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13 dezembro 2010

O começo...

Sete e cinquenta e sete, chego ao centro de saúde. Olho para o magote de gente e penso Já foste, bem que podes voltar amanhã. Abrem-se as portas, começam as marcações para o meu médico de família e, incrivelmente, sou a primeira para ele. Inscrevo-me e sento-me à espera. E começa o festival das velhas que não têm nada que fazer...

Aparece uma funcionária meio afogueada (de andar a subir e a descer andares apressada). Velha número um a comentar para o ar, alto e bom som:

- Claro que vem cansada. Está gorda. Está muito gorda. Era tão magrinha, agora está assim, claro que se cansa...

Fiquei boquiaberta. Pela primeira vez no dia.

Oito e quarenta, um dos médicos começa a chamar (as consultas só começam às 9h). A primeira utente tinha ido algures. Entretanto regressa e dizem-lhe que já foi chamada.

- Ah! Não acredito! Olha o raça do médico...! (Dito com uma indignação brutal).

Pormenor: a senhora foi para lá às 4h45 para apanhar vaga. Depois queixou-se do facto de o médico não se atrasar, e começar antes da hora...

Mais tarde chega um senhor para marcar consulta. Vagas já todas ocupadas. Ele insiste. Funcionária diz que não pode fazer nada, a não ser que o médico autorize, o utente que vá falar com ele. Utente vira costas, anda 20 metros, espera dois minutos, volta ao guichet:

- Olhe, pode marcar, o Dr. autorizou.

E a funcionária marca a consulta...

E eu ali, boquiaberta com tudo aquilo...

(Fui à consulta, trouxe a baixa, se tudo correr bem regresso ao trabalho no início de Maio... Oh well... fui trabalhar na mesma, que ainda tinha coisas para despachar. Mas amanhã já não trabalho... Acho eu!)


3 comentários:

  1. centro de saúde é sempre uma odisseia fantástica (not!) :)

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  2. Esse cenário parece ser comum a quase todos os centros de saúde do país! bj:)

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  3. Eu não gosto nada de salas de espera. Apanha-se com cada um.

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Obrigada!