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17 novembro 2011

Sobre o vox pop universitário da Sábado

Confesso que não sei o que é pior: se um molho de universitários claramente ignorantes (péssimo) se uns jornalistas que não lhes ficam muito atrás: a água não tem símbolo químico. Tem, isso sim, uma fórmula química que inclui dois símbolos químicos. H2O é água. Significa que uma molécula de água é composta por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio. Vai daí, a pergunta dos jornalistas é tão estúpida quanto as respostas dadas pelos universitários.

É incontestável que estamos perante uma geração que anda a leste. Neste vídeo percebe-se isso (se virmos o todo pela parte). O cinema, a literatura, a religião, a política, a arte, a cultura (e a vida no geral) não são com eles. E eu pergunto: se nada disto "é comigo" (com eles), o que é que é? Por que é que eles se interessam? O que é que querem saber? O que é que lêem? Que filmes vêem? Ou, para eles, a vida é só facebook, playstation e pouco mais?

A sério, isto preocupa-me. Porque tenho dois filhos que, daqui a uns meros 14 anos, estarão na pele destes miúdos do vídeo. E eu não quero que eles façam figuras destas.

E daqui partimos para algo maior: a escola serve para ensinar. Mas os pais, a família, serve para educar. E se não educarmos os miúdos no sentido de fazer deles pessoas interessadas, empenhadas, que querem aprender e saber, não importa quão boa é a escola onde eles estudem. Eles não vão querer saber.

[E eu sei que nem todos os miúdos são assim, como estes do vídeo. Haverá miúdos cultos, interessados, sabedores de mais coisas do que estes. Mas eu não estou livre de me sair um filho desta lavra. Ou dois. Por isso cabe-me a mim, enquanto mãe, mostrar-lhes que há mundo para além da tv que temos na sala...]

16 comentários:

  1. Eu tenho 23 anos, sou universitária e não me identifico com aquele grupo. Sei a resposta à maioria das perguntas, gosto de saber o que passa no mundo, de ler o jornal de ver as noticias, de me manter a par das coisas. Considero-me uma pessoa minimamente culta, obviamente À tanto,mas tanto que não sei. Apesar de não ligar a política por exemplo, gosto de saber pelo menos o estado geral das coisas.
    Confesso que Às vezes me sinto um bocado um bicho estranho no meio de algumas pessoas da minha idade, por exemplo, eu amo ler. De paixão... Gosto mesmo. Não por obrigação, não porque tem que ser, simplesmente porque me dá prazer. Muitas vezes perguntam: mas o que é que aprendes com isso? Para que é que isso serve? Oi? Aprende-se muito, basta querer, a mim dá-me prazer ler e aprender coisas novas, reflectir, pensar, chegar a conclusões.

    Quanto a essa pergunta da água, olha sem comentários. Nem digo nada porque enfim, não vale a pena...

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  2. Eu já li opiniões tão díspares sobre aquele vídeo e sobre o texto que acompanha o vídeo. Li-as, apesar de ter a minha opinião, para ver se havia algo que não estava a analisar correctamente. Já vi desculparem aqueles estudantes com o ensino escolar, com as prioridades do país, etc, etc. Mas eu acho que nada justifica uma coisa daquelas. Todos sabemos que há algo que se costuma apelidar de cultura geral. Há temas incontornáveis. Ou porque nos passaram pela mão na escola, bem ou mal dados, ou porque são temas frequentemente falados.

    E eu vejo pelo meu grupo de amigos e amigas. Muitos deles estudaram comigo - tivemos acesso ao mesmo ensino, portanto - e vejo diferenças de cultura. Porquê? Porque, como dizes, depois entra o interesse que as pessoas têm em saber, a educação que têm. E há pessoas que simplesmente não querem saber. Ficam pelo estudar para passar, porque nas nossas escolas e faculdades por vezes tem que ser mesmo assim. Há pessoas que não têm interesses simplesmente e escudam-se na falta de tempo. E depois o mundo avança e as coisas perdem-se e esquecem-se.

    E cada vez mais, pelas distracções que hoje vemos os adolescentes a ter, sabemos que falta estimulação daquelas mentes. Claro que há excepções, mas basta andarmos por aí para vermos.

    Eu gosto de aprender. Se me fizessem perguntas assim na rua se calhar falhava uma ou outra das que foram feitas. Porque filmes, nomes de filmes, nomes de actores, não são o meu forte. Vejo, lembro-me das histórias, mas depois decorar nomes, associar a caras, chapéu! E já confessei várias vezes que não sou boa a situar países no mapa, visualmente. Não digo que ponha a Índia na América do Sul, mas não sou capaz de visualizar mentalmente agora aqueles países que compõem a América central e do sul por ordem de disposição, por exemplo. Se me fizessem perguntas daquelas se calhar justficava-me e ficava envergonhada, claro. Mas penso sempre que talvez seja um mal pouco grave. Porque eu fui educada a gostar de saber e lembro-me que em pequena era incentivada a consultar o dicionário quando tinha dúvidas, a casa foi apetrechada de livros que pudessem ser-nos úteis e tudo isso deu-me a noção de que seria bom conhecer certos temas, deixou cá o bichinho.

    Resumindo, que já vou muito longa, concordo com a tua opinião. Acho que é a mais sensata.

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  3. Escreveste "Uiniversitário" de propósito não foi? Do tipo "Ui! que até dói :)"

    Agora a sério...é bem verdade o que dizes e também tenho o mesmo receio.
    Se a minha filha não se interessar em saber coisas como as que foram perguntadas, vou achar que falhei como mãe educadora.
    Cabe-nos a nós, pais, cativá-los nesse sentido. A minha filha com 18 meses, mostra mais interesse pelo livros do que propriamente por brinquedos e espero que assim continue! O livro é sempre a melhor oferta para as crianças. Com ele, brinca-se e aprende-se ao mesmo tempo.

    Como disse no post do "Arrumadinho" acerca do mesmo assunto, tenho muita pena que para além da ausência de cultura geral, os jovens de hoje, não saibam escrever!
    A língua portuguesa é o instrumento de comunicação primordial para os seus futuros e dão tão pouca importância a isto.
    Hoje em dia, uma criança do ensino básico vai passando sem saber escrever ou fazer contas!
    Sad but true!

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  4. Kyla, escrevi uiniversitário porque as letras são vizinhas! Já corrigi. Thanks!

    Sílvia, cá vai um "toque": escreveste asim "Considero-me uma pessoa minimamente culta, obviamente À tanto,mas tanto que não sei.". Aquele "à" ali no meio carece de um "h" antes (eu sei que foi gralha e que sabes a diferença entre "há" e "à").

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  5. :) Obrigada... Claro que sim :)Desculpa a gralha. E por favor digam-se sempre que escrever asneiras :)

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  6. Sílvia, sabes que eu conheço uma alminha que, com 32 anos, curso superior e dezenas de livros lidos, ainda escreve coisas como

    sinseramente
    "e depois foisse embora"

    E esta não sabe (mas não sabe mesmo!) a diferença entre o há e o à... mesmo depois de lhe ter explicado a coisa uma porrada de vezes...

    (Ou seja, é daquelas que sabe que está errada mas está-se a lixar para o assunto).

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  7. E ainda levam a mal quando se tenta corrigir, dizendo jocosamente: "sim, senhora professora!"
    Tenho dito sempre a essas pessoas:
    "Queres continuar a errar, tudo bem, mas no futuro não vou ser mais eu, tua amiga, a corrigir...será uma pessoa desconhecida e a vergonha será maior!" - porque não fazer um esforço e corrigir já? - "Nah...isso agora dá muito trabalho, amanhã logo trato do assunto!"

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  8. Mais uma gralha: e por favor digam-ME sempre que escrever asneiras.

    Às vezes sou um bocadinho disléxica, e escrever num mini portátil com grande velocidade, sai sempre asneira.

    Ok, esses assim tão flagrantes não dou (ia sentir-me mesmo mal se escrevesse assim),e sei a diferença entre à e há mas confesso que de vez em quando fico com dúvidas a escrever algumas coisas. Agora de repente não me lembro de nada, mas acontece-me.

    E eu própria fico passada quando vejo erros, portanto gosto que me digam quando erro, para não o voltar a fazer. Por exemplo fico com pele de galinha quando vejo escrito coisas como: fizes-te, comes-te, passa-mos (sim já vi isto escrito), e por aí fora.

    Por isso dá-me "toques" sempre que necessário que eu até agradeço :)

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  9. A falta de cultura nesta geração é um flagelo, sem dúvida, e concordo plenamente contigo no que toca à educação e à plena responsabilidade dos pais em dá-la e em abrir os horizontes, conhecimentos e curiosidade dos nossos filhos, Por isso estou confiante que não te vão sair dois espécimes daquela estirpe na rifa, porque isso não nos sai, leva sim anos a apurar!

    Mas também estou convencida que entre os entrevistados e principalmente tendo em conta as perguntas, imensos jovens deram respostas certas ou mesmo tiradas brilhantes, se calhar alguém até corrigiu o jornalista! Mas isso não interessou para nada. E esse, a meu ver, é o maior problema, é que isso não é divulgado, o que não só é redutor, porque não reflecte a realidade tal como ela verdadeiramente é, como dá um sinal angustiante sobre o que interessa à sociedade, sobre o que a media acha que move as audiências e realmente as move, basta ver a forma como este vídeo se alastrou, seja por choque ou diversão. A estupidez é valorizada, mesmo que seja pela negativa, mesmo que seja para falar mal e já se sabe que hoje mais que nunca, falem bem ou mal, mas falem...
    Este tipo de jornalismo não merece o meu tempo de antena, e no entanto, cá fica o meu comentário longo e maçador... bolas, sempre conseguiram por-me a falar nisso também!

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  10. Sílvia, um truque que utilizo sempre para evitar errar é, se tenho dúvidas acerca de uma palavra, escrevo-a no computador ou no papel e é engraçado que visualizando-a, consigo perceber se está ou não bem escrita.
    Se ainda assim, isso não resultar, escrevo-a no google e logo aparece a correcção (escrevo com 2 CC porque não concordo com o AO e enquanto se puder utilizar as 2 versões, utilizo).
    Há alguns anos, também dava certos erros como "há-des" ou "cacecol", porém, fui corrigindo e agora sei que é "hás-de" e "cachecol", entre outros!
    Temos que saber admitir os nossos erros e com isso esforçarmo-nos para que no futuro não aconteça mais e isso, tiveste a humildade de fazer.
    O que acontece muitas vezes quando se escreve em blogs e outros do género, é que as pessoas não tornam a ler o que escrevem antes de publicarem, de modo a verificar se realmente aquela frase tem sentido e está sem erros (porém, mesmo revendo, muitas vezes acontece-me falhar em alguma coisa....).

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  11. Maria de Lurdes (lindo nome) - comentário muito bom!

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  12. Eu vi este vídeo e sinceramente fiquei um bocado envergonhada por fazer parte desta geração... Não só por não saberem a resposta às perguntas colocadas, mas por justificarem sempre isto com um 'não ligo', 'não me diz nada', 'não me interessa'... :/

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  13. Kyla por acaso também utilizo essa técnica de escrever em papel ou em último caso procurar no google. E sim também sou da velha escola e não adoptei ainda o novo AO. Não gosto. Mas tem mesmo que ser visto que tenho de escrever a minha tese já com o novo AO. Já sei que vou odiar...

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  14. concordo com tudo o que foi dito neste post! mesmo tudinho!

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  15. Marianne, não sei se já ouviste o que o Bruno Nogueira (que para mim, é um senhor) disse sobre o assunto no seu Tubo de Ensaio de hoje:
    http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=904110&audio_id=2132157

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Obrigada!