Sobre o bullying

abril 01, 2010

Quem já foi vítima disto ponha o dedo no ar!

Eu também fui, claro. Então não havia de ter sido? Miúda mais feia da turma, sempre. Óculos enormes, sempre. Óptimas notas, sempre. Dava-me bem com os professores (porque não lhes fazia a vida negra, pronto), sempre. Dona de um nome esquisito e dado a brincadeiras parvas. Claro que eu era nada mais, nada menos que o alvo ideal dos meus colegas que se achavam muito superiorezinhos. Principalmente das raparigas que, sendo burras que nem calhaus da calçada, não tinham outro remédio senão armar-se em boas por outros lados. Portanto era vê-las com grandes (pequenas, na verdade) mini-saias, ares arrogantes, armadas em más, a gozarem-me, a atacarem-me, a ameaçarem que me batiam. E porquê? Porque eu me recusava a ajudá-las nos testes, nos trabalhos, etc. E por todas as minhas características acima descritas. Ah, e porque respirava.

Azar o delas: eu continuei a ser boa aluna, entrei para a faculdade e tudo, coisa que nenhuma delas fez. Continuo a usar óculos. Continuo feia. Continuo a não fazer a vida negra a ninguém. E continuo a ignorá-las quando passo por elas, nas caixas de supermercado lá da terra, que é onde acabaram todas.

A minha resposta para elas foi sempre a mesma: não lhes ligar nenhuma. Ignorar. Deixá-las andar. E agora é o que se vê. Lá andam elas, pobres coitadas, loiras de raízes pretas, a passar coisas no supermercado (nada contra, atenção! Mas eram tão boas, tão melhores que toda a gente que acabaram ali...). Passou-lhes a arrogância, claro.

A minha sorte foi sempre a mesma: ter estrutura para aguentar a coisa. Passei seis anos a ser gozada e isso não me fez mossa. Segui a minha vida. Fiz o que tive que fazer. Namorei - ao contrário do que era esperado, já que eu era o patinho (muito) -, saí, fiz amigos. Algumas das pessoas que me gozavam acabaram por meter a violinha no saco e hoje, quando nos encontramos, falam-me normalmente. Porque nunca lhes dei a resposta que esperavam e isso foi a minha chapada de luva branca para eles. Para as outras desorientadas é que não. Para essas o desprezo foi sempre a melhor resposta. E para quem tem por objectivo magoar, achincalhar, mandar a baixo, não obter qualquer resposta deve ser do mais frustrante que há. Mas comigo a coisa funciona (quase) sempre na base do tiro à água. É sempre ao lado. Azar.

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9 comentários

  1. A única coisa que posso dizer é que me revejo totalmente nas tuas palavras. Sem tirar nem pôr! (Excepto os óculos, que nunca usei. Mas em compensação, fui sempre nariguda!)

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  2. Eu também fui, durante 2 anos, e aprendi a reagir da forma como tu reagiste.
    Por acaso costumava ajudar toda a gente no estudo e nos testes, mas pelos vistos havia outros motivos que levavam aquelas pessoas a baterem-me e a tratarem-me mal.
    Mas o destino fez com que nos separássemos, porque reprovaram ou porque saíram da escola... E assim pude aproveitar os anos que se seguiram, sem estar constantemente com medo.

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  3. Eu já fui e já escrevi sobre o que me aconteceu no meu blog.

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  4. Podia ter sido eu a escrever isto...

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  5. sim sim, same here!

    (e feia? Onde pá?)

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  6. Também meto o braço no ar aqui! Um dia também vou escrever sobre isso no meu blog.

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  7. Muito bem, parabéns porque ter seguido em frente!

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Obrigada!

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