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12 junho 2009

À minha avó F.

80 anos, avó. São 80 anos lindos, cheios de rugas e de histórias, de sorrisos e de abraços disfarçados. Tímida, a minha avó F., mas assertiva: não perde uma oportunidade para me mandar portar-me bem, apesar dos meus 30 anos e de ser a neta mais velha. A minha avó F. vive com quatro pesos no coração: os dois filhos que perdeu à nascença (o mais velho e a mais nova, de quem eu só soube há coisa de dois ou três anos), a ida do filho mais velho para Angola (e não o vê há uns 6 ou 7 anos, pelo menos) e a partida do meu avô, que faleceu há um ano e meio. A minha avó F. casou aos 18 anos e foi casada até aos 78. Sessenta anos de um casamento feliz, que é coisa que nenhum dos netos terá (a não ser que vivamos até aos 90 e tal anos!).

A minha avó F. é a melhor cozinheira que eu conheço e para isso bastam-lhe dois pratos que nem são nada por aí além mas que, feitos por ela, são os melhores do mundo: frango frito e bifes de perú. Há na família uma coisa que se chama "batatas fritas da avó F."; é isso mesmo: as batatas fritas da minha avó F. são imbatíveis, não sei por que feitiços, mas são.

A minha avó F. aturou as brigas e diabrices dos três netos mais velhos aí durante uns 10 anos e nunca se queixou. Tomou conta de nós, ralhou connosco, deixou-nos brincar na rua, berrou para que fossemos lanchar, deu-nos mimo e palmadas e milhares e pêssegos brancos da horta dela, lá na terra, apesar de ter toda a vida vivido na cidade.

A minha avó F. faz hoje 80 anos e eu, graças a uma qualquer ideia brilhante do patronato, não tive ponte, portanto não posso estar com ela. Mas ela está sempre comigo. Adoro-a... e acho que nunca lho disse (coisa a corrigir brevemente, claro!).

2 comentários:

  1. Diz mesmo,eu perdi essa oportunidade e agora não tem volta.

    Um beijinho à tua avó.

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