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21 abril 2010

Um bocado como a Sumol

Um dia acordas e percebes que já não tens idade para dar conta de cada passo que dás. Percebes que podes viver sem ter que pedir dinheiro aos teus pais. Percebes que se calhar investes numa casa e vais viver sozinha. Depois compras a casa e de repente passas a ter uma corda no pescoço em forma de prestação. Mesmo assim, agarras em ti duas vezes por mês e metes-te no Ikea, onde gastas o que tens e o que não tens mas ficas com uma casa cada vez mais gira. Descobres entretanto que não tens que ficar com o namorado do liceu só porque sim e passas a ter uns casos aqui e ali, nada de preocupante, tudo um bocado inconsequente. E percebes que ninguém se chateia com isso, nem mesmo tu, que antes só acreditavas em amores para toda a vida. Entretanto cresces mais um bocado e aparece-te um homem que, não sendo aquilo com que sempre sonhaste, é o único que te faz ficar sem te lembrares de respirar. E isso muda-te. E tu mudas com isso. E de repente deixas de ser a miúda que vai a todo o lado, que sai para onde lhe apetece e que faz o que lhe dá na telha. E passas a ser uma pessoa responsável, que cumpre regras. Entretanto casas - ou não - e tens filhos - ou não. E depois há um dia em que acordas e achas que tens outra vez 20 anos, desatas a sair, desatas a reaver amizades antigas e percebes que não tens que deixar de ser tu mesma para viver com mais de 20 anos. E aprendes que só és feliz se fores quem és. Aprendes que a primeira pessoa com quem tens que te preocupar é contigo mesma e que só quando souberes estar bem sozinha estarás bem com os outros. Descobres que nada dura para sempre, a não ser a tua relação contigo. Deixas-te de merdas e passas a fazer e a dizer o que realmente pensas. Paras de fazer fretes sociais e só estás onde te sentes bem. Paras de fazer o que esperam de ti e deixas de te preocupar com o que os outros pensam. Percebes que não estás cá para sempre e resolves viver. Passas a aproveitar cada dia, cada momento. E se te apetece dançar no meio da rua, danças. Se te apetece cantar alto, cantas. Se te apetece passar um dia inteiro na cama, passas. Se te apetece andar de baloiço, andas. E vives. E de repente dás pela tua própria respiração. Sentes a tua pulsação. Percebes que tens um coração a bater-te no peito e isso é o que mais importa. Quando esse dia chegar, não o deixes fugir. Será o primeiro dia do resto da tua vida.

16 comentários:

  1. "Aprendes que a primeira pessoa com quem tens que te preocupar é contigo mesma e que só quando souberes estar bem sozinha estarás bem com os outros." - Umas das minhas recentes aprendizagens. Verdade verdadinha.

    Adoro "o(s) primeiro(s) dia(s) do resto na minha vida", como canta o Sérgio Godinho.

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  2. Adorei o post...está mesmo muito bom...that´s the spirit

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  3. Um bocado como o da Sumol não!!!

    Much much better!!!

    Bisouxxx

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  4. Adorei o post! Só verdades inesquecíveis!

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  5. Provavelmente, dos melhores textos que já li na blogosfera.

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  6. "Li-te e esqueci-me de respirar...". O original não é assim, nem neste contexto, mas podia ser. Amei!

    ;)

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  7. Adorei o post, deu-me uma sensação de liberdade:-) bj

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  8. Espectacular! Adorei!

    (...) E aprendes que só és feliz se fores quem és! (...)

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  9. "Entretanto cresces mais um bocado e aparece-te um homem que, não sendo aquilo com que sempre sonhaste, é o único que te faz ficar sem te lembrares de respirar. E isso muda-te.(...) Paras de fazer o que esperam de ti e deixas de te preocupar com o que os outros pensam. Percebes que não estás cá para sempre e resolves viver. Passas a aproveitar cada dia, cada momento. E se te apetece dançar no meio da rua, danças. Se te apetece cantar alto, cantas. Se te apetece passar um dia inteiro na cama, passas. Se te apetece andar de baloiço, andas. E vives."

    Adorei, especialmente estas duas passagens, Muito bem escrito. E verdaddeiro acima de tudo!

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  10. Exactamente como me sinto. Mas ainda há quem não compreenda e viva calado com medo do que os outros possam pensar, eu digo a isso"Caga nos outras e pensa em ti".
    Os 30 mudaram me muito fiquei mto de melhor c a vida. Não tenho tempo para me preocupar com quem não o merece nem para conversa de conveniencia. Sou assim agora e adoro!!

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  11. Este texto está soberbo!

    A sério que fiquei galvanizado, e agora que entra o fim de semana, ainda mais.

    A vida é mesmo isso, é sermos nós próprios, que se fo*** as convenções (peço perdão pela linguagem, mas às vezes há que chamar os bois pelos nomes).

    Quero ser sempre assim...

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Obrigada!