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08 junho 2009

Politiquices

Este blog, apesar da aparente futilidade, também toca assuntos sérios. O das eleições Europeias, por exemplo. Ontem foi um dia complicado: muitas combinações e pouco tempo para fazer tudo. Mesmo assim, fizemos questão de estar de volta ao nosso concelho antes das 19h, para votar. Ainda por cima votamos em freguesias diferentes (coisas que se prendem com cartões de cidadão que ainda não se foram levantar e tal). Conseguimos.

Depois, enquanto jantávamos (uma pratada de caracóis preparados aqui pela menina), fomos vendo os discursos de vitória e de derrota. Ficámos a saber algumas coisas interessantes:

- em cinco partidos principais, quatro ganharam e apenas um perdeu. É de mim ou nesta coisa das corridas o normal é ganhar um e os restantes perderem? Claro que tem tudo a ver com perspectiva...
- todos os partidos acharam que o resultado desta votação reflecte o que se vai passar nas legislativas. Todos, excepto o partido do governo, que acha que não tem nada a ver.
- o Miguel Portas era o mais contentinho deles todos.
- o Paulo Portas estava igualmente contente (e sempre com aquele ar beto parvo do costume).
- o Nuno Melo fez o discurso mais palerma da noite: fingiu que estava nos óscares e toca de agradecer a toda a gente, motorista sonolento inclusive, e acabou por dar um espectáculo deprimente.
- o Vital Moreira é o Avô Cantigas e não há quem me convença do contrário. Como ele foi eleito, acho que ganhamos todos: ele vai pregar para outra freguesia e não empata por cá.
- na verdade, parece-me que isto das Europeias mais não é do que uma operação de exportação de gente que ninguém quer cá.
- a Marta Rebelo é provavelmente a mulher mais interessante da política nacional.
- o Paulo Rangel tem um ar de boneco Michelin anafado que lhe tira graça. Muda de voz com uma facilidade enorme: para falar sobre a vitória usou um tom simpático, para falar do que aí vem usou um tom arrogante.
- a tia Manuela Ferreira Leite não nasceu para estar a falar seja em frente de que plateia for. Voz de cana rachada, falta de emoção, falta de paciência para os gritinhos da Jota.
- a JSD é provavelmente a entidade mais idiota do país. Aquela betaria que ali esteve por detrás do Paulo Rangel a entoar cânticos de futebol adaptados à política a cada duas frases que o homem tentou dizer não lembra ao diabo.
- olhando para a JSD vê-se o que move aquela gente: tacho. Uma cambada de miúdos com ar de alunos da Católica (todos de Direito, claro), que daqui a vinte anos anseiam por estar onde está hoje o Rangel.

A ver se consigo explicar este meu ponto de vista: o PSD ganhou estas eleições, logo teve mais votos, logo a maioria da população que não debandou para o Algarve e foi votar votou neste partido. Contudo, olhando para as pessoas que fazem parte dele - e principalmente para a Jota - não acho que eles representem o povo português, neste sentido: aquele partido é composto por uma elite económica e política que não espelha a realidade nacional. Bem ou mal, continuo a achar que o partido que mais reflecte os portugueses (no sentido em que as pessoas que o constituem se assemelham à grande maioria da população) é o PS. E não, não sou socialista. Nem social-democrata, está bom de ver...

1 comentário:

  1. Todos arranjaram maneira de interpretar da forma mais vantajosa. Tirando o PS que pronto, não dava para disfarçar a derrota de forma nenhuma. O Miguel Portas não conseguia parar de rir, tbm vi! O Nuno Melo, ya, que idiota, até comentei com o meu namorado "que seca, mas quem é que conhece aquelas pessoas?". Em vez de agradecer aos eleitores andou a agradecer à comitiva que andou com ele em campanha! Não descreveria melhor a JSD. Vê-los ali em cânticos de vitória. AI, medo, muito muito medo!

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