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15 dezembro 2009

Apetece-me...

A segunda tatuagem. Continuar a escrever pelas costas abaixo. Plantar mais cerejeiras na pele. Abraçar uma gueixa e deixar que ela domine o meu espaço. Soletrar nomes que quero trazer sempre comigo. Embrulhar-me em elementos imperceptíveis. Escrever em línguas que ninguém conhece. Suportar a dor e o depois.

Voar daqui para fora e aterrar do lado de lá do mar. Nadar com tubarões. Ver como se vive em sítios onde é impossível viver. Perceber o que move quem vira o mundo do avesso para conseguir mudar o mundo. Guardar mapas no bolso e seguir em frente, quase sem destino, mas sem perder o norte. Adormecer no deserto. Sentir o calor da Jordânia. Cruzar o Nilo. Ouvir leões rugir demasiado perto.

E o silêncio. Sempre. E o amanhecer no Alentejo, quando já é demasiado tarde para se chamar manhã. Os fins de tarde sentada à porta a ler livros que guardo no peito. E sair por aí sem rumo, sem amarras, sem medos.

Porque eu sou uma folha de papel rasgado. E um traço demasiado incerto. Uma voz demasiado aberta. E um livro. Como toda a gente.

3 comentários:

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