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10 abril 2012

O futebol e o status

Nos idos anos 90, eu era uma miúda estúpida (sim, ainda sou; menos miúda, igualmente estúpida. Adiante), que não pertencia a lado nenhum. Não era uma miúda popular, não pertencia a nenhum grupo, não tinha um grupo de amigos coeso. Circulava entre o grupo de teatro de que fazia parte, o grupo de colegas de turma e o micro-grupo de vizinhos, e não pertencia verdadeiramente a lado nenhum. Mas tentava pertencer e fazia coisas parvas em prol disso. Ir para o café ver jogos de futebol, comentar futebol e achar que percebia de futebol, por exemplo. Foi assim que assisti ao 3-6 do Benfica ao Sporting, a 14 de Maio de 1994. Lembro-me perfeitamente de estar no café ao pé da escola, atolado até aos ossos, a ver o jogo. E a beber cafés. E a fumar cigarros. E a praguejar, a debater jogadas, a mandar bitaites, assumindo na perfeição o papel da treinadora de bancada idiota. Passou-me a vontade de comentar futebol, de ver futebol em cafés, de tentar pertencer a grupos. Deixei de achar graça a movimentações em bando. Assumi que hei-de ser sempre um elemento desgarrado e não me chateio com isso. Ainda hoje não tenho um grupo de amigos coeso. Tenho mini-grupos espalhados, mas não pertenço a lado nenhum. E não tenho grande pena...

3 comentários:

  1. Também sou um pouco assim, sem grupos... mas ainda não aprendi a não me chatear com isso, especialmente quando me sinto meio afastada em comparação com outros que são mais acarinhados.
    É um work in progress, acho...

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  2. Eu já pertenci a um grupo e era bem feliz, mas isto de relacionamentos terminados dá cabo de tudo... Agora, tal como tu, vou tendo relacionamentos espalhados...

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  3. Olá! Estava aqui a passear por diversos blogues quando me deparei com este post maravilhoso, com o qual me identifiquei imediatamente. Também cresci nos anos 90 e sim, também era uma "ovelha desgarrada", sem pertencer a nenhum grupo em particular - e houve momentos em que isso custou. Hoje não pertenço a nenhum grupo. Não sou um clichet e não sinto necessidade de um grupo que reafirme a mesma identidade. No entanto há imensa gente, inclusive no trabalho, que ainda sente a necessidade de andar em "cardume". É pena...
    Beijinhos e parabéns pelo blogue!

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Obrigada!