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15 dezembro 2011

Erros

Premissa: toda a gente erra.

Todos, a não ser que sejamos a Madre Teresa de Calcutá (anyone? Não? Bem me parecia), tendemos a olhar mais para o nosso umbigo do que para o que o rodeia. Ou seja: vemos o nosso lado da história antes de qualquer outro lado. Olhamos a vida da nossa perspectiva e pormos os pés nos sapatos alheios não é tarefa fácil nem que ocorra muitas vezes. E, nisto, acontece repetirmos erros que apontámos a outras pessoas quando elas os cometeram. Mas agora, que somos nós a cometê-los, não somos capazes de os perceber e muito menos de os assumir.

Um exemplo: tive alturas, em namoros idos (coisas quase do milénio passado) em que, assim que a coisa se dava, eu morria para o mundo. Deixava de estar com os meus amigos, deixava de ter disponibilidade para programas de amigas, telefonava muito menos. É normal e expectável. Não quer dizer que seja correcto. Demorei muito tempo a perceber a dimensão do meu erro. Afastei-me das minhas melhores amigas e na altura nem me apercebi, entretida que andava com o meu umbigo (e com o do namorado, já agora). Bati com os pés na terra, não quando elas me chamaram a atenção para o facto (porque aí tive sempre justificação e resposta e mil maneiras de explicar o que se andava a passar, mas assumir a verdade... não), mas apenas quando a relação terminou e eu percebi que, agora que estava numa dança a solo, estava, na verdade, sozinha. Elas, com razão, tinham ido à vida delas. Não deixaram de ser minhas amigas, mas deixaram de estar lá todos os dias. Não, na verdade, não deixaram. Eu é que deixei de as procurar e comecei a achar que elas não estavam lá. Mas estavam. E eu aprendi com o erro. No dia do meu casamento, lembro-me perfeitamente de me terem pedido que não me afastasse e de eu ter respondido que não ia voltar a cometer aquele erro.

Hoje, casada e com filhos, os programas com amigas são muito mais raros, cortesia da falta de tempo e do excesso de tarefas. Mas, curiosamente, sinto-me muito mais próxima delas agora do que noutras alturas. Estamos perto, é fácil combinar qualquer coisa, nem que seja um cafézinho rápido. Tenho, acima de tudo, disponibilidade mental para isso: sei que me apetece estar com elas, sei que elas fazem parte da minha vida e sei que consigo arranjar meia hora para pôr a conversa em dia.

Mas é por já ter estado do outro lado, cega e só com olhos para o namorado da altura (e com trabalho e o resto da vida a correr) que me custa que, quem já me apontou (e bem!) o dedo agora faça a mesma asneira que eu fiz e ande longe. E custa-me essencialmente porque sei que há-de haver um dia em que a ficha cai e a pessoa se apercebe do tempo que perdeu. A amizade não desaparece nem se transforma (porque essa é a espinha dorsal das amizades verdadeiras). Mas as saudades magoam. E é isso que sinto: saudades das minhas amigas que, engolidas pelo vórtice da paixão e do trabalho e tudo o mais, delegaram para último plano a amizade que sabem que está lá para o que der e vier.


[Resumindo: tenho saudades tuas, miúda. Volta!]


6 comentários:

  1. Pois pá. já fiz o mesmo e arrependo-me. Mas de arrependimentos está o mundo cheio. Enfim, resta-me aprender com as minhas cabeçadas. O que arde cura. Queremos ser cada vez melhores é isso que nos valhe. A evolução.

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  2. Eu sou a quem sempre sofreu disso. Nunca o fiz, mas lembro-me quando namorava e uma amiga minha começou a namorar e afastou-se. Uma vez eu combinei com ela um lanche de domingo e vim de Guimarães para o Porto, deixando o meu namorado lá, no domingo de manhã para estar com ela. Encontrámo-nos e depois de uma hora juntas ela diz-me que tem que ir embora porque o namorado estava à espera dela.

    Ainda hoje sou amiga dela, fui ao casamento de ambos e adoro-os e torço mesmo para que sejam felizes mas não me esqueço disso, porque ouvi, a chorar, a minha mãe a dizer-me que eu era a maior burrinha à face da terra. Não me considero burra, acho que eu é que estive sempre certa. Porque, parecendo cliché, os amigos ficam e os namorados vão e vêm.

    Ainda hoje vivo coisas assim e continuo a manter a minha postura. Não fico com desejos de vingança, não alimento a mágoa - só na altura em que me dói mesmo muito - e sou capaz de perdoar sem ter que o dizer expressamente. As coisas passam. Só não passa o amor :)

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  3. Acho que, acima de tudo, há que haver um equilíbrio. Percebo e concordo, não pode desaparecer tudo à nossa volta. Mas por vezes, do outro lado, do lado da amiga, também não há muita compreensão e cai-se no exagero.

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  4. tãooooo verdade ... é que os amigos estão lá ... quando o trabalho falha, quando o namoro acaba ...
    era bom que todos o soubéssemos valorizar :)

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  5. E quando não volta? :(

    Ser crescido não é nada fácil...é o que é!

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  6. Tenho andado a pensar nisso também, desde que há quinze dias tive um ataque de choro no centro comercial quando cheguei à triste conclusão que os programas de amigas acabaram no momento em que apareceram namorados novos..Eu acho (para não dizer 'tenho a certeza') que não fui assim e que não deixei de querer estar com elas quando comecei a namorar.
    Está a custar-me imenso lidar com esta situação...

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Obrigada!