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14 outubro 2011

Austeridade

Raramente discuto política. Não acho que seja tema que se discuta de ânimo leve e evito. Mas hoje tem que ser.

Não percebo porque é que de repente toda a gente se vira contra a única pessoa que teve tomates para chamar os bois pelos nomes e assumir as coisas como elas são. Portugal tem uma dívida enorme, um buraco daqui à Austrália. Não foi o Passos Coelho que o fez. Foram os governos anteriores (e respectivos desgovernos).

Se a questão se puser no lado da campanha eleitoral temos um "mas ele não disse que ia fazer nada disto". Talvez não. Mas quando se candidatou não sabia que havia milhões de euros cujas facturas não foram contabilizadas por diferentes ministérios/organismos públicos. Nem sabia que a Madeira tinha um buraco gigantesco também. Agora sabe. E em vez de nos andar a atirar areia para os olhos, a dizer que está tudo bem e tal e coiso, assume que não está nada tudo bem e que têm que se tomar medidas. As mais fáceis são as que nos vão ao bolso. Concordo com isso? Não. Acho que devia tratar-se também do emagrecimento do estado. Não pode ser só a população a pagar a factura. Tem que ser todo o País.

E enquanto perdermos tempo a queixar-nos de quão mal isto vai, não arregaçamos as mangas e não vamos à luta. Enquanto perdermos tempo a excomungar a meia hora a mais que vamos ter que trabalhar não trabalhamos efectivamente.

E agora a pergunta: quantos de nós gastamos meias horas (pagas pelo patronato) no Facebook? Quantos de nós engonhamos metade do dia para depois, a fim de deixar tudo feito, termos que ficar mais meia hora além da hora de saída? Muitos. Qual é a diferença efectiva que meia hora faz?

Para mim, a solução para isto tudo tem um nome: trabalho. Trabalhar mais e melhor. Arregaçar as mangas e fazer acontecer. Ou isso ou, daqui a cinco anos, estamos todos a partilhar as sombras debaixo das pontes porque, numa de sentirmos que merecemos curtir a vida e que não temos nada que trabalhar mais para resolver a crise, deixámos andar até a coisa não ter mesmo remédio...

44 comentários:

  1. Muito bem dito. Eu de política nem me pronuncio, mas ainda não percebi também o porquê de tanta revolta depois das medidas anunciadas, já que desde que me lembro é o primeiro que está a dar soluções para que alguma coisa eventualmente possa melhorar. Se o país é nosso quem tem que fazer por ele? Nós!

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  2. Tens toda a razão! Sabes, as pessoas dizem: "Isto está mau" mas continuam cheios os centros comerciais e as agências de viagens continuam a ter clientes, "um carro com 2 ou 3 anos já é velho, vamos mudar", pequenos almoços fora....
    Sabemos que a coisa vai ficar pior e haverá mais fome e mais desemprego, mas medidas têm que ser tomadas e claro que a culpa não é do actual 1º Ministro, mas de todo um conjunto de pessoas (tachos) que formam o governo e que esbanjaram em coisas inúteis como foi o caso da compra do submarino e outras coisas mais que nem sequer nos chegam aos ouvidos!
    Enfim, é pena é ver que quem paga a factura é sempre o povinho, enquanto eles (governo), continuam a desfilar em carros caríssimos porque não se podem deslocar em meros clios ou opeis (será assim o plural de opel?)...claro, o português tem que se deslocar sempre em grande estilo! Devemos ser dos países mais vaidosos nesse aspecto!
    Enfim....aguentemos e que Deus nos ajude!

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  3. Concordo! No entanto por incrivel que pareça esses 30 minutos fazem toda a diferença para quem tem que ir levar/buscar os miudos ao jardim de infancia e já anda à tabela :(
    No meu caso: o jardim de infancia abre às 8h30 e fecha às 18h30 - quando eu tenho trabalho a 20km do jardim de infancia!

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  4. Entendo bem esse lado, dos jardins de infância. Eu tenho o problema da hora de fecho. Solução: em vez de fazer uma hora de almoço, faço meia hora e pronto... (e eu sei que não é assim tão linear...)

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  5. E depois de teres escrito isto, só posso ter ainda mais certeza de tudo o que te disse nos emails desta tarde.

    Qual é a tua dúvida mesmo?

    Beijo enorme

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  6. A conversa do Pedro Passos Coelho é conversa para inglês ver ou então é o chamado "atirar areia para os olhos". Essa conversa de que os que estavam lá antes é que tiveram a culpa é fácil, é desresponsabilizar aqueles que estão lá agora e que a meu ver não estão a tomar as medidas adequadas para sair da crise. Não que eu saiba quais são, nada disso, mas parece-me que não é retirar poder de compra aos portugueses que o barco chega a bom porto.

    Trabalhar mais meia hora não vai adiantar de muito. Quantos são aqueles por todo o lado que ficam mais de duas horas por dia a dar no duro e não recebem um tostão a mais por isso? Isso é só conversa para amenizar os ânimos na função publica. Uma medida só para os privados, pois então...
    E mais ainda, não é toda a população que vai pagar a grande fatia da fatura: não é ao setor privado que é retirado os subsídios de natal e de férias a partir de 2012, portanto, não, não é toda a população que vai sofrer com estas medidas. Há uns que sofrem sempre mais que outros e há sempre quem se fique a rir, esfregando as mãos e aproveitando-se da situação a seu bel-prazer.
    Depois há injustiças como estas: cortam nos subsídios de férias e natal aos funcionários públicos mas aprovam em Diário da República o financiamento público a escolas privadas.
    Mas podem ler aqui, como eu fiz.
    http://dre.pt/pdf1sdip/2011/10/19700/0463304633.pdf

    Parece provocação, não é verdade? É assim o nosso governo. Muito cheio de tomates... Podres.

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  7. Quantos de nós não perdem essa meia hora a escrever em blogs?

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  8. Marianne, li este teu texto e concordo com o que dizes. Haja alguém que pense como eu. É que nas últimas horas estava a sentir-me um ET...
    Na minha opinião, ganharam o hábito de se queixarem, faça-se bem o mal. Já lá diz o ditado: "Casa que não tem pão, todos berram e ninguém tem razão."

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  9. *as pessoas ganharam o hábito (era o que queria dizer!)

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  10. Concordo contigo... mas também concordo com a Sofia, pois quem paga sempre a maior fatia são sempre os mesmos! até parece que os serviços prestados pelo estado só servem aos funcionários do estado e que o resto da população só se serve dos privado!


    * beijocas

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  11. Eu não digo que não seja preciso tomar medidas bem sérias que tentem equilibrar as contas de uma forma eficiente e rápida. Não digo que este tratamento de choque seja incorrecto. O que me parece menos digno é uns terem de cortar para outros viverem à grande. Uma pessoa que ganhe 1000 euros não é rica e fica sem subsidios. Uma pessoa que ganhe 7000 euros fica sem os mesmos subsidios. Aplica-se o principio do "todos perdem, todos pagam". Mas a nível social isto não será de uma falta de bom senso atroz? Quanto ao Iva acho lindamente que se aumente em determinados bens, lindamente. Quanto à tal meia hora a mais, quantas meias horas a mais é que eu já nao fiz na vida, para o Estado e sem receber nada compensatório por isso? E quantas meias horas a mais despropositadas é que eu não vi no Estado também em que se fazia tudo menos trabalhar e mesmo assim se recebia por isso?

    O que me revolta mesmo é este tipo de noticias e atitudes de quem exige aos portugueses e depois faz destas...
    http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=30660#.TphkV2XJtx1.facebook

    Sempre trabalhei para o Estado, nunca recebi um subsidio, nunca tive um salário duplo num só mês (estava diluido pelos outros meses, na celebre tactica do x vezes 14 a dividir por 12, diziam eles). E hj continuo sem receber subsidio nenhum porque nem sequer ao de desemprego tive direito.

    Por isso,enquanto eu não vir cortar noutros lados, não posso bater palmas a tudo o que está a ser feito.

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  12. Marianne, não costumo comentar, mas tal como também não costumas comentar política e o fizeste, desta feita também achei que me devia manifestar. Compreendo que essa meia hora não faça falta a quem passa muitas meias horas por dia no facebook, o que não é o meu caso, pois que não tenho essa oportunidade durante o dia. faço-o quando estou na minha casa, fora do meu local de trabalho. Eu trabalho numa instituição privada, por isso, nem sequer serei (por enquanto) abrangida por essa medida. Mas o meu marido sim. E o que as pessoas provavelmente não sabem é que ele (como professor) já tem de trabalhar 6 horas semanais a mais pelo mesmo dinheiro. E agora acrescentamos mais meia hora... Não é muito, é um facto, não é nada, mas trabalhar de graça é lixado para quem já tem uma vida regrada. Depois há ainda o caso dele ir ficar sem os subsídios de férias e natal, também para os quais desconta e aos quais tem direito. Portanto, isto das pessoas pararem de se queixarem e deixarem-se enganar e encavar cada vez mais, não é bem assim... E cada vez mais temos de ver a situação global do país e não olhar só para o nosso umbigo e esquecermos quem está a ser mais prejudicado. Cá em casa, como deves calcular, com menos 2500€ a entrar no orçamento familiar, deve causar "alguma" mossa. As coisas são um bocado mais graves do que foi descrito...

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  13. sobretudo uma coisa óbvia: se retiras poder de compra fazes parar ainda mais a economia e transformas numa bola de neve como aconteceu na Grécia. O caminho está a ser igual. Estaremos cá todos (esperamos nós) daqui a um ano para vermos que estaremos na mesma situação que eles. Sem dinheiro pára o consumo, as empresas fecham e despedem e é um ciclo vicioso. Há que reanimar a economia, não pará-la!

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  14. Marianne,

    Concordo contigo quando dizes que a solução é o trabalho. É e vai ser sempre. Quantas pessoas estão no local de trabalho sem trabalhar? Muitas. E não devia haver nem uma. Quantas pessoas têm negócios próprios e não zelam por eles e deixam-nos semi-abandonados e em auto-gestão? Demasiadas. Mas não acho que o PPP tenha sido a primeira nem a única pessoa a ter coragem para nos dizer como as coisas estão. Tal como não acho e é sobretudo isto que me faz falar e refilar e indignar que estas medidas sejam a solução. São precisas medidas de austeridade? Sim. Mas não tantas ao mesmo tempo que cortem tanto poder de compra aos portugueses porque assim a economia vai estagnar mais ainda (por algum motivo estas medidas não estão todas no memorando - porque este quer cortar mas não estagnar a economia). E depois o que acontece é que se corta na despesa mas não se factura. E isto para não falar no desemprego a mais que muitas destas medidas vão gerar e que depois acarretam mais despesa. E a mim o que me rala não são os subsídios porque acho mesmo que dois subsídios é muito. A grande parte dos países da Europa ou não os tem ou tem um (recebendo 50% de cada vez ou 100% e apenas uma vez). E que história é esta e outras tantas de membros do governo terem subsídios de arrendamento quando tem casa na grande Lisboa? E do financiamento público a escolas privadas? Mas estão a gozar connosco? Coisas destas um dia depois das medidas de austeridade que apresentaram ontem? Que tal começar a ser transparente? É para cortar corta-se à séria e a toda a gente. E aí podem vir cortar-me que eu não me queixo. Mas enquanto eu souber que cortam a uns para outros continuarem a viver à grande vou refilar. Trabalhar mas refilar. O nosso estado tem de ser emagrecido. E quando digo estado digo institutos públicos, empresas públicas, gestores públicos que recebem balúrdios. Mas isto eu não vejo ninguém fazer.

    Beijinhos

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  15. Bem...aqui sinto-me em casa...
    Já pensava que era um ET como a Cor de Chá e estou completamente de acordo com a Ana 100 sentidos.
    Esta meia hora a mais nos privados pode ajudar a economia, neste exemplo concreto: nas fábricas mais meia hora de produção pode resultar em mais matéria final para exportação, por exemplo.
    Como muita gente, já dei muitas horas sem receber nada em troca, nada quer dizer, recebo a satisfação das pessoas para quem eu trabalho, não de quem me paga...
    Resulta no gosto por aquilo que faço. Se há dias que trabalho pouco? Também há, claro que sim. Mas felizmente vou trabalhar todos os dias com gosto. Porque gosto muito do que faço, felizmente.
    Se acho que ainda há muitas medidas a tomar? Claro que sim, mas há que as fazer e não se pode fazer tudo de uma vez.
    Foram anos e anos de governos a estragar dinheiro a viver acima das possibilidades e agora queriam que em 4 meses tudo se resolvesse??!! Que fossem só rosas como o Sô Sócrates dizia??
    Utopias...não haver classes sociais?? Não haver gente a ganhar muito e outros pouco?? Utopias...

    Peço desculpa...estiquei-me um bocadinho
    Bom fim de semana :))

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  16. Estou totalmente de acordo!

    Beijinhos

    Mia

    http://pegadafeminina.blogspot.com/

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  17. É assim como dizes.
    Este governo tem de lidar não só com a contestação que referes mas também com as acusações de estar a ser demasiado duro e demasiado brando/ineficiente. Como se pode reduzir custos sem despedir? Quando se fala nisso cai o carmo e a trindade. Há mais que se pode fazer mas o problema agora é que tem de se fazer tudo. Sendo urgente aumentar a produtividade talvez o melhor seja todas as empresas - incluindo o Estado - despacharem quem não faz nada (todas as empresas têm alguém assim, não?) e empregarem quem queira fazer. É um principio básico que o Estado nunca seguiu.

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  18. Mnemósine o problema é que nós, empresas, quando conseguimos despedir alguém que "faz parte da mobília" (e se soubesses a dor de cabeça que é conseguir despedir!! Não faz sentido!) e ainda lhe temos de pagar indemnização, ficamos completamente descalços para conseguir contratar alguém. E com a quantidade de impostos que nos colocam em cima é impossível.(especialmente o pagamento especial por conta e outros, que são determinados pela facturação e não pelo lucro. Imagina que tens lucro muito baixo, quase nulo e mesmo assim tens 1000 ou 2000 euros para pagar. é assustador e acontece-nos!!). Vocês fazem ideia que nós para termos um trabalhador a contrato a ganhar 1000€ por mês pagamos na totalidade praticamente 1700€ por causa dos impostos e segurança social que nos caem em cima e que o trabalhador não vê? Não defendo as empresas, hoje tenho uma mas também já trabalhei para os outros. Mas se do outro lado soubessem a carrada de contas que existem por trás às vezes trabalhavam mais ou davam mais valor ao posto de trabalho, porque na realidade para termos um trabalhador pagamos como se lá estivessem dois.

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  19. A Kittyzinha Fane fez o seu postzinho de hoje dedicadinho a ti... que fofinha!
    Parece, diz ela, que andas a perder tempo a mais no FB e no teu blog(zeco) e depois mandas os outros (ela, que é uma valiosa funcionária pública) trabalhar mais meia hora. Ai ai ai Marianne, essas postas de pescada não te ficam nada bem. ;-)

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  20. Costumo ler o teu blog mas nunca comentei. Permite-me discordar de alguns pontos. A minha mãe trabalha 8h por dia em pé, numa linha de produção de uma multinacional. Vai ser afectada por mais meia hora de trabalho diário que, ao fim de uma semana, serão mais 2h30. Mais 2h30 de pé, a trabalhar à séria, sem possibilidade de ir ao facebook nem ao blog porque simplesmente trabalha com uma máquina de costura. Não leves a mal, mas as generalizações são perigosas e a maior parte das pessoas não tem um trabalho limpo de escritório nem horários flexíveis! Bjinhos* :)

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  21. Curioso... não me revejo no post da Kitty Fane. Sabem porquê? Porque trabalho. Posso estar no FB no trabalho? Posso... até porque... faz parte do meu trabalho. Sabem, há quem trabalhe em comunicação. Há quem tenha que estar atento ao que se passa no mundo das redes socias. Isto é muito menos trabalhoso do que estar numa fábrica? É, com certeza. Mas é o meu trabalho.

    E, por poder estar no FB no trabalho, o que é que eu tenho como contrapartida? Várias coisas: estive com o computador em casa, a ajudar no que foi preciso, durante duas licenças de maternidade. Ganhei mais por isso? Não. Trouxe muitas, muitas vezes (durante quase 6 anos) o portátil para casa, para poder trabalhar à noite e ao fim-de-semana. Ganhei mais por isso? Não. Levei, durante seis anos, o computador para casa durante as férias, para poder resolver o que fosse preciso. Ganhei mais por isso? Não.Trabalhei muitos fins-de-semana fora de casa, em Portugal e nos estrangeiro. Ganhei mais por isso? Não. Tive direito a dias extra de férias por isso? Não. Ganho isenção de horário? Não. Então porque é que o faço? Por amor à camisola. Porque sei que, sem a minha ajuda e a de todos os que trabalham naquela empresa, aquilo afunda.

    Os funcionários públicos fazem isto? Não sei. Não digo que não façam. Digo que não sei. As minhas melhores amigas são funcionárias públicas. Uma é bolseira de doutoramento, portanto não sabe o que é o subsídio de natal nem o de férias - vive em "crise" desde sempre. A outra é professora e trabalha que se desunha dentro e fora da escola. Se eu acho mal que ela fique sem subsídios? Acho, claro. Mas também acho mal eu ter ficado sem subsídios já este ano. Ou seja, fala-se agora no corte dos subsídios de 2012, para os funcionários públicos. Mas eu, que não sou funcionária pública, já o sinto em 2011, porque este ano não vou receber subsídios.

    Portanto não falo de cor. Ando a gerir um orçamento mensal de 1000 e poucos euros. Porquê? Porque estou sem receber ordenado. Portanto não me venham dizer que ando a falar de cor. Não, não ando. Ando a sentir na pele esta história da crise. E mesmo assim acho que a saída para isto é o trabalho. Apenas isso.

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  22. "Se eu passasse horas no facebook e a atualizar o meu blogue durante o meu horário de trabalho, não me preocupando com meia hora a mais ao final do dia..."

    Como vês as bocas são para quem trabalha e veio dizer que concorda - e aplaude - com estas medidas de austeridade. Tu.
    Não atires para longe quando o que se fala se refer a ti e à tua prepotência de achar que sabes tudo e que fazes tudo bem.

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  23. Eu acho que o problema nem é a meia-hora de trabalho a mais. Quantos de nós já não trabalhamos mais meia, um ou duas horas por dia sem sermos remunerados por isso? O problema é que nos vejo a seguir o caminho da Grécia, mas com desfasamento de um ano. E porquê? Porque os ajustamentos a que nos obrigamos são demasiado agressivos. Com tantas medidas de austeridade temo que matemos a economia. Sabes bem que, por defeito de profissão, estou (muito bem até) por dentro da situação do país. Sei que não há dinheiro nem para mandar tocar um cego. E sei que temos de encolher o nosso défice orçamental. Mas continuo a defender que o ajustamento deveria ser mais gradual. Até porque temos o exemplo da Grécia. A economia está a contrair de tal forma que eles não estão a cumprir o que negociaram com a troika. Comprometemo-nos com um número. Um número calculado através de um rácio. Quanto pior o denominador maior o esforço. E no denominador está o PIB, que deve cair, em 2012, mais do que os 2.3% previstos.

    Resta-nos trabalhar. E acreditar que "o dia de amanhã" será, de facto, mais sorridente!

    Beijos!

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  24. Filipa, é exactamente isso que defendo: trabalhar. Em vez de nos ficarmos a lamentar por, sem subsídio de Natal e de Férias, já não podermos comprar mais aquele par de sapatos ou aquele casaco, trabalhar. E, quem sabe, daqui a três ou quatro anos, estamos outra vez em posição de não termos que andar a contar cêntimos.

    Mas isto sou eu que, aparentemente, segundo a KF e a Carmo que comentou ali em cima, sou prepotente e tenho a mania que sei tudo...

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  25. Ai, Carmo... quer mesmo entrar por aí? Eu estou-me literalmente nas tintas para as bocas. Mesmo. Não me preocupam minimamente. E não me viu aplaudir porra nenhuma. Viu-me, isso sim, dizer que acho necessário que se tomem medidas. Quem quiser continuar a viver com a cabecita enterrada na areia, força. Quem quiser, do alto do dinheirinho que vai recebendo dos papás, a título de presentes de natal, continuar a lamuriar-se da situação actual, força. A mim chateia-me que me vão ao bolso. Mas não vivo isolada do país e sei que eu, como os outros, tenho que pagar pela gestão que foi sendo feita. É a vida. Se quiser, veja a coisa pelo prisma do bem comum. Eu nunca vivi acima das minhas possibilidades, nunca fiz créditos para comprar Loubutins nem para fazer viagens ao lado de lá do mundo. Vivo (e sempre vivi) com o que posso pagar sem ficar a dever a ninguém. Contudo, apesar disso, tenho que pagar por todos os outros que andaram a viver num nível de vida nórdico. Seja. Em prol do bem comum.

    (E eu preocupo-me com mais meia hora ao final do dia. É que tenho filhos e, parecendo que não, meia hora faz toda a diferença. Mas sabe que mais? Hei-de resolver o problema. E não me queixo dele. Isso não faz de mim conformada. Faz de mim uma pessoa que, em vez de se focar nos problemas, se foca nas soluções.)

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  26. Sim, não vale a pena chorar sobre o leite derramado. É seguir em frente e não baixar os braços. Mas olha que eu fiquei bem "lixada". Porque nunca pensei, aos 30 anos, passar por uma situação destas. Os subsídios (ainda) não me foram cortados, mas indirectamente também vou sofrer. Sempre soube que as nossas contas estavam bem desequilibradas, mas o choque é demasiado grande. E olha que nem sou uma defensora dos subsídios para reformados/pensionistas nem de alguns benefícios atribuídos, a torto e a direito, nos últimos anos. Mas, caraças, estamos a matar a economia.
    Sinceramente, desejo o melhor mas prevejo o pior!

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  27. Marianne, sem te conhecer, gosto muito de ti, já te fiz uma encomenda, não me interpretes mal mas, mais uma vez, tenho de discordar de ti (E isto é apenas uma conversa como se estivéssemos a beber um café...). Ao dizeres que sabes que meia hora por dia no trabalho é meia hora roubada aos teus filhos é por si só uma queixa, pois ninguém gosta de roubar tempo de estar com os seus filhotes. E não deixa de ser uma queixa. Eu admito que me queixo, não me agrada, mas que remédio, tenho de trabalhar, não vou ficar de braços cruzados, nem posso, o meu trabalho não me permite (só se puser 21 criancinhas a olhar para mim...)... Aliás, meia hora a mais com os meus outros 21 meninos dá-me muito jeito. Mas já sei que é meia hora a menos que vou passar com o meu filho e 2h30 a menos por semana é muito tempo! Também acho que não devemos generalizar porque se há pessoas que têm dias em que se matam a trabalhar e outros dias em que não fazem nada, eu não sou uma dessas pessoas. E tu, tendo amigas professoras, deves saber do que falo (bem, acho eu, porque os professores também não são todos iguais!). Além de que, se a minha patroa me fizer trabalhar mais meia hora, vou perder muito mais dinheiro, pois também dou explicações que começam exatamente 30m depois de sair da minha sala de aula. Não dá para passarem para mais tarde, senão não consigo ir buscar o meu filho. E esta? Afinal 30m todos os dias sempre atrapalham... e muito... algumas pessoas (e estou apenas a referir-me ao trabalho que faço no espaço físico que é a escola, o trabalho que faço em casa são outros quinhentos...) Não se pode generalizar...

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  28. Ó Arapelha, mas não me chateia nada que discordem de mim!! Nada mesmo! É como dizes: conversa de café. O que eu quis dizer é que não entendo a queixa (generalizada) da meia hora, quando há muitas meias horas completamente desperdiçadas. A mim chateia-me a meia hora, à maioria das pessoas também deve chatear. E nem acho que isso resolva grande coisa, atenção. Acho apenas que há por aí muito boa gente que ainda não passou do registo da queixa ao registo do "então bora lá resolver isto"...

    (Mais uma vez: neste blog, a conversa é civilizada, sem ofensas, nem baixarias. Admito todas as críticas e não me melindro minimamente com pessoas que discordam de mim! Acho que, se formos todos bem educados, não há mal nenhum numa discussão saudável!)

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  29. Eu acho que estas medidas não são nada boas, sobretudo porque vão dar cabo da economia. Deviam cortar noutras coisas e não cortarem sempre nos mesmos.

    (Ai o que eu gosto destas Carmos da blogosfera que adoram pôr as bloguers umas contra as outras. Como se não andasse meio mundo a concordar com os cortes e com a meia hora em cima e a Kitty Fane estivesse mesmo a referir-se à Marianne. Que tristeza. )

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  31. Nem todos os funcionários públicos são iguais, mas ontem posso atestar que fui às finanças tratar de uma situação e sabem o que é que os funcionários daquela repartição estavam fazendo? NADA... Estavam simplesmente numa amena cavaqueira e olhando uns para os outros! Uma tristeza...
    Relativamente ao teu post, não poderia estar mais de acordo contigo. O povo português gosta é de se queixar e de nada fazer... Arragaçar mangas e trabalhar para muitos é uma autêntica utopia!
    Ahhh e para as Carmos da blogosfera "Vão-se cagar". Desculpa a linguagem. Beijinhos

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  32. "Quem quiser, do alto do dinheirinho que vai recebendo dos papás, a título de presentes de natal, continuar a lamuriar-se da situação actual, força..."

    ahahahahahahah, bela resposta! Afinal também sabem coisas sobre a vida da menina mais pseudo-pudica da blogosfera.

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  33. Exactamente quantas pessoas é que a Carmo conhece que vivam à conta dos papás? Eu conheço muitas. Na blogosfera e fora dela.

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  34. Mas algumas vez a Kitty Fane se estava a referir à Marianne? O que me parece é que a Carmo quer aqui criar uma polémica que não existe, não tem nenhuma necessidade de ser e nunca existiu. Penso que ninguém pensou nisso e eu, que comentei nos dois sítios, certamente não pensei nem vi qualquer ligação. O que me parece é normal que uma funcionária pública que vai sentir os cortes agora e uma funcionária privada que já os sentiu há muito tenham opiniões diferentes. E eu discordo da Marianne em algumas coisas (porque acho que são necessárias medidas sérias sim mas não estas que vão paralisar a economia) mas concordo no essencial: o que todos precisamos é trabalhar. Quando a tudo o resto irei escrever um texto no meu blogue. Mas por favor não criem polémicas onde elas não existem. E isto é uma resposta para a Carmo e não para a minha querida Marianne porque se a conheço ela está-se (e com razão) nas tinhas para este tipo de comentários sem sentido.

    Beijinhos

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  35. Bem, Marianne, e eu que no comentário anterior ainda não tinha lido todos os comentários e também já disse ali em cima que concordo com muita coisa (trabalhar, trabalhar, trabalhar) também discordo de outras (apesar de achar que são necessárias as medidas, não acho que estas sejas as medidas nem que o PPP seja corajosa por tomá-las - corajoso seria se tomasse as outras, que vão contra os poderes instituídos e são mais importantes para resolver a crise) e explico-te o meu problema com a meia hora (que não tem nada a ver com trabalhar mais meia hora porque estou em perspectivas de trabalhar 8h e ainda dar umas 3h ou mais de explicações por dia e trabalhar não me assusta): o meu problema com a meia hora é ela ser um retrocesso nas lutas sociais, é isso se calhar significar mais umas quantas pessoas ficarem no desemprego porque mais meia hora vezes muitas pessoas faz um horário de trabalho, etc. Por isso quando eu falo na meia hora (não falo nos subsídios, porque não me choca o corte, sobretudo se ele for global, mas hei-de falar no texto que vou escrever sobre o assunto) não me estou a queixar e vou cumprí-la se a minha entidade patronal o entender. E mesmo não concordando com as medidas vou fazer o que estiver ao meu alcance para ajudar a debelar a crise. Mas vou falar. E não entendo que isso seja queixar-me. Quando falo é porque tenho opiniões diferentes e soluções diferentes e não acho que estas sejam as medidas (e tu também falaste no emagrecimento do estado, e eu acho que é por aí mas mais ainda).

    Beijinhos

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  36. G., entendo o teu ponto de vista e concordo quando dizes que há outras medidas que deviam ser tomadas e ainda não foram.

    Aquilo que eu não entendo é o queixume tão tipicamente português. Uma coisa é falarmos, manifestarmo-nos, intervirmos. Outra, bem diferente, é aquele "nhanhanhan" queixoso e inconsequente, emitido só porque sim.

    (De resto, sobre a tal polémica: não há polémica nenhuma que eu não me meto em polémicas. Até podem tentar levar-me lá, mas é como aqueles sítios que são uns valentes antros: não sabes ao que vais, espreitas e, se o que vês à porta não te agrada, dás meia volta e vais-te embora. É o que eu faço com as polémicas.)

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  37. Que tu não és mulher de polémicas já eu sabia. Mas esta então nem sequer existe e, pardon, o que me parece é que esta Carmo é parva. Não me parece que a Kitty te tivesse em mente quando escreveu aquilo. Mas há quem me acuse de ser ingénua. e com esse "nhanhanhan" (faltou alguma letra?) também eu não concordo. Mas eu falo. E o que não quero é que achem que me estou a queixar quando estou apenas a protestar (rapariga refilona pah!). A solução passa por trabalho, trabalho, trabalho sim senhora. E outras coisas das quais falarei no meu texto. Mas não por parar a economia. E eu sei que tu sabes porque este texto, embora tenha coisas com que eu não concorde (o Coelho não me agrada pronto!) foi dos mais inteligentes que li sobre o assunto.

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  38. Ui... o Coelho desagrada-me tanto quanto qualquer outro que lá tivesse aterrado nesta altura. Quem quer que fosse, seria linchado pela opinião pública, porque as medidas a tomar não são populares nem nada que se pareça.

    (Mas pronto, ao menos o Coelho tem pinta, pronto... - e isto é um comentário exclusivamente focado na aparência e no tom de voz do homem).

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  39. É que é isso mesmo!!! O melhor que podia ter acontecido ao antigo governante foi ter ido embora, mas foi também o melhor que nos podia ter acontecido.. ou doutra maneira não confiava que nenhum dos euros que nos está a ser retirado fosse para o destino correcto, mas sim para alimentar egos. Esperança no futuro, trabalho, e ânimo de saber que quando as coisas melhorarem já todos aprendemos a viver com menos.

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  40. Marianne,
    se já te admirava antes, depois deste post passo a admirar-te ainda mais! Tal como tu, tenho de gerir pouco mais de mil euros por mês- €1400,oo em conjunto com o meu companheiro- para pagar contas e sustentar a minha filha, por isso não aceito que certas pessoas se venham queixar porque já não podem viajar para aqui e acolá ou comprar roupa nova...enfim, estou farta dos "indignados profissionais" que só querem ver o circo pegar fogo e gritar palavras de ordem, mas que ao trabalho a sério ligam pouco!!

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  41. Ena tantos comentários!!! :)

    Não os li todos, mas assim na diagonal pareceu-me que há mais gente com bom senso do que eu pensava.

    Subscrevo inteiramente!

    Claro que ninguém gosta de pagar facturas de despesas que não foram suas (directamente)e ainda mais sabendo a quantidade de gente que andou e anda a encher os bolsos às nossas custas. Mas isto são dívidas dos governos anteriores, não deste. Tanta gente a criticar o Coelho, mas será que acreditam mesmo que o tipo gosta de fazer de carrasco da nação? Que ele tem prazer em ser enxovalhado e criticado a toda a hora? Gosto tanto dele como dos outros políticos, isto é, nada, mas admito que o gajo tem tomates e a seriedade e solenidade que lhe é exigida num momento destes.

    Estou contigo, Marianne, vamos trabalhar masé!

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Obrigada!