo menos... que eu tive amigas que faziam anos três ou quatro vezes por ano... #partyanimal). Acresce a catequese do mais novo, a natação de ambos (felizmente gerida pelos avós - obrigada, melhores pais do mundo!), os fins-de-semana com o pai, os nossos fins-de-semana e... falta muito para ser Junho e isto acabar tudo, por favor?

Bom, este ano, passando à frente as reuniões de apresentação (boooooring!), o meu regresso às aulas foi assim: sair de casa às 7h50 (cria mais velha entre às 8h10), parar o carro ao portão (nem me dou ao trabalho de estacionar ou sequer de parar em segunda fila, tal é o trânsito... limito-me a parar, pronto... já está tudo parado mesmo!), ela sair do carro, alinhar na fila para entrar na escola, vê-la entrar e está feito. À noite contará como foi - e até contou mais cedo, que a avó ligou para ela dar o relatório. Tudo bem, tudo normal, amanhã há mais. Nada de ficar plantada no gradeamento da escola, tipo prisioneira, a vê-la desaparecer sei lá para onde. Been there, done that. 

Com o outro: depois de deixarmos a irmã, fomos os dois para o meu ginásio. Ele só entra às 9h e eu treino entre as 8h05 e as 8h35 (e enquanto eu treino e me despacho ele fica na recepção a ver o Panda que já fez lá uma amiga - a menina da recepção - que o entretém assim), depois banho, roupa, cabelo, maquilhagem e a escola é mesmo ao lado (tipo dois minutos a pé) e lá vamos nós. Entrámos na sala, ele lá se sentou ao lado do mânfio que lhe calhou em sorte e ali ficou, muito sossegadinho. À nossa volta, os pais de primeira viagem, muito mais em stress do que os miúdos, e os outros pais que, como já não é a primeira rodada disto, já sabem como é e querem mesmo é despachar a coisa e seguir viagem (guilty as charged!). Quando ele saiu, liguei à avó para falar com ele e o que ele me disse foi "ó mãe, amanhã quero vir outra vez". Sim, sim... amanhã e nos próximos doze anos da tua vida, puto... pelo menos! (Ou não, agora não é importante.)

Portanto, estão entregues. E eu, que ainda agora andava a caminho da escola a ver as MINHAS turmas e os MEUS horários, tenho dois filhos em idade escolar "a sério". Eu juro que só tenho 16 anos, ok? Mesmo. DEZASSEIS.