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22 novembro 2011

Vida II

Ainda no seguimento do que escrevi sobre o Carlos Martins, não percebo qual é a dúvida. Como é que há pessoas que ainda questionam se devem ou não inscrever-se como dadores de medula óssea? O que é que há a pensar? Não perdemos absolutamente nada com isso, não nos tiram nenhum bocado, não deixamos de ser quem somos, não ficamos incapacitados. Não percebo.

Da mesma forma que não percebo como é que o medo de agulhas pode ser maior do que salvar vidas. Nada é maior do que a vida. Uma merda de uma picada de uma agulha dura um nanosegundo. Dói e passa na hora. Uma vida dura... uma vida. Não é comparável, não devia sequer ser equacionável. E choca-me depois saber que há quem diga que não se importava de ir ver se era compatível com o filho do Carlos Martins, mas, se fosse, nem pensar em doar medula... porque uma punção é uma coisa que dói. Isto é demasiado estúpido para ser sequer comentado...

E era isto. Se ainda não foram, vão. Há Brigadas um pouco por todo o lado e é fácil, tão fácil fazer isto...

Brigadas: http://www.chsul.pt/index.php/pages/calendario_brigadas



10 comentários:

  1. Eu já tenho lido no blogue da SMS - Cocó na Fralda - os textos sobre a sua ida para doar medula pois parece que teve a felicidade de ser compatível com alguém neste mundo. E nem imagino o que se sente.

    Eu era dadora de sangue antes de ter passado por uma fase de complicações de saúde em que tive que deixar de dar pois as suspeitas eram muitas e as certezas nenhumas. E só isso, saber que alguém estaria a utilizar parte de mim para a sua saúde, dava-me sempre um alento enorme. Mesmo quando depois de uma colheita me sentia mais fraca. Eu que sempre tive aquela tensão da bata branca, tentava mentalizar-me na hora de me medirem a tensão para que não passasse para os valores em que me proibiam de fazer a doação. ´

    E fui tendo que adiar a minha inscrição no banco de dadores de medula. Como vou ao hospital de São João, no Porto, com regularidade, passo pelo pavilhão onde se situa o centro de histocompatibilidade e torço para que mo deixem visitar em breve. E conto fazê-lo logo após a minha próxima consulta, assim a médica me largue da mão que já estou farta dela lolol

    Isso mexe-me com o emocional. E muito mais depois da minha mãe ter precisado de transfusões de sangue e ter estado por duas vezes a um passo de ser inscrita na lista de transplantes de medula. Felizmente a situação reverteu-se mas eu penso muito nas pessoas que estão a precisar e digo que mesmo que fosse preciso dor ou mais sofrimento - que não é - por ser dador de medula, era algo que eu fazia de bom grado. Nada deve ser mais forte do que darmos sentido à nossa existência por termos ajudado alguém que precisa.

    Eu escrevo muito, eu sei! Peço desculpa pelos testamentos. Mas só queria acrescentar uma coisa. Nós podemos estar impedidos de ajudar na cura mas há também a ajuda na doença que é importante. Visitem o site da Acreditar, por exemplo, e vejam como é fácil ajudarmos com pequenas coisas, com um lápis divertido, com um baralho de cartas ou uma caixa de pensos com bonequinhos, para tornar a estadia das crianças no IPO "mais feliz".

    Marianne, obrigada pelo espaço para estas discussões. Um beijinho enorme.

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  2. Queres saber uma boa notícia???
    O nº de dadores de medula aumentou 100% por causa da campanha do Carlos Martins! :D
    Se não se encontrar um dador para o Gustavo já, pelo menos deve haver outras pessoas, crianças ou não, a encontrar um dador!!! Que maravilha!!!

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  3. Na verdade, a minha "picadinha" foram uma data delas muito mal dadas, muito desconfortáveis, provavelmente por falta de jeito da enfermeira. Perguntaram-me se eu queria desistir e ir lá noutro dia. Disse que não, fui apanhar ar antes de desmaiar e estendi o outro braço.
    Mas eu sei que fui uma exceção à regra (depois disso já tive de tirar sangue várias vezes e não custou quase nada) e apesar de ainda não ter sido chamada, a sensação de poder vir a fazer alguma coisa por alguém traz um conforto enorme.

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  4. É por estas e por outras, que Deus permite que aconteçam estas coisas também a gente conhecida.
    Só assim, as pessoas se lembram que a doença existe e pode atingir qualquer um!

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  5. Ando há meses a dizer que vou, já tive os papéis que a Cócó disponibilizou e tudo, mas nunca arranjei tempo para ir. Mas ontem, depois de ler o teu blogue já decidi que amanhã é o dia. Já está! De amanhã não passa!

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  6. Dizer que não só devemos ser dadores de medula, como de sangue! É que neste caso há muita gente a esquecer-se disso, e o sangue que doamos pode ser utilizado por 3 pessoas diferentes!
    E depois, um pequeno reparo. Em caso de compatibilidade, não é necessária qualquer punção para o transplante de medula óssea. Os mecanismos sao mais avançados, e passam simplesmente (!) por estarmos ligados a uma máquina que vai "filtrando" o nosso sangue

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  7. Não percebo. Iam lá ver se eram compatíveis e só isso? Mas para quê? Só se fosse para ficarem com um bruto peso na consciência...

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  8. clap clap clap ...

    eu já estive no balcão do centro de recolha no hospital de S.joão, com os papéis preenchidos e não me deixaram ... faltam-me os 50kgs :/

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  9. Estou farta de escrever posts sobre isto (ainda hoje fiz um) e tb não percebo. Ainda há pouco estava a"discutir" isto com um amiga que "desmaia" qd vai tirar sangue. As pessoas têm que saber que isto não é igual a dar sangue, que percebo que possa fzr impressão e causa um mau estar imediato, etc. Isto é AINDA mais fácil. É como fazer análises! E o registo fica lá para sempre e se uma mulher no Chipre ou um miúdo mexicano precisarem de nós, é que nos "transtornam".

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Obrigada!