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12 novembro 2009

E se...

Era uma espécie de nostalgia. Fechar-se um ciclo e entra-se no seguinte sem se saber muito bem ao que se vai. E não se pode voltar atrás. O passo está dado, é pôr o coração ao alto e avançar sem medos. E se. E se é a pergunta que plana por cima de nós a vida toda. E se não tivéssemos nascido, e se tivéssemos outros pais, e se fossemos guatemaltecas, e se tivéssemos uma deficiência grave, e se não tivéssemos feito metade do que fizemos, e se tivéssemos feito outra metade qualquer, e se tivéssemos ido para outro sítio naquele dia mais ou menos feliz em que calhou conhecermos o homem que acabou, sabe-se lá como, por se tornar pai dos nossos filhos, e se não tivéssemos tido os tais filhos, e se. E de repente, sem termos muita noção disso, andamos para a frente a olhar para trás. Perda de tempo.

Olhar em frente e ver para a frente. Arrumar os e ses no armário ou, quem sabe, regá-los com gasolina e chegar-lhes o fósforo com que acabámos de acender um cigarro.

5 comentários:

  1. Nunca vamos saber, mas também se estamos bem, o que é que importa?

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  2. Essa é a verdadeira questão (qual Hamlet qual quê). Também é a que mais me tira do sério, mas rapidamente esqueço...se calhar a minha vida já é o resultado de muitos "ses" de outras pessoas...
    Bottom line is... Parece que nunca estamos satisfeitos connosco próprios, mas se tentarmos acredito que seremos mais felizes.

    E se tentássemos todos estar realmente contentes com as nossas vidinhas e escolhas?
    :)

    (gostei muito deste post, isto abria precedentes para uma bela mesa redonda)

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  3. Pontapé prá frente, que no passado já não se pode mexer! Também sou apologista de que o caminho faz-se caminhando e se for a pensar no que podemos fazer no futuro e não no que poderia ter acontecido no passado, tanto melhor!

    Identifiquei-me imenso com o texto:)! Beijinhos*

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Obrigada!