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04 junho 2011

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Eu não sou dada a depressões. Não sou, não tenho tempo nem paciência para elas, portanto passo ao largo. Mais ou menos. Também sou muito pouco adepta da self-pity. Ou quero crer que sou, que, parece-me, é um bocado diferente. Isto para dizer o quê? Ando enrolada. Embrulhei-me e não sei como é que me vou desembrulhar. Auto-estima no -6, para não dizer pior. Vontade no mesmo piso. Não me apetece tratar de mim. Apetecia-me acordar um dia como quero ser. Como quero voltar a ser. Não me sai da cabeça a imagem do verão de 2005, em que me sentia no topo do mundo (cortesia de um par de cornos que me tirou sete quilos em duas semanas). Futilidade, isto de querer ser magra outra vez. Sim, é. Consigo viver assim, gorda, anafada, flácida. Olho para as duas razões que me trouxeram aqui e sei que consigo. Mas não quero. Não acho que mereça. Acho que mereço, como qualquer pessoa, sentir-me bem comigo, gostar de mim, gostar do que vejo ao espelho.

Eu sou exímia a boicotar dietas. Para terem uma ideia: preciso de perder pelo menos 10kg. 14kg, se quiser voltar a ver a imagem do verão de 2005. Como acho impossível perdê-los, desato a boicotar todas as pseudo-dietas que me proponho fazer, numa de provar que nada resulta. Na verdade, faço-o para ter legitimidade para ter pena de mim... coisa que me tira logo a legitimidade toda, como está bom de ver. Depois desculpo-me com a falta de tempo. Não tenho tempo para ir andar nem correr. Não me apetece meter-me num ginásio porque já sei que não vou ter tempo para ir. Não tenho tempo para fazer nada em casa - na verdade tenho, mas se estou em casa prefiro a milhas estar a costurar. Apetecia-me acordar um dia, sem ter feito nada para isso, e estar como eu quero estar. Mas, no fundo, sei que nunca vou estar. Sei que não vou voltar àqueles 52kg que me assentavam bem. Sei que nunca vou deixar de olhar para o espelho e ver uma pessoa de quem não gosto, que não me diz nada e que está muito distante da pessoa que eu quero ser. Isto não é tudo, eu sei. Tenho outras coisas maravilhosas na minha vida, também sei. Mas sei igualmente que uma auto-estima assim é uma bomba-relógio que corre sério risco de explodir...

Portanto eu, que não tenho paciência nem tempo nem vida para depressões, ando perigosamente a pisar a bainha de uma... E já estive mais longe.


19 comentários:

  1. Corre.
    Quando deres por ti passou de sacrifício e obrigação a necessidade e prazer. Já para não falar no poder das endorfinas.
    É uma estupidez estarmos mal quando podemos estar melhor não é?
    Beijinho e corre para longe dessa depressão *

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  2. se a zona de miraflores fizer parte dos teus roteiros habituais, ando lá numa nutricionista que faz milagres. é mázinha mas dá resultado, pelo menos comigo é a 1ª vez que consigo cumprir razoavelmente uma dieta, já lá vão perto de 15kg, já só faltam 2 ou 3 para o meu objectivo :) é na loja celeiro (não é da cadeia celeiro dieta) do dolce vita miraflores.

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  3. Eu tive o meu crianço há pouco mais de um mês. Não me posso queixar, porque os quilos já se foram, mas mesmo assim queria perder mais qualquer coisinha e, acima de tudo, ver se ficava "sim senhor", em vez de ter aquele barriguinha de panda.
    Tenho dias em que sinto que nem sequer tenho tempo para me arranjar, embora me vá esforçando. Mas também me dá para o chorinho e olhos bambi quando sinto que este papel de mãe, que estou a adorar, absorve o papel de mulher, sem o qual consigo me sentir bem...não sei se foi confuso mas pronto...é uma altura de muitas emoções e nem todas elas são as ideais 24/7.
    Força nisso*

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  4. Se te quiseres juntar a mim nas caminhadas de fim do dia no passeio marítimo de Oeiras, avisa. :)

    Mikas [http://serfeliz-semdesistir.blogspot.com/]

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  5. bem, então é assim: eu tive uma amiga de longa data, chamada depressão. Não chamei por ela, mas a bandida montou arraiais cá em casa, sem ser convidada. E esteve por cá o tempo que eu deixei, porque isto de se colar às pessoas, só chega até onde a paciência nos esgota. Eu também era forte e tudo e tudo, mas o que é certo, é que esta apanhou-me na curva, e não fosse eu ter uma força de vontade herculea, ainda era dona e senhora cá em casa, a estúpida..
    resumindo: como se não bastásse ser uma grande chatice andar a chorar pelos cantos e só com vontade de aterrar com a cabeça no travesseiro, estar deprimida, alterou-me o metabolismo todo. De comer como uma lontra até passar dias com uma maça e iogurtes, foi um ver-se-te-havias! Resultado: os quilos que tinha perdido com o parto, voltei a ganhá-los todos, um por um, até à ultima grama. Até que chegou o dia em que disse basta. Já não era só uma questão de estética, era de auto-estima, era de ego, era de sensualismo, era de ser mulher.. não precisei de nutricionistas, nem de caminhadas, nem de ginásios, nem de dietas impossíveis. Precisei de me mentalizar que tinha de comer bem. Que a coca-cola e tudo o que tivesse a combinação açúcar-dióxido de carbono era para eliminar; que um pão por dia me chegava; que uma sopa e uma salada da Casas das Sopas eram bem melhores que um McBacon; que beber muita àgua era uma benção para o corpo; enfim.. modifiquei por completo a minha alimentação, sem contudo deixar de comer aquilo que gostava. Dos 74kg passei para os 56kg. Do 44, para o 36. De descontente para feliz.

    Comigo resultou. Contigo também resulta. E olha que sedentarismo, é comigo.. :)
    Força.

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  6. Acredita em ti e vais ver que tudo melhora!
    Mas se precisares de companhia para umas corridas/caminhadas com uns risos valentes pelo meio... diz-me! ;)

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  7. Eu também preciso de uma dose dessas de mentalização e de esforço. No resto da minha vida não sou preguiçosa, mas no que toca a dietas é o piorzinho que se possa imaginar. Acho que não como mal, mas de vez em quando há doces e refrigerantes. E sou bom garfo, o que também não ajuda muito!
    Eu sei que consigo emagrecer, mas a vontade também está no -6:(
    Beijos e força*

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  8. Ui, conheço bem essa sensação de estar a perder o controlo de mim própria e a "roçar" aquilo a que se chama depressão...faço tudo para lhe passar ao lado, mas às vezes é muito complicado. Pensa nisto, tens uma família maravilhosa, dois filhotes lindos, aquilo que te está a arrastar para a depressão é o facto de não gostares da tua imagem. E quem pode mudar isso? tu, mais ninguém. Por isso quando olhares para aquela fatia de bolo cheia de calorias, daquele croissant cheio de gordura pensa que a solução está em fechar a boca. Eu tento fazer isso, se bem que na verdade não resulta todos os dias...mas o que interessa mesmo é não fazer desse tipo de alimentação uma prática diária, todos merecemos cometer uma loucura um dia ou outro:) Não te deixes cair na depressão, na falta de auto-estima. Uma coisa que sempre admirei em ti, nos posts que escreves, é a tua força, a tua garra para enfrentar tudo o que a vida te traz! bj:)

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  9. Querida Marianne, peço-te licença, para fazer um link, para este teu post, para um que vou publicar amanhã. Caso não queiras, por favor diz-me.
    Beijinhos e obrigada :)

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  10. Bem, eu não ocnsigo deixar de comer, e ainda que ache que tenho mais peso, tento caminhar, correr e andar ao ar libre...melhora a forma como nos sentimos connosco mesmos e talvez aí se ganhe estimulo para ir mais longe!

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  11. Eu vou palpitar e dizer que não acho que estejas à beira de uma depressão. vou voltar a palpitar e dizer que estás zangada contigo por não teres forças para mudar que queres mudar. vou palpitar e dizer que acho que quando voltares ao trabalho as coisas vão, lentamente, começar a mudar...

    E vou terminar por palpitar e dizer que na próxima vez que cá vieres tenho salada de frutas para sobremesa!! ;)

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  12. Por favor, não caias do outro lado dessa bainha. As razões que te fizeram "engordar"/"ganhar peso" (how do we say it these days) são o maior tesouro. E querer cuidar de ti agora não seria futilidade. Se assim fosse, nem te daria pela depressão. Saber perder peso, acho que todos (TODAS) sabemos. Agora por em pratica é que doi mais. Let's do it! objectivo verão 2005 ;)

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  13. Podia ter escrito este post há uns meses (agora estou num interregno deste estado de espírito - tenho de estar, por causa da gravidez) ou poderei escrevê-lo, daqui a uns meses. Espero não. Espero ter o discernimento de mudar de atitude, em todos os aspectos que focas. E é por isso que daqui vai um grandessíssimo "holler!!" para dar força e ânimo e tudo aquilo que tu precisas. E vais conseguir atingir esse objectivo, e vais conseguir tomar conta de ti e mimar-te sem culpas e sem desculpas. Força miúda. :)

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  14. Dear M,

    ninguém na nossa idade tem 52 kgs, convence-te disso. Nem com 18 aninhos eu tinha esse peso, quanto mais agora que já passei a barreira dos 30. Assim sendo, para quê martirizarmo-nos com essa ideia irreal? Claro que queremos ser elegantes e estar de boa saúde, mas que isso não se confunda com magrezas extremas e que em nada nos favorecem. Deal?

    Bjinho!

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  15. Não queiras ser magra, além de te trazer problemas graves a nível genético e funcional, torna-te feia e com ideias suicidas (trabalho com pessoas assim e bastante novas para estragar a vida com essas ideias parvas) -.-

    Já viste alguém com 45 kg a ser feliz?
    Dear, acredita que não queiras ser anoréctica, não te ponhas com essas ideias <3

    By the way, vais gastar os teus momentos mais especiais, e loucos (por vezes) sem os apreciar ao máximo???

    Se não gostarmos de nós quem gostará?? ;)
    C s 1 9 9 3

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  16. Deves querer levar uma tareia. Só pode.

    Voltar a ter 52 kg?

    Estares gorda?

    Só vai em cantigas quem aqui nunca te viu. Não estás no teu melhor, é verdade que não. Mas estás a léguas de ter motivos para te sentires a pequena lontra que descreves!

    E tens a OBRIGAÇÃO de estar a léguas de qualquer espécie de depressão.

    Temos de ter uma conversinha in loco. Temos temos.

    Beijo enorme

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  17. Marianne, estou com a Me, estás bem longe de ser uma lontra, bolas.
    Também tive um período, no verão de 2001 em que o fim de uma relação me catapultou para uns incríveis 56, 57 kgs (pelo menos para mim). Recentemente vi imagens desse Verão, e claro que tinha uma barriga lisinha, umas pernas bem torneadas e muito menos inchadas, um peito mais equilibrado, mas tinha uns bracinhos que metiam dó e as minhas omplatas pareciam furar as minhas costas. Se me voltava viam-se as costelas todas.
    E tenho momentos de fantasia em que me imagino a chegar novamente a esse peso e a ficar assim, mesmo reconhecendo a magreza excessiva dos braços e das costas. E não passa disso, de uma fantasia.
    Ando há um mês a tentar perder peso e só tenho mantido o que tenho, e precisava mesmo de perder uns 10 kgs. E não consigo. Boicoto, aceito todos os desvios e mais alguns, como doces, comidas mais pesadas. A minha auto-estima também anda nos valores negativos, é uma merda. Mas sei que vou chegar a um ponto de equilíbrio, e tu também, provavelmente ainda mais rapidamente que eu. É ter alguma paciência para ti própria e não te deixares afundar em pensamentos mais obscuros.
    Força nisso e queixo erguido. Tu tens tanta coisa a teu favor! Que esta não passe de uma pequena fase mais chata.

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  18. Cara Marianne:
    Para quem não gosta de self-pity, sais-te bem na others-pity!
    Se não queres depressão, self-pity e afins, escreve tudo o que quiseres mas acima de tudo lembra-te que a única pessoa que pode mudar isso és tu.
    Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele não é?

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  19. Olá
    vim aqui parar por acaso, atravez da Turista.
    No mês de março deste ano, sentia-me como tu.
    À beira da menopausa, que a idade não perdoa, e já passando dos 45 só me apetecia comer e mais nada fazer. Andar tá quieto, ginástica nem pensar que isto de trabalhar por turnos não me dá turno para inscrever-me num ginásio..
    No dia 22 de março, depois de ter visto umas fotos minhas de uma caminhada do dia anterior, vi realmente a baleia que estava. Não gostei nada de me ver, até o sorriso estava diferente.
    Eu que não gosto de rotinas, estava numa rotina de nada fazer para mudar o que não gostava.
    Parei para pensar, identifiquei a causa do meu mal estar e meti-me a caminho. Objectivo: perder aqueles quilos que não me deixavam vestir as calças que teimava em não deitar fora, à espera que uma varinha de condão as alargasse, ou melhor, que emagrecesse por obra e graça de um feitiço qualquer...
    Comecei a fazer a minha dieta, a cortar naquilo que mais gosto de comer, mas a fazer comida diferente, a experimentar novas receitas, a comer mais verduras, fruta. E água, muita água...Caminho quando quero e me apetece, sem dias marcados, mas pelo menos 2 vezes por semana.
    Ah...há dias em que me apetece mandar a dieta às ortigas, mas não mando, escolho antes um dia da semana, para cometer umas loucuras e deixar-me cair em tentação por uns pecados...podem ser pecados de chocolate, um gelado, um petisco.
    Já já vão 7 kilos mandados ao ar, nada de perder quilos rapidamente...mais depressa eles viriam.
    As calças, essas já me servem, mas tinha outras escondidas, bem refundidas no fundo de uma caixa, já quase em estado de "ir embora para reciclagem" que continuam à minha espera, mas agora em lugar de destaque: São a 1ª coisa que vejo assim que abro o roupeiro...

    Força estamos cá para te dar o empurrão que precisares...
    (desculpa se me alonguei...)
    Beijinho

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Obrigada!