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22 novembro 2011

Inspiração

Eu considero-me uma mulher igual às outras. Tenho uma família para mimar, uma casa para gerir, um trabalho para fazer (agora são vários trabalhos, mas não importa), amigos com quem gosto de estar, sítios onde gosto de ir, coisas que gosto de fazer. Tenho uma vida a mil à hora e isso nem sempre é bom. Se, por um lado, consigo fazer milhentas coisas em pouco tempo (acho que já aqui desvendei o meu truque: não perder tempo em mudanças de tarefas, não gastar tempo nos intervalos, fazer tudo de seguida, com poucas pausas entre as coisas - e mesmo nas pausas a que me obrigo, por exemplo, para ver um filme no meio de um fim-de-semana de trabalho intenso, as minhas mãos ocupam-se de outras tarefas: crochet, ponto cruz, acabamentos nos meus trabalhos de costura), por outro não consigo contemplar, parar e pensar, não consigo ter muitos momentos de introspecção verdadeira.

Há uns anos conheci uma família que se tem tornado uma grande inspiração para mim. A forma como vivem a sua dinâmica familiar, a forma como se encontram com Deus, a forma simples como vivem tem-me feito repensar uma série de coisas.

Eu sou católica de formação, se assim se pode dizer. Fui educada entre catequeses e missas, fiz todos os sacramentos que podia, até à data (não fui ordenada padre nem me foi dada a extrema-unção, felizmente, e por razões óbvias!). Mas não vivo a religião de uma forma linear. E gostava de o fazer. Não tanto pela religião em si - a mim pouco me dizem os rituais mecanizados, obrigatórios -, mas pela introspecção que ela nos traz. Faz-me falta ir à missa quando me apetece, faz-me falta aquela hora ao domingo de manhã em que sou só eu e Ele, em que conversamos e nos entendemos. A culpa disto é minha. Não é do excesso de trabalho nem de nada do género. É minha. Se eu quiser, facilmente arranjo uma hora para sair de casa e encontrar-me com Ele e comigo. Tem vencido a preguiça.

E é também nesta minha luta que a tal família tem sido influente, sem saber. Eles, que não são católicos e que vivem uma outra realidade, são uma inspiração enorme pela forma honesta como vivem as coisas. São uma inspiração enquanto pessoas: despojados, não se preocupam com o que parecem mas com o que são, vivem em prol dos outros e não de si mesmos. Os filhos são o espelho desta forma tão simples de viver e são uns doces de meninos.

E eu gostava de ser mais assim: mais despojada, mais organizada, mais comprometida com uma coisa que me faz sentir tão bem. É um desafio.

A vocês, Oliveira Cavaco e a vocês, Cavaco Soares, muito, muito obrigada pela inspiração. Já vos disse várias vezes: vocês mudaram a minha vida.

(Aqui e na porta ao lado)

4 comentários:

  1. O ser humano, acha-se muito importante e ocupado para ter tempo para Deus, mas exigimos-Lhe que tenha sempre tempo para nós!

    Na base de tudo está o nosso Senhor e é ele que nos abençoa a cada dia!
    Engraçado que quando a coisa corre mal, culpamo-Lo sempre e quando corre bem, esquecemo-nos de Lhe agradecer.

    É por causa disso que tanto gosto d'As pegadas na Areia de Margaret Fishback Powers.
    Antes conhecia só o poema e depois li o livro da senhora que fazia parte de uma família dedicada a Deus.

    Dedicar a vida a Deus nunca é perder tempo, muito pelo contrário!
    Acho que fazes muito bem, procurá-Lo!
    Deus te abençoe a ti e à tua linda família.
    Bjs

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  2. Sinto exactamente o mesmo que tu. E mais engraçado é que a minha vontade em me aproximar mais de Deus surgiu nem mais nem menos do que conhecendo pessoas e famílias de uma outra igreja. Eu sou católica de formação e tradição familiar e, embora me sinta muitas vezes desiludida com a estrutura maior que compõe a Igreja, conheço muito boas pessoas que no contexto de cada paróquia dão genuinamente o seu melhor e ajudam a que a palavra Igreja faça sentido. Não me identifico com muitos dos princípios da tal Igreja que me pôs a "pensar", mas sem dúvida que o mais importante parece-me uma vivência verdadeira da fé de cada um.

    Sinto cada vez mais vontade de participar, de me envolver e de estar mais próxima de Deus. Temos tanto que agradecer e isso é tão importante, como disse a Kyla.

    Gostei muito deste post.
    (a religião anda mesmo pelas ruas da amargura. Acho que não é por acaso que este post tenha apenas, com este, dois comentários).

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  3. Sabes Saroca, é um post que não fala de cusquice, de sexo, de crítica (daí os poucos comentários).
    Fala apenas do melhor ser do mundo: Deus!
    Mas pelos vistos, é assunto que não interessa muito...

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  4. Tinha de vir deixar-te uma palavra neste post! E não tenho nada a acrescentar... temos coisas parecidas! Eu nasci numa aldeia, fui catequista, lia e cantava na missa e hoje, continuo católica e rezo todos os dias, mas começo a sentir falta dos rituais, mais ainda, sinto necessidade de passar isso aos meus filhos!
    Beiji grande Marianne, tu és linda:))

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Obrigada!