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21 abril 2011

Há coisas que me ultrapassam...

Maneiras que é isto: temos cá hospedados uns senhores estrangeiros. Diz que são do FMI e do FEEF. Parece-me que não vieram cá fazer turismo, embora não haja país na Europa mais dado a esta actividade. E não falo da indústria hoteleira. Falo mesmo de todos nós, que de vez em quando (não sempre) somos muito, muito bons a fazer turismo. Adiante.

Ora diz que os senhores vieram cá para nos endireitar. Porque descambámos, gastámos 1000 quando só ganhávamos 100 e a coisa deu-se. Não há dinheiro. Portanto estes senhores, sabedores e avalizados, vieram cá para nos pôr na ordem.

Temos, contudo, um governo demissionário que se prepara para ir a eleições novamente. Ainda assim, continua em funções. E foi por essa razão - e por ser totalmente irresponsável, estou em crer - que o dito governo decidiu que sim, senhor, havia 20 milhões de euros para queimar num dia de tolerância de ponto. Dia esse que fica encostado a um fim de semana de quatro dias. Parece-me bem (sarcasmo, obviamente).

Ora, não era de mostrarmos aos senhores que cá temos hospedados e que não vieram em turismo que sim, senhor, estamos dispostos a fazer sacrifícios? Que o tempo não está para ofertas e cada dia de trabalho importa? Bom, aparentemente não. É mais importante que a função pública tenha mais um dia de folga. Isso sim, é de valor. Até porque quem paga somos nós todos, incluindo aqueles que já não têm emprego nem o que comer ao fim do mês. Esses - que continuam a pagar impostos - financiam folgas desnecessárias de gente que já de si faz pouco. Mas são muitos e são capazes de ir votar no Sócrates que é o gajo que dá umas folgas de vez em quando. Imbecilidade.


E o mais curioso, quanto a mim, é o PS ter subido 11% nas intenções de voto entre Março e Abril. Está tudo doido?? Eu sei que as alternativas não são grande espingarda, mas daí a dar colo a quem nos afundou... não sei, parece-me estúpido, vá.

Boa Páscoa, gente, boa Páscoa...


14 comentários:

  1. Também a mim isto deixa estupefacta. Ultimamente tenho tido muita vergonha de dizer que sou portuguesa.

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  2. Não entendo, também. É ridículo, é estúpido e é de gente inconsciente que se está realmente a marimbar para tudo isto. Parece que estamos no meio duma brincadeira infantil de um grupo de parvos que decidiu armar-se em governo de um país.
    Apetece-me começar a distribuir pares de estalos.

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  3. contra mim falo,como sabes...se a barraca estivesse aberta teria ido trabalhar,mas eu dependo das chefias,que ADORAM o cargo que ocupam...mas fiz questão de publicitar a minha opiniao...bj

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  4. Bem, eu não poderia concordar mais. Já hoje passei mais do que a quota devida de tempo a dissertar sobre o assunto lá no meu cantito. E diria mais: Além do sector público, espanta-me a quantidade abissal de "privados" que adoptaram logo, alegremente, a medida do Governo. Eu nem sei o que mais diga.

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  5. Assino por baixo. Reclamamos por cortes e por nao sei quê, mas quando toca a férias/pontes/dias sem fazer nenhum... venham eles! Enquanto esta mentalidade não mudar....

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  6. "financiam folgas desnecessárias de gente que já de si faz pouco" - é preciso ter MUITO cuidado com as generalizações, minha amiga. Este bocado de frase que copiei é de uma injustiça muito, muito grande (e sei-o por experiência própria, vinda de um local onde o Serviço Público é levado muito a sério).

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  7. Nem vale a pena dizer mais nada porque, afinal de contas, ESTÁ TUDO DITO. Vergonhoso, é o que é. Parabéns pelo texto ;)

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  8. Inês concordo com as tuas palavras. As pessoas falam do que não sabem, quando dizem : "financiam folgas desnecessárias de gente que já de si faz pouco". Não podemos generalizar. Nem todos estão a uma secretária no msn, ou a fazer malha. Sabes o que é trabalhar por exemplo num hospital? Sabes o que é trabalhar à noite? Trabalhar nos mínimos e tentar salvar pessoas? Achas que isso não é fazer nada?

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  9. Alguém parou para pensar um bocadinho sobre o que significa uma tolerância de ponto numa tarde de uma quinta-feira quando, se não a houvesse, mesmo assim 90% dos funcionários públicos se calhar iam tirar a tarde ou o dia e os serviços tinham de continuar abertos e a gastar água e luz e tal, precisamente numa altura em que é preciso poupar dinheiro? Eu sim (no meu blogue).
    E foi uma tarde que foi dada, não foi um dia. Quem quis aproveitar-se da manhã foram pessoas, não foi o governo.
    Quanto às intenções de voto, talvez seja porque as pessoas começam a perceber que não foi o governo que afundou ninguém, que eu saiba também fomos afectados por uma crise internacional (bem dizem que a memória é curta...).
    E acho pior decretar um feriado por causa de um casamento real num país que também está com medidas de austeridade fortíssimas.

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  10. Percis Almana, desculpa lá, mas a justificação dada para a tolerância de ponto não teve nada a ver com a água e a luz e tal que se gasta para manter os serviços abertos. O que o governo alegou foi... a tradição. Deu a ponte porque é tradição dar-se a tarde de quinta feira santa.

    E sim, houve uma crise internacional por detrás da nossa. Mas a crise internacional afectou muitos países. Curiosamente, só quatro andam ali pelas portas da bancarrota (Islândia, Grécia, Irlanda e Portugal). Não me parece que a crise internacional justifique o que cá se passa...

    E também não concordo com o feriado por causa do casamento. Mas ao menos lá as medidas adoptadas foram à séria: carros retirados a deputados e tal. Aqui ainda ninguém se lembrou de cortar a sério na despesa pública.

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  11. Ok, tradição. E contra a justificação de que se perde dinheiro, devia haver alguém a alertar para a poupança. Simples. E foi o que fiz.

    E tolerância, como o nome indica, não é obrigação. Logo, o governo deu e só aproveitou quem quis aproveitar. Certo? Foram as pessoas. Se me vieres falar de pessoas que são umas aproveitadoras, e que por cima da tarde ainda tiraram a manhã, concordo totalmente contigo. Acho incrível é falar-se do governo e de medidas populistas e eleitoralistas, quando tudo aquilo que se viu durante anos foram tudo menos medidas populistas e eleitoralistas!
    Eu conheço efectivamente casos de instituições que fecharam completamente - e não foi só 5ª à tarde - para poupar dinheiro. Falei daquilo que sei e resolvi mostrar esse ponto de vista. Acho um abuso o aproveitamento político de uma porcaria de uma ninharia de uma tarde que se não fosse dada as pessoas tiravam-na na mesma (com absentismo ou férias).
    E sabes? O déficit do Reino Unido é maior do que o nosso...

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  12. Quanto a déficit, ratings e crise, recomendo a leitura deste artigo: http://www.nytimes.com/2011/04/13/opinion/13fishman.html?_r=2

    Quanto a bate boca, só gostava de saber qual a razão de ciência de quem sabe porque sabe que os FP que trabalham são uma excepção...

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  13. O problema das generalizações é que há sempre quem concorde, outros que discordam e arma-se logo confusão.
    Gostei do texto e da ideia subjacente, relativamente aos 20 milhões de euros que foram pelo cano com a dispensa da tarde de 5ª feira santa. E também me faz confusão, principalmente por causa da situação actual do país e de termos os senhores do FMI nste momento em Portugal. Devia haver um bocado mais de bom-senso na classe política, mas quem sou eu para opinar....

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Obrigada!