-->

Páginas

02 dezembro 2009

Filha

Um filho não é uma extensão de nós mesmos. Um filho não é um momento de egocentrismo. Um filho é uma entrega total. Um filho é "descentralizante": deixamos de ser o umbigo do mundo, para passarmos a ter o umbigo mais bonito do mundo fora de nós, parte de nós.

A minha filha mudou-me, como todos os filhos mudam todas as mães. A minha filha fez o favor de me tornar uma pessoa melhor do que eu era antes de ser mãe. Mais paciente, menos self-centered, mais disponível. Alterou a forma como o meu mundo gira, mas não o tirou da órbita (no sentido em que eu não deixei de ser eu depois de ser mãe). A minha filha ensina-me todos os dias uma avalanche de coisas e eu retribuo da melhor forma que consigo.

Sem lirismos: ser mãe nem sempre é fácil, ter filhos nem sempre é fácil, não há sorrisos e momentos cor-de-rosa todos os dias, há alturas em que se pensa se terá sido boa ideia, há alturas em que se pagava para se estar duas horas sossegados, há alturas em que se questiona tudo. Os filhos não trazem só coisas boas na bagagem. Oferecem-nos angústias que passávamos bem sem ter, levam-nos ao desespero e, com sorte, ao descontrolo como nunca pensámos ser possível. E são apenas pessoas pequeninas, que têm um poder imenso sobre nós. Se analisarmos bem, são eles que nos têm na mão e não o contrário. Por muito que se leia por aí sobre a maternidade cor-de-rosa de "oh o meu filho é tão lindinho e tão fofinho e tão espertinho e corre tudo maravilhosamente bem e somos tão felizes" há sempre dias em que nos perguntamos porque é que os filhos não vêm com um botão de ON/OFF e damos dois berros, uma palmada e nos passamos porque eles conseguem mesmo levar-nos ao limite da paciência. A tal que, com a chegada deles, se multiplicou mas mesmo assim nunca é suficiente.

Mas.

Há também o lado claro da maternidade. O orgulho nas conquistas dos filhos. O companheirismo. O amor que é maior do que tudo, que supera tudo e que põe tudo o resto no seu devido lugar.

Ser mãe é, sem dúvida, o concretizar de um sonho meu, de miúda. Porque sempre quis ver o que é este amor diferente de tudo o resto, sempre sonhei poder ajudar alguém a crescer e a tornar-se uma pessoa como deve ser, meiga, generosa, confiante. O meu projecto ainda é muito pequeno, está muito no início. Mas já me dá tanto, já me mudou tanto, já me ensinou tanto que sei que tudo o que aconteceu até chegar aqui faz todo o sentido.

Dois anos desta maternidade nem sempre linear, nem sempre perfeita, mas sempre feliz.

11 comentários:

  1. Que lindo texto!
    E mais uma vez parabéns*

    (e, mesmo enumerando as dificuldades, a mim só me fica mais vontade de embarcar num projecto desses, a seu devido tempo, claro)

    ResponderEliminar
  2. Espero um dia vir a ter esse experiência.

    ResponderEliminar
  3. Espero um dia vir a ter esse experiência.

    ResponderEliminar
  4. Emocionei-me com este texto, da mesma forma que me emocionei no dia em que soube que a tua filhota nasceu.

    Que tenham um dia muito feliz!

    Beijocas

    ResponderEliminar
  5. Adorei ler esta dedicatória de amor. Linda.

    Bisouxxx

    ResponderEliminar
  6. Parabéns pequenina e Parabéns papás! :)

    ResponderEliminar
  7. Que texto lindo... Parabens ás duas ;)

    ResponderEliminar
  8. Este texto está lindo, Marianne. Lindo, lindo, tocou-me! :')

    ResponderEliminar
  9. Lindo texto, é mesmo isso!
    Parabéns à princesa. Um beijinho às duas.

    ResponderEliminar
  10. É isso!

    É tanto isso que transcrevi com os devidos créditos (by Marianne), mas não linkei pq pensei que preferias assim (se puder linkar, diz).

    :*

    ResponderEliminar

Obrigada!