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23 novembro 2011

Memórias más

Fez ontem 16 anos que começou aquilo que veio a ser uma fase muito má da minha vida. Andava no 12º ano. Conheci um rapaz por quem me apaixonei (foi isto que fez anos ontem). Passado pouco tempo começámos a namorar. Foi uma relação feliz durante algum tempo. Até começarem as obsessões, as perseguições, as manipulações, os maus-tratos psicológicos, as ameaças de morte. Ao todo, estive com ele um ano e oito meses. Mais de metade disso foi um inferno. Um dia (o dia em que decidi, de uma vez por todas, que não era aquilo que queria para mim), fui salva pelo pai dele. No sentido literal do termo. Depois disso demorei quase meio ano a conseguir efectivamente separar-me dele. Tive que ir preparando terreno, com jeitinho. As ameaças de morte eram constantes. E eu nunca soube se devia ou não levá-las a sério (achei por bem levar, porque eu cá gosto muito de viver e não me apetecia morrer naquela altura). Um dia, em agosto, acabei com aquilo. Sem levantar ondas, sem esticar a corda. Continuou a haver chantagens e ameaças. Depois parou. Voltei a ser contactada por ele uns dois anos depois, como se não tivesse passado sequer um dia desde que acabámos. O discurso foi o mesmo, a tensão também. Não respondi a essas mensagens. Vi-o uma vez mais, casualmente, e o meu instinto mandou-me fugir. Vi os mesmos olhos dementes, a mesma maldade, a mesma podridão. E fugi.

Porque é que conto isto? Porque isto é um fantasma que me persegue. Foi esta história que me fez ser defensiva e muito reservada. Foi esta história que me fez não confiar com facilidade. E acho que há muitas histórias destas por aí...

10 comentários:

  1. Acredito que não se esqueça mais. Nunca vivi mas tenho uma amiga que infelizmente passou por algo parecido e isso afectou a personalidade dela.

    Mas uma coisa é certa: tiveste a coragem de te libertar de uma coisa que sei ser sugadora e aterrorizante. E se já admirava a tua força no presente, pelo que vou lendo, mais admiro por te teres permitido escolher, ainda que com esse custo que acredito que dure até hoje.

    Só posso deixar um beijinho e dizer que fui uma leitora atenta, como se estivesses a desabafar comigo e só comigo. Há gente deste lado :)

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  2. Lamento muito ler isto.. eu não sei como lidaria com uma situação dessas. Parabéns pela força, pela coragem, mas acredita podemos sempre ser felizes... eu sou muito descrente nestas coisas mas nem todos os homens são assim, sem escrúpulos, ao ponto de maltratarem uma mulher..
    Agora com certeza terás os olhos bem abertos e serás ainda mais cautelosa e forte. De novo os meus parabéns.. n deve ser fácil.. conheço uma pessoa que já levou uns valentes pares de estalos do namorado e continua com ele como se nada fosse...

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  3. LAmento imenso o que passaste. INfelizmente há muitas pessoas a passar por isso e sem saber o que fazer... Beijinhos grandes

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  4. Querida Marianne, o teu testemunho é precioso, para quem está a atravessar uma fase, idêntica à que te aconteceu. Lamento tudo o que te sucedeu e fico feliz por ti, por teres conseguido sair dessa situação.
    Espero que este teu texto seja um motivo de força, para alguém.

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  5. Parece que estas coisas só acontecem aos outros. O teu testemunho é fundamental para quem está na mesma situação que tu e que precisa de um empurrão para acabar com os maus tratos. Lamento que tenhas passado por tudo isto. E admiro a tua coragem para contar isto. Bj**

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  6. Tive um caso parecido. Um rapaz que não chegou a ser meu namorado, mas que era meu amigo e não soube lidar com a rejeição.
    Ligava-me completamente b~ebado, mandava-me mensagens a dizer que ia esfaquear o meu namorado da altura, seguia-me depois das aulas, ligava com toques para minha casa, às 100 vezes por dia...e isto em idades que não se sabe lidar com estas coisas.
    Acabou por se fartar, porque eu também soube não ceder e tentei ao máximo ignorar, mas virou muitas pessoas que julgava serem minhas amigas contra mim numa fase em que precisava bastante de algum apoio. Enfim, histórias da vida ;)

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  7. Ainda bem que contaste, porque isso mostra que é possível fugir, mesmo sendo quase uma miúda conseguiste reunir todas as forças necessárias. Parabéns, hoje admiro-te (ainda) mais.

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  8. Marianne, vou ser muito sincera.
    Considero este assunto muito pessoal para ser exposto aqui na blogosfera. Não sei até que ponto teres falado sobre isto, neste espaço, te fará bem.
    Ele ainda anda por aí e a internet é um meio disponível a qualquer um (mesmo àquelas pessoas que não queremos que leiam os nossos post's). Publicar assuntos deste cariz, é como que desenterrar fantasmas que podem vir a assombrar-nos!
    Eu acho que quando se mais mexe na "porcaria", mais cheira mal!
    Seja como for, devo dizer-te que tiveste muita coragem em teres dado a volta por cima com tão pouca idade e conseguires ser a mulher que és hoje.
    Bjs e força!

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  9. Kyla, tens razão. Mas não é isso que me preocupa. Achei que devia contar isto, não sendo paternalista, mas mostrando que é possível sair. Eu não precisei de gritar por ajuda, nunca chegou a tanto. A coisa foi muito mais psicológica do que física e eu sabia que devia tentar desenredar-me sozinha, sem levantar ondas.

    Não sei o que aconteceu à pessoa em causa, não sei se continuou com aquela postura noutras relações. Sei que me dizia sempre que o que fazia, fazia por me amar de uma forma que o ultrapassava. Eu escolhi acreditar nisto, mesmo sabendo que quem tem bom fundo e ama muito não precisa de fazer nada disto.

    Este post não serve para tirar esqueletos do armário. Serve para dizer que não acontece só aos outros. E serve para dizer que podemos passar por isto e ser felizes a seguir. No fundo acho que é um post sobre esperança e sobre conseguir vencer.

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  10. Não consigo sequer começar a imaginar como será estar numa situação dessas, mas admiro-te por teres conseguido escapar, dar a volta por cima e acima de tudo ser feliz depois disso. Isso sim é admirável, não teres deixado que uma besta dessas te impedisse de ser feliz. Beijinhos

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Obrigada!