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30 julho 2009

A morte ali ao virar da esquina (2)

Ontem consegui passar no velório depois de jantar. Reencontrei pessoas que não via há 8 anos, quando acabámos o curso. Fiquei na rua, a ganhar coragem para entrar na capela. Antes de me ir embora lá entrei. Volta nos estômago, vê-lo ali, dentro do caixão, esticado, inerte, ido. Angústia das grandes e o pensamento constante

ele é um dia (um dia...) mais velho do que eu... morreu ontem... será que o meu tempo acaba hoje?

e aquela sensação de incredulidade. Lembro-me perfeitamente da voz dele, que não ouço há 8 anos. Lembro-me dos gestos, de o ver a jogar matraquilhos no bar do -1. Lembro-me da forma como punha os caracóis para trás das orelhas. Estranho.

Mais estranho ainda: não ter conseguido perceber imediatamente quem eram os pais dele. Depois percebi: a anestesia era grande. Pareciam os dois adormecidos, ausentes.

Sonhei toda a noite com ele assim, inerte, morto, no caixão. Dormi 3 horas e acordei com a dor de cabeça do século. É estranho e bizarro ver alguém morrer assim.

(Pensa-se que tenha sido um coágulo de sangue que rebentou perto do coração. Ao menos isso: não deve ter dado por ela...)

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