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22 novembro 2010

Cansa-me

O que me cansa não é a trivialidade, não são as rotinas, não são os dias sem história, iguais a tantos outros. Isso dá-me uma sensação boa de conforto, de certeza, de coisas nos seus devidos lugares.

O que me cansa são as pessoas que forçam quebras na rotina, que fazem mil e uma coisas porque é fashion, porque está a dar, porque é in, mas não percebem sequer o que estão a fazer. Pessoas que procuram tendências, que se tornam em montras ambulantes e que, no fundo, não sabem o que é aquilo, o que significa, para que serve. Falta-lhes genuinidade.

As outras, as pessoas reais, com rugas, com estrias, com contas para pagar, que vão aos supermercados banais (e não só ao El Corte Inglés), que usam roupa de há 3 anos, que cozinham bifes com batatas fritas, que vão jantar fora uma vez quando o rei faz anos (e é sempre ao restaurante ali do lado), que saem de casa de manhã, ao fim-de-semana, só com as chaves e a carteira, para ir comprar pão ao café da esquina, que têm filhos que não praticam 1500 actividades diferentes, que não se chamam Salvador, Constança, e afins (nada contra, só a título de exemplo), que vão ao cinema ao Colombo e não ao Monumental, serão essas pessoas menos felizes que as outras, que fazem tudo e mais alguma coisa, que vivem entre o Chiado e o Bairro Alto, que frequentam lugares minimalistas com nomes e logótipos giros, que vêem filmes iranianos de que ninguém ouviu falar, que fogem da rotina como o diabo foge da cruz, porque ter uma rotina é sinónimo de ser brega?

Ou viverão a vida ao ritmo lento a que a vida se impõe, sem pressionar acontecimentos, sem forçar coisa nenhuma? As outras, as que andam a mil à hora, saberão apreciar os segundos à medida que eles passam?


18 comentários:

  1. Muita verdade, uma optima reflexao. Pano para mangas este texto, leva-me a reflectir sobre as experiencias light dos nossos dias. Tudo e' light, encontram-se cantores nos programas da tv, veste-se a roupa x, usa-se o verniz y e nao ha aprofundamento nem questionamento de nada. 'As vezes da' a impressao, aqui no mundo virtual, que ate' ha' blogues que andam a competir uns com os outros...

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  2. Exactamente, Rubi. É o síndroma "eu é que sou o maior lá da minha rua"... mas depois, se formos ver bem, a essência é zero. É uma laranja bonita, brilhante, mas sem sumo nenhum.

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  3. E qtos conheço assim, spr com uma necessidade enorme de mostrarem o que fizeram, onde foram, o que viram...Será que pensam realmente que os invejo??
    Eu cá prefiro a minha "rotina", perfeita para mim. E como adoro sair só com as chaves e a carteira e ir ao café da esquina!

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  4. Esse tipo de pessoas também me cansam. Tiram-me do sério com o seu ser. Chamo-lhes pessoas de estilo brasileiro. Primeiro vieram as casas do mesmo estilo, agora aparecem as pessoas. Aquelas que vão uma vez a um sítio e dizem que vão lá imeeennnsaaaas vezes; estão uma vez com alguém e dizem que estão seeeempreeeee com essa pessoa; fazem alguma coisa que até é banal, mas embandeiram aquilo em arco; estavam nalgum sítio com meia dúzia de gatos pingados e tava lá toooodoooo o mundooo. Enfim.

    Considero-as quase totalmente desprovidas da noção da realidade. Ah, e o mais engraçado é esse género é óptimo a atribuir culpas e a descartar responsabilidades. Típico.

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  5. Menino, tens razão.

    Mas a mim o que me mexe com os nervos é, por exemplo, as modas: cupcakes, por exemplo. Tuuuuuuudo a ir em peregrinação comer uma merda dum cupcake à Tease e afins. Até podem nem gostar daquilo, mas vão porque está na moda. E se lhes perguntares, nem te vão conseguir explicar o que é que viram naquilo...

    (Aqui, olha, comeram-se cupcakes "verdadeiros" uma vez, numa inauguração - não os paguei, portanto. Foi o suficiente para perceber a valente porcaria que aquilo era - aqueles em particular. A seguir fizeram-se em casa. Não têm aquele aparato todo, mas sabem bem - e é porque sou fã de bolos cobertos, pronto).

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  6. posso assinar por baixo? é tão verdade o que escreveste... Acho que sou brega :)

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  7. Marianne, agora sim, totalmente entendido e subscrito ;)

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  8. Eu sou um verdadeiro animal de hábitos e rotinas. E adoro viver a minha vidinha assim, sem grandes novidades e sem grandes sobressaltos. Detesto carneiradas e bandos e não tenho a mínima paciência para andar a experimentar coisas só porque estão na moda. Os sítios que frequento são os mesmos de há 10 anos atrás, por exemplo, e é nesses sítios que me sinto confortável. A rotina dá-me essa sensação de conforto que de eu tanto gosto.

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  9. Quando é que, em vez de te dedicares apenas à leitura dos outros, nos escreves tu um livro?... Devias pensar nisso a sério. Mesmo. Eu comprava...

    ;)*

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  10. E nao so' os cupcakes e o Starbucks (escrevi sobre isso recentemente), agora sao os vestidos da Lavin ou la' o que e' da H&M. Mil vezes as minhas rotinas, embora ate' nao me considere rotineira e goste de desafios e de mudancas com frequencia. Cada qual deve encontrar a sua formula de felicidade interior, nao exterior que essa e' publica e falsa!

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  11. Concordo plenamente em tudo...
    Sou um pouco anti-modas, gosto das minhas rotinas, gosto de viver como vivo ;)
    Gosto do "meu" café, onde já faço praticamente parte da mobilia.
    Gosto de ir ao mercado ao sabado de manhã...
    Gosto do MEU estilo de vida que é muito diferente do considerado padronizadamente normal.
    Ah! E concordo plenamente com a buttafly, devias escrever um livro sem dúvida, porque eu também comprava ;)

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  12. Obrigada por este texto. Tentei já muitas vezes escrever sobre isto (inclusive a propósito do amor) mas penso que nunca fui muito clara. bjs

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  13. Bem, depois deste texto só posso concluir que sou do mais brega que há! Mas, queres sabes? Não estou nem aí! :)

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  14. Muitas vezes as pessoazinhas (como eu lhes chamo) querem ter e ostentar determinadas coisas, porque se sabem fraquinhas de espírito, que é como quem dis, não têm nada de original na sua personalidade que os faça destacarem-se de toda a gente e depois vão em carneiradas, a comer o que todos comem, nos mesmos restaurantes, a visitar os mesmos sítios e tudo isso. Mas no fim de contas, só aumentam é a carneirada e continuam a não se destacar.
    Prefiro mil vezes ter a minha vida à minha maneira, do que ir onde toda a gente vai só porque está na moda, do que vestir o que toda a gente veste (Lanvin para H&M - que falta de qualidade..., p. ex) e do que falar do que toda a gente fala.
    Eu também comprava o teu livro:) as tuas ideias têm de sair da blogosfera para as páginas de um livro! És sempre tão verdadeira e tão acertada naquilo que dizes!

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  15. Gostei muito do teu post. Por vezes penso que quem ler alguns blogues femininos e olhar para a sua vida, pode ficar deprimida porque a sua vida é tão banal. mas pergunto de quanto é verdadeiro (não estou a falar em mentiras mas sim em intensidade) estes tipos de vida...

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  16. Por vezes tenho pena de não ser isso tudo, fazer coisas diferentes todos os dias, de poder ir comer fora sempre que quiser e comprar o que me apetecer. Mas depois lembro-me que já tenho mais que muita gente. Tenho sorte na minha vida e aprendo todos os dias a apreciar as coisas pequenas(Grandes) da vida. *

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Obrigada!