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17 julho 2012

La crise...

Ouço hordas de funcionários públicos a queixarem-se da falta dos subsídios de férias. "Ah, se isto fosse um país civilizado recebia o subsídio este mês". (Em Inglaterra, por exemplo, não há subsídios. E, tanto quanto sei, é um país civilizado).


 


Depois, de caminho, ouço-os contarem dos planos de férias: Algarve, Costa Alentejana, quiçá um salto ao sul de Espanha. Pedem sugestões de hotéis, de restaurantes, de coisas para ver e de sítios onde ir. Mas "ah, se isto fosse um país civilizado...". E queixam-se da falta dos subsídios, do quão mal têm que viver por não ter direito ao subsídio de 2012.


 


Cá em casa somos quatro. Vivemos com o equivalente a um (UM) ordenado que, não sendo o ordenado mínimo, não é um ordenado fora do comum. É um ordenado mileurista, normal. E somos quatro pessoas a viver com esse dinheiro. Desse ordenado só a sexta parte recebe subsídios. Equivale a cerca de metade de uma prestação da nossa casa.


 


Ou seja, obviamente, não dá para férias no Algarve, nem na Costa Alentejana, muito menos no sul de Espanha. Dá para que vivamos todos os meses, sem extravagâncias. Ninguém passa fome, ninguém anda sem roupa, ninguém dorme ao relento. E ninguém se queixa do que por aqui se ganha. Porque, em primeiro lugar, não é impossível viver assim. É até um óptimo exercício de criatividade e sobrevivência. A minha filha, por exemplo, sabe o que pode e o que não pode pedir. E respeita os nãos, da mesma forma que celebra os sins, quando acedo a dar-lhe um mimo na forma de um chupa ou de um gelado. Não somos infelizes por viver assim. Em 2007 vivíamos com o dobro do que temos agora. Não nos queixamos. Somos felizes. Não temos o último iPhone, não pomos os pés num avião desde 2010, não vamos ao Algarve desde 2008, não jantamos foram mais do que duas vezes por ano, não fazemos festas de aniversário aos nossos filhos. Mas todos os dias há comida na mesa, sorrisos e tema de conversa.


 


Este ano, como nos últimos anos, a praia faz-se quase à porta de casa. As férias são repartidas entre a terra dos meus pais e a terra dos pais dele, onde temos gente que nos dá dormida. Não perguntamos por restaurantes onde ir porque não podemos ir a nenhum. Mas somos felizes na mesma. Portando, lamento, mas não tenho a mínima pena de quem se queixa da falta de subsídios e a seguir pergunta por um bom hotel algures a sul do país. Que pariu é, na verdade, o que me apetece responder.

49 comentários:

  1. Eu e o meu marido somos funcionários públicos, mas daqueles que juntando os dois salários dá o valor que mencionaste no teu texto. Portanto, recebemos subsidio, mas com um corte considerável. Tivemos que fazer ajustes, mas desde há muito tempo... Ano passado, por exemplo, não fomos de férias porque tínhamos que tratar do enxoval da "Helena" e este ano as férias vão ser em família, com os pais, para dividir despesas.
    Algarve, 2007, e avião 2009. lol
    Só temos uma filha, mas por cá a realidade é mais ou menos como descreves. Não fazemos parte desses funcionários públicos lol

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  2. Parabéns pelo blog. Gosto muito de a visitar, e mesmo não a conhecendo nutro uma admiração por si, pela sua força e positivismo :).

    Finalmente encontro alguém que vê este assunto tal como eu vejo.
    Lá em casa nunca fomos para o Algarve de férias. As férias foram sempre passadas em casa dos pais com a família, e nunca fomos menos felizes por isso. Também nos dividimos pela casa dos meus pais e pela casa dos meus sogros, é barato, não falta comida e há sempre alegria e boa disposição.
    Quem pode, e gosta acho muito bem que vá para o Algarve, que viaje bastante, se divirta e aproveite ainda mais, desde que não venham com choradinhos. Se têm casa, saúde, trabalho e comida, disto para cima já é um bónus.
    Temos de viver consoante as nossas possibilidades e não de subsídios.

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  3. Aqui a única premissa base errada é o facto de efectivamente em Inglaterra não haver subsídio de férias nem de Natal, mas o valor de um ordenado médio também não é comparável do português.
    Obviamente que o nível de vida também não o é, mas ainda assim, na divisão final nós portugueses ficamos a perder.

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  4. É mesmo isso. Temos que viver com o que temos. E não se é infeliz porque se vive com menos, esta crise aguça a criatividade. Já vivi com muito do que tenho agora, e claro que é porreiro ter dinheiro, não sou muito adepta de jantaradas fora, prefiro receber os amigos, mas adoro viajar e passar fins-de-semana a descobrir a Inglaterra rural. Mas já vivi com muito muito menos e não sendo 'cool' não foi atroz. Vive-se!

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  5. Adorei ler este post! Só mostra a pessoa espectacular que eu sei que és.
    Pena é que as pessoas que têm esta mentalidade em Portugal são muito poucas... Li hoje um post sobre os dinamarqueses vem mesmo a propósito: http://manualdafelicidade.blogspot.pt/2012/07/porque-os-dinamarqueses-sao-tao-felizes.html
    bj
    rita

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  6. clap, clap, clap... tudo verdade. já no meu caso, tenho trabalho, não tenho filhos, nem dívidas e não vou de "férias" para o estranjeiro desde 2008 e sim os outros gostam de vir a minha casa passar férias, "but i'm not in the mood for..."

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  7. Em Inglaterra ganha-se um pouco melhor que cá. Não é comparável.
    E a verdade é que há muita gente a quem a a falta de pagamento de subsídios veio colocar ainda em piores lençóis. Isto das generalizações tem muito que se lhe diga, especialmente nos tempos que correm...

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  8. Olá,
    Já leio o teu blog há imenso tempo mas nunca comentei. Hoje deu-me a vontade toda! Porque ultimamente não faço mais nada do que dizer exactamente a mesma coisa (adaptando a mim que nem um avião pisei, nunca) às pessoas que me rodeiam. E sou feliz na mesma. Eu nunca soube o que era ir de férias para lado nenhum e sempre fui feliz e nunca me chateei muito. Os meus filhos também não. Somos felizes em estarmos todos juntos.Tal como tu, desde que tenha o suficiente para o dia a dia já me dou por satisfeita. A praia também é sempre a mesma e adoro.
    Gostei que tivesses voltado como antes. Já fazias falta!

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  9. Por acaso, ontem revi uma notícia de 2011, onde Cavaco Silva dizia que o português estava habituado a uma vida fácil e isso revirou-me as entranhas, porque a minha vida está longe de ser fácil. Mas a questão é que não é fácil, mas não é de agora... Tenho de ser, até por escolha própria, bastante regrada a nível de gastos, porque desde muito nova passei a viver sozinha e assim me mantenho. Conforme referiste no post, há uns anos atrás talvez se vivesse um pouco mais desafogadamente, mas vida fácil foi coisa que nunca tive.
    Mas a questão é que o Cavaco Silva pode ter errado ao generalizar o português, mas a verdade é que essa situação que descreves é do mais real que existe presentemente... Porque ainda há muito boa gente que se queixa, mas que vai de férias na mesma, seja para o Algarve ou para além-mar, apesar da crise. E no bolso ainda leva o tal telemóvel, já para não falar em ipad's e companhia...
    Olha eu já não ponho o pé num avião desde final de 2003 e mesmo em terras nacionais, a minha praia tem sido sempre a mais perto de casa e mesmo assim fica a 50km e até para isso tenho de fazer muitas contas.
    Faço minhas as tuas palavras: que pariu!

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  10. o pá eu penso da mesma maneira e por aqui nunca recebemos subsidios por trabalharmos por conta própria -e nem podemos contar com o que pode ou não vir a seguir -vamos dando o passo conforme podemos e tb não vamos de férias para lado nenhum mas somos felizes na mesma !
    há coisas que me irritam mesmooooo

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  11. Estou contigo! Eu só queria ter um trabalho e digo trabalho não digo emprego! A minha sorte é não pagar casa se não estava lixada! Lá me vou contentando com os temporários q vão aparecendo, dá para os gasto!

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  12. Não podia estar mais de acordo contigo Marianne!

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  13. Marianne, eu não posso concordar com este post... E vou dizer-te porquê, esperando não ofender ninguém. Diz-nos a Psicologia (e eu concordo) que a partir do momento em que temos as necessidades básicas satisfeitas, não é o dinheiro que traz felicidade. Compreendo que digas que vives com um salário e que és feliz assim. Que digas que não são as férias, a roupa nova, os jantares fora que te trazem felicidade. Que a tua família e os teus amigos são o que tens de melhor. Estou completamente de acordo contigo.
    Não há subsídios em inglaterra ou na Alemanha porque pura e simplesmente eles ganham mais em 12 meses do que nós em 14. Os subsídios não foram introduzidos para dar "mama", mas para compensar os nossos salários extremamente baixos e dar alguma folga aos trabalhadores.
    Se formos à Inglaterra ou a muitos outros países da União Europeia verificamos que a generalidade da classe média vive bastante melhor que nós. Porque é que em Portugal vivemos numa lógica miserabilista? Porque é que as pessoas acham que temos de viver com o mínimo? Depois de um ano de trabalho, passar uma semana no Sul de Espanha ou na Costa Vicentina é um luxo ou devia ser algo ao alcance de qualquer cidadão de classe média como o é em qualquer país civilizado? É que se formos ao Algarve, vemos lá os ingleses e os desgraçados dos portugueses que trabalham o mesmo estão fechados em casa!
    Eu acho que hoje em dia há muita coisa catalogada como "luxo" que mais não é do que o normal segundo um padrão de vida europeu. Nós estamos a ficar tipo África subsariana. E deixo ainda mais uma pergunta, e espero que não me leves a mal. Com esses rendimentos, imagino que não consumas muito mais além das despesas com casa, alimentação, escola e roupa dos miúdos. Achas viável que toda a gente fosse assim? Achas que o país aguentava se ninguém comprasse roupa, jantares ou fosse passar uma semana a uma pousada? Não concordo com o consumismo desenfreado, mas também não o podemos diabolizar porque ele faz mexer a economia e dá emprego a muita gente!
    Enfim, opiniões:)

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  14. Manuela, eu não acho que tenhamos que viver com o mínimo! Longe disso!! Tomara eu voltar a ganhar o que ganhava há um ano, por exemplo! Mas na altura tomei uma decisão (mudar de emprego) que não correu bem e assumo as consequências disso, sem me chorar a ninguém. Estou a ganhar um quinto do que ganhava na altura, mas tenho paz de espírito e tempo com os meus filhos. O problema é meu, apenas.

    Também sou completamente a favor de economias que mexem e crescem. Agora, de uma coisa podes ter a certeza: esta economia não vai crescer à conta de dinheiro que eu NÃO tenho. Não vou de férias, não compro roupa de que não preciso porque, simplesmente, não tenho dinheiro para isso.

    O que me lixa não são os funcionários públicos a quem foram retirados os subsídios e que, por causa disso, passam dificuldades. O que me lixa são os funcionários públicos que se choram por terem ficado sem os subsídios, mas a seguir querem saber qual o melhor hotel da Zambujeira, onde é que se comem uns camarões decentes e a quantos quilómetros é que a Zambujeira fica da herdade onde se realiza o Sudoeste...

    Respondendo à tua última pergunta (que não levei nada a mal!): ainda bem que nem toda a gente vive como eu, a contar os cêntimos até ao fim do mês. Ainda bem que há quem jante fora, quem saia, quem compre, quem viaje. Agora, quem o faz é porque pode, portanto o discurso Calimero-dos-subsídios é escusado...

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  15. Não vejo qual é o mal em perguntar isso tudo. Eu própria o faço e sou funcionária pública e não tenho subsídios. E se este ano vou alguns dias de férias (e nem a uma semana chega) foi porque poupei o ano inteiro para isso, fui ponderada nos gastos e estabeleci prioridades! Porque acho que mereço e quero dar a mim própria esses dias de descanso! Se tivesse filhos e despesas de educação, com certeza que não conseguiria fazê-lo mas ainda não tenho, portanto, as minhas prioridades são outras.
    Portanto, não percebo porque é que não nos podemos lamentar de não ter subsídio e ao mesmo tempo ir uns dias de férias. Cada caso é um caso e cada um sabe de si! Até parece que agora o facto de nos lamentarmos já implica que não possamos gastar um cêntimo sequer para nos divertirmos!

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  16. Estamos então de acordo em tudo:) Boa sorte e espero que a tua situação evolua da maneira que mais desejares!

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  17. Marianne,
    tenho de discordar consigo em vários aspectos. Na Inglaterra não há subsídios mas acho que não é preciso dizer que tem uma das economias mais fortes do mundo, pois não? Claro que têm dificuldades e problemas sociais para resolver (como todos os países) mas, no geral, e falando de dinheiro, aquilo é um motor de muitos cavalos. É portanto outro campeonato e a sua comparação não faz sentido. Em relação ao subsidio, se as pessoas o usam para putas e vinho verde ninguém tem nada a ver com isso. Eu percebo o seu ponto de vista. As pessoas queixam-se porque não há dinheiro do subsidio mas continuam a ter "uma vidinha santa" e isto retira de credibilidade moral ao queixume. Mas repare, se as pessoas não são sensatas, se são "estróinas" e gastam o que têm e o que não têm azar o delas. Se há queixas e vão de férias na mesma é porque afinal há dinheiro. As queixinhas em nada me afectam e o que menos comichão me faz são essas lamúrias. O que dói é que há pessoas que não sabem como vão comprar livros escolares, como vão pagar o seguro, como vão pagar ATL dos miúdos. Essas sim podem e devem queixar-se mas arriscar-se-ão a ouvir das outras, as tais que consomem luxos e evitam que os hotéis fechem, um "anda de transportes, faz menos filhos, come o pão de ontem.". A Marianne, pelo que disse, fez uma opção de vida que não lhe permite grandes "luxos" mas mesmo assim encontrou a felicidade. Ainda bem para si. Tem é de compreender que nem todos conseguimos alcançar esse Zen e que nem todos olham para baixo em vez de para cima. Cumprimentos.

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  18. lá em casa não há a segurança de se ser funcionário público.
    Há um funcionário, altamente qualificado, por conta de outrem, com mil e poucos €, e cerca de 60 hora semanais de trabalho, e uma microempresária que há 3 anos que não tem ordenado fixo: quer dizer que, na maioria dos meses, o ordenado do marido paga tudo e ainda tem de dar para alguma emergência da empresa, porque o dinheiro não chega para ordenados. Empresa cujas únicas dívidas que têm são aos sócios.
    Depois de 2000, fizemos um fim de semana em paris à conta de uma promoção.
    Às vezes vamos ao Algarve, cortesia da cunhada que empresta o apartamento, e às vezes para o alentejo, acampamos. Mesmo quando vamos de férias eu cozinho, eu lavo, e raramente vamos ao restaurante. Sim, dá para ir de férias. Neste pressuposto. Sem moralismos nem vergonha de ir de férias. É que não estamos a roubar ninguém.
    Acontece que compras é supermercado e pouco mais, só a roupa estritamente necessária, para nós os 4, e muita coisa reciclada de primos e irmão.
    Não há novas tecnologias para ninguém, nem últimas modas nem concertos pagos, e cinema é só em casa.

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  19. E eis que eu concordo com o caro anónimo em vários pontos! A comparação com a Inglaterra foi só no que diz respeito a subsídios. É óbvio que é uma economia que não tem sequer comparação com a nossa. É óbvio que se trata de um país com um nível de vida muito superior, onde os ordenados são superiores mas o custo de vida também é.

    Quanto às putas e ao vinho verde, nada contra, obviamente. Cada um enterra o dinheiro onde lhe apraz. Agora o que eu não aturo é o tal queixume, o "ai que eu vivo tão mal agora sem subsídio, mas olha lá, que hotel algarvio é que está a dar... é que vou para lá uma semana e ainda não marquei nada!".

    Da mesma forma que eu não me lamento da vida que tenho a quem ganha ainda menos do que eu, a quem deixa de comer para dar de comer aos filhos, não aturo que quem ganha bem mais do que eu passe a vida a chorar-se para cima de mim.

    E não podia concordar mais: o que realmente me custa é olhar para os tais que não fazem ideia de como vão conseguir comprar os manuais escolares dos filhos. Os outros, os que se choram com o rabo alapado numa praia algarvia, lamento, mas não me arrancam sequer um pensamento de lamento pela sua situação..

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  20. Eu sou funcionária pública e acho indecente terem retirado os subsídios,era um direito nosso que nos foi roubado, como tantas outras coisas, é incompreensível, retirarem-nos os subsídios quando eles continuam a ganhar todo o tipo de subsidio e ajudas de custa e mais do que te lembrares. Era um dinheirinho que me dava muito jeito para ir de férias sim, porque acho que as mereço, e não me sinto a pessoa mais infeliz do mundo por isso, mas que sinto uma tremenda injustiça, isso sim, sinto. Se vou de férias para o Algarve, vou. Mas a ginástica para o poder fazer é muito maior, não tem comparação com o que era anteriormente. Se fosses funcionária pública e te tivessem retirado esse dinheiro acredita que pensarias de uma forma diferente. Se nos pusermos a pensar nas misérias dos outros, sim há coisas muito piores na vida, pois claro que há Lénia. Mas não deixa de ser revoltante. Eu sinto-o assim.

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    1. Exatamente.
      E não há mal nenhum em desejar mais e melhor.
      Quanto aos queixumes (de que a Lénia fala), cada um é como cada qual, e há-de haver quem tenha sempre o que lamentar porque é uma característica da personalidade como outra qualquer. Ou se tolera ou não se tolera.

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  21. E em relação aos ordenados, são bem maiores que os nossos, e não te esqueças que existem outras ajudas que nós aqui não temos, as crianças não pagam nada, nem na escola, nem material (cá gasta-se um balúrdio no inicio do ano), nem livros (duzentos e tal euros já no preparatório) e nem na farmácia, como sabes cá pagamos tudo, por isso os ordenados são maiores e as ajudas também, tudo isso conta para o bolo final, a nós tudo nos é retirado, é um bocadinho revoltante, principalmente porque sabemos que os politicos continuam a ganhar muito bem e quem se sacrifica são sempre os mesmos, isso sim está errado. E atenção que não estou a fazer-te um ataque pessoal, apenas discordo um bocadinho do que dizes ali em cima. (Espero que estejas bem).

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  22. Desculpar-me-á mas eu sou funcionária pública, não meto os pés num avião desde 2007 e quando vou ao Algarve é para casa de familiares, almoço em casa, quando janto fora é num restaurante low cost e ando entre casa e praia.
    E nesta altura há seguro do carro, manuais escolares, e substituição de algumas peças de roupa que deixam de servir aos miudos de um ano para o outro.
    O marido também é funcionário público, por isso, os gastos que mencionei vão ser feitos à conta de cortes no orçamento dos outros meses que também não é vasto.
    Vive com esse rendimento por opção sua. Pensou, pesou os prós e os contras e decidiu. E se decidiu é porque consegue viver com o que tem.
    Eu não fiquei sem subsídios por opção mas por imposição por isso não pude fazer contas à vida antes.
    E quando os seus filhos estiverem em idade escolar, quando chegarem ao ensino secundário, como é que vai fazer?
    é com esta questão que se debatem os funcionários públicos neste momento... como é que vão fazer.

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  23. Exactamente!
    Lá não há «subsídios», porque os valores são muito superiores.
    Esclareça-se também que o 13.º e o 14.º meses não são meses extra de pagamento nem «docinhos» dados aos trabalhadores. O rendimento é anual e épago em 14 meses - o que é um bocadinho diferente. É um direito.
    E atenção que não defendo causa própria. Não tenho nem nunca tive subsídios pq sempre trabalhei a recibos verdes. Logo, não trabalho, não recebo - as simple as that.
    Mas não se pode generalizar dessa forma...

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  24. o bom-senso de sempre - dá gosto, Sofia Quintela!
    obrigada pela sensatez e pelos pontos nos i's onde às vezes parece difícil ver abarcado mais do que o próprio umbigo... obrigada!

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  25. Um post que merece uma grande salva de palmas!

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  26. Estou a aplaudir-te. Ouves?
    Beijos

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  27. Sofia concordo contigo plenamente, basta ver os comentários das pessoas que trabalham no privado quando se levantaram os boatos de que no próximo ano os cortes se poderem estender aos outros. Pois é fácil criticar e dar palpites quando não é no nosso bolso que vão tirar. Das poucas vezes que fui de férias para fora, os portugueses que estavam comigo e com quem pude falar eram TODOS trabalhadores do sector privado. Estranho, não é ???!!! Já que para muitos a ideia é que só os funcionários públicos é que têm dinheiro para ir para o estrangeiro! Na minha profissão contacto com muitas famílias, muitos são apenas trabalhadores fabris mas quase todos foram nestes últimos anos para o Algarve. Por vezes antes de fazermos comentários deveríamos sondar o nosso país real e ver quem de facto faz férias no Algarve ou no estrangeiro, acho que muitos iam ficar admirados. E já agora sou funcionária pública casada com um funcionário público ambos efectivos há 18 anos com 2 filhos e só fomos de viagem para o estrangeiro 5 vezes e para o Algarve nunca. Acho que por isso basta de fazer generalidades!

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  28. Cada um terá que viver com o que ganha.
    E se ficou acordado que receberias determinado salário dividido por 14 meses assim deverá ser.
    Ou pelo menos deveria ser num pais civilizado.

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  29. Mas o facto de se queixarem por lhes terem roubado o que lhes pertence por direito significa que têm que precisar desse dinheiro para comer? Então podemos roubar os ricos à vontade, certo? O dinheiro não lhes faz falta...

    Se desistiu da sua profissão é natural que não tenha dinheiro para férias (e ainda bem que é tão feliz assim pobrezinha e a passar férias na santa terrinha) mas os funcionários publicos que se queixam não pediram nada disso! Estão a trabalhar e a serem-lhes retirados os seus direitos!

    Mal do nosso país quando uma pessoa licenciada e com experiência de anos de trabalho acha normal não ter dinheiro para umas simples férias, nem uma simples viagens!

    Pois eu viajo todos os anos e era bastante mais infeliz se não o pudesse fazer. Não iria cortar os pulsos mas de certeza que fazia tudo para conseguir melhorar a minha vida e viajar, fazer férias, passear, comer fora... porque isso faz-me definitivamente uma pessoa ainda mais feliz!

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  30. Oh A., em porra de lado nenhum me mostrei a favor de atitudes à Robin dos Bosques! Não me ponha na boca palavras que eu nunca disse.

    Não desisti da minha profissão. Desisti de uma empresa que me devia milhares de euros e que não estava a conseguir pagá-los. Mudei de emprego e correu mal. Voltei para onde estava, num regime diferente: part time a partir de casa.

    Sou muito feliz, sim. Mas não me considero pobrezinha. Pobrezinhas são as pessoas que não têm o que comer. E sim, sou muito feliz sem viajar. Sabe porquê? Porque, se estivesse a trabalhar a tempo inteiro, teria dinheiro para viajar, sim, mas não teria o tempo que agora tenho com os meus filhos. E eu não troco os meus filhos por viagens. Nem por nada.

    Aquilo por que eu luto não é nada daquilo por que você luta. Eu não trabalho por férias nem por viagens nem por jantares fora. Trabalho para dar aos meus filhos aquilo de que eles precisam. E eles não precisam de luxos (não precisam de roupa de marca, nem de jogos para a Playstation, nem de ir jantar fora). Precisam de tempo com os pais, precisam de ser saudáveis, de crescer num ambiente tranquilo. E isso, felizmente, têm eles de sobra!

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  31. olha, que pariu o teu post. Em Inglaterra não há subsídios, mas todos os meses recebem um valor que ao final do ano faz o valor de sub.
    O meu marido é funcionário publico, somos 5 cá em casa e sobrevivemos apenas com o ordenado dele, e não andamos a perguntar qual é o melhor hotel para ir, muito menos vamos ao Algarve ou Espanha (alias nunca fomos ao Algarve...) não vamos generalizar!!

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  32. ....isso está tudo muito certo, mas no meu caso eu que trabalho no privado e o meu marido é funcionário público (convém não colocar os funcionários públicos todos no mesmo saco)...sim é verdade faz-nos imensa falta o subsídio dele...sim porque esse era aquele que eu dividia pelos restantes meses para colmatar diferenças. temos uma casa modesta, um carro modesto, andamos de transportes públicos, e sim faz-nos muita falta...e também porque nesta altura existem muitos privados a pagarem os subsídios, sim porque andam a enganar o estado...e os do estado tem de pagar a divida....que nós não fizemos...é injusto que uns tenham e outros não....por isso...tirem a todos...assim podemos falar todos do mesmo...e sim vou continuar as férias em casa perto da praia, não há hoteis, não há luxos, nem viagens, e sim ele e como tantos funcionários são os primeiros a verem cortados os subsidios, impostos e demais itens...sim porque ele é o primeiro a não poder fugir ao fisco...sim porque existem os que fogem e tem subsidios...por isso vale a pena dizer ....*****que os pariu a todos e que tirem a todos

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  33. A sua opinião é um autêntico tiro no pé, pois se todas as mães pensassem assim o nosso país estava ainda mais bonito. Eu sou funcionária pública, trabalho a 60 km de casa e garanto-lhe que não falta atenção aos meus filhos nem carinho!

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  34. Olá...desde já muitos parabés pelo blog...e muito obrigada por puder deixar aqui o meu comentário...
    Neste momento, eu e o meu marido, estamos desempregados, eu em casa e o meu marido a fazer um antigo POC (Programa Ocupacional) que neste momento lhe chamam Percurso de Inserção...O que quer dizer que trabalha, ganhando o subsídio de desemprego, que tanto como eu é o social mínimo, o nosso rendimento mensal fica pelos 750€, ok, ok, somos só 2, não temos filhos, mas temos muitas despesas...ele trabalha, mas não se vê lucros nenhuns porque recebe o mesmo, e já me esquecia de dizer que tem deficiência, motivado por acidente de trabalho, mas isso nem quero falar para não me lembrar de coisas tristes, voltamos ao que aqui me trouxe...eu quando vou à procura de trabalho, perguntam-me logo se sou desempregada de longa duração, sim porque agora não ineressa o nosso Curriculum Vitae, temos mesmo é de ser desempregados de longa duração, se não ficasse logo excluído...portanto estou por casa...férias só soube o que é isso, em 2004, quando casámos e fomos ao Brasil...desde aí nem férias, nem subsídios, isto porque depois ele teve o acidente no trabalho, levou um ano e meio para recuperar de cirurgias e 3 anos para recuperar e arranjar trabalho...nesses 3 anos fui eu que trabalhei, só entrava o meu ordenado...mas pronto também já nem sabemos o que são subsídios, quer de fárias quer de Natal...aprendemos a viver sem "eles", e a sobreviver com o que se tem...e ainda dou a volta e ajudo a minha irmã, que tem 3 filhos, o mais pequeno é Autista, só o meu cunhado é que trabalha...só para terminar, a minha irmã tem um agregado familiar de 5 elementos e vivem com pouco mais de 600€...e esses nunca souberam o que é ir de férias...as férias deles são passadas na minha casa, que vivo em Caldas da Rainha, sempre se fica próximo da praia, e não têm despesas...portanto...
    "...que pariu..."

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  35. Ao menos tens um ordenado mileurista. Pior quem tem um "500 eurista"! E que têm que ser os 2 a trabalhar para chegar ao mil...e sim, há licenciaturas, e sim isso não tem nada a ver, eu sei. Não saímos às 17 da tarde mas pra lá das 19h, temos contas para pagar, filhos para criar, lazer só ao fds e em casa, à semana é sempre siga!

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  36. Concordo que se pode viver frugalmente e ser feliz e acho que isso é o futuro, seja por diminuição do rendimento , seja pela convicção de que o materialismo não é o fundamental da vida e que está a destruir o planeta. No entanto, a questão de muitas queixas é a justiça por detrás da diminuição do rendimento. Quando se enterram milhares de milhões do Estado em BPNs e outros processos muito mal-cheirosos , como pode ser justo impor às pessoas perda de rendimento?...
    PS Os países onde não há subsídios de Natal e Férias simplesmente distribuem os rendimentos do trabalho de outro modo, Há que comparar o rendimento anual, que é o que é comparável. Sou aliás de opinião que os ditos "subsídios" deveriam ter perdido essa designação que lembra bónus que pode ser retirado e serem integrados plenamente nos rendimentos do trabalho.

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  37. Hummmm!! Julgo que aqui se discutem questões diferentes e que não devem ser confundidas...O que a Marianne claramente não gostou, foi de lamúrias sobre a dificuldade em viver sem subsídios, e logo de seguida a exibição do plano de férias. E isso há muita gente que faz. Há tantos, independentemente de funcionários publicos ou privados, com muito ou pouco dinheiro que por sistema se queixam de tudo...e desses, concordo: não gostamos.
    Outra coisa muito diferente são as opções de vida das pessoas...Eu e o meu marido somos funcionários públicos e por isso, sem subsídios. Confesso que não achei isso um roubo, nem um atentado. Achei que era uma medida necessária para ajudar o meu país, e por isso (qual bicho raro, parece-me), não pensei muito mais no assunto. Sou apologista de ver o lado positivo da vida..."é o que é" já dizia a minha avó. Diminuí muito os meus gastos, poupei em muitas coisas e porque para mim férias fora são importantes, poupei dinheiro e fui com a minha familia para a Costa Alentejana...Por isso era importante para nós, e claro q não descurei alimentação das minhas filhas, ou vestuário necessário. Não brinquemos com coisas sérias.
    Sobretudo acho, como alguns já disseram que generalizações são abusivas e perigosas.
    E já agora, a função pública não é segurança nenhuma para ninguém. Trabalhei 4 anos a recibos verdes em empresas privadas, e é terrível, nunca saber com o que se conta. E depois concorri e entrei para a função pública e estive 5 anos com contratos temporários de 3 meses, 6 meses...Só agora, passados 6 anos tenho um contrato anual. Isto é segurança para quem? Amigas minhas que exercem a mesma função que eu em empresas privadas são aumentadas anualmente. Eu nunca fui aumentada em 6 anos e ganho menos 100€ agora do que quando começei para poder ter um contrato mais prolongado. E não tenho acesso à ADSE porque sou contratada...só para que se esclareçam alguns pequenos equivocos. E não me queixo...apenas constato!

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  38. Tiro no pé? Porquê? EU fiz uma escolha: abdiquei de dinheiro em prol de tempo com os meus filhos. Várias coisas me levaram a isso. Se a empresa onde trabalho não tivesse começado a sentir a crise no início de 2009, eu não teria procurado outro emprego. É que desde o início de 2009 que começaram a ser pagos ordenados "às mijinhas", ficaram coisas por pagar e eu fui ginasticando como pude. Quando chegou a um ponto insustentável para mim, saí. E saí consciente do que estava a fazer. Assumi a decisão que foi tomada em consciência.

    É óbvio que, enquanto trabalhei a tempo inteiro, não fui menos mãe dos meus filhos. Mas agora tenho muito mais tempo com eles. É a minha escolha. Não invalida nenhuma das escolhas das outras pessoas, como é óbvio.

    E por acaso até acho que o país tinha a ganhar se houvesse mais mais que pudessem estar em casa com os filhos... Basta ver os exemplos nórdicos para perceber onde quero chegar. E basta olhar para as gerações mais recentes para perceber que se calhar as mães (e/ou os pais, obviamente) faziam muita falta mais perto dos filhos!

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  39. Finalmente alguém que entendeu e leu exactamente o que estava escrito e não coisas que eu não penso e que não escrevi!

    Obrigada!!! Muito obrigada mesmo!

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  40. Lá está: não é de casos como o teu que eu falo no post... Porque não falei de TODOS os funcionários públicos, mas apenas de parte...

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  41. Não, não tenho um ordenado mileurista. Não foi isso que eu disse no post. O que eu disse é que, cá em casa, somando o meu ordenado e o do meu marido, entra o equivalente a UM ordenado mileurista.

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  42. Helena, perfeitamente de acordo: o corte dos subsídios aos funcionários públicos, per se, é ilegal e injusto. Mas não é disso que trata o post...

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  43. A questão dos subsídios de férias tem a ver simplesmente com o facto de eles receberem à semana e nós ao mês. Supostamente os subsídios de férias deviam fornecer esse "acerto".

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  44. Oh! De nada...basta ler com atenção! E sobretudo acho que quem tem um blogue e partilha opiniões está sujeito a todo o tipo de comentários. Alguns de quem claramente não se dá ao trabalho de ler com atenção, e que valoriza excessivamente desabafos simples. Mas as palavras escritas tem outro peso. Continue a excelente escrita...gosto de passar por aqui.
    Miriam

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  45. adoro as pessoas que ficam irritadas porque não tem trabalho ou não têm subsídio de férias e, por conta disso, acham muito bem que os outros (funcionários públicos, ou não) se vejam usurpados dos seus direitos e a passarem dificuldades. é isso mesmo: nivelar por baixo. se uns vivem miseravelmente, que vivam todos miseravelmente. mas é isso mesmo que acham, que o país e as vossas vidas miseráveis ficam melhores se os outros também tiverem vidas miseráveis? acham mesmo que ir de férias é um luxo? então vão para a china e troquem de lugar com os trabalhadores de lá, e pode ser que aprendam a ser menos mesquinhos.

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Obrigada!