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13 fevereiro 2017

3.8

Trinta e oito.

Este ano, ao contrário dos últimos anos, só me semi-recolhi. Apetecia-me celebrar um ano fantástico. Apetecia-me agradecer o que a vida me deu durante os 37. Não me apetecia atender mil telefonemas mas não houve mil telefonemas (graçasadeus!). Comemorar o meu aniversário soa-me sempre a auto-homenagem que é o tipo de coisa que me mexe com os nervos. E eu, apesar de ser extrovertida e tal, sou muito reservada e gosto muito pouco de holofotes em cima de mim pelo que eu sou. Adiante.

Sexta-feira de férias só para mim: compras básicas, ginásio, arrumar a casa, cinema a solo. Fui ver o La La Land. Asneira. Não gostei daquilo - e eu adoro a dupla Gosling/Stone, mas nem isso salva o filme. Não sou de musicais. A história é banal e previsível. A fotografia do filme é incrível. Uma ou duas músicas salvam a honra do convento. Para mim, passa ali à rasquinha. Arrependi-me de não ter ido ver o Fragmentado, na verdade - mas resolvo isto no fim-de-semana que vem. Na empresa, tudo maluco a tentar descobrir quando é que eu fazia anos... e eu com muito pouca vontade de assumir a coisa - já disse que não gosto do alarido dos aniversários quando a aniversariante sou eu?

Sábado de aniversário com os miúdos. Manhã do meu dia passada lentamente. Ginásio em cima da hora de almoço. Almoço a seguir com os pais e com os filhos. Festa de anos da filha da melhor amiga à tarde. Depois, deixar os filhos nos avós para poder ir jantar fora. Um sushi muito bom (no Honorato Sushi, ali para os lados do Restelo). Depois siga para Oeiras, em busca de um chocolate quente e de um crepe - sem sorte. Acabámos em Sintra, no sítio do costume, a beber um leite com chocolate manhoso (blargh!) e a comer um crepezinho bom.

Resumo do dia: excelente. Soube mesmo, mesmo bem. Só não estive com a Lia, que foi a minha pessoa que me faltou abraçar. De resto, tive o meu mundo num abraço (em vários abraços, vá). Digo isto muitas vezes e sinto isto cada vez mais: não preciso de mais nada. Está óptimo assim. 

08 fevereiro 2017

Equilíbrio

Acho que encontrei o meu...

Tenho-me obrigado a olhar para trás e a avaliar o que foi o meu último ano, o que foram as minhas últimas guerras. Tem sido muito interessante perspectivar tudo e ver tudo com alguma distância.

Percebi que tudo o que consegui foi porque fui à luta, foi porque me esforcei, foi porque fiz acontecer. Ganhei a minha guerra com o meu peso - hoje de manhã, 57.8kg - e sinto-me muito bem comigo. Tenho treinado 4 vezes por semana, tenho objectivos, corro atrás deles e tenho conseguido chegar lá. As mudanças que tive no espaço de um mês foram o suficiente para me motivar a querer ainda mais. Não é vaidade. É querer sentir-me bem comigo. Olho para mim agora e olho para o que era em 2005 e a diferença é brutal. Tenho quase 40 anos e fui capaz de fazer isto? Hell, yeah! E isto prova que, querendo e lutando, as coisas acontecem.

Perdi os medos acerca da minha escrita e acabei o livro. Não sei o que vai acontecer a seguir, mas estou cá para descobrir. Ainda estou na fase das correcções, que vai demorar um bom bocado, e a seguir logo se vê. A única certeza que tenho é que vai haver segundo livro, que já está começado. Só porque sim. Mesmo que não seja para publicar. É uma coisa que me dá prazer, portanto é válida.

Assumi as rédeas da minha vida e fui atrás da minha felicidade. Não me enganei. Nem todos os dias são fáceis. Há coisas más, claro que sim. Mas reencontrei-me e esta sou eu. Não preciso de muito para ser feliz, é um facto. Mas preciso de me sentir eu, preciso de ter perto de mim pessoas que me deixam ser eu, que não me anulam, que não esperam que seja coisas que não sou. Preciso de pessoas que puxam por mim e não de pessoas que não são mais do que peso morto. Descobri que o meu coração é um órgão vivo, que bate com força. E foi tão bom descobrir isto...

Percebi que posso continuar a ser a miúda, apesar de ser adulta. Não tenho de me reger por imposições que não me dizem nada. Tenho quase 40 anos e às vezes sinto-me uma adolescente com tanto ainda por viver.

Deixei de fazer fretes. Já poucos fazia, agora não faço nenhuns. Estou com quem quero, quando quero. Não faço nada por obrigação, não faço o que se espera de mim só porque alguém decidiu que devia ser assim. E se me apetecer estar sozinha em casa, estou. E se me apetecer não estar, não estou. Recuso cobranças e evito fazê-las (e há tempos levei assim um abre-olhos que me corrigiu o que havia a corrigir... acho!). Dou o que quero, aceito o que me dão. Tudo o que seja forçado não serve. Tudo o que não seja por vontade não serve. Vale para ambos os lados - para o que dou e para o que recebo.

Ainda não curei aquela sensação de que nunca sou suficiente, faça eu o que fizer. Ainda não esqueci os "mas" todos que ouvi. Mas aprendi que talvez eles não sejam problema meu. Talvez seja mesmo assim. A minha maneira de não perpetuar isto é fazer diferente com quem me rodeia. Os meus filhos são suficientes sempre, por exemplo. Gosto sem "mas". E se antes não tinha problema nenhum em verbalizar sentimentos, agora ainda tenho menos. Porque quem me rodeia tem de saber que estou ali porque amo, porque quero, porque gosto. Sem aspas, sem parênteses, sem nenhum mas. Todos temos defeitos e é também por causa deles que somos quem somos. Isso não nos enfraquece - bem pelo contrário. E quando conseguimos ver as pessoas para além das suas falhas, quando conseguimos aceitá-las e amá-las apesar de tudo... é mesmo, mesmo bom. E é sempre o suficiente.

Não perdi os meus medos todos. E ainda bem. Mas sei que as coisas acontecem porque eu faço por isso. Mais medo, menos medo, tenho é de andar sempre em frente. E eu sou suficiente para os meus objectivos, para as minhas guerras, para o que quero. Duvidei muito de mim quando toda a gente à minha volta acreditava. Isso puxou-me para trás. Faltou-me a confiança. Faltou-me gostar de mim. Felizmente, tenho quem me ensine isso em pequenos gestos (e às vezes com grandes safanões, que fazem falta). E quanto mais eu gostar de mim, mais as pessoas à minha volta vão gostar também, não é? (Sem exageros, obviamente...)

E é isto. Este é o tempo para crescer. Para me fortalecer. Para conquistar. E para saborear tudo o que a vida me trouxe no ano passado (e a vida foi assim uma amiga brutal que me trouxe algumas das melhores coisas de sempre, na verdade).

06 fevereiro 2017

O meu livro

Sexta à noite, já dia 4 de Fevereiro, três e meia da manhã, escrevi aquele **FIM** e chorei. Chorei cinco anos de guerra comigo mesma. De medos. De não saber como se faz isto de escrever um livro. De desiludir quem espera um dia vir a ler isto. De me desiludir a mim própria.

Tinha prometido que terminava isto até dia 10. Sabia que ainda me faltava fechar nós, atar pontas soltas, encerrar bocadinhos que fui deixando espalhados aqui e ali. Sexta-feira, lareira acesa, café bebido, ainda meio doente mas já a acusar a medicação e as horas de sono que tive de manhã, abri o documento e lancei-me ao caminho. E quando dei por mim estava terminado. Este longo caminho que é o meu primeiro livro está terminado. Seis dias antes do prazo que combinámos.

Falta rever. Falta mudar coisas que sei que tenho de mudar, falta acrescentar detalhes, falta reescrever alguns bocados que, tendo sido escritos em alturas de maior cansaço e menor concentração, já não me agradam por aí além.

Não sei se isto algum dia será editado. Não sei se tem qualidade para isso. Sei que cumpri o meu sonho: escrevi um livro. Nunca sonhei editar; sempre sonhei escrever. Hei-de fazer justiça ao triunvirato da realização pessoal e, visto que já tenho dois filhos, hei-de arranjar maneira de plantar uma árvore em breve.

E virá também a quinta (e, à partida, última) tatuagem. Não sei quando, mas será este ano. No Porto, com a tinta do Vesna, obviamente. Lá chegaremos.

Depois de acabar de escrever o livro estive quase três horas a digerir aquilo. Pico de adrenalina brutal. Em silêncio. Só eu e umas mensagens a dar conta do cumprimento do prazo.

Passei o resto do fim-de-semana a comemorar. Tudo no sítio certo. O coração a bater como deve ser. Os sorrisos rasgados. As conversas, os planos, os detalhes. E hoje, na praia, o sol a bater de chapa e toda a tranquilidade do mundo. Não há outro sítio onde eu queira estar. Não preciso de muito para ser feliz. Dias como ontem e hoje são tudo quanto me basta.


A seguir? O segundo livro, já começado. Sem prazos definidos (ainda), mas com a certeza de que não quero demorar cinco anos a escrevê-lo. Logo se vê o que farei com ele. Quanto mais não seja, a gaveta é um lindo sítio para morar...

(Devo muito a muito a gente por causa deste livro. Hei-de agradecer a todos, num post que vou escrever em breve. Mas por agora... obrigada a quem acreditou, a quem incentivou, a quem esteve comigo nestes cinco anos de caminho lento mas tão, tão bom...)

13 janeiro 2017

Este ano quero...


  • acabar o meu livro
  • celebrar o meu aniversário
  • tirar uns dias de férias e desligar mesmo de tudo
  • ver muitos filmes (idealmente, 52... pelo menos!)
  • destralhar a minha casa a fundo
  • ver o pôr-do-sol na praia... muitas vezes
  • dançar muito
  • sair muito
  • matar saudades dos amigos
  • estar mais vezes com a minha afilhada
  • mostrar sítios novos aos meus filhos
  • aprender a patinar
  • escrever muito
  • começar o segundo livro
  • treinar muito
  • não me esconder, não pedir desculpas por ser como sou
  • mimar os meus pais
  • ir uns dias para o Alentejo, de férias
  • respirar fundo, sorrir muito e ir andando...

05 janeiro 2017

Terapias

A música. Não aquela música que te põe ainda mais para baixo. A outra, a que te faz dançar mesmo que não saibas dançar, mesmo que sejas um cepo; a outra, a que te faz cantar mesmo que cantes ao nível dos cromos do Ídolos. Põe música a tocar e vai. Fecha os olhos e vai. Faço isto no comboio, não é raro vir a bater o pé ou a abanar a cabeça ao ritmo do que estou a ouvir; faço isto no trabalho, phones nos ouvidos e quando dou por mim já não estou a cantar para dentro.

 

Desporto. Tive de pôr o karaté em pausa por tempo indeterminado. Sozinha com os miúdos a logística torna-se cruel para eles: deitavam-se às 23h30 nos dias dos treinos e eu com uma culpa enorme nas costas e não pode ser. Alternativa? Deixar de fazer hora de almoço no trabalho, sair uma hora mais cedo, ir treinar ao ginásio que fica mesmo ao lado da casa dos meus pais, sair, apanhar os miúdos e chegar a casa à mesma hora a que chegaria se fizesse o meu horário habitual no trabalho. Acresce que o ginásio está aberto aos sábados e aos domingos, portanto, nos fins-de-semana em que estou sem eles posso treinar mais um bocado.

Parar. Parar e pensar. Puxar para mim a responsabilidade. Ninguém, a não ser eu, é responsável pela minha felicidade. Claro que há pessoas que me ajudam a ser feliz. Claro que, sem essas pessoas, sou menos feliz. Mas não posso pôr nos ombros delas o peso da minha felicidade. Portanto a coisa tem de partir de mim. Tenho de ser eu a decidir se quero ser feliz. Quero? Então é sacudir a poeira, abrir um sorriso e procurar a felicidade nas minhas pequenas coisas. No meu caso, isso pode ser um livro, uma hora que passo a escrever, a conversa que tenho com uma amiga, os episódios daquela série que adoro e que consegui ver, o filme que me encheu as medidas, o passeio bom na companhia preferida, o mimo matinal, ao acordar, que fico a ouvir até estar completamente acordada.

Temos sempre dois caminhos. Às vezes não vemos a estrada à nossa frente porque o nevoeiro é cerrado e cada passo parece um avanço para o abismo. Às vezes precisamos de chorar até esvaziar a alma. Seja. Mas a seguir secamos as lágrimas, olhamos para o chão, pomos um pé à frente do outro e vamos andando. E logo se vê onde o caminho desemboca. Sem pressa. Com tempo. Com um sorriso nos lábios e a certeza de que amanhã vai ser melhor porque vamos fazer por isso.

02 janeiro 2017

New beginnings

Ora o que é que sucede? Sucede que fui mesmo lá ao fundinho do poço e fiz o que sei fazer melhor: deixei-me afundar, pousei os pés no fundo, deixei o rabo bater quase lá em baixo e quando percebi que não dava para descer mais sem me sentar para ficar a ver as vistas por tempo indeterminado... dei impulso e comecei a subir.

Chamem-me bipolar. Não quero saber. Fui lá abaixo e estou a vir para cima, coisas da vida, eu não sou de ficar a marinar ali nos sítios onde não gosto de estar. Estou farta de mim triste, perdida, sozinha, cheia de dúvidas. Estou cansada de não aceitar o que sou, de duvidar do que os outros vêm. Ou melhor: quando me criticam e me dizem "não gosto de ti porque..." ou "não gosto disto em ti", eu entendo e dou razão. Quando me dizem "vales muito por isto e por aquilo" ou "gosto de ti porque" eu contraponho até à exaustão, desfaço os argumentos todos e mostro mil razões para não gostarem de mim. Auto-estima nos píncaros, portanto.

Tenho coisas para resolver e vou resolvê-las como deve ser. O resto, bom, fechei para obras. Blindei-me. Fechei a concha à minha volta. Uma defesa? Certamente. Se fui transparente, se me dei por inteiro e isso só me magoou, então é sinal de que não vale a pena. Estando blindada recebo o mesmo mas ao menos não me aleijo. Seja.

Feliz ano. Por aqui... vou fazer por isso. 

31 dezembro 2016

Mas...

Este ano quis amor. Quis o amor que nunca tive (rotina não é amor; carinho não é amor). Quis o amor que faz os olhos brilharem. Quis o amor que nos faz acordar mais cedo ou deitarmo-nos mais tarde só porque precisam de nós por qualquer razão. Quis o amor que não se explica, que não se evita, que não se trava, que não se antecipa. Aquele amor que, quando chega, vem como um tsunami e, quando damos por nós, já estamos rodeados. Aquela nuvem boa que sabe a algodão doce, a despreocupação, a vontade de enfrentar os problemas, a "estamos cá para o que der e vier e o que correr mal resolvemos, e o que correr bem celebramos". Este ano quis amor.

Não tive.

Não tive amor porque sou um mas. Sempre o mas. "És isto e aquilo, MAS...". "Gosto de ti, MAS...". "Estou aqui, MAS...". O mas. Eu sou um mas na vida de quem me rodeia. Acontece que ser um MAS é pior do que não ser nada. Do que ser aquela brisa que mal se sente, acho que estava fresco mas não sei bem, já não me lembro, se calhar foi impressão.

Hei-de ser sempre um MAS. Porquê? Porque não faço jogos. Não brinco. Não me faço de mestre de ilusões. Sou transparente, entrego-me, mergulho, não deixo um pé atrás, não vou cheia de reservas, não me dou pela metade, não me defendo nem me resguardo. E depois... isso tudo, MAS. Sempre o MAS. Não basto. Não sou suficiente. Estou quase lá, mas não é bem, não chega, não basta, MAS.

Isto dói. Dói mesmo. Esta certeza. Esta tristeza. Este MAS. O que é que falta? O que é que ME falta? Porque é que não chego? Porque é que não basto? Se eu dou tudo de mim e mesmo assim é insuficiente, então sou eu que não presto. Ouvi isso demasiadas vezes este ano, com as letrinhas todas, "não vales nada, não prestas". Siga mais uma acha para a figueira, mais uma pedra amarrada às pernas a puxar-me para o fundo.

Mensagem recebida. Não valho nada. Não presto. Sou isto e aquilo, mas. Mas. MAS.

(O mundo nunca desistiu de mim porque nunca houve nada de que desistir. Eu ainda quis acreditar que tinha valor, que era alguma coisa, que merecia alguma coisa. Mas. Sempre o mas. Nunca chega. Nunca basta. Nunca é suficiente. Falta sempre qualquer coisa. Estou cansada. Estou mesmo muito cansada. E, de tanto ter ouvido o MAS, agora sou eu que o digo sempre. Olá, eu sou a Lénia, mas não vale a pena perderem tempo comigo.

Esta sou eu. Esta era eu. Esta fui eu. Mas. Sem MAS.

(Feliz 2017 a quem continua viagem. Sem mas...)

30 dezembro 2016

Adeus, 2016... Olá, 2017

Em jeito de balanço.

2016 foi a revolução. Foi o ano em que assumi que precisava de encontrar o meu caminho. Que precisava de largar o que era mediano, morno, assim-assim e agarrar o que me faz saltar da cama, o que me dá pica, o que me dá tesão (mãe, pai, desculpem o termo - é em sentido figurado, claro!). Foi o ano de arriscar. Pus a minha vida em xeque e esperei para ver o que acontecia. Fui ao fundo. Estou no fundo, não pelas decisões que tomei este ano, mas por coisas antigas, mal curadas, que resolvi agora sanar. Vai ser matéria para 2017. Daqui a um ano falamos sobre isto novamente.

2016 trouxe e levou pessoas. Levou uma série de pessoas que eram família e agora já não são. Algumas deixaram saudades profundas, outras nem por isso. Trouxe várias pessoas que já tinham feito parte da minha vida e trouxe algumas novas. O meu ano de 2016 pode, na verdade, resumir-se a uma destas pessoas que chegou à minha vida e que me ensinou tanto, tanto. Abanou-me as estruturas, sacudiu o pó, mexeu com tudo o que eu sou, fez-me pôr o dedo em feridas antigas que estavam mal curadas.

2016 foi o ano do meu livro. Não exactamente, mas neste sentido: foi o ano em que lhe peguei como deve ser e o trouxe quase até ao fim. Dei-me um prazo para o terminar e vou cumprir esse prazo. Vai acontecer tudo ao mesmo tempo, por essa altura. Continuo com medo do que vem a seguir, mas se não acabar de o escrever nunca saberei. Portanto, siga. E depois deste, o próximo já está começado. E há mais um esboço para o seguinte. Haja tempo, cabeça, inspiração e vontade. É para acontecer.

2016 foi o ano em que deixei 18,5% de mim para trás. livrei-me de 14kg que me incomodavam há muitos anos. Foi fácil? Na verdade, foi. Porque foi um processo longo, demorado e que aconteceu sem grande pressão. E só aconteceu quando deixei de fazer dietas. Go figure...

2016 foi o ano em que conquistei o meu cinto castanho no karaté. Entretanto parei, por motivos que não interessam, e só voltarei em Março. E isto também tem que ver com o livro.

2017 vai ser o ano para deixar assentar a poeira. Vai ser o ano da reorganização. De curar feridas, de aprender a aceitar o que sou. De aprender a aceitar elogios e críticas. De me esforçar por mim, não pelos outros. De lutar pelo que quero, disposta a partir-me toda ou, em alternativa, a conseguir atingir as minhas metas. Vai ser o ano de cometer as loucuras que me apetecer, sem a prisão do que os outros possam pensar. Vai ser o ano de fechar a concha sobre os meus filhos, eu e eles a reaprendermos a viver assim, a três, com tudo o que isso tem de bom e de mau.

Para 2017 peço força. Para enfrentar o que vier na minha direcção. Para carregar os meus pesos. Para me libertar das amarras más. Para conseguir sorrir no meio das tempestades. Para deixar bater no peito o meu coração, acelerado ou bradicárdico, não importa. Para terminar o que comecei. Para começar coisas novas. Para me dar a quem me merece. Para me resguardar do que me faz mal. Para ser eu, independentemente do que esperam de mim.

Que 2017 se faça de sorrisos. 2016 foi, apesar de tudo, ou por causa de tudo, o melhor ano que tive em muitos, muitos anos. Que 2017 seja ainda melhor. E que estejamos cá todos para acolher o que a vida nos trouxer.

Feliz 2017!!

28 dezembro 2016

A solidão no fim da solidão

"Talvez fosse o final da solidão, pensei, não sabendo ainda que era apenas o princípio" - João Tordo.

Guerra antiga, esta. Uma vida inteira sozinha. Sem amarras. Sem pertencer a lado nenhum. Sem me sentir suficiente para fazer ninho. Um coração sedento de carinho, vazio de tudo. Ainda assim, um coração disposto a dar. Um coração disposto a partir-se em milhares de bocadinhos. Prefiro isso a não sentir. Até podia resguardar-me e defender-me e montar toda uma muralha à minha volta, tornar-me inatingível, inalcansável, impenetrável. Mas, e depois? Isso é viver? Isso é alguma coisa? Para mim, não. E sei que esta falta de defesas me torna um alvo fácil. Sei que estou mesmo a jeito de me estraçalhar em menos de nada. Já aconteceu. E depois? Depois juntei os bocadinhos e colei-os como pude. Ficaram resquícios, claro que sim. Ficou aquela certeza de que nunca serei suficiente. De que haverá sempre um "mas" guardado para mim.

Tenho sido talvez demasiado transparente nesta fase que estou a passar. Não tenho escondido os danos. Não tenho fugido do mundo. Não tenho fingido. Dei o corpo às balas. E morri.

Tenho tentado conhecer-me neste processo. Sempre disse que era bicho do mato, solitária e abandonada. Demorei a perceber que sou eu que afasto as pessoas. Que sou eu que não me apego. Não me agarro. Porque não acredito que alguém queira agarrar-se a mim. E deixo-me ficar. Sossegada e sozinha no meu canto. Agora, talvez demasiado transparente, tenho recebido coisas de sítios que eu achava que nem sabiam que eu existia. Amigos antigos, que o tempo e a vida levaram para longe, voltaram para me dar um carinho. Para me dar força. Para me dizer que vale a pena. E eu... eu fujo. Aceito o que me dão, mas não me deixo ficar. Finjo que está tudo bem, não quero que as pessoas se incomodem comigo e saio de cena. Porque acho sempre que não mereço que percam tempo comigo. Porque nunca ninguém me olhou nos olhos para me dizer "quero-te aqui comigo". Seja de que forma for. Ou talvez o tenham feito e eu não tenha visto. Ou talvez eu tenha tanto medo de ser abandonada, deixada para trás, rejeitada que não faço casa em lado nenhum.

Sou a pessoa mais carente que conheço. E tudo o que eu queria era aprender a aceitar o que me dão e a não pedir nada. Mãos abertas para aceitar o que chega, mãos abertas para deixar voar o que não quer ficar. E um abraço apertado no final da solidão.

27 dezembro 2016

O meu filho

Quando soube que ia ter um rapaz... paniquei. Não fazia ideia de como se educa um rapaz. Não tenho irmãos, cresci com um primo dois anos mais novo do que eu e a minha experiência resumia-se a isso. Escassa, portanto. Mas não havia muito a fazer, não é? Era assumir a coisa e viver um dia de cada vez.

Tive uma sorte do caraças: saiu-me um miúdo como deve ser. Um docinho. É a coisa mais meiga do mundo. Dá os melhores abraços. Olha para mim com um amor que não acaba. Derreto-me com este mini homenzinho que está a crescer e, parece-me, a tornar-se num tipo como deve ser. Como é que eu sei isto? Pela maneira como ele trata as meninas. Para começar, tem uma namorada há uns 3 anos - acha ele, enfim... Vê-a uma vez por ano mas, se lhe falo noutras hipóteses para namorarem com ele, responde imediatamente que não quer saber porque já tem a sua Marta. Depois, com as coleguinhas da escola, sei que é um doce, super protector delas. Adora brincar com as meninas, não as põe de lado, acompanha as brincadeiras que elas querem fazer. E finalmente com a irmã que, movida pelos ciúmes, não se inibe de lhe dizer na cara que não gosta dele (e é IMPOSSÍVEL não gostar deste miúdo) e que preferia não ter irmão nenhum. Como é que ele reage a isto? Fica triste e diz-me "mãe, a Leonor não gosta de mim, mas eu gosto muito dela na mesma". Claro que isto é logo um buraco no meu coração... Mas tenho a certeza de que ele é mesmo a coisinha mais doce e só espero que se mantenha assim e que não venha de lá uma tipa qualquer toda queimadinha (provavelmente graças a um tipo qualquer que não seja exactamente como este e que a tenha tratado mal) e destrua tudo o que temos vindo a construir com ele.

Bem sei que esta meiguice toda é meio caminho andado para ele se lixar à grande pela vida fora. Mas entre ter um homem meigo, doce, carinhoso e um cubo de gelo de coração empedernido, prefiro mil vezes que ele aprenda a refazer-se se o magoarem, mantendo a doçura dele, do que ensiná-lo a defender-se logo à partida e a não deixar que nada lhe chegue ao coração.

E sorte a da mulher que um dia o conquiste a sério...