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24 junho 2010

Dicotomias

(Aguentem-se. De vez em quando saem-me umas coisas sobre a maternidade. Podem sempre fazer "scroll down").

Se há coisa que me transcende são as dualidades de critérios com os filhos. Neste sentido: há pais que se revoltam se alguém constata o óbvio - que os filhos deles são terroristas. Mas se vem alguém dizer que a criança (a mesma ou um irmão/irmã) é um doce, uma maravilha, é vê-los de sorriso posto, verdadeiramente orgulhosos. Não me faz sentido, lamento.

Se somos pais para ficar babados com os elogios que fazem aos nossos filhos, também temos que ter poder de encaixe para aceitar as críticas e/ou realidades. Custa ouvir alguém (um amigo, uma educadora, um professor) dizer que o nosso filho é um terrorista? Custa. Mas, se for a verdade, só há que aceitar.

Educar não é fácil. É um braço de ferro constante com pinchavelhos de meio metro, que nos tiram do sério e nos fazem questionar coisas que tínhamos como verdades inabaláveis. É preciso ceder em muitas coisas e fazer finca-pé noutras, que se calhar nem são assim tão vitais (mas eles não podem ganhar sempre). É preciso ganhar estômago e pulso firme, senão o desastre é garantido.

O mimo é bom. As regras também. Educar é encontrar o equilíbrio entre estes dois pontos e não perder nunca de vista que quem manda somos nós (sim, a maternidade é a coisa mais parecida com uma ditadura que eu conheço). Há crianças que são simplesmente difíceis. Não quer dizer que sejam mal-educadas ou fruto de uma educação demasiado permissiva. São difíceis porque é essa a sua forma de ser e aí não há nada a fazer. O que se pode fazer tem a ver com a educação e só será visível, eventualmente, daqui a uma data de anos. Mas os pais não podem fechar-se na concha e recusar ouvir alguém dizer a verdade sobre o seu filho. Porque os filhos não são só nossos, são do mundo. E não somos só nós que os influenciamos nem que convivemos com eles. E isso, embora não dê às outras pessoas o direito de ditar ordens sobre como devemos educá-los, dá-lhes o direito a ter uma opinião que pode ser diferente da nossa.

Alguns de vocês podem pensar um "dizes isso porque a tua filha é uma anjinha que não te dá trabalho nenhum". Semi-verdade. Não é rebelde, não é difícil, não é terrorista. Mas está na idade de esticar a corda a ver até onde vai. E nunca vai muito longe, porque nós não deixamos. Mas quando a minha mãe me diz que ela tem um feitiozinho complicado, igual ao meu, eu só tenho é que comer e calar porque é verdade. Faz birras, tem dias lixados e eu sou a primeira a saber isso, a assumir isso e a dizer isso. E aceito sem problemas que sejam outros a dizer-mo porque é verdade e não há volta a dar. Não vejo porque é que deva ficar contente e agradecida quando me dizem que ela é um espectáculo e depois não consiga aceitar que alguém me diga que ela é bera. Se estamos cá para uma coisas temos que estar cá para as outras. É uma questão de justiça, acho.

5 comentários:

  1. Pois, não sou mãe, mas acredito que assim seja.

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  2. pois olha, eu sou aquela q diz "o meu filho vai ser daqueles q s atira p o chao c birra, no meio do super...". p q tapar o sol c a peneira? :)

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  3. Como sabes a minha filha não é uma miúda fácil de levar. Eu sou a primeira a admitir que ela é o que é e nem me importo que as outras pessoas o digam, agora também depende de quem o diz, como diz e em que contexto o faz. Eu já ouvi certas coisas que não gostei, precisamente pelas razões que acabei de enumerar.

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  4. estou com a R...aceito ouvir tudo de determinadas pessoas, não de todas. há coisas que só quem está muito perto e lida com os miúdos numa base diária pode dizer; quem os vê uma vez por ano não tem que opinar.

    sobre o parêntesis inicial: mas agora está out escrever sobre a maternidade, é isso? não percebi...

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  5. Não, Inês, não está out escrever sobre a maternidade. Simplesmente aqui não é o meu sítio para o fazer. Ocasionalmente, sim. Por sistema, não.

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Obrigada!