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17 janeiro 2010

Dreamland

Ecografia marcada para as três da tarde, na Amadora, perto dos Comandos. Chegamos e vemos a estrada cortada devido a um exercício militar. Continuamos a pé - já sabíamos que, na verdade, só se pode ir a pé e que a história do exercício militar é um falso pretexto. Seguimos. Vamos dar a um regato< que parece ser o fim do caminho. Perguntamos e dizem-nos que temos que passar por baixo da ponte ao lado do regato e seguir o caminho. Pessoas vermelhas, com um ar muito estranho. Continuamos e vamos dar a um pátio cheio de estátuas de mármore meio partidas. Ninguém à vista. Rodopiamos sobre nós mesmos a tentar ver por onde poderá ser o caminho e uma estátua, subitamente acordada, diz-nos que é por ali, temos que descer umas escadas que parecem ser as da cave de um prédio mas na verdade passam por baixo dele e dão para outra rua. Prosseguimos. Na tal rua, pessoas muito altas e esguias, sem ombros, cabeças ovaladas, muito altas, toda a gente muito branca, com vestidos estilo século XVII. De repente recordo-me do caminho e sei para onde temos que ir - já ali estive antes. Continuamos a andar e vamos dar a uma praceta que parece uma miragem, vemos o sítio onde temos que ir mas ele parece inalcansável. Mas eu recordo-me do caminho e sei que temos que ir encostados aos prédios para encontrar a entrada do sítio das ecografias. À porta uma série de homens e mulheres-elefante entram e saem, sempre entre grunhidos. Subimos as escadas da clínica e dizemos ao que vamos. Dizem-nos que a ecografia é só às 19, mas eu sei que a marquei para as 15. Não podemos esperar. Temos as nossas cinco filhas (a nossa e mais quatro exactamente iguais, com outros nomes) e não podemos fazê-las esperar tanto tempo. Dentro da clínica pessoas inacabadas deambulam por ali - são resultados de abortos que a clínica faz, mas que se recusa a concluir (tiram os fetos de dentro das mães, mas fazem-nos crescer cá fora e "nascer" no tempo certo mas, devido ao choque, acabam assim). Eu quebro. Sei que o caminho de regresso é muito mais tortuoso, apesar de ser ver claramente o sítio onde deixámos o carro. Começamos a andar e reencontramos todas as personagens por quem passámos para lá...

Não foi a primeira vez que tive este sonho. Sei perfeitamente o caminho que devia percorrer para cada lado. Já sabia quem eram as personagens que ia encontrar. Sabia que estaria perto quando visse as pessoas sem ombros. Sabia que ia ver homens e mulheres-elefante à entrada da clínica. Sabia que a clínica teria um letreiro verde, enorme, a dizer "Clínica Villa". Sonhei, sabia que estava a sonhar e sabia como aquilo tudo ia acabar. Não é o primeiro sonho com que me acontece isto.

7 comentários:

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