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30 janeiro 2012

Dos maus serviços

Há uns anos (2, 3, 4? Não me lembro) mandei um mail à Bertrand, a reclamar por causa de um livro editado por eles. Aquilo estava cheio, pleno, regurgitante de erros e calinadas e gralhas e o diabo a sete. Nunca me responderam.

Hoje ligaram-me da Bertrand, para me impingirem uma Enciclopédia Larousse. Calei a moça com um "no dia em que a Bertrand começar a responder aos emails com reclamações dos clientes eu começo a pensar em comprar o que quer que seja na Bertrand. Até lá... não se mace. Obrigada e boa tarde."

Uns exemplos do degredo que era aquele livro:

"A sua cunhada era uma parteira excelente e com experiência; ela avisá-lo-ia se as coisas TIVESSEM a correr mal."
"Vestida com uma chemise um pouco gasta que mal lhe COBRIAM os joelhos (...)"
"Antecipando o nascimento pelo começo da manhã, ela trouxera algumas comidas especiais para o que pensava que seria uma celebração. E CELEBRAR ELES IRIAM, mesmo se o bebé (...)"
"Talvez a situação financeira da família ERA tão extrema que o papá tinha sido forçado a apelar por ajuda ao Parmas."
"Não foi assim tão mau quando o papá estava fora, e acho que a mamã não se importava assim tanto como tu pensas que vais, Joheved (...)"
"É mesmo um tecido de boa qualidade. Levo o suficiente para fazer cinco bliauts, um de homem, DUAS de mulher e dois de rapariga (...)" 

Pelo meio há mais uma alarvidade de gralhas. Tenho o livro todo sublinhado, porque sou incapaz de deixar passar estas coisas. Desisti de ler aquilo na página 164. E "aquilo" era o primeiro livro de uma trilogia sobre uma família judaica. E quem me conhece sabe a pena que eu tenho disto...


10 comentários:

  1. A Bertrand é infelizmente muito conhecida pela qualidade (ou falta dela) das traduções. A coisa já dura há muitos anos, e entre ela e a Teorema, que venha o diabo e escolha.

    Além disso há toda a questão de iniciarem 50 sagas e terminarem umas 5 ou 6. Uma pessoa chega à conclusão que não sabem fazer investimentos nem publicidade a sagas...

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  2. Para além da evidente péssima tradução/correcção da tradução/revisão/o que quer que seja, como mostrar, é mesmo muito chato não se darem 'ao trabalho' de responder aos clientes... Revela um desinteresse incrível.

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  3. Lol... deve ter sido traduzido no Google translator

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  4. Epá, nem sei como chegaste sequer à página 164...

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  5. Foi por coisas como estas que deixei de ler traduções. Chego ao cúmulo de preferir ler uma tradução para inglês de um livro italiano (Silk, de Alessandro Baricco, já agora fica a recomendação) a arriscar a tradução para português. Eu sei que paga o justo pelo pecador e tal e coiso, mas para mim não dá.

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  6. tchiii que horror! E não dá para passar essa informação a alguém mais competente? A escritórios bertrand isolados, ou mesmo estrangeiros?

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  7. Marianne,
    Sou tradutora literária e embora saiba que nem toda a gente trabalha com a mesma competência e seriedade, também sei que por vezes as políticas editoriais se sobrepõe às questões de qualidade.
    E é pena, porque por ser publicada uma má tradução, ficam cem boas traduções por ler.
    Como em quase todas as profissões, na tradução literária há bons e maus tradutores. Mas também é pena que sejam todos avaliados pela mesma bitola.

    Quanto à questão da Bertrand, vou enviar-te por e-mail o contacto de uma pessoa que considero bastante atenciosa, esperando que te possa ajudar.

    ;)

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  8. E pagamos nós um balúrdio pelos livros.
    Sim, porque os livros em Portugal são muito caros, mesmo os que não têm tradução.

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  9. Odeio quando isso acontece, os erros e não responderem a reclamações.

    novo blog: http://amarmitalisboeta.blogspot.com

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Obrigada!