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15 novembro 2011

Esta coisa de trabalhar em casa - breve nota para quem não trabalha

O facto de trabalharmos em casa não significa que:

- estejamos disponíveis para cafés, almoços, idas às compras e passeios no geral, todos os dias, a toda a hora, sem critério;
- estejamos disponíveis para estar duas horas ao telefone;
- estejamos disponíveis para estar em chats vários;
- possamos responder a mails 3,2 segundos depois de eles entrarem na inbox;
- possamos ver os 19 mil vídeos que nos mandam, seja por que via for;
- possamos alimentar vacas, colher cogumelos, erguer fortalezas, levar autocarros de turistas ou seja lá que tarefa for, no âmbito dos joguinhos do Facebook (pela parte que me toca, desactivei tudo, não jogo nada, não respondo a nada, escusam de me mandar pedidos disto e daquilo). 

Ou seja, trabalhar em casa é isso mesmo: trabalhar. Isso implica disciplina. Temos, como vocês que trabalham fora de casa, objectivos a cumprir, metas a alcançar, trabalho para fazer. Significa também que, ao contrário do que acontece com a maioria de vocês, que trabalham fora de casa (e não são os vossos próprios patrões), se não trabalharmos não ganhamos dinheiro. Significa igualmente que tanto podemos estar a trabalhar das 9h às 18h, como das 8h às 24h. É conforme. Temos que ser nós a gerir o tempo, as distracções, as solicitações, as dispersões. Significa também que não temos aquela fronteira que nos permite fechar a porta do trabalho no final do expediente e mudar de frequência. Em casa, a frequência é sempre confundível. Significa ainda que temos que ser ainda mais nazis do que o mais nazi dos chefes. Para evitar desastres, se é que me entendem.

Ou seja, era bom que vocês, mundo em geral, percebessem que, apesar de quem trabalha em casa ter à partida mais facilidade na gestão de horários, isso não significa que possa ser a bandalheira total. À vontade não é à vontadinha e há que cumprir os mínimos para a coisa correr bem.

E o pior, pela parte que me toca, em todas as solicitações de que sou alvo, é que me apetece dizer que sim a tudo, ir a todas, estar em todo o lado menos a trabalhar. Mas não posso. Mesmo. E era bom que entendessem isto...

11 comentários:

  1. Marianne, pelo que dá para entender através deste post, estás a começar a stressar...
    Pois é, trabalhar em casa tem que se lhe diga. Confunde-se uma série de coisas e as tentações são muitas! Tornamo-nos inimigos de nós próprios e tentamo-nos muitas vezes enganar.
    Talvez seja melhor não consultares o email por onde te aparecem esses convites todos.
    Era o que eu faria, apesar da curiosidade ser muita, tentaria aguentar até depois da hora do "expediente".
    Beijinhos and relax :)

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  2. Eu pura e simplesmente desligo a net enquanto trabalho e faço as pesquisas depois. E mesmo assim, é difícil - e trabalho em casa há 10 anos.

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  3. é bem verdade o que dizes!
    o facto de desligar a net é uma solução que se calhar até pode funcionar, mas só para quem não necessita dela para o seu próprio trabalho, que é o que me acontece! enfim! é tudo uma questão de organização e método... duas coisas que não abundam por estes lados! :)

    Continuação de óptimo trabalho e muita sorte para esta nova fase!

    Beijinhos!
    umdocedecasa.blog.com

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  4. Por isso é que eu estou à espera que sejas tu a definir quando será o nosso cafézar ;) Porque também eu faço uma parte do trabalho em casa e sei tão bem o quão fácil é ceder às tentações.

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  5. Já trabalhei em casa durante mais de um ano - e ainda faço muitas vezes o meu trabalho a partir de casa - e sei que é preciso muito mais disciplina e rigor. Não é para toda a gente. Eu, por acaso gosto e oriento-me bem, mas é mais complicado. Eu confesso que ao fim de um ano a trabalhar num projecto em casa, apenas com reuniões quinzenais, me soube bem voltar ao escritório. Hoje, preferia voltar a trabalhar mais tempo em casa para conseguir gerir melhor as coisas de casa (refeições do jantar) e o tempo para o meu filho. Pois uma das vantagens de estar a trabalhar em casa é o tempo que se poupa nas deslocações. Boa sorte

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  6. pois ... a auto disciplina é crucial, e o teu pessoal tem de te ajudar senão 'descamba' :D
    **

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  7. Lindo ... quando trocamos meia duzia de palavras no gmail um destes dias era exactamente com isto que estava preocupada e por isso ainda ponderei em não me "meter" contigo ... acho que a maior coragem de fazer o que fizeste é mesmo essa : gerir o tempo ... trabalhar em casa não significa não trabalhar de todo ... eu sei que tu sabes isso ... mas a maior dificuldade deve ser mesmo explicar essa realidade ao "resto do mundo" ...

    Mais uma uma vez acho que o teu "escrito" diz tudo ...

    Continuação de bom trabalho e beijocas grandes

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  8. é mesmo isso. Eu, péssima gestora do tempo, trabalho a meio tempo em casa desde o ano passado (e ainda passo duas horas preciosas em viagem). Se há coisa que tenho aprendido à minha custa, é que temos de ser os nossos próprios patrões, sendo rigorosos nos horários. Por vezes "entrava" mais tarde e depois tinha de fazer horas, algo que passei a tentar evitar, iniciando o trabalho mais cedo. Mesmo assim, ainda ando a tentar ajustar melhor as coisas

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  9. Depois de ter lido este teu post, revi-me em tantas coisas. Supostamente eu não trabalho em casa, mas as aulas não se preparam sozinhas e os materiais não aparecem feitos por magia, por isso há horas infinitas dedicadas à preparação das coisas que preciso. E é nessas horas que a 'desgraça' se dá, porque uma coisa que podia demorar pouco tempo, prolonga-se porque há o fb aberto, o reader idem e tenho a tentação de ir ao email com uma frequência muito maior do que o desejável.
    Estou a tentar controlar tudo isso, e o dia de hoje já me está a render muito mais do que eu Não tenho conselhos, mas se calhar o melhor é fazeres ver o que escreveste aqui às pessoas que te 'tentam' durante o teu horário de trabalho.
    Um beijo*

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  10. revejo-me em todas as palavras e subscrevo-as.
    para mim os convites para programitas (tão irresistíveis) são o mais difícil de gerir. Passo os dias a dizer "não".
    O segredo é vermo-nos como patroas de nós mesmas (daquelas patroas rigorosas) e calçar os sapatos de trabalho. Enquanto tenho as minhas crocs rosa, é expediente :)

    gostei, vou voltar.

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  11. E ainda agora acabei de aqui chegar e já estou de total acordo. :)

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Obrigada!