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17 setembro 2009

Esmiúçar os sufrágios

É o que vou fazer este ano. Como? Lendo os programas dos principais partidos. Sempre há-de dar para me rir qualquer coisinha.

Até ver: o programa eleitoral do CDS-PP é poesia. Lê-se, por exemplo, na página 7, o seguinte:

"A resposta do CDS é um clamor na sociedade portuguesa: não são. Meio milhão de desempregados não são números. São pessoas, famílias, casas, orçamentos. Ora, boa parte dessas pessoas, dessas famílias, dessas casas, desses orçamentos, são hoje jovens que perderam o contrato e não têm apoio, casais onde a morada é o desemprego e não têm ajuda, trabalhadores mais velhos que, numa sociedade que sacrifica a experiência, se vêem, de um dia para o outro sem trabalho, sem subsídio e sem reforma."

O programa do PS gasta quase tanto tempo a falar do que fez como a falar do que vai fazer. Sendo aquilo um programa para a próxima legislatura, parece-me a mim que deveria falar do que está por vir e não do que já passou.

O programa do PSD cai no erro imberbe e recorrente: atirar as culpas a outro e não ao mesmo. Culpa o PS da crise. Culpa as políticas da legislatura actual pelo estado da nação. Erro. Se bem que as ditas políticas possam ter agudizado a situação (e atenção que eu não acho isto), o que é facto é que a nossa crise na verdade não é nossa. É internacional. Começou com o "subprime" e alastrou, qual cancro, pelo resto do mundo. Impossível escapar, a não ser que se tenha o solo cravejado de poços de petróleo. Não é o nosso caso, contudo.

O PCP contínua, na sua bolha meio autista, a apregoar coisas que já apregoava em 1917, aquando da revolução bolchevique. E cai em lugares-comuns:

"O PCP será governo, se e quando o povo português quiser."

Lógico. Aliás, qualquer partido será governo se e quando o povo quiser. Excepto se alguém se lembrar de se armar em Hitler e resolver que ditadura é que é bom.

O Bloco... Bom, o programa do Bloco é o mais difícil de ler porque é o mais denso. Não estou a falar do conteúdo mas sim da forma. No geral, a mesma política de sempre apoiada num discurso eloquente. Nada de novo, portanto...

1 comentário:

  1. Estamos feitos, então...também penso ler os programas dos partidos, mas agora vacilei, bolas.

    (acho compreensível o PS estar a justificar tudo, acho que nunca tinha visto uma guerra tão cerrada contra o governo - e o Sócrates gosta bem de passar por coitadinho-que-fiz-tanto-e-ninguém-vê)

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