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01 outubro 2010

O mexilhão

Um cinto que se aperta. Certo, o governo quer que façamos (todos) um esforço para que o país não se afunde (mas vai comprando carros e blindados e demais disparates, aparentemente sem critério nenhum).

Ora bem, nós precisamos de comer. Eu faço compras em sítios baratos, não compro nada de que não precise, programo refeições semanalmente, para não haver desperdícios, janto refeições que a minha mãe e a minha sogra preparam de vez em quando, cozinho coisas que vêm da terra da minha avó e dos tios dele e evito, ao máximo, os disparates de compras. Uso marcas brancas em quase tudo (excepto detergente da loiça e shampoos, pronto).

Não compro roupa para mim nem para ele, compro apenas para a miúda aquilo de que ela necessita para determinada estação. Não lhe compro brinquedos de que ela não precisa. Não jantamos fora, não saímos excepto para ir ao cinema aí 1 vez a cada mês e meio. Não alugamos filmes, vemos o que dá na TV. Compro um livro para mim quando o rei faz anos. Não mudamos de telemóvel cada vez que a Nokia tem uma febre qualquer, não temos iPhones, nem iPods, nem iPads e também não precisamos. Oferecemos muitos presentes home-made e não nos chateamos com isso.

Pagamos as contas como toda a gente (água, luz, gás, Meo - pacote já reduzido ao máximo e renegociado - prestação da casa e condomínio). Deixámos de fazer viagens. A miúda não anda no colégio mas compensamos esse dinheiro "pagando" a quem toma conta dela e nos trata da roupa (ou seja, pagamos as contas da água, da luz e do gás da minha mãe, que compra toda a comida que a miúda lá consome, num mínimo de 5 almoços por semana).

Tínhamos empregada 1 vez por semana e passámos a ter quinzenalmente. Andamos de carro porque não trabalhamos em sítios nem em horários que nos permitam usar os transportes (e eu tenho carro da empresa, pelo que não posso mesmo andar de transportes).

Vou mudar de escritório e vou ter que passar a comer fora. Ou, que é o mais certo, compro um termos como deve ser e levo a comida de casa na mesma (que comer 22 dias fora a € 6,00/dia são menos € 132,00 ao fim do mês). Vou deixar de usar a auto-estrada, coisa que tem sido uma despesa grande. Deixei o ginásio e, quando voltar a praticar desporto, será na rua, a caminhar e, com tempo, espero que a correr.

Não ganhamos mal, mas também não ganhamos bem. Mesmo assim, não nos sobra dinheiro ao fim do mês. Passando a pagar mais 2% de IVA, parecendo que não, serão ainda menos uns euros ao fim do mês.

E a minha pergunta é: aperto exactamente que cinto? Deixo de comer? Deixo de andar com a roupa lavada? Passo a trazer os filhos para o trabalho?... Emigro?

Ah, esqueci-me deste detalhe: a única pessoa lá de casa que vai a um médico particular é a miúda. Eu e ele é tudo no centro de saúde e/ou hospitais públicos. Consultas de gravidez incluídas. Parto incluído. Não temos seguro de saúde nem vamos ter nos próximos tempos. E não nos temos dado mal com o S. Francisco Xavier, pronto.


14 comentários:

  1. Concordo a 100%
    Não há mais onde apertar...
    E porque é que só o Zé Povinho é que tem que apertar o cinto? E os srs ministros e afins? Porque não dão o exemplo??
    Nós safamo-nos bem com um carro até 20.000 € vá e porque é que eles precisam de um carro de 130.000 €?
    Está lindo!

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  2. Agora imagina lá isso tudo e menos 5,5% no salário...

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  3. Pois é, tb me questiono onde poupar mais...só se deixar de comer!! bj

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  4. Eu emigrei e nao me arrependo mas compreendo que ha quem queira ficar em Portugal por diversas razoes.
    As coisas estao mesmo muito mas por ai, efectivamente nao da para perceber como e que querem que as pessoas vivam com o minimo de dignidade.

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  5. Aqui estamos na mesma. Vamos refazer a folha de Excel para ver que gorduras ainda se podem cortar. Acho que não nos resta grande alternativa que não seja passar a fazer uma refeição por dia... Não vejo mais por onde cortar. Talvez corte nos filhos que ainda não vieram. Será esse o caminho?

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  6. O que mais me revolta é a injustiça!
    Quando o exemplo vem de cima, embora duras, as medidas acabam por soar mais justas, por assim dizer.
    Mas o pior é q impôem esta austeridade, tirando literalmente pão de muitas bocas! Enquanto isso, eles continuam a comprar submarinos, q é justamente aquilo q o país mais precisa neste momento(not!), se passeiam em carros topos de gama (c/ motorista) e outras coisas assim!!
    Aumentam o IVA, tiram a miséria que é o abono de familia (q apesar de ser pouco, p algumas pessoas faz mta diferença) e continuam sem "tocar" por exemplo, nos bancos e nos seus lucros milionários! Mas isto é justo????
    Estou indignada, sinto-me roubada, sinceramente!
    Fosse eu mais nova e não tivesse as responsabilidades q tenho, a ver se eu não ia embora deste país...

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  7. Gostei imenso do teu texto!
    O problema é esse, é que, no geral, não há muito mais por onde cortar. As pessoas já reduzem as despesas ao mínimo, ao essencial, mas aparentemente não chega. Claro que, e isto é só a minha opinião, se eles cortassem também em variadas despesas (que não me parecem de todo essenciais) iria ajudar muito mais do que uns cortes aqui e uns cortes ali... que em muito prejudicam quem se vê privado do dinheiro, mas no bolo geral representam uma percentagem relativamente pequena.

    Os carros topo de gama que eles insistem em passar-nos à frente do nariz parece-me das despesas mais disparatas (e que mais me revoltam!) de todas. Os ordenados e pensões chorudas que alguns 'intocáveis' recebem também é coisa para me dar volta ao estômago. A arrogância com que nos pedem um esforço e maior contenção é cada vez mais insuportável...

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  8. Ainda não me impus listas de compras adequadas a menus semanais, mas creio que esse é mesmo o meu próximo passo. Tirando champôs e detergentes (e mesmo assim não são todos) também só uso marcas brancas. Do ginásio já desisti, até porque com a mudança de local de trabalho, também vou gastar mais gasóleo (e valha-me que o meu carro gasta pouco, senão ponderava na hipótese dos transportes públicos). E pronto, pouco sobra depois, o custo aumenta, o ordenado não estica. A minha hipótese derradeira seria procurar um segundo emprego, algo extra. Uma treta, mas cada vez mais penso nisso como uma alternativa.
    Filhos... não quero abdicar deles, mas nem sei quando e como começar a pensar em tê-los...

    Bem dito Marianne...

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  9. Marianne,

    tudo que dizes que não gastas é o que vai levar com mais 2%, ou seja, comidas, luz, agua, transportes publicos, etc, pagam 6% ou 13%!
    qualquer das formas, 2% não é dinheiro que se conte ao final do mês!

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  10. rmateus, tretas. 2% é dinheiro que se conte ao final do mês, sim. Se calhar eu nem vou notar muito, porque consumo pouca coisa a 21%-agora-23%. Mas há MUITAS famílias que vivem com ordenados mínimos e para quem 10 euros ao fim do mês são a diferença entre comer e passar fome.

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  11. Nesta decisão (absolutamente) absurda do governo, quem vai ainda mais ficar prejudicado é quem precisa muito do dinheiro que ganha ao fim do mês para pagar as contas e para todas as despesas correntes do dia-a-dia. Em muitos casos esse dinheiro já não chega. Daí o nível créditos à banca ser assustador. E o governo ainda vai aumentar mais o iva!! Acho simplesmente inacreditável!!
    Acredito que com estas medidas o desemprego vai aumentar e o país vai demorar muito tempo a sair desta crise!!

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  12. mariane; 2% sobre um salario minimo sao 8€, isto para um cenario que gastem tudo em produtos que se aplica 23%. qualquer das formas nao tes esqueças que um maço de tabaco custa 3.5€

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  13. mariane; 2% sobre um salario minimo sao 8€, isto para um cenario que gastem tudo em produtos que se aplica 23%. qualquer das formas nao tes esqueças que um maço de tabaco custa 3.5€

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Obrigada!