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14 março 2012

Aproveitamento

Odeio gente que se aproveita das fragilidades alheias para fazer dinheiro. Odeio. E, pior ainda, não entendo que haja quem ache normal que alguém se aproveite das carências de outros para engordar a conta bancária, mesmo que isso esteja mascarado de "eu só quero ajudar".

Por exemplo: livros de auto-ajuda sobre "como entender os homens". Caríssimas que estão solteiras, que querem encontrar o amor, que se sentem sozinhas: não é ali que vocês vão aprender o que quer que seja. O dinheiro que iam (ou vão) gastar no livrinho, usem-no para pagar um café ou um copo num sítio giro, onde pode ser que esbarrem com o homem da vossa vida. O tempo que iam (ou vão) gastar a ler uma carrada de páginas pejadas de lugares-comuns e teorias de bolso (a sério, faz-me muito lembrar aqueles romances de cordel da colecção Harlequim, que se vendem nas papelarias), usem-no para sair da vossa zona de conforto, para conhecer gente nova, para conviver com pessoas reais, que existem cá fora e que, quem sabe, podem mudar a vossa vida.

Essa coisa redonda que vive assente no vosso pescoço serve para que pensem por vocês. Vocês não precisam de um iluminado (com olho para o negócio) a dizer-vos o que pensam os homens. Até porque, como está bom de ver, cada homem pensa maneira diferente e a probabilidade de o livro não vos servir para nada é, vá, grande.

[Mas isto sou eu, que tenho mau feitio e que odeio gente que se aproveita das fragilidades alheias para proveito próprio...]

31 comentários:

  1. Mas não te preocupes que ele não vai engordar conta bancária alguma. Os autores ganham 10% do preço de capa, o que significa 1 euro por livro vendido. As tiragens dos livros em Portugal são baixas...

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  2. Ou seja, ganham os best-sellers e não será, de todo, o caso dele.

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  3. Imagina que cada leitor da esposazinha dele compra um exemplar. São vinte e tal mil livros. Vinte e tal mil euros... (Eu sei que ninguém enriquece à conta disto. O que me mexe com o sistema nervoso é o princípio que está por trás do livro. Ou a falta de escrúpulos, vá).

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  4. Não vai haver essa tiragem. E as 20 e tal mil visitas da esposa têm uma percentagem altíssima de teenagers sem poder de compra (basta ler alguns comentários). Eu percebo-te, juro que te percebo. Mas aquilo é uma bolha e um dia vai rebentar, é só uma questão de tempo.

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  5. Oh Marianne, lá venho eu fazer de advogada do diabo...
    Mas continuo a dizer: as pessoas são adultas e só compra quem quer!
    A venda de um livro seja ele sobre relacionamentos, cozinha ou a venda da banha da cobra é um negócio tão legítimo como outro qualquer.
    Ao menos é de um jornalista que sabe escrever.
    Quantos zé ninguém, existem por aí a lançar livros que nem são eles que escrevem?

    Claro que o intuito não é ajudar, mas sim ganhar €. E depois? O C. Ronaldo também tem rios dele e continua a fazer publicidades e outros negócios do género.

    Há pessoas que se deixam iludir por menos. Mas está no poder de cada um decidir onde realmente acha útil gastar dinheiro.

    Uma coisa é certa, comigo ele não vai ganhar um tostão!
    Relax ;)

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  6. Aqui me confesso leitora do casalinho... ou melhor, sigo os feeds porque de vez em quando escrevem umas coisas que me agradam/ entreteem.
    Mas estas histórias de livros, agendas, workshops, etc. soam-me sempre a tão exagerado que deixo-os quietinhos. Não lhes reconheço as competências que anunciam e por isso não lhes ligo nesses campos.
    Mas claro, esta é apenas a minha opinião... e vale o que vale!

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  7. Kyla
    Ele não escreve bem. Escreve tão bem como qualquer outra pessoa com blogue e com competências de escrita sem erros.

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    1. Bingo. Para mim, escrever bem é um bocado mais do que escrever como ele escreve. (E já sei que vem aí um romance, que até pode fazer-me mudar de ideias acerca do senhor. Mas, até ver, é só um homem que pensa que sabe tudo sobre tudo e que, na verdade, pensa mais como uma mulher do que outra coisa...).

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    2. Nem te digo o que dizem as más línguas, a propósito de ele pensar como uma mulher :-)

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    3. Como diz uma amiga minha, ele empipocou. E não tarda sai do armário... (más línguasssss!!)

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    4. Marianne, ele só tem esse "poder" todo, porque há alguém (muitos) lho dá. Por isso ele aproveita a onda.

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    5. Ahahaha, ainda bem que foste tu que disseste, era mesmo isso ;-)

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  8. Eu ia escrever um post sobre isso mas desisti porque não vale mesmo a pena. Mas comparo tudo isso aos anúncios que vejo na tv, cada vez mais. Não sei se conheces um que agora passa de um produto para fazer crescer o cabelo em que colocam lá pelo meio uma foto, no antes e depois, que é a Nicole Kidman no depois de usar o produto. Mas há pessoas que ainda assim compram.

    Não vejo isso como «são adultos, sabem o que fazem». Porque também há quem compre colchões a crédito e se veja negro para os pagar depois. Há pessoas que fazem negócio mesmo com a fragilidade dos outros. E se para uns aquilo não passa de patetadas, para outros pode ser uma luz no fundo do túnel. Mas é algo que apesar disso é a lei maluca da competição comercial. Eles precisam dos media e os media precisam deles porque sabem que são aceites por determinada franja.

    Desisti de comentar seja o que for. Desisti até de mostrar à pessoa o meu ponto de vista. E ainda bem porque na entrevista ao CM nota-se como lida com os comentários e o respeito que tem pelas pessoas. Para mim não passam de vendedores da banha da cobra e não me suscitam interesse. Aí noto grande diferença entre o senhor e a esposa. Ela ao menos não acha que vai mudar a vida de ninguém e tem olho para o negócio.

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    1. Eu li essa entrevista e achei que quem o entrevistou estava a gozar com ele e ele não percebeu... mas se calhar fui eu que li mal, não sei.

      Olha, o que ele faz está ao nível do que algumas bloggers fazem com "consultórios sentimentais". Recebem mails a pedir conselhos, elas, que não são psicólogas nem nada que o valha, dão opiniões e dizem "faça assim e assado" e, vai na volta, as outras fazem mesmo... Eu acho perigosíssimo entrar por aí...

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    2. Eu gostei do "eu estava a tomar um brunch e houve uma pessoa que me abordou" Ahahahah

      Por um lado, ainda bem que ele e a esposa existem, porque assim há com quem gozar.

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    3. Nem mais! Mas já tive oportunidade de dizer isso mesmo ao senhor, via email. Porque é algo que condeno. Dei-lhe até o exemplo d'A Maçã de Eva que faz isso e acha que faz bem. Eu tenho uma opinião contrária e mostrei-o. Porque eles não conhecem as pessoas que estão do outro lado, não sabem o contexto dos problemas - e segundo o senhor na entrevista também não pretende conhecer, foi aí que achei uma falta de respeito. É perigoso sim. Eu imagino uma série de situações em que se pode aplicar a expressão «pior a emenda que o soneto». Mas tudo isto é visto com a ligeireza de quem acha que sabe da vida e que tudo se joga em meia dúzia de horas em frente ao computador e com umas larachas. É muito irresponsável isso. Mas estamos para isso. E não há nada a fazer.

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    4. Epá, e fui só eu quem reparou nas gralhas e erros ortográficos nessa entrevista? Eu tinha vergonha!

      E essa de ser abordado... uma vez falei com ele ao telefone por causa de uma questão de trabalho e fiquei naquela... Será que lhe digo que o reconheço? E porque raio vou dizer isso? Se ainda gostasse do blog era uma coisa, agora diria "ah você é o arrumadinho não é?" e depois? Digo que não gosto do blog? Minto e digo que gosto só para parecer bem na fotografia (valha-me deus!)? Claro que não lhe disse nada, para quê? Para todos os efeitos ele é o jornalista da sábado com quem tive de tratar de um assunto profissional. Mai nada.
      Enfim, parvoíces.

      Quanto à maçã de eva, no geral gosto da opinião dela, mas concordo que é perigoso aventurar-se por estes caminhos...

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    5. Analog Girl, possivelmente também haverá coisas que ela diz que eu diria de forma igual. Não está isso em causa nem eu estou a atacar a senhora porque não conheço e deixei de ler por outras razões. Mas é apenas o facto de ser perigoso estar a falar sobre a vida das pessoas quando se conhece apenas o que ela relatou num email. Eu por vezes nem aos meus amigos consigo dar conselhos porque estarmos nelas é uma coisa e estar de fora é outra. Tudo é relativo mas não acho que devamos presumir que as pessoas nos lêem assim, lavando dessa forma as nossas mãozinhas. Há que ser responsável pelo que fazemos e dizemos.

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    6. Sabes Ana, nunca tinha pensado nas coisas dessa maneira, acho que ela realmente tenta ser o mais honesta e frontal possível, mas há esse reverso da medalha. Acho o teu ponto de vista muito válido, mesmo.

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    7. A questão é que a Maçã opina tendo apenas UM lado da questão em vista. Ela só conhece a versão de quem lhe escreve, não conhece a outra parte nem as razões da outra parte. Por isso é que acho perigoso. E porque acho que quem manda um mail a pedir conselhos a uma desconhecida está fragilizada (tem uma porta aberta, por assim dizer) e portanto muito vulnerável a acatar o que ela diz.

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  9. Não concordo com generalizações. É só isso que tenho a dizer do assunto. Nada do que leio ali - no tal blogue - corresponde ao homem que amo, por exemplo. Isso não significa que o autor esteja errado... mas não está absolutamente certo.

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  10. "para conviver com pessoas reais, que existem cá fora"... Agora é que disseste tudo. Pessoas reais e não um alter ego supostamente perfeito.

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  11. Minha querida, adoro ler os teus comentários e concordo com o teu ponto de vista, mas acho que não vale a pena perderes as tuas energias com este assunto. O mundo nunca é como queremos e achamos justo. Eu até quero acreditar que ele tem bom fundo, e que é caoaz de criar bons textos. Quero pensar que há muito piores pessoas a editar livros sem legitimidade nenhuma e ele ainda pode sacar de alguns galardões (passa-se o mesmo com o livro de culinária da Clara de Sousa, dou-lhe o desconto, é jornalista, mas porque raio hei-de querer que ela me ensine a cozinhar?).
    Não sei como será o romance (como tu própria dizes, até te podes surpreender) e quanto ao lançamento do livro do blog... enfim, acho que aqui o que irrita é que o blog dele era bom, e de repente se transformou num desfile de futilidades que em muito se assemelham aos da mulher. Ele despersonificou-se e optou por ceder à pressão do comércio.
    Eu certamente não irei comprar o livro nem ligo grande coisa aos "ensinamentos", apesar de haver alguns com os quais concordo. Esperemos que os(as) possíveis compradores(as) tenham em conta que o livro vale o que vale. E esperemos que continue a haver pessoas que acreditem mais no esforço do que no aproveitamento...

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    1. hummmm... queria escrever capaz ali em cima... :P

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  12. Marianne, desculpa a minha sinceridade: se não gostas, porque gastas tempo e paciência a falar sobre ele no teu blogue? Assim, espicaças a curiosidade e, consequentemente, acabas por publicitá-lo.
    A título de exemplo, eu nem sabia quem ele era até tu escreveres um post sobre um suposto "workshop", olha, relacionado com o tema do livro que ele agora lançou.

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  13. Fiquei a pensar exatamente o mesmo quando li o "comunicado". Acho que é um bocado como alguém que ganhou o euromilhões escrever um livro sobre como ganhar o euromilhões.

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  14. Eu confessso que o casalinho me causa alguma curiosidade. a ela comecei a lê-la ainda era só uma pessoa normal com um senido de humor retorcido, depois entrou em cena a vedeta e a coisa acabou por descambar. se de vez em quando passo lá? Passo, porque ela, dentro do género, escreve bem e de vez em quando me faz sorrir. Daí a achar que ela é uma opinion maker já vai um camião tir.
    Ele, embora o ache mais ponderado e terra-a-terra acho que acabou apipocado (como tão bem adjectivaste). Há ali um snobismo crescente, uma necessidade de mostrar. Se acho que ele sabe do que fala quando opina sobre relações? Nem de longe, nem de perto. Sabe o criador a dor de cabeça cada um lidar com as suas próprias relações, quanto mais pedir doutas opiniões a quem nada sabe sobre o caso concreto. Ainda um dia destes falei sobre isso mesmo, a urticaria que me fazem determinados bloggers que chamam a si a capacidade de opinar sobre a vida pessoal daqueles que nunca conheceram, mas, sobretudo, a ingenuidade de quem procura esse tipo de "ajuda". Acho que ha uma completa inversão de prioridades e isso acaba por se fazer sentir nas mais diversas áreas. E, afinal, a blogosfera faz-se de gente de carne e osso...

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  15. Como diz o próprio, dar 13,90 por um livro é uma forma de agradecer ao autor.
    (eu nem consigo comentar isto, a sério.)

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  16. Mas sabes porque é que eles chegam ao que chegam? Porque as pessoas vão lá ao blog e lêem, e vão muitas vezes, e comentam, e fazem links, e dão-se a o trabalho de escrever sobre o assunto. E é assim que lá chegam. Comigo não ganham mesmo NADA, porque eu não adiciono visitas ao counter. Ainda que às vezes até fique com curiosidade, mas no way...

    Quem critica e quem não gosta que experimente fazer o mesmo, e vão ver para onde vai o sucesso.

    E viver das fragilidades alheias é o que vende, certo. Em TUDO. Mas nunca esquecer: o sucesso é feito por todos nós. Por isso, a culpa é mesmo de todos.

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  17. Juro que não percebi este post! º_º

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Obrigada!