-->

Páginas

03 agosto 2011

Sítios

Há 10 anos tinha acabado de sair da faculdade e estava a 13 dias de começar a trabalhar. (De lá para cá estive desempregada apenas 3 semanas, mas isto não vem ao caso). A primeira empresa onde trabalhei foi um desastre. Muita trafulhice, pessoas muito, muito reles. Serviu para perceber o tipo de sítio em que NÃO queria trabalhar. Adiante.

Em abril do ano seguinte, novo emprego (depois das tais três semanas que não vêm ao caso). Fui trabalhar para o Quimiparque, no Barreiro. O sítio em si... um degredo. As pessoas, cinco estrelas. Trabalhava lá uma amiga e foi ali que fiz amigos para a vida. De início éramos seis. O patrão (um porreiro com quem ainda hoje vou falando), o director de contas (um janado do pior, e estou a ser simpática na avaliação), eu, a minha amiga (que éramos accounts, vulgo gestoras de clientes, vulgo comerciais, vulgo aturadoras de gente doida) e mais dois designers. Os 4 fazíamos uma equipa gira, bem disposta e alinhada. Um deles continua a ocupar o top 5 dos meus amigos, passados todos estes anos.

Foi ele, precisamente, que me ensinou que é importante aproveitar bem os intervalos do trabalho. Seja o de almoço seja o do cafézinho a meio da tarde. No Barreiro tentávamos minimizar o "estrago" que era trabalhar num sítio horrível com almoços sentados no chão (terra batida, claro), à beira-tejo, com uma fábrica de óleo atrás de nós. Aquilo apanhou o verão e era muito bom ir para ali arejar. Entretanto mudámos, nesse mesmo ano, para Alvalade e começámos a busca por sítios giros onde almoçar. Não havia. Começámos a levar almoço de casa e a comer no quintal que o escritório tinha (quintal esse onde aconteceram duas festas, organizadas pelo patrão, em que saiu toda a gente meio de gatas de lá, cortesia das caipiroskas e da dose industrial de sangria). Depois íamos beber café ao Il Café di Roma do Campo Grande, ou íamos até à esplanada que havia (não sei se ainda há) no meio do jardim do Campo Grande, perto do lago. E era bom.

Entretanto ele saiu da empresa e eu saí uns meses depois. Fui para o Tagus Park. Pouco que ver, mas ainda assim uns jardins (meios metros quadrados ajardinados, vá) onde dava para estar. Dali segui para Santos. Época muito boa, socialmente falando, e péssima em termos de trabalho. Não descobri grandes sítios por lá... nem me apetecia descobri-los, tal era a depressão. Dali rumei à R. da Madalena. Sítio fantástico, com muito que descobrir. Muitos restaurantes giros, muitos cafés giros, muitas idas à R. Augusta. Depois, Oeiras. Nada de jeito à volta, mas companhia excelente para os almoços. Muitos no bar do Holmes Place, onde até nem se estava mal, muitas idas à praia à hora de almoço, com direito a mergulho. Paragem seguinte: Parede. Praia mesmo ao pé, repetição das idas à praia à hora de almoço e ao final da tarde. Entretanto engravidei e isto acabou. Mas mantiveram-se os almoços em sítios giros, quanto mais não fosse no quintal do sítio onde estava, sentada num alpendre a debicar uma salada e a ler páginas atrás de páginas. Dali para Carnaxide. Um ou outro sítio engraçado mas nada de especial. Entretanto começaram as corridas no Jamor à hora de almoço e isso alinha perfeitamente no bom aproveitamento dos tempos livres.

Agora, Santos novamente. Tenho andado a explorar as redondezas e hoje encontrei um sítio a repetir. Giro, calmo, com luz, com bom ar, bem decorado, onde apetece almoçar e ler e escrever, tal como o meu amigo me ensinou a fazer. Missão cumprida, embora espere encontrar mais sítios onde ir. Hoje foi bom. Almocei, li, apanhei ar e sol. E soube-me bem...


5 comentários:

  1. Muito bom post... e qualquer dia ainda a convido para ir correr comigo! É que eu também corro (pouco mas corro) mas odeio correr sozinha!!

    Obrigada por me fazer sorrir por aqui!

    ResponderEliminar
  2. Tens andado a saltitar bastante ao longo destes anos! Ao menos dá algum dinamismo ao teu percurso profissional, ainda que alguns dos pontos de passagem não te tenham agradado muito.
    Eu trabalho há 4 anos e até agora passei por três locais de trabalho (dois deles em simultâneo): durante 1 ano e meio tive 2 part-times, um no Campo Grande e outro no Campo Pequeno e depois disso passei para a periferia, pertinho de Alverca. Durante a primeira fase, entre os dois part-times, o tempo era pouco, mas assim mesmo havia sempre alguma coisa a descobrir, uma caminhada por um sítio interessante, um restaurantezinho simpático, lojas... Entretanto mudei-me para aqui e as coisas mudaram muito... o trabalho é bem melhor, mas a localização é péssima. Por aqui não acontece nada e pouco há que fazer no tempo livre. Tenho mais tempo e parece que não tenho em que o aplicar... Fico com a ideia de que sabia utilizar melhor o meu tempo livre quando andava em Lisboa, mesmo que este fosse mais escasso e tivesse de ser racionalizado à custa do tempo perdido no trânsito... Aprender a aproveitar o tempo livre da melhor forma impõe-se, mas confesso que me faz falta a motivação do espaço circundante... E tenho algum receio que, a curto prazo, isso comece a afectar também a minha motivação dentro do próprio emprego...

    ResponderEliminar
  3. Gostei deste post. E gostei de perceber que não sou a única que andou a saltitar por vários empregos até atinar (e vamos a ver se é desta). um dia quero conhecer esse sítio!
    ;)

    ResponderEliminar
  4. o segredo é mesmo aproveitar todos os bocadinhos do dia :)

    ResponderEliminar

Obrigada!