-->

Páginas

19 dezembro 2011

Da crise

Vou-me mantendo calada acerca da crise. Tenho à minha volta muita gente que se queixa da crise. Deixaram de poder comprar malas e sapatos e blusas todos os meses e por isso sentem a crise. Deixaram de poder ir ao cinema todos os fins de semana e por isso sentem a crise. E dizem isto com propriedade e auto-comiseração, ai que eu sinto imenso a crise, queria tanto aquelas calças da Zara e não posso mesmo comprar.

Put@ que pariu. A única crise que percebo aqui é de neurónios. De bom senso. De tento na língua. Porque ao lado (se calhar bem mais perto do que se pensa) há uma crise (a verdadeira) que não se prende com malas nem com sapatos nem com blusas. É a crise que impede que se almoce todos os dias. Que obriga a que o jantar seja apenas sopa. Que faz com que se evite uma ida ao médico. Que faz com que as deslocações sejam reduzidas ao essencial, porque a gasolina não nasce nos depósitos. Uma crise que faz com que a conta bancária chegue a meio do mês com saldo de dez euros. Uma crise que impede (obviamente) que se escolham presentes de Natal. Uma crise que, na noite da Consoada, vai pôr apenas o essencial na mesa (e se calhar não vai ser bacalhau), sem sobremesas, sem frutos secos, sem bombons nem nada que se pareça.

Era isto. Há por aí uma crise, sim. Mas não é isso (ainda) que vive quem não pode comprar todas as malas e sapatos e blusas que comprava há dois ou três anos.

22 comentários:

  1. Vais ver a crise na passagem de ano...

    ResponderEliminar
  2. ADOREI!!! Ora cá está um post TÃO válido...TÃO realidade!...Tão..."Natal"! Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Toma e embrulha! :)

    Beijinhos!
    Maria Leonor
    umdocedecasa.blog.com

    ResponderEliminar
  4. Ora, nem de propósito. Falei exactamente sobre isto no meu blogue.

    ResponderEliminar
  5. Ai mulher, que tu falas tão bem!
    Se há coisa que me causa comichões é gente que fala de crise, traumas e depressões levianamente. São coisas tão, mas tão sérias, que é preciso muito tento na língua.
    E neurónio, como também dizes e muito bem.

    (e gratidão, humildade, respeito... enfim)

    ResponderEliminar
  6. tão verdade o que dizes. Hoje nos CTT, eram umas 17.00, uma senhora idosa perguntava a outro senhor de idade se ele tinha almoçado. A resposta dele foi "Hoje, não. Não pode ser todos os dias, mas logo à noite tenho uma sopa." Porra, que murro no estômago... eu não ouso queixar-me, que por aqui o que a crise trouxe foi bom senso aos gastadores da casa e não falta nada essencial. Beijinhos

    ResponderEliminar
  7. Nem mais! (Descobri agora o teu blog. Tenho apenas 5 palavras: Es Pe Ta Cu Lar!)

    ResponderEliminar
  8. Concordo plenamente com o que dizes sem tirar nem pôr! Há pessoas que não sabem realmente o que é passar dificuldades, e por isso limitam-se a fazer esses comentários... Enfim... a realidade é muito mais dura do eles imaginam!

    Beijinhos...

    ResponderEliminar
  9. Tão mas tão verdade. Parece mentira que perante problemas tão reais ainda hajam pessoas que se preocupam com coisas tão fúteis. Gosto mto mto do seu blog...de a ler sempre que posso:) um bj

    ResponderEliminar
  10. Tão mas tão verdade. Parece mentira que perante problemas tão reais ainda hajam pessoas que se preocupam com coisas tão fúteis. Gosto mto mto do seu blog...de a ler sempre que posso:) um bj

    ResponderEliminar
  11. E ouvi-los a dizer que, como imaginam que não lhes vão dar certa coisa, têm eles de oferecê-la a si próprios? É de cair para o lado.

    ResponderEliminar
  12. Pois, queixam-se muito da crise mas se alguém precisar de passar por perto de um centro comercial bem pode ver as enormes filas de carros que se acumulam nas entradas dos parques de estacionamento. E a quantidade de sacos de compras que as pessoas trazem, igual a anos anteriores. Se há crise, sinceramente não sei onde anda para todas essas pessoas que continuam a comprar de forma desenfreada sem parecer pensar no novo ano de dificuldades que parece estar aí à porta. Cada vez mais me convenço que existem pessoas com prioridades muito trocados, só pode...

    ResponderEliminar
  13. Escreves bem!!!! E não mais nem digo porque até fiquei com as lagrimas nos olhos.

    ResponderEliminar
  14. É verdade! Estou sem palavras para o teu post...que é tão verdadeiro.
    Às vezes quando me sai daqueles desabafos de desalento e me queixo, repenso logo no que disse e trato de agradecer o que tenho. Acho que acima de tudo temos que ser GRATOS!!! E generosos para com os que têm menos que nós. Gostei especialmente deste post.

    ResponderEliminar
  15. Finalmente alguém escreve o que eu penso! TAL E QUAL!

    Felicidades :)

    ResponderEliminar

Obrigada!