-->

Páginas

17 junho 2010

Divagando...

A maternidade não me define, não me reduz, não me limita, não me adultera. Uns meses depois de a minha filha nascer percebi que a maternidade me tinha melhorado enquanto pessoa. Não me tornou melhor do que ninguém, porque não me avalio em comparação a ninguém. Tornou-me, isso sim, melhor do que eu era antes de ser mãe. Porque me mostrou novas capacidades, novos limites, nova tolerância. Mostrou-me que posso ser paciente, compreensiva e que posso colocar alguém acima de mim mesma, coisa que, antes da maternidade era uma noção algo turva em mim.

Mas eu não sou apenas mãe. Aliás, ser mãe é o complemento de tudo o resto. Antes de ser mãe sou pessoa, sou a mulher que já era antes. Apesar disto, a minha filha é mesmo a coisa mais importante do meu mundo. Acontece-me o típico: fico feliz se a sinto feliz, preocupada se a sinto mais em baixo, desorientada se ela não está bem. Mas vivo e respiro para além dela.

Outro detalhe, que não sei se acontece às mães de mais do que um filho, ou se só me acontece mesmo a mim. Até ver, a barriga é apenas isso mesmo: uma barriga. Na outra gravidez passava a vida a fazer festinhas, olhar para ela, a pensar nisso. Agora não. Não quer dizer, obviamente, que esteja menos entusiasmada agora do que na outra gravidez. Quer apenas dizer que agora tenho outras coisas igualmente importantes em que pensar, que me ocupam tempo e espaço. E isto tem o seu lado bom: a coisa flui de outra forma, vamos indo em velocidade cruzeiro e, sem eu saber bem como, estamos à beira das 12 semanas.

A gravidez da minha filha foi inesperada, completamente fora do programa. Por isso, levei-a com uma enorme descontracção. Nunca andei ansiosa com nada, nem com ecografias, nem com exames, nem com nada. Agora, que quis muito engravidar, que foi um filho planeado, a coisa não é bem assim. Noto-me mais ansiosa, mais preocupada. Mas controlo isso e não deixo que as hormonas me controlem...

5 comentários:

  1. Não posso responder à tua questão porque não tenho filhos, mas posso dizer-te que ADOREI o teu texto. Posso dizer-te que a tua experiência de maternidade inspira-me, todos os dias. Que, ao acompanhar a gravidez da tua filha, passei a desejar imenso ter filhos. Algo que nunca tinha sentido antes. Pelo menos, não com essa intensidade. Que, ao ler o teu relato do parto, fiquei "apavorada" mas ao mesmo tempo emocionada. E com uma certeza: pelos filhos, "suporta-mos" tudo. Porque, como dizes, eles passam a ser o mais importante das nossas vidas!

    Beijo grande, Marianne.

    ResponderEliminar
  2. A segunda gravidez é realmente muito diferente, porque já não é novidade. Mas não deixa de ser igualmente "deliciosa". Para mim, pelo menos, foi. No fim é que foi pior, já sabia o que me esperava e não queria esperar mais. Por mim o puto tinha nascido para aí às 30 semanas! As últimas 8 foram de morte, mesmo de baixa! Estava demasiado pesada e cansada e já não tinha que me preocupar só comigo e com o bebé, como da primeira vez. À segunda já não dá para passar os dias descansadinha a ver televisão ou no PC e esperar que o marido chegue e trate do jantar, porque o filho mais velho precisa de atenção. E acho que isso é mesmo o pior da segunda gravidez.

    ResponderEliminar
  3. Estou agora grávida do meu segundo filho e percebo bem o que dizes.
    Se a primeira gravidez será sempre especial e única, na segunda há um misto de traição ao primeiro, quase como um sentimento de culpa e uma preocupação constante para que este não se sinta abandonado.
    Outra coisa estranha que me acontece é que tenho pesadelos frequentes e medo que corra algo mal com o bebé que nunca me passaram pela cabeça da primeira vez. E sem razões para tal...

    ResponderEliminar
  4. Deve ser maravilhoso ter filhos. Volta e meia apetece-me!

    ResponderEliminar
  5. Claro que existimos para além da nossa maternidade, por mim falo. Mal seria se assim não fosse. Acho é que no meu blog, por exemplo, não tenho criadas as condições necessárias para poder falar de mim, do casamento, etc....(família e marido a lerem certas coisas é contraproducente)
    Mas tu és uma gaja naturalmente interessante. Muito mais do que eu ;)

    ResponderEliminar

Obrigada!