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14 janeiro 2010

Limites

Ontem cheguei a casa tarde, 20h30, com a miúda ao colo e uma quantidade imensa de sacos na mão, mais o chapéu de chuva, chaves, mala, tudo a cair. Marido em casa desde as 19h45. Entro e

loiça no balcão por arrumar
mesa por pôr
ele sentado no sofá a ver uma merda dum jogo qualquer do Benfica

Passei-me. Sobra tudo sempre para o mesmo lado e eu passei-me. Por acaso a miúda já tinha tomado banho, mas se não tivesse lá ia eu dar-lho. Quando eu digo que me passei entendam isso desta forma: foi a sério. Tão a sério que aqueci o meu jantar e comi em pé, na cozinha, enquanto tratava do dela e aproveitei também para arrumar a loiça. Pus a mesa. Depois dei-lhe o jantar a ela, tratei do que havia a tratar e pu-la na cama. Entretanto ele não jantou mas lavou as cinco peças de loiça que havia por lavar, limpou-as e arrumou-as a seguir - que querido. Sentei-me no sofá a ver séries e ali estive até ser quase meia-noite e eu me ter apagado. Fui para a cama. E ele lá. Hoje de manhã ela quis falar com ele e eu liguei, pu-los a falar, falei eu com ele, disse que sim, estava tudo bem - mas não estava e ele percebeu-mo na voz - e desliguei. Já voltámos a falar e eu já expliquei o que havia a explicar: aquilo não é um apart-hotel e eu não sou criada de ninguém. Não fazer já é mau, mas nem sequer ajudar leva-me ao limite. Foi onde ele me levou ontem: ao limite. E continua. Porque acha que eu lhe falei mal - e falei! -, porque acha que eu é que tenho que lhe pedir desculpas, sim senhor, ele errou mas eu também errei mimimimimimimimimi...

A vida não é cor-de-rosa. A minha, pelo menos, não é. E agora haverá por aí eventualmente uma voz crítica que vem e diz que eu não tenho filtros e que conto coisas incontáveis, que não se devem contar. Que sa f***. Eu não vivo num conto de fadas e há dias maus. E isto é a vida como ela é. Sem máscaras, sem rodeios, sem floreados. Há dias em que as pessoas se zangam. E se há quem prefira comer e calar, há também que prefira desabafar. Como ali em cima. Era isto.

15 comentários:

  1. É como dizes, ninguém tem uma vida só com momentos felizes!
    Vai passar :)

    Beijinhos

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  2. Concordo contigo. Também me passo por esta mesma razão muitas vezes. E quando faz alguma coisa é porque eu peço. Porra tenho um filho pequeno e não um de 32 anos pá. Mas enfim, também há dias felizes e é o que vale.
    Fala o que quiseres pois tens muita coerencia no que e cá estarei para te ler. Além de que este blog é teu e por isso quem não quiser ler que vá ler outro blog qq.

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  3. Bom a minha opinião vale o que vale, porque nunca vivi com ninguém, mas acho que as pessoas têm de ser educadas. Se fizermos sempre as coisas por elas, nunca lhes exigirmos nada, ficarmos a remoer para dentro, mas continuar a fazer tudo sozinhas, os outros também não se vão mexer.

    Eu também me teria passado no teu lugar. Agora como resolver, é falar sobre o assunto, não é. Mas para isso é preciso que ele perceba também porque é que te passaste, em vez de estar a dar demasiada importância à maneira como falaste, que de certeza não foi a melhor, porque faz parte do acto de "passar dos carretos".

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  4. Parabéns!
    Parabéns por nao guardares nada só para ti, por dizeres as coisas na hora e por não deixares que façam de ti gato sapato.
    Também sou assim. E dizem que sou bruta, pois sou! Mas ninguém faz de mim gato sapato!
    E é isso que nos diferencia das outras mulheres! Somos felizes na mesma e não somos criadas de ninguém!
    Mais uma vez parabéns!

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  5. Passa-te a vontade e o blogue serve para isso também!

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  6. A vida (e, logo, a vida a dois) está longe de ser perfeita. A minha não é. Duvido que a de alguém seja. Eu também sou como tu. Quando me passo, passo-me mesmo! Agora, com alma, têm que falar para que as coisas se recomponham.

    Beijinhos :)

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  7. como eu te entendo! sobretudo a parte do "mimimimimimimi..."!!! ai ca nervos!

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  8. Easyyyy!

    Mas eu sei o que é fazerem-nos chegar ao limite...

    Anima babe!

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  9. como te compreendo...acho que é mal geral das nossas crianças grandes.

    Um dia perguntei: queres uma mulher ou uma empregada cá em casa?

    tb me passei a serio...e comemoramos assim o 1º mes de casamento e 3 anos de vida em comum...

    é a vida...mas depois andam que nem cordeirinhos para nos agradar!

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  10. Eu venho cá pela tua sinceridade, principalmente (e também porque gosto da tua maneira de expôr as situações e sentimentos e também por muitas outras coisas).

    Compreendo inteiramente o que descreves. Muito embora não seja casada nem partilhe vida dessa forma com ninguém, tive de gramar com 3 crianças grandes em casa. Talvez saiba um pouco do que falas...

    No domingo passado, em plena reunião familiar, atirei com esta:

    "A verdade é que as mulheres casam para terem um companheiro. Os homens casam para terem uma empregada doméstica." E quase me comiam viva.

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  11. Sim, a vida a dois não é sempre um mar de rosas. Identifiquei-me muito com este post. Habituar-nos os dois a uma rotina foi muito difícil. Tínhamos muitas dessas cenas, em que depois, segundo ele, eu é que «tinha falado mal». Felizmente com o tempo e muita conversa, agora tudo entrou nos eixos e ele nunca mais falhou. Com paciência e perseverança, fazes dele uma verdadeira fada do lar ;)

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  12. Tens toda a razao em estar chateada. Afinal ninguem e empregado de ninguem, e com familia a vida nao e um futebol!

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Obrigada!