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19 dezembro 2011

Sábado à noite

Do secundário guardo memórias residuais. Não foi a melhor fase da minha vida. Andei seis anos na mesma escola. Fiz o preparatório noutra escola e quis mudar. Queria conhecer pessoas novas e queria ir "subindo" naquela escola nova. Sabia que ia chegar lá como arraia miúda e que, só ao fim de três ou quatro anos estaria mais à vontade. Fui. Foi a minha época patinho feio. Sim, eu era (sou, whatever, não quero saber) feia. A miúda sem graça, nem magra nem gorda, nem alta nem baixa, de óculos, olhos rasgados e um ar que nem é de cá nem é de lá. A juntar a esta óbvia falta de beleza (que, já de si, me obrigava a esforçar-me em prol da integração no rebanho), era a melhor da turma (e isto é apenas a constatação de um facto, nada mais). Não me sentava na fila da frente, passava a vida a desestabilizar, mas apanhava tudo e sabia ao que ia. Não estudava e mesmo assim tirava notas de gente. O tipo de coisa que não ajuda nada a subir nos rankings de popularidade, está bom de ver. Depois, no 10º ano, apanhei um grupo de miúdas burras na turma. O tipo de miúdas que massacram quem é melhor do que elas, seja lá no que for. Foi aí que conheci o bullying, embora na altura a coisa não tivesse nome. Fui massacrada durante dois anos. Houve episódios de ter uma dessas miúdas com o nariz encostado ao meu, a ameaçar que me batia. Nunca respondi a nada, nunca fugi de nada. Dizia-lhes só que eu não tinha culpa de elas serem burras e eu não. Obviamente, estava longe de ser a miss popularidade. Nunca me importei com isso. Sempre acreditei na lei de Darwin: os fortes sobrevivem, os fracos morrem pelo caminho.

Na mesma altura, havia outro grupo onde eu andava. Quer dizer, na verdade era uma turma bastante ecléctica e dávamo-nos todos bem (excepção feita às tais miúdas burras). Havia jantares de turma, havia aquelas saídas normais. Entretanto, em 1997, acabámos o 12º ano e fomos à nossa vida. Em 2004 (acho) combinámos o primeiro jantar de Natal. Não me lembro se fui ou não. Sei que, de há 4 anos para cá, a coisa tem sido complicada. Ou estou grávida ou estou na maternidade e não vou aos jantares. Já gozam comigo: então, este ano ainda não sabes, não é? Sei, sei, este ano não estou grávida nem acabei de parir.

No sábado lá fui eu, beber café com eles. Acabamos sempre por estar umas duas horas na rua, a rir que nem perdidos. E só repetimos no ano seguinte. Mas é bom. Principalmente porque, nestes jantares, não há aquela coisa de repetir até à exaustão histórias de 1996. Mas até podia, porque temos histórias bem giras. Como as das tardes no café, a jogar à sueca. Ou das idas à Dinamarca. E do que é que gosto mais neste grupo? Da heterogeneidade. Há militares, veterinárias, actrizes, bailarinos, administrativas, operadores de câmara e costureiras. Há pais de um e de dois filhos. Há solteiros, casados, amantizados e divorciados. Hetero e homo. Simpáticos e arrogantes. Como na vida.

1 comentário:

  1. engraçado... a mim aconteceu-me algo muito semelhante... fui para a secundária no meu 9ºano, e fui para uma turma onde todas eram repetentes e vaquinhas... e eu, inocente, 14 anos, e óptima aluna, sem nunca ter aberto um livro. elas foram reprovando e eu fui sendo cada vez melhor, e, a parte mais engraçada, é que fui ficando também cada vez mais gira, e agora denoto-lhes inveja no olhar sempre que me cruzo com as ditas :p

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