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02 setembro 2010

Medos

Uma pessoa cresce e, vá-se lá saber porquê, aparecem medos. Eu sempre fui uma miúda destemida (leia-se inconsciente). Nunca tive medo de nada. Coisas como andar sozinha, à noite, pelo meio de Lisboa (e quem diz Lisboa, diz outros sítios) nunca me assustaram. Conduzir, andar de avião, andar de mota, tudo coisas para fazer sem sequer pensar nisso.

Até que.

Uma filha. Uma vida a depender de mim. Uma pessoa que me quer ao seu lado sempre. Uma pessoa que precisa de mim para se construir enquanto pessoa. E os medos aparecem todos. Passei a ter medo de morrer. É uma coisa consciente, em que penso todos os dias. E se eu morresse agora? Não quero. Não posso. Quero vê-la crescer, ver a pessoa em que se há-de tornar, mimá-la muito, conhecer os filhos dela, caso ela escolha tê-los. Portanto, abrandei. Nunca mais vi os 190 marcados no conta-quilómetros. Nunca mais entrei num avião sem dar por mim a rezar. Nunca mais me pus em cima de uma mota. E mesmo assim tenho muito, muito medo de morrer. Porque ainda há tanto que quero fazer, tanto que quero viver, que não me apetece nada ir embora antes do tempo. Daqui a 50 anos talvez, repito, talvez esteja preparada. Agora só tenho mesmo é medo.


5 comentários:

  1. Podia ter sido eu a escrever este texto...ai como te entendo.
    Vim cá ter através do blog da Me;).
    Beijinhos

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  2. Não tenho filhos, mas tenho outras pessoas (e um cão que amo de morte) que dependem de mim. E tenho-me a mim mesma, de quem também gosto muito para querer arriscar inutilmente a vida.

    No entanto, os arrependimentos mais amargos são por aquilo que não fiz quando pude/tive oportunidade. Além disso - e isto vem de alguém que foi atropelada 4x - quando a nossa hora chega, até podemos estar sossegadinhas a ver televisão no nosso sofá.

    Alguns riscos (moderadamente controlados) dão aquela sensação de que estamos vivos e põem-nos um sorriso que poucas outras coisas na vida podem pôr.

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  3. Passa-se o mesmo comigo...que fazer...é o preço de se ser mãe e conhecer este amor, diferente de todos os outros.

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  4. Tal e qual! As tuas palavras descrevem exactamente o que sinto...

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Obrigada!