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06 dezembro 2011

Para a vida

Dei por mim a pensar nisto. Há pessoas que têm medo de compromissos, que fogem de compromissos vade retro, Satanás. Algumas destas pessoas estão fartinhas de saber que não estão à altura dos compromissos. Sabem que os vão romper e isso assusta-as. Sabem que não são feitas daquela matéria que garante eternidade e por isso procuram a saída de emergência assim que se apanham nalguma coisa que soe vagamente a compromisso.

O difícil não é ser o Dom Juan de serviço, que abocanha tudo o que mexe e que se acha a versão revista e aumentada do Casanova. O difícil é assumir que aquela pessoa com quem estamos é única, que é a que nos preenche, nos completa e nos dá sentido. Ainda que tenha falhas, ainda que tenha defeitos, ainda que a vida ao lado daquela pessoa não seja perfeita. Mas isso é o verdadeiro compromisso: aceitar as falhas, os defeitos, as horas más e, mesmo assim, acreditar sempre que no final vai tudo ter valido a pena.

[Post editado para corrigir o facto de a versão inicial ser altamente redutora.]

8 comentários:

  1. São as mesmas pessoas que se convencem que aquilo eventualmente não vai dar certo e nem se apercebem que boicotam aos poucos algo que podia ter resultado.

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  2. Olha, vade retro é envolvermo-nos com alguém assim! lolololol a menos que também não estejamos interessadas em compromissos...

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  3. só porque muitas vezes é complicado 'contornar' as cicatrizes do passado ...

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  4. As únicas pessoas que têm medo de compromissos, que fogem de compromissos vade retro, Satanás, são as que estão fartinhas de saber que não estão à altura dos compromissos. Sabem que os vão romper e isso assusta-as.

    Não são. Há pessoas com medo de compromissos porque se magoaram demasiadas vezes no passado. Há aquelas que, por fragilidades na auto-estima, no amor-próprio convencem-se, sim, de nunca estarão à altura de ninguém. Não é por não serem feitas da matéria que garatem eternidade. É porque têm um medo aior que a vontade de amar. E o medo, quando é incapacitante a este ponto, precisa de ajuda, não de palavras de sobranceria de quem tem a sorte de gostar de si o suficiente para acreditar que é capaz e que merece ser feliz.

    Não leves a mal as minhas palavras. Mas a minha profissão e a minha vida ensinam-me que é preciso muito cuidado quando se julgam os outros. Não pisamos o caminho que eles pisam, nos sapatos que eles usam.

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  5. Ana, atenção... eu não julguei ninguém. Escrevi uma generalização. Há de tudo, como em todas as áreas: os que têm medo de se magoar, os que não estão para se chatear, os que têm mais que fazer, os que prezam mais a liberdade do que o resto. O que eu escrevi é, assumidamente, uma generalização que peca por isso. Optei por ser redutora neste post. Podia (e se calhar devia) ter estendido o tema às outras razões para o não-comprometimento. Mas quis escrever sob este prisma, desta vez. Só isso.

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  6. Não devias. :)

    O que disseste continuaria a fazer sentido se em vez de "as únicas pessoas" tivesses dito "há pessoas". Só isso teria feito toda a diferença.

    É por ler-te há muito tempo e por saber que não "atiras pedras" gratuitamente que estranhei a forma quase intransigente como escreveste isto. E também por isso me apeteceu comentar, contrariamente ao que é costume. :)

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  7. Eu revejo-me bastante nas tuas palavras, porque sim, eu fujo e evito compromissos. E sim, evito-os porque sei que acabarei por quebra-los, e já magoei estupidamente várias pessoas com isso. No entanto, eu não os quebro por não aceitar as falhas ou defeitos dos outros. Quebro-os porque eu mesma não consigo evitar uma grande falha ou defeito meu: não consigo prender-me a ninguém, dedicar-me inteiramente a alguém. Mais tarde ou mais cedo, acabo por me sentir sufocada. No fundo, o facto de eu assumir que não quero compromissos, mais do que um acto de egoísmo, é a forma que eu encontro de não arrastar ninguém comigo.

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  8. Melhor é quando, mesmo com as falhas, os defeitos e as horas más, não é preciso chegar ao fim para saber que vale mesmo a pena ;)

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Obrigada!