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26 abril 2012

Liberdades

Não entendo (na verdade abomino) gente que, não tendo sequer 30 anos, acha que o 25 de Abril, o original de 1974 (acontecido, portanto, anos antes de eles verem a luz do dia) é um acidente grave no percurso desta nação invicta chamada Portugal. Alguns destes seres desprovidos de noção têm, imagine-se, blogues onde, graças ao tal acidente, calham em poder dizer dislates e disparates avulsos, mais ou menos providos de senso. Acreditam estes seres que Portugal deveria ainda reger-se pelo provecto "deus, pátria, familia". Esquecem-se de que foi esse 25 de Abril que lhes abriu as portas para que hoje, mesmo não tendo mais onde cair mortos do que prosaicos T2 nos arrabaldes da metrópole, possam livremente e sem medos abrir a boca para alvitrar sentenças, amiúde vazias de sentido.


Por muito má que esteja hoje a saúde deste nobre país, tenho para mim que nada seria pior do que voltar a viver nos tempos do lápis azul, dos fantasmas no armário, do medo, da ditadura e do fascismo.


 


Mas isto sou eu, que gosto muito de democracia...

9 comentários:

  1. Não me parece que vivamos em democracia. Continuas a ter promiscuidade entre poder político e governos-sombra. Continuas a não ter acesso à saúde, à educação e à justiça a menos que a tua carteira o possa fazer. Continuas a ter uma justiça para pobres e outra para ricos.
    Não posso dizer que vivo em democracia só porque posso mandar umas bocas e ninguém me dizer nada. Aliás, posso dizer tudo e mais alguma coisa que NÃO ME FAZEM MESMO NADA. Não porque me respeitem, mas sim porque não me querem ouvir, o que é bem diferente. Portanto, e posto isto, o povo continua não ordenar. Continua é a ser ORDEN(H)ADO.

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  2. Não estás nada má. Concordo. (tenho a sorte de não conhecer esses seres)

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  3. tenho a mesma opinião!! e acho lindo que não percebam que nem sequer teriam blogues onde destilar ignorância!!

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  4. Acho que estás a confundir conceitos. Vivemos em democracia, sim. Claro que continua a haver injustiças, claro que há muita estrada a percorrer. Mas estamos sem dúvida melhor do que estavam os nossos pais e avós antes do 25 de Abril.

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  5. Democracia seria se o povo fosse representado. Coisa que não é. Vais a eleições, mas o que vai para o parlamento é aquele que o PARTIDO escolhe, não tu. O sistema está assim montado.
    Eleições "livres" e "liberdade" de expressão não fazem, só por si, democracia.
    E depois, como podemos falar em democracia, se o próprio povo não sabe e nem quer informar-se, não quer participar (julga que gritar e mandar umas bacoradas em manifestações é que é ser participativo), recusando o seu papel? Demo (palavra que significa "povo"). Democracia tem a ver com o povo, não é o povo estar sempre a arredar-se da vida do país, mas a achar-se, depois, muito ofendido se, na verdade, tem o governo e as instituições que acaba por merecer.

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  6. Desculpa Ana, mas de facto estás a confundir as coisas. Vivemos sim numa democracia, embora haja muito ainda para corrigir. E sim, temos acesso a saúde e educação, embora não seja perfeito.
    Acho que é essencial ter um pouco de perspectiva e olhares por exemplo para países onde só pelo facto de seres mulher, és uma cidadã de segunda, não vales nada (para não falar de outras atrocidades que são cometidas). Eu já senti isto na pele, e isto é que não é uma democracia.

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  7. Concordo. Concordo. E concordo. Com o post, é claro. No que respeita ao debate há/não há democracia, tenho a acrescentar que existe sim democracia, uma democracia que no entanto tem defeitos graves - o que não significa, de todo, que não seja uma democracia. Fica a minha opinião...

    Beijinho,
    Joana

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  8. Tens acesso a saúde e educação? Parabéns! Eu não sei o que é um médico de família há anos.
    Queria colocar o meu filho num infantário que pudesse suportar financeiramente e não consigo. Público? Gostaria muito. O problema é que as vagas só são para crianças dos 4 anos para cima. Se concorro a uma IPSS, dizem que os meus rendimentos são superiores aos de muitas famílias e não tenho apoios. Estamos naquele limbo: estamos os dois empregados, recebemos mais que o ordenado mínimo, mas somos ricos para termos apoios, mas miseráveis por não conseguirmos suportar financeiramente o que nos é proposto (e imposto). Uma mensalidade de 300 euros é incomportável! Para mais, tenho a mais velha na primária e se não fosse a autarquia a facilitar na aquisição dos livros, seria o fim!
    Isto não é uma democracia com defeitozinhos por corrigir. Isto é um atentado contra o básico da dignidade dos cidadãos, sobretudo os de classe média! É sério. Posto isto, não acham que há cidadãos de segunda e que nada valem neste país? Podem dizer-me que estou a confundir as coisas. Mas a realidade diária diz-me que talvez não esteja.

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  9. Falo-te do meu caso, que é o que conheço: por acaso tenho médico de família. Mas, no centro de saúde a que pertenço, tenho exactamente os mesmos direitos do que quem não tem médico atribuído. Porque os médicos dão cerca de 5 consultas/dia para as listas sem médico atribuído (e dão o mesmo número de consultas para os seus pacientes). Se é chato ter que ir para a fila? É. Mas quem vai para a fila consegue as consultas de que precisa.

    Sobre educação: eu e o meu marido ganhamos, entre os dois, pouco mais do que um ordenado mínimo cada um. Temos a miúda numa escola particular e, para isso, tivemos que abdicar de muita coisa. Vamos agora inscrevê-la no público, sem garantias de que entre, porque faz anos em Dezembro e é condicional. Caso entre será uma tremenda lufada de ar fresco. A escolaridade só é obrigatória a partir da pré-primária. Se acho bem que o Estado não assegure vagas para toda a gente? Claro que não acho! Acho péssimo. Mas na altura da pré-primária todos os miúdos têm vaga. Se acho os critérios das IPSS bem estruturados? Não, não acho. Mas sei que há IPSS com opções altamente compensadoras, mesmo para quem está num escalão 4 ou 5. Um exemplo: o Colégio João de Deus tem uma modalidade de amas que trabalham em casa. A minha filha esteve numa delas durante uns meses. Eu estava no escalão 2 e pagava 25 euros/mês, com alimentação incluída. Como é que descobri? Procurei e encontrei (e o João de Deus tem vários colégios pelo país).

    Claro que este país está a anos-luz dos países de primeiro mundo (como a Suécia e a Dinamarca, por exemplo). Mas também está a anos-luz de países verdadeiramente anti-democráticos. Aqui há liberdade, toda a gente pode votar (e depois não vota... e um país que não exerce os seus direitos não pode depois queixar-se de estar mal representado!). Países como o Irão, por exemplo, são, esses sim, anti-democráticos. Aí as mulheres são seres considerados inferiores, há leis diferentes para ricos e pobres e estão a anos-luz de uma verdadeira democracia...

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Obrigada!