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26 maio 2011

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Não sou ambiciosa. Nunca fui. Nunca achei que o meu caminho fosse por uma carreira de topo, cheia de cargos e promoções e isenções de horários e quejandos. Sempre soube que isso não me preencheria. Sou muito de me deixar levar por desafios, mas o desgaste não se coaduna comigo. No fundo, sou uma miúda simples. Descobri, inclusive, que era capaz de me dar bem a viver no campo. Qualquer coisa ali para os lados das Caldas estaria óptimo. Não sendo essa a minha realidade, percebi que preciso de simplificar.

Deixou de fazer sentido para mim toda esta obsessão com a imagem que se vive nos tempos que correm. Deixou de fazer sentido viver para o que está fora do meu núcleo. Não, não me vou "eremitar" nem viver para debaixo de uma pedra. Mas tenho-me sentido tão inspirada por pessoas que vivem de forma simples que tem sido uma descoberta boa.
Descobri, por exemplo, que não me importava nada de passar a ser uma stay-at-home-mom, daquelas que organiza o dia em torno das boleias que tem que dar aos filhos. Não me importava nada de ficar com o meu filho em casa até ele ter 3 anos.

Ando a despejar os bolsos. Tudo o que me pesa, sai. Tudo o que não me é essencial nem me faz feliz, sai. Tudo o que não me acrescenta nada, sai. Nada de grave nem de radical. Não mudei assim tanto. Continuo a ser a mesma pessoa de sempre. Mas a vida ensina-nos a separar o essencial do acessório e é bom, muito bom, quando isso acontece.

14 comentários:

  1. Olá.
    Começei a vir cá depois de me terem sugerido o Not So Fast Handmade no Facebook.
    Leio sempre e quase nunca comento, mas desta vez tinha de deixar uma palavra... É que este post podia ter sido escrito por mim! Gostei muito.
    Beijinhos,
    C.

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  2. Eu escreveria este post... pois quando o Tomás nasceu foi a essa a decisão que tomamos em conjunto... posso dizer que às vezes sinto saudades do trabalho, mas lembro-me logo da falta de tempo e do stress que iria ser e estamos todos muito melhor assim!
    Claro que temos que fazer uma gestão financeira muito mais rigororsa, mas compensa!
    Se puderes e quiseres mesmo, porque não?!

    Beijos

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  3. O importante é conseguirmos descobrir o que nos faz feliz e o que nos realiza. Para mim, o ideal, seria trabalhar a part time como se faz muito no resto da Europa. Teria o melhor dos dois mundos...

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  4. Ensina-me.... [é que ando sempre de bolsos tãaaao cheios que nem sei por onde começar...]

    ;)*

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  5. Acho que te vou plagiar, com a devida referência... porque é exactamente isto que sinto, neste exacto momento! :) *

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  6. Concordo plenamente. E essas palavras poderiam ser minhas sem dificuldade nenhuma... Aliás, já as disse muitas vezes. Ainda não sou mãe, mas seria facilmente feliz em torno de uma vida mais simples. Então no campo nem se fala, ando a "cultivar" o sonho de ter uma pequena quinta biológica há uns bons anos...

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  7. Eu podia ter escrito este post ha 4 anos, se andasse na blogosfera nessa altura. Foi ha 4 anos que decidi abrir um parentesis na minha carreira, porque me senti que a minha vida fazia mais sentido ao pé dos meus filhos. Agora que o mais novo vai entrar para a pré-primaria (em Setembro) percebo-me que nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Bolas, estudamos, trabalhamos, ha parte do trabalho que gostamos, outras que não, mas deitar tudo para o alto custa-me. Por isso é que me ando a preparar para regressar ao mundo do trabalho, talvez com mais calma que antes, talvez com menos disponibilidade. Mas um regresso é neste momento desejado. Quero seguir de perto a vida dos meus filhos, mas não sou assim tão simples como pensava e gosto de ser reconhecida, também, pelo trabalho que faço fora de casa.

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  8. Ora bolas... estava com preguiça e deu nisto. A Carla R. sou eu, a Mãe que capotou.

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  9. Eu sei que és, Carla. E concordo contigo quando dizes que o reconhecimento pelo que se faz fora de casa é bom. Mas neste momento apetecia-me parar uns anos, abrandar o ritmo, saborear a vida e não andar feita barata tonta, a ser chacinada todos os dias.

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  10. Gostei! E gostei de te ver...estás bem e isso vê-se e sente-se :))

    *

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  11. "Ando a despejar os bolsos. Tudo o que me pesa, sai. Tudo o que não me é essencial nem me faz feliz, sai. Tudo o que não me acrescenta nada, sai. Nada de grave nem de radical. Não mudei assim tanto. Continuo a ser a mesma pessoa de sempre. Mas a vida ensina-nos a separar o essencial do acessório e é bom, muito bom, quando isso acontece." ADOREI! TÃO, MAS TÃO VERDADE!

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  12. E eu, se te compreendo tão bem, ainda partilho mais dessa sensação...

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Obrigada!