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21 setembro 2010

The One

Andamos anos a bater com a cabeça em paredes. Paredes que, muitas vezes, chegavam disfarçadas de nuvens, algodão puro, tudo calma e serenidade, para depois se revelarem paredes de betão armado, capazes de nos pôr nos Cuidados Intensivos meses (anos?) a fio.

Depois das paredes, a desconfiança. O descrédito. O desânimo. Julgar que nunca se vai encontrar a tal pessoa, a nossa pessoa, a pessoa que olha para nós e vê o mundo. Bola de neve. Nada parece suficientemente bom, nós não somos suficientemente merecedores desse pedaço de céu chamado amor correspondido. Achamos que vamos ficar sozinhos para sempre. Que seremos sempre o número ímpar em todos os acontecimentos pares. Que seremos sempre a "coitadinha, está sozinha, não consegue arranjar namorado", como se "arranjar namorado" fosse uma acção digna de mérito. Não é. Arranjar namorado não é nada. É vazio. O que importa é encontrar aquela pessoa que põe o nosso mundo nos eixos, que faz tudo ganhar sentido, que preenche cada espaço, cada momento outrora oco.

A tal pessoa é sempre a pessoa que nos muda a vida. Que nos muda tudo. Que faz a diferença. Se aparece uma pessoa e tudo é igual... não é A Pessoa. Quando ela, a tal, The One, aparecer, vai mudar tudo no nosso mundo. Agita-nos as entranhas, põe tudo em perspectiva, cala-nos as dúvidas, acicata-nos as certezas. E de repente, sem se perceber muito bem porquê, tudo desata a fazer sentido. Mesmo as paredes em que andámos anos a bater com a cabeça. Até essas passam a ter um propósito: existiram para que hoje pudessemos chegar aqui e ver que nada do que temos se assemelha a uma parede.

É uma nuvem. Algodão puro. Amor correspondido. E vale a pena acreditar. Mesmo que agora apenas se vejam paredes (e mesmo que elas estejam mesmo a pedir umas cabeçadas).


17 comentários:

  1. Marianne
    Isso é mesmo verdade?
    Porque eu tenho 34 anos, já apareceu na minha vida um "The One", que afinal não era.
    Tudo o que mudou, foi para pior...
    A minha cabeça já se despedaçou tantas vezes contra as paredes, que tenho dúvidas se estes cacos, todos juntos, voltam um dia a Amar.

    E a quem o tem a seu lado, o "The One", que sorte...

    Marília

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  2. É por textos destes que eu gosto de vir aqui:) bj!

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  3. Oh l'amour... ;)

    Texto extraordinário querida!

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  4. Eu tenho o vício de me apaixonar ou "odiar" um blogue pela sua postagem actual... Devo dizer que adorei a primeira e fiquei fã com a continuaçao das mesmas :D Estou tentada a crescer e aprender um pouco mais aqui* ;) *

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  5. Gosto muito do teu blogue e este texto agora tocou-me...

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  6. Estou na fase que chamas de desconfiança. E a achar que vou ficar sozinha. A questão é que essa fase já dura há muito tempo. A experiência que tive foi tão má que só agora começo a acreditar que há homens decentes. E tudo isto sem me aperceber. A ver vamos se para mim também chega o "the one".

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  7. Diria que não poderia ser melhor descrito!
    Sim, são essas as sensações, esses os pensamentos, essas as inquietações. E é assim mesmo que nos sentimos quando encontramos a tal pessoa! "Põe tudo em perspectiva" - é isso mesmo que acontece. De repente, os rumos mudam, assim como os objectivos, as teimosias... tudo...

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  8. Obrigada. Obrigada porque são palavras destas que ainda me vão fazendo crer que não andei a perder o meu tempo e que, talvez, esta sensação que tenho de "ser o número ímpar em todos os acontecimentos pares" (adorei) seja só isso mesmo, uma sensação - e que irá passar.

    Obrigada. E é essa a melhor palavra para dizer como este texto me tocou.

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  9. Sinceramente deixaste-me sem palavras.. =)

    *

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  10. Sem dúvida uma bela dedicatória ao "The One"
    Parabéns por este belíssimo blog.

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  11. Palavras que não são nossas, mas está lá todo o nosso sentimento !

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  12. Adoro ler coisas tão bem escritas assim. Admiro as pessoas com esta capacidade magnifica de trabalharem as palavras. Parabéns pelo texto e pelos sentimentos. Muito bom!

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  13. Não sei se o que escreves é verdade (embora lá no fundo, queira acreditar que sim). Apenas tenho a certeza que adoro a maneira como escreves, a forma como brincas com as palavras.

    Parabéns, obrigada e... continua! :)

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  14. Adorei...
    Acho um máximo como as pessoas se identificam com tanta coisa, vivendo em contextos tão diferentes...no fundo, somos mesmo muito pequeninos e vivemos muito das mesmas coisas!!

    Vou roubar para o meu blog ;)

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  15. Posso levar comigo (devidamente citado, naturalmente)? :)

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Obrigada!