1 filho vs 2 filhos

junho 16, 2011

Disclaimer: os meus filhos são dois anjinhos comparados com muito do que vejo por aí. São fáceis de tratar, não dão trabalho por aí além. A minha opinião é estruturada com base nisto. Se tivesse uma (ou duas) "pestes", muito provavelmente pensaria de maneira diferente.

A nossa vida muda quando temos o primeiro filho. Depois disso, não muda grande coisa. Ou antes, muda, mas não é uma mudança tão acentuada como a anterior. Para mim, a grande decisão prende-se com o 1º filho. Essa sim, implica mudança drásticas: as saídas que acabam, o tempo que escorre por entre os dedos, as preocupações vinda de todo o lado e mais algum... ao 2º filho a coisa já é mais ou menos "mais do mesmo". Não é muito relevante porque tempo já não temos, saídas já não há há décadas e preocupações são o estado normal das cabeças das mães.

Eu sou filha única e sempre disse que não queria ter só um filho. Não sei o que é ter um irmão, mas sei o que é NÃO ter um irmão e não gosto. Numa tentativa de me darem este mundo e o outro, os meus pais adiaram a chegada de um 2º filho, ele acabou por não vir. Eu não tive este mundo nem o outro e tudo o que eu sempre quis foi um irmão (mas era esquisitinha e pedia um irmão MAIS VELHO, rapaz... coisas de miúda pequena, óbvio). Não quis repetir o erro dos meus pais. Sei que tendo dois filhos é mais difícil gerir as coisas que damos aos dois, mas quero acreditar que eles hão-de sempre preferir ter-se um ao outro do que ter uma bicicleta com mais uma roda (se é que me entendem).

Esperei 3 anos entre o 1º e o 2º filho. Não foi intencional. Quer dizer, quando a miúda tinha 1 ano e meio começámos a falar no 2º filhos, mas depois íamos casar em Outubro, já agora esperávamos para engravidar já casados, engravidei logo a seguir, perdi o bebé, engravidei novamente logo a seguir (pois, para quem não podia engravidar sem tratamento, 4 gravidezes já é um número avantajado) e nisto calhou o miúdo nascer com a irmã tendo 3 anos e quase 2 meses. Agora, olhando para trás, ainda bem que esperei este tempo todo. Ela já é muito autónoma e eu consigo ter a cabeça mais livre para a atenção que tenho que dar ao bebé.

Ciúmes: ela teve. Já lhe passou. Nunca foram muito óbvios, nem nunca fez nada contra o irmão. Simplesmente andou a escolher a dedo as alturas "certas" para as birras que fazia. Depois passou-lhe. A única coisa que não lhe passou - mas que é dela e não tem nada a ver com o irmão - é a alergia a barulhos. Eles dormem no mesmo quarto, mas sua alteza não consegue dormir com barulho. Então implora para não dormir ali, mas tem azar e dorme mesmo. A meio da noite, quando ele abre a goela, ela muda-se para a nossa cama e fica tudo bem - o pediatra "autoriza", portanto é na boa.

Ele adora a irmã. Treme cada vez que a vê, agarra-a, ri-se para ela, chama a atenção dela. E ela adora-o. Anda sempre a ver onde é que ele está, dá-lhe beijos, pede para lhe fazer festas e para lhe pegar ao colo e está ansiosa por ele começar a brincar mais com ela.

Se ando mais cansada? Obviamente. Até porque ele anda a dar-me umas noites um bocado parvas. Já dormia 12h seguidas e agora dá-lhe para acordar de 2 em 2, só porque sim. Não tem fome, portanto não percebo (quer dizer, percebo: são cólicas, o leite que anda a beber não lhe deve assentar muito bem - a ver na próxima consulta). Mas este meu cansaço passa (bom, vou trabalhar na semana que vem, portanto pode até ser que aumente). Não tarda ele começa a ganhar alguma autonomia e a coisa encarreira.

Eu não vejo a maternidade cor de rosa, mas também não a vejo negra. Lido com as coisas sem grandes angústias, à medida que vão surgindo. Continuo certa de que estes dois filhos que tenho são o meu par ideal e não me apetece pôr mais um ao barulho. Para mim, dois filhos chegam e não posso dizer que adorava ter 4 ou 5 filhos, se pudesse.

 Em termos financeiros, os 3 anos de espera foram bons. Ela já não anda de fraldas isso poupa dinheiro. Por outro, já anda na escola e isso leva dinheiro. Ainda assim, não acho que ter um filho seja uma despesona absurda, porque não entro em delírios. As vacinas e o pediatra são caros, sim. Mas tenho a sorte de ter uma mãe com disponibilidade para tomar conta do meu filho até ele ter 3 anos. E não preciso de vestir os miúdos na Girandola, na Petit Patapon e na Gant. Vestem Zara, H&M, Primark, Zippy e coisas que a mãezinha faz (e sim, para os miúdos compensa fazer em vez de comprar, porque o tecido que se gasta é pouco e faz-se tudo à medida das necessidades). Também não tenho alucinações de o miúdo não poder vestir roupa que era da irmã, por isso é normal verem-no vestido de cor de rosa, inclusive na rua (sem exageros, porque não há necessidade disso, mas se houvesse e se a alternativa a não ter roupa para vestir fosse usar t-shirts da Kitty, usaria t-shirts da Kitty sem problema nenhum).

Resumindo: faria tudo igual novamente. E não quero ter mais filhos (não quer dizer que daqui a dois ou três anos não me dê a maluca e não me ponha com ideias, mas para já estamos óptimos assim). Quero é criar estes, vê-los crescer, estar cá para eles até eles me darem bisnetos.


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11 comentários

  1. Gostava de ter esta tranquilidade de espírito e invejo-a, em certa medida. Não me considero uma pessoa maternal, gosto de crianças, mas das bem comportadinhas e tenho certos medos que me fazem adiar sempre a vinda de mais alguém para a família. Talvez isso passe e daqui a algum tempo me dê para aí, mas por agora, e apesar de já ter 30, não me vejo como mãe...

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  2. «Eu sou filha única e sempre disse que não queria ter só um filho. Não sei o que é ter um irmão, mas sei o que é NÃO ter um irmão e não gosto. Numa tentativa de me darem este mundo e o outro, os meus pais adiaram a chegada de um 2º filho, ele acabou por não vir.» Compreendo tão bem este bocadinho de texto. Eu até pedia um irmão pelos anos e pelo natal, mas nunca me deram a prenda tão desejada e é por isso que um dia quando decidir ser mãe ou tenho dois ou não tenho nenhum, porém penso que esse dia ainda vem longe. Adoro crianças, mas o relógio biológico ainda está muito paradito :)

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  3. Este post identifica-se bastante comigo. Temos modos de pensar e de ver as coisas, nestes aspectos, muito "iguais". Também tenho 2 filhos, ela mais velha que ele praticamente 3 anos também. Eu adorava ter um 3º filho, embora quando tive o 2º também dizia que já chegava, Não poderei ter mais nenhum por enquanto...pelo menos planeado. Mas se tivesse uma avó por perto, se calhar :).
    Gosto imenso de ler os teus post`S, ideias e pensamentos. Parabéns pela pessoa que és.
    Beijinhos

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  4. Gostei muito deste texto. Uma inspiração para mim que pretendo também ter mais um filho e de preferência antes de ela fazer 3 anos.
    Ser filho único dever ser mesmo triste, podemos não amar todos os dias os nossos irmãos, mas no final agradecemos por eles existirem e somos pessoas melhores por isso.
    A única diferença é que a minha pequena não é nenhum anjinho, mas até dou-me por feliz por ela ser tão activa e curiosa.
    Um abraço.

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  5. Marianne, eu também sou filha única e também sei o que é não ter um irmão, mas pelo contrário, não me importei nada de não ter tido irmãos... no entanto, também não quero ter só um filho... quero ter 2 e não 3 ou 4. O meu filho já tem 2 anos e meio e eu adoraria poder estar agora a pensar em engravidar, mas a vida profissional neste momento é de certa forma impeditiva, por isso terei que esperar mais um ano... mas não quero esperar mais que isso!
    Gostei muito deste post, muito realista e terra-a-terra! E com alguns/muitos aspectos em comum comigo!

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  6. E é principalmente por esta crueza que adoro estar contigo...

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  7. e o principal disso tudo: são ambos saudáveis :)

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Marianne,

    Foi exactamente por isto que gostei tanto de te conhecer. E que continuemos a tomar cafézinhos com sabor a mar. Porque tens uma clareza de ideias muito boa de se sentir. Àparte disso também eu sou filha única e queria um irmão mais velho rapaz. Não gosto nada de ser filha única. Quanto aos filhos não posso falar ainda mas espero poder um dia.

    Beijinhos

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Obrigada!

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