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02 novembro 2009

Desta coisa de ser mãe - uma abordagem alternativa

É fácil (demasiado fácil) uma pessoa deixar-se levar pelas maravilhas da maternidade. E perder toda e qualquer noção de ridículo. Já se sabe: para as mães, os seus filhos são sempre os mais tudo. E depois entram em corridas com as amigas no sentido de apurar o mais-mais tudo de entre todos os filhos disponíveis para analisar. E isto é, no mínimo, estúpido.

Eu tive a sorte de ser mãe aqui há tempos. Mas recuso-me a passar horas sem fim a falar das proezas da minha filha. E recuso-me terminantemente a dizer coisas sobre ela sem que mas perguntem directamente. Quando o quero fazer, lá está, escrevo um post. Lê quem quer. E não me ouvirão dizer nada do género "Ah a tua faz isto? Olha, a minha faz isso e mais isto...", numa de entrar na tal corrida idiota para ver quem tem o filho mais-mais.

Quem não tem filhos leva valentes secas de quem tem (verdade, meninas?), se lhe calharem em sorte amigas obcecadas pela maternidade. Só porque uma pessoa tem um filho não tem que deixar de viver. Não tem que centrar o mundo na sua própria barriga e, depois disso, naquela pessoa pequenina. Há mundo para além dos filhos, sabiam?

É bom ser mãe? É. Na verdade, tem dias. Há dias em que nem por isso. Como tudo na vida, claro. Se a cria acorda virada do avesso é meio caminho andado para a coisa não correr tão bem. Mas o mundo não tem que levar com as nossas frustrações nem com as nossas alegrias. Contenção é o truque, acho.

Há mães que se admiram que, após a sua maternidade, as amigas sem filhos deixaram de as convidar para programas anteriormente habituais. E perguntam-se porquê. Eu respondo: porque estão a fugir dessa chata insuportável que é uma mãe que só fala dos filhos. Portanto, meninas sem filhos que deixaram de fazer programas com as amigas que os têm: se as amigas são das tais chatas obcecadas, eu estou totalmente solidária convosco. E faço o mesmo: recuso-me a fazer programas com gente que só fala dos filhos.

É por isso que, a bem da minha sanidade mental, faço questão de manter os lanches com as minhas melhores amigas. E é também por isso que gosto de ir lanchar com elas sem a minha filha. Claro que já aconteceu levá-la. Ela diverte-se e as minhas amigas também. Mas quando vejo que ela se está a tornar chata e que as miúdas já estão cansadas, é hora de rumar a casa. Porque ninguém tem que gramar horas sem fim com os filhos dos outros (a não ser que seja paga para isso, mas isso é outra conversa).

Portanto, e resumindo: ser mãe é giro para quem é mãe mas pode ser altamente soporífero para quem não é. Há que saber dosear. E convém não nos esquecermos de quem éramos antes de sermos mães. É que há-de haver um dia que os filhos vão à vida deles e, se nos deixámos levar pela obsessão da maternidade, é bem provável que olhemos à nossas volta e constatemos que ficámos sozinhas no mundo. E depois, das duas uma: ou nos agarramos aos antidepressivos, ou passamos a ser daquelas mães absolutamente insuportáveis que passam a vida em casa dos filhos, a meter-se em tudo e a querer gerir tudo como se eles tivessem dois anos. E não é bom! 

6 comentários:

  1. Ora e eu diria que uma mãe que fala assim é só de si fantástica, porque só pode significar que não vais ser daquelas mães que corta completamente a autonomia aos filhos!

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  2. Concordo contigo!
    Por acaso tenho uma amiga que já tem um filho e ela continua a fazer os programas connosco sempre que pode, e não passa a vida a falar da filha, só se perguntarmos.

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  3. Eu só me vejo a ser assim!

    Só me falta a filha mas já está encomendada;D

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  4. E ainda há pior, Marianne: há os casais que se esquecem que são casais e um dia, quando os filhos partem, olham um para o outro e não se reconhecem. E isso deve ser muuuuuuiiiito triste!

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  5. Excelente texto, excelente filosofia...

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Obrigada!