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18 outubro 2010

Um bocado como a Sumol (reposting, porque às vezes é preciso olhar para dentro)

Um dia acordas e percebes que já não tens idade para dar conta de cada passo que dás. Percebes que podes viver sem ter que pedir dinheiro aos teus pais. Percebes que se calhar investes numa casa e vais viver sozinha. Depois compras a casa e de repente passas a ter uma corda no pescoço em forma de prestação. Mesmo assim, agarras em ti duas vezes por mês e metes-te no Ikea, onde gastas o que tens e o que não tens mas ficas com uma casa cada vez mais gira. Descobres entretanto que não tens que ficar com o namorado do liceu só porque sim e passas a ter uns casos aqui e ali, nada de preocupante, tudo um bocado inconsequente. E percebes que ninguém se chateia com isso, nem mesmo tu, que antes só acreditavas em amores para toda a vida. Entretanto cresces mais um bocado e aparece-te um homem que, não sendo aquilo com que sempre sonhaste, é o único que te faz ficar sem te lembrares de respirar. E isso muda-te. E tu mudas com isso. E de repente deixas de ser a miúda que vai a todo o lado, que sai para onde lhe apetece e que faz o que lhe dá na telha. E passas a ser uma pessoa responsável, que cumpre regras. Entretanto casas - ou não - e tens filhos - ou não. E depois há um dia em que acordas e achas que tens outra vez 20 anos, desatas a sair, desatas a reaver amizades antigas e percebes que não tens que deixar de ser tu mesma para viver com mais de 20 anos. E aprendes que só és feliz se fores quem és. Aprendes que a primeira pessoa com quem tens que te preocupar é contigo mesma e que só quando souberes estar bem sozinha estarás bem com os outros. Descobres que nada dura para sempre, a não ser a tua relação contigo. Deixas-te de merdas e passas a fazer e a dizer o que realmente pensas. Paras de fazer fretes sociais e só estás onde te sentes bem. Paras de fazer o que esperam de ti e deixas de te preocupar com o que os outros pensam. Percebes que não estás cá para sempre e resolves viver. Passas a aproveitar cada dia, cada momento. E se te apetece dançar no meio da rua, danças. Se te apetece cantar alto, cantas. Se te apetece passar um dia inteiro na cama, passas. Se te apetece andar de baloiço, andas. E vives. E de repente dás pela tua própria respiração. Sentes a tua pulsação. Percebes que tens um coração a bater-te no peito e isso é o que mais importa. Quando esse dia chegar, não o deixes fugir. Será o primeiro dia do resto da tua vida.

13 comentários:

  1. Texto magnifico. Parabens e obrigada por partilhares. Clap, clap, clap!!!

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  2. pusha marianne... tenho um no de garganta.
    Mas que texto boooom!

    é por isso que sigo o teu espaço.
    Faz-me bem.

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  3. Bem, estas palavras estão mesmo demais!! Adorei o texto. Muitos parabéns por esta forma de escrever.

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  4. Adorei o texto, mas o que me ficou de mais importante é aquela preocupação que devemos ter sempre connosco antes de qualquer outra coisa, pois só assim é que conseguiremos dar atenção a tantas e tantas coisas que precisamos de fazer.

    Muito bom ler algumas das coisas que também acho, mas que não consigo exprimir assim:)!
    Beijos*

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  5. Gostava que esse dia chegasse depressa, sff.

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  6. Amei, o texto ;)
    Sinto que neste momento esse é o meu caminho. Encontro-me a procura do meu "EU" e tenho a certeza que o irei encontrar. Tem sido um caminho longo, mas não me canso e irei até ao fim.
    HOJE SOU FELIZ, MAS AMANHÃ AINDA SEREI MAIS
    A minha Felicidade depente única e exclusivamente de mim =)

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  7. Olá miuda
    Bem posso dizer te que me sinto como se tivesse vindo do fundo do oceano a lutar para chegar à superficie e de repente cheguei o teu texto foi a entrada de ar que os meus pulmões precisavam.
    Muito obrigada pela inspiração.

    Beijokas e tudo de bom.

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Obrigada!