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22 novembro 2011

Vida

Ainda bem que há um Carlos Martins (que calha em ser um homem com a cabeça aparentemente no sítio e com um coração que alberga mais do que a vista alcança). Ainda bem que há um Carlos Martins a pedir que nos alistemos todos como dadores de medula. Não me entendam mal: ninguém, nem o filho dele, nem o Afonso (que morreu e foi sepultado em Macau), nem a Nídia (que também morreu e que eu tive muita, muita pena de não conhecer), ninguém devia depender de um dador de medula para viver. Mas ainda bem que há um homem mediático a mover montanhas. Ele, que só quer salvar o filho, está a salvar dezenas de pessoas. Porque todos os que se alistem para tentar salvar o Gustavo, mesmo que não o salvem a ele, podem salvar outras pessoas. O João, a Lara, a Maria, o Manel, seja quem for. Ilustres desconhecidos a cujas portas a doença bateu, sem querer saber de mediatismos. Porque isto não acontece só aos outros. E nós, os que ainda não fomos lá oferecer o braço a uma agulha, os que ainda não arranjámos duas horas na agenda para nos alistarmos como potenciais salvadores, devemos aproveitar a deixa e ir. Salvar vidas, mais do que uma generosidade, devia ser uma missão.

O Carlos Martins, com uma doçura e uma humildade gritantes, só pede que nos juntemos a esta causa e que ofereçamos vida. É por isso que digo: ainda bem que há um Carlos Martins a pedir isto. Assim o apelo é ouvido. Mais vidas serão salvas. Mais haverá a celebrar.

Ao Gustavo, a todos os outros que aguardam por quem lhes dê vida outra vez... sorte! E fé!

[E quem me dera, um dia, poder salvar alguém assim...]


7 comentários:

  1. eu também concordo contigo...ainda assim na minha realidade ainda há quem pense que vão doar medula para salvar apenas aquele Gustavo...porque se fosse para outo Gustavo, para mim ou para um ilustre desconhecido não o fariam porque não gostam de agulhas...e é triste haver quem pense assim.

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  2. Como ainda sou o peito, não posso ser dadora, mas já me inscrevi para o ser. Não foi agora, foi já há algum tempo, na altura em que andava no IPO a acompanhar a minha mãe às consultas. É impossível uma pessoa não se dar a esta causa. Então se o cancro já nos tocou, ainda que através de pessoas próximas, parece-me um dever!

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  3. É por textos como este (e também por tantas outras razões) que venho aqui todos os dias. Obrigada por partilhares as tuas palavras. Beijinho grande.

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  4. O Carlos Martins é igual a qualquer pai que vê o seu filho nestas circunstâncias. A única diferença é ser uma figura pública e o apelo ser mais divulgado. Claro que o apelo dele, bem como todos os outros que vão sendo feitos por familiares de outras pessoas, meninos ou não, nunca é egoísta pois permitirá sempre aumentar o banco de dadores. Mas eu só tenho pena é em sentir uma diferença em algumas pessoas por ser o jogador do Benfica. Li inclusive noutro dia no meu facebook um comentário de uma pessoa numa página de pedido de ajuda para um outro menino algo do género: pode ser que agora, com a campanha do Carlos Martins, se encontre um dador. Eu até admito que não tenha sido com maldade, claro que não foi, mas psicologicamente para um pai ou uma mãe que passa pelo mesmo, talvez seja duro ler isto.

    Como disse a Vera lá em cima, o que custa mesmo é ver que há pessoas que apenas se movem para uma figura pública. Ainda que o resultado seja o melhor pois aumenta a probabilidade de salvar outras pessoas. Eu tento pensar nesse lado positivo que descreves :)

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  5. A questão é mesmo essa, Ana. Eu acho estúpido que as pessoas só se mexam por ser o Carlos Martins. Mas ainda bem que o fazem porque, no limite, talvez de salvem pessoas que, de outra forma, não encontrariam dador compatível.

    E ele tem sido de uma humildade e de uma generosidade imensas: já disse que, mesmo que não sirva para o Gustavo, servirá para outras pessoas. É esse o espírito!

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  6. Concordo. Sinceramente parece-me igual inscrevermo-nos como dadores por causa do Carlos Martins ou por causa de alguém que conhecemos. Se ele chega a mais pessoas? Parece-me lógico que sim. Mas quem se inscreve como dador não se inscreve para uma pessoa específica, fica disponível para que necessitar (e que seja compatível). Portanto nem percebo bem a questão do mediatismo que se tem colocado neste caso..

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  7. E quem não se orgulharia de poder salvar uma vida?

    Vou roubar o texto para o meu blog sim? é por uma boa causa!
    Bom fim de semana Marianne.

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Obrigada!