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27 janeiro 2010

O país que temos

No país que temos há uma coisa chamada direito à greve. Nada contra. Contudo, calha-me apanhar estas coisas nos dias em que preciso que não haja greves nem folgas nem merda nenhuma do mesmo género.

Por exemplo

Há quase um mês, quando me capacitei da gravidez, fiz o que se costuma fazer: fui o centro de saúde. Lá marcaram-me uma consulta para hoje. Hoje, apesar do repouso absoluto, lá fui eu novamente ao centro de saúde para tratar, entre outras coisas, de uma eventual baixa. Chego lá e greve dos enfermeiros. Hoje, amanhã e sexta. Curioso: as greves da função pública nunca são, por exemplo, de terça a quinta. Não, é sempre qualquer coisa que permite fins-de-semana prolongados. Ignoro a ausência das enfermeiras e pergunto pelo médico com quem tinha, repito, consulta marcada há quase um mês. Não está, meteu folga. Como?? Folga? Como folga? Com pelo menos 4 consultas marcadas mete folga e ninguém avisa? Pois, é assim, se quiser venha cá amanhã que pode ser que cá esteja alguma enfermeira. Yeah, right. Fazem greve à quarta mas depois quinta e sexta trabalham, deve ser, deve. Expliquei a minha situação. Trombas da funcionária pública em aumento. Não tenho nada a ver com isso, venha cá amanhã se quiser. Não quero, obrigada, tenho consulta hoje no privado e logo se vê se não acabo novamente de perna aberta no hospital. Como é que faço para marcar nova consulta? Tem que ser com as enfermeiras da Saúde Materna. As tais que estão de greve. Pois. Avizinham-se chatices, digo eu. Eventualmente terei lá nova consulta daqui a um mês, caso ainda seja necessário. Eventualmente conseguirei essa consulta, quem sabe, pois.

Mais logo, consulta no privado com médica que faz serviço no público. Eventualmente mandar-me-á ao hospital. Eventualmente lá conseguirei tratar dos meus papéis. Ou não. Com sorte tenho que mandar a minha mãe de plantão para o centro de saúde, em busca da consulta perdida. Com sorte consigo isto tudo. E esqueço-me de mais esta peculiar situação que de peculiar tem muito pouco. O que não faltam para aí são histórias de maus atendimentos na função pública. Ganham mal? I wonder why...

7 comentários:

  1. Cara Marianne,
    Nestes casos o que tem a fazer é exercer o seu direito e pedir o livrinho amarelo, onde pode colocar este seu post e identificar pelos nomes os ditos funcionários.
    Eu própria, sempre que sou mal atendida ou quando não sou atendida de todo, exerço o direito a reclamar, quer seja no livro amarelo, quer seja no livro de reclamações, pois entendo que os maus atendimentos se passam não só na função pública, como no privado.
    E recebo sempre uma resposta, o que nos deixa o ego em alta, mesmo quando sabemos que se trata de um oficio "chapa" para reclamações.

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  2. Infelizmente é mesmo assim, querida :/ Assisto todos os dias a situações dessas. O médico não está ou foi de férias ou está de folga ou foi dormir porque esteve de banco durante a noite :/ Mas devias ter reclamado.

    Hoje por acaso estive durante a manhã na consulta de medicina materno-fetal, em Sta. Maria, onde a única (!) enfermeira que há, para 4 médicos a dar consultas ao mesmo tempo, fez greve. Então, puseram os alunos a fazer o trabalho de enfermagem. É um bocado ser fura-greves porque impediu-se que se sentisse a falta das enfermeiras. Mas era ou isso ou as grávidas regressarem noutro dia :/

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  3. Também tive uma situaçao parecida no meu centro de saúde, há mais de um mês, e fiquei com os nervos à flor da pele, mas nem me lembrei do dito Livro Amarelo. Vamos ver se me lembro para a próxima.

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  4. Também nem me lembrei de reclamar. E não estou propriamente em estado de perder muito tempo em pé e tal...

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  5. Estas situações são sempre muito chatas e o que não faltam são histórias de mau atendimento em centros de saude e hospitais. Contudo, estou do lado dos enfermeiros nesta greve. As pessoas deviam estar do lado dos enfermeiros e perceber que a contínua degradação das condições de trabalho andam lado a lado com má prestação de serviços de Saude. Mas infelizmente cada um olha para o seu umbigo. Quem tem consulta só quer saber da consulta desmarcada, os enfermeiros só querem saber dos seus direitos e o Governo só quer saber da redução de despesas e pronto.

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  6. Realmente tiveste azar. Eu também já tive azares no hospital, mas também já fui muito bem atendida. Realmente isto vai muito em conta com a pessoa que lá está.

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  7. Recordas-te da reclamação que falei hospital versus hospital.

    Resultado: assunto resolvido no dia seguinte!

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Obrigada!