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14 dezembro 2011

Opinando

Sobre o tal workshop.

Cada um é livre de fazer o que lhe der na telha. Eu dou workshops de costura porque acredito que tenho conhecimentos que posso passar. O senhor vai dar o tal workshop de engate como conquistar o homem dos nossos sonhos porque acha que sabe alguma coisa que resolva esta questão. Certo.

Acho profundamente "unethical". Acho de uma presunção tremenda. Não há duas pessoas iguais. Não se conquistam duas pessoas da mesma forma. O melhor de cada um de nós é sermos únicos. Não há fórmulas. Aquela treta de "ando a ler os livros errados, a ver os filmes errados"... mas o que é isto? Desde quando é que, para conquistar A, B ou C devemos ler determinado livro ou ver determinado filme? Desde quando, senhores?

Por exemplo: este senhor nunca na vida dele me teria conquistado a mim. Já dei para o peditório dos metrossexuais de egos inflamados e não estou para isso. Não é por ele gostar de brunches, por ler a metro, por escrever dissertações sobre o amor, por ser jornalista e usar calças amarelas que me ia conquistar. Aliás, se ele vai ensinar a conquistar um homem como ele... eh pá, não quero!

Não se ensina ninguém a amar. Não se ensina ninguém a conquistar. Não se diz a uma pessoa que, para ser mais interessante, deve ler tal livro, ir a tal restaurante, ver tal filme. Cada pessoa é única e é disso que temos, todos, que nos valer. E haverá alguém, um dia, com quem a coisa faz click. Não é preciso um curso para isto.

Para mim, esta acção, mascarada de bom samaritanismo, não é mais do que um vil aproveitamento das alminhas mais sensíveis que por ali andam. Alminhas sensíveis e crédulas, que largam 40 euros na expectativa de se tornarem na pessoa certa para toda a gente. Tudo tão ao lado... tão ao lado!

E o que mais me choca é que alguém se preste a este papel, tendo uma carreira aparentemente consolidada, tendo nome na praça... Mas, lá está, cada um sabe de si...

17 comentários:

  1. Quando acho que já vi de tudo... nem tenho palavras!

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  2. Oh Marianne, agora até me assustei! Porque estava a dizer isso mesmo aqui em conversa, tal e qual, com referência a brunches e tudo!

    Penso isto que escreveste, sem tirar nem pôr!

    :)

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  3. Pois... Quando li o post pensei que era desnecessária tal exposição. Mas, enfim, cada um sabe de si!

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  4. Eu confesso que até gosto de alguns posts dele, mas achei o workshop um disparate...e acho ainda mais disparate alguém pagar para ser ensinada sobre essas matérias, quando tudo é muito mas muito relativo...

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  5. Ele é o contrário de tudo aquilo que gosto num homem e assusta-me a presunção de se achar um exemplo daquilo que as mulheres querem ou deviam conseguir. É como tu dizes, é muito ao lado!
    Já nem falando da questão de se estar a aproveitar das mais ingénuas.

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  6. Primeiro pensei que ele estivesse a brincar, a pôr em palavras uma private joke ou algo assim, mas quando vi que era verdade, a primeira coisa que me veio à cabeça foram os piores reality shows americanos, em que um parvinho tenta moldar outros parvinhos, fazendo-os crer que só no final do programa é que vão ser os homens/mulheres ideais para qualquer pessoa.

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  7. Uma óptima análise.

    Recomendo também esta, mais galhofeira, mas no fundo muito séria:

    http://conversa2.blogspot.com/2011/12/como-conquistar-o-homem-dos-meus-sonhos.html

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  8. Bravo, Marianne! Mas olha... se as alminhas sensíveis e crédulas têm 40 euros para gastar e querem oferecê-lo a essa pessoa iluminada, é deixá-las!!! LOL Enfim... esses workshops só fazem/farão sucesso, porque há gente para tudo... para tudo mesmo!!!

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  9. Cristina, é o que sempre digo. Só vai quem quer!

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  10. Ter conhecimentos factuais sobre um tema (no teu caso a costura) e tentar rentabilizar é genuíno e inteligente, achar que se tem conhecimentos sobre um tema tão subjectivo como "o engate" não só é presunçoso como também ridículo.
    Pena que haja gente de mente tão curta que não entenda a vigarice subjacente.

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  11. Não mudava uma virgula no teu texto. Concordo plenamente. E fico igualmente indignada. Isto enerva-me um bocadinho, confesso. E enerva-me que ele se tenha tornado um clone da mulher para se vender.
    Mas cada um sabe de si, cada um fica com a sua consciência

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  12. Sendo certo que cada um faz o que quer parece-me que neste caso existe um grande falta de bom senso. Porque uma coisa é usar aquilo que sabemos fazer (no teu caso a costura, no caso de outras bloggers a maquilhagem, etc, etc, etc)e transmitir conhecimento aos outros. É válido e muito útil. Neste caso é pura estupidez, porque simplesmente as pessoas são todas diferentes (e ainda bem), não se pode pegar em meia dúzia de coisas e fazer disso regras. É estupido, muito estúpido. Parece-me um bocado impossível ensinar alguém a conquistar o homem dos seus sonhos, isso simplesmente acontece certo? Não é preciso um monte de baboseiras e frases feitas.
    Na realidade que necessidade tem ele de fazer isto? Gostava tão mais dele quando era um simples desconhecido, acho que o blog perdeu muito desde que reabriu. Achava-lhe piada, dava para rir um bocado, agora acho só um bocado chato. É pena que, como a Analog girl disse ali em cima "ele se tenha tornado um clone da mulher para se vender", porque no fundo tudo em que tocam vira ouro.

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  13. Acho que o que mais me choca nisto é eu não fazer ideia de quem é que estão a falar. :P

    Estou noutro comprimento de onda, está visto, mas já que estamos numa de opinanços, e o meu vale o que vale, cá vai:

    Como disse alguém aqui em cima, cada um é livre de fazer o que quer, seja ensinar a fazer origami ou ensinar a fazer amor (também há e é serviço público, deixem-me que vos diga).
    Ensinar a engatar é tão válido como ensinar a pintar: isto é uma coisa que nasce com a pessoa, ou se tem ou não se tem what it takes to take a guy (or a girl). Mas pode ser melhorado! Pode-se treinar o discurso, o jeito para abordar as pessoas, sei lá. Há homens e mulheres para todos os gostos, certamente que have-los-á os que são fisgados com estes truques ensinados.

    Eu concordo contigo, não se ensina a amar, mas discordo no ponto em que dizes que não se ensina a consquistar. Há pessoas que pela sua timidez ou até pela educação simplesmente não são capazes de estabelecer contacto, e nestes casos, este workshop pode eventualmente ajudar a desbloquear o flirt, por exemplo.
    Again, não sei de quem estão a falar, nem o teor da coisa. Mas vejo tanto choque e indignação com uma coisa insignificante destas como não vejo com coisas bem mais sérias que se passam no mundo. Não é assim tão grave, parece-me. :)

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  14. Sem comentários...é tão ridículo que não há palavras.

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  15. Tocaste no ponto: presunção é a palavra! E falta de noção do ridículo. Mas isso já são várias palavras.

    E sabes o que é quase mais impressionante do que ele ir dar um workshop? É existirem pessoas que vão pagar para fazer esse workshop.

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  16. vim aqui parar por um link na caixa de comentários da Izzie.
    Concordo com tudo!
    como é possível um jornalista fazer isto?
    eu quando era pequena, a primeira profissão que quis ser era essa, jornalista, imaginando-me assim em cenários de guerra a relatar, a falar de coisas importantes e sérias, coisas que na altura eu não entendia, mas tinha a impressão já que eram as coisas que realmente interessam.

    Agora, isto, é completamente ridículo. Mas também, a verdade é que se nunca comprei a revista onde ele trabalha, por algum motivo foi.

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Obrigada!