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07 junho 2010

A idade, oh, a idade...

A idade tem umas coisas giras. Se alguém me dissesse, há 10 anos, que 10 anos depois eu teria deixado de gostar de fazer N coisas de que gostava na altura, eu ter-me-ia rido e suspirado um "yeah, right". Mas aconteceu. Prova número um de que a idade nos altera.

Há 10 anos, a minha vida andava entre trabalho, amigos, irresponsabilidades, festas, bebedeiras, festas, amigos, livros e pouco mais. Há 6 anos, a minha vida era ainda mais festas, saídas, amigos, responsabilidades, trabalho, amigos e festas. E eu a achar que nem dali a mil anos me fartaria daquele ritmo. Prova número dois de que a idade nos altera.

Agora, se há coisa que abomino são saídas-para-dançar-a-noite-inteira. Para já, porque não aguento. Depois porque não acho a mínima graça a passar horas a massacrar-me enquanto me divirto (divirto?). Tempo perdido, na verdade. A minha noção de divertimento, hoje em dia, bate muito mais numa ida ao cinema, num jantar fora, numa conversa calma entre poucos mas bons amigos. Prova número três de que a idade nos altera.

Até a questão dos amigos. Há uns anos eu achava que tinha dezenas de amigos-amigos. Oh, ingenuidade. Não tenho. Não quero ter. Dezenas de conhecidos, sim. Amigos-amigos, uma mão chega para os contar. E para mim, amigos não são aquelas pessoas que vemos now and then e com quem trocamos conversa de circunstância. Amigos, para mim, são aqueles a quem podemos mostrar todos os esqueletos que temos no armário sem corrermos o risco de os ver desatar a fugir a sete pés. E amigos desses eu tenho os que se contam pelos dedos de uma mão. E está óptimo assim. Prova número quatro de que a idade nos altera.

Com a idade passamos a privilegiar a qualidade em vez da quantidade. Passamos a dar mais importância a núcleos em vez de darmos importância a multidões. Passamos a querer resguardar-nos em vez de nos pormos a jeito. Deixamos de achar que somos as rainhas do mundo e que tudo gira à nossa volta (breaking news: não gira). Deixamos de achar que, quando nascemos, Deus nosso senhor (ou entidade que o valha) nos dotou de razão eterna e passamos a perceber e a ter a humildade suficiente para aceitar que não, não temos sempre razão e que há mundo para lá do nosso umbigo. Se isto envolve dores de crescimento? Não necessariamente. A não ser que tenhamos toda a vida andado com o rei na barriga, é coisa para se dar sem dramas. Prova número cinco de que a idade nos altera.

Com a idade ganhamos um defeito (bom, eu ganhei, pelo menos): passamos a ser um nadinha paternalistas e a pensar mil vezes, perante atitudes de pessoas bem mais novas do que nós um "deixa lá, com a idade isso passa". Não é por mal. É a constatação de um facto. Passa mesmo.

11 comentários:

  1. Posso roubar-te o post e assinar por baixo? EHehehehe!

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  2. Não podia concordar mais contigo!

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  3. É da idade, Dora! Se tivesses 20 anos não concordavas com nada disto!

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  4. Bolas, revi-me aqui cá de uma maneira...

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  5. Mas eu há 6 anos já não andava assim a curtir. Discos dispenso. Tenho noites ideiais mas realmente também não as ponho em prática...

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  6. Oh, como isso é verdade!!
    E ainda não tenho filhotes. Acho que quando os tiver assim vou sentir mais isso. =)
    Como eu às vezes digo "Já não tenho idade para isto. eheh".
    Bjocas

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  7. Um belo texto, tao verdadeiro. Concordo com tudo!

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Obrigada!