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10 julho 2012

O lado psicológico da coisa

Acho estranho que achem estranha a forma como encaro tudo isto por que passei. Mas eu não tenho outra forma de encarar as coisas... Claro que tive momentos maus (um em particular: estava a ler o blog Quadripolaridades, a rir que nem uma perdida, e desatei a chorar agarrada à barriga vazia no segundo a seguir. Depois recompus-me e continuei a ler e a rir), mas escolho olhar em frente e não para trás. Nada fará voltar aquele bebé. Nada fará com que ele de repente volte para a minha barriga, saudável como era suposto. Nada muda o facto de que não posso engravidar nos próximos 12 meses. E se há quatro dias eu dizia que queria mesmo ter mais um bebé, que a minha vida de grávida não podia terminar assim, com esta violência, agora não tenho tanta certeza. Nem tenho que ter, porque ninguém me pede garantias de nada agora.


 


Os próximos 12 meses serão de marcação cerrada, acompanhamento médico constante porque o que eu tive pode ser ou transformar-se numa neoplasia - que é o termo menos chocante para cancro. Não vai acontecer. E se acontecer lidarei com isso como tiver que lidar. Mas sempre a olhar para a frente. Porque isso eu posso mudar; o que fica para trás não posso.


 


E é isto: nós escolhemos a forma como encaramos e vivemos as situações. Podemos ter pena de nós mesmos, viver na autocomiseração. Ou podemos aprender com o que de mau nos acontece e usar isso em nosso benefício. Eu aprendi que sou mais forte do que pensava. E aprendi que tudo serve para nos ensinar alguma coisa. Escolho ver o copo meio cheio, apesar de a outra metade do copo estar vazia. Sigo em frente, porque para trás não é caminho. E não sou nenhuma espécie de heroína por causa disto. Sou uma miúda normal, igualinha aos outros milhões de miúdas. Eu tenho escolha. Todos nós temos escolha...


 


Se tivesse que deixar um "conselho" baseado no que fui vivendo seria isto: escolham o "bright side", permitam-se ser felizes, mesmo nos maus momentos, não se rendam. Sei que não somos todos iguais, mas acredito mesmo que esta postura é uma questão de "treino" e não de personalidade.

21 comentários:

  1. Acho que nunca comentei, mas hoje, este post em especial vou comentar, porque me revejo nele, no que ali está escrito, porque apesar de nunca ter passado por semelhante situação, passei por outras mais ou menos terríveis, mas para mim bastante más, e foi assim que tive que aprender a lidar com elas, e sim, concordo plenamente que (infelizmente) é uma questão de treino!!! Força, ânimo e olhar em frente!!!

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  2. Cuida de ti mas tenta manter (sempre) essa tua forma de encarar a vida que eu tanto admiro. Força!

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  3. Não podia identificar-me mais com o que escreveste.

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  4. Nós somos sempre mais fortes do que aquilo que achamos. Também sou uma das que tenta ver sempre o lado positivo nas coisas. Bjs

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  5. É por isto que este é um dos 3 blogs pessoais que tenho paciência para ler e seguir. E é por haver pessoas como tu que, nos dias mais complicados, eu penso: se fulana conseguiu, eu tb consigo. Porque é como dizes, é uma questão de treino e de não nos rendermos à autocomiseração.

    Boa, Marianne! A sério, não acho estranho a tua atitude, mas ainda assim é de elogiar essa força. Bola para a frente, que atrás vem gente!

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  6. Nunca tinha visitado este blog. Foi bom ter aparecido nos recortes do sapo.
    Minha cara, fiquei fascinada pela maturidade, pela coragem e personalidade que tem. Costumo chamar a isso amor à vida... Sim, porque acho que por amarmos a vida a vamos desculpando quando nos dá tamanhas provações.
    Desejo-lhe tudo de bom e vou continuar a visita-la.
    Saudações
    Rosinda

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  7. Eu não consigo achar isso estranho em ti. Em mim seria mais estranho, tenho tendência para me deixar abater, mas ando a aprender (e uma boa parte da aprendizagem é contigo) a encontrar o lado positivo das coisas com mais frequência.
    Obrigada por isso.

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  8. Boa sorte, desejo de coração que tudo corra bem.
    Beijinho

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  9. Catano que hoje acordámos com os pés virados para o mesmo lado.

    ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE... (e, no teu caso, lado light também, LOL)

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  10. Muito bom...levei e partilhei..!!

    Tenho ainda muito que "treinar",,,mas gostei desta prespectiva..boa mesmo,,,

    beijinhos

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  11. Nesta altura em que todos vivemos "em crise" e só nos apetece queixar de tudo e de nada, esse é, de facto, um óptimo conselho a reter e a praticar

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  12. Não acho estranho, mas admiro essa força e esse animo.
    É como diz "todos nós temos escolha"
    Desejo que tudo corra bem.

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  13. Obrigada!! :)

    Corações e borboletas e aquelas coisas do WhatsApp para Ti!

    Tu és uma "miuda" e pêras! E quando leio estas coisas relembro-me porque gostei logo de Ti...

    (quando estivermos juntas vou levar nas orelhas por causa das aspas, não vou??) hahaha

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  14. o que não nos mata torna-nos mais fortes! Beijinho.

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  15. Querida Marianne,

    Sabes bem o quanto te admiro e muito passa por esta postura. E não só :)
    Mas, porque infelizmente tenho conhecimento destes termos, tenho que fazer uma pequena "correção": a neoplasia é apenas o crescimento e proliferação anormal das células, e pode ser maligna (e nesse caso sim é cancro) ou benigna (e nesse caso não é cancro, porque o cancro é sempre maligno, ainda que felizmente em alguns cada vez mais casos a taxa de cura esteja a aumentar).
    Beijinho

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  16. Dei agora com o teu blog, pois está em destaque nos blogs do sapo... e... fiquei rendida ao fim de 3 linhas! Parabenizo a tua força e revi-me nas tuas palavras. Escolher ser feliz não dói nem faz de nós piores pessoas... a autocomiseração está tão enraizada que se torna no caminho mais fácil, o problema é que não resolve nada nem nos faz andar para a frente, ficamos ali a vegetar e a queimar os últimos neurónios funcionais que temos. Estive assim uns meses... e, juro, nunca mais... não estou nem para ser uma desgraçada nem para ver andar os outros. Estou aqui para ser feliz e de uma maneira ou de outra saber lidar com tudo o que me aparece... bem, um abraço enorme, e continua sempre no bright side da coisa :)

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  17. Vamos lá a ver: eu abortei há uns anos atrás. Não sei se sabias. E abortei porque quis, fiz uma IVG e não porque o bebé não fosse desejado. A verdade é que havia fortes probabilidades de ter uma mal-formação congénita e eu não quis arriscar.
    "Ah ok, mas tu é que decidiste tirar!". É verdade! Mas isso não quer dizer que não me tenha sentido infinitamente triste e com o síndrome do ventre desalojado. O que fiz? Segui em frente.
    E o destino tratou de me fazer ficar grávida numa altura em que eu não esperava. E a Ana chegará e o outro bebé morreu. É a realidade e nada muda isso. Mas a vida é feita de perdas. E de vitórias! Vamos concentrarmos-nos em olhar para a frente, sff????

    Beijinhos*

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  18. Percebo exactamente o que dizes. O meu primeiro aborto foi uma IVG. Arrumei as ideias quanto a isso, claro que me lembro, claro que penso nos "e se", mas andei para a frente. A seguir tive um espontâneo, nada a fazer. Andei para a frente. Agora uma IMG (o M é de médica), nada a fazer. Estou a andar para a frente. Nem podia ser de outra maneira...

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  19. Olá Marianne! Sigo o teu blog mas acho q nunca comentei...
    Só para mandar um bj e dizer que se todos pensássemos assim, as coisas seriam muito mais fáceis e descomplicadas.
    Desde que a minha mãe morreu há dois anos é exactamente essa a minha filosofia de vida, ou pelo menos tento o mais possível!Pq ha dias difíceis, oh se há, mas depois há tudo para lá disso e para os quais temos de estar disponíveis, a casa, o marido e sobretudo, os filhos!
    Enfim, diga :))) e mais uma vez bj

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  20. Há uns tempos, uma amiga falou-me do seu blog porque se passou consigo algo idêntico ao que se passou comigo: Uma interrupção de gravidez.
    Eu tinha quase 6 meses de gravidez e a C. já se mexia muito, mas infelizmente tinha agenesia do corpo caloso e uma hidrocefalia. Era a minha 3ª filha e sendo os outros dois saudáveis, isto foi um acaso da vida. Tivemos de decidir em menos de 24h (devido a processos legais) se interrompiamos ou continuavamos com a gravidez. Os medicos deixaram a decisão nas nossas mãos, mas com todos os diagnósticos e sem previsão de qualidade de vida para a bebé e consequentemente para nós, pais e irmãos, decidimos interromper. Passei por um parto normal que demorou mais de 48h. "Nasceu" uma bebé perfeita e completa por fora, e atrevo-me a dizer, mais bonita que os irmãos, mas que por dentro tinha um problema gravíssimo. De todo o drama, também amigos e familiares sofreram muito, o que senti na sala de parto foi um amor imenso e é isso que levo para a vida. Que embora as escolhas por vezes sejam trágicas, se as fizermos com amor, o nosso coração fica limpo e seguimos em frente. E é isso que faço, sem sentimentos de culpa, sigo sempre em frente, sendo feliz o melhor que posso.
    Felicidades para si e sucesso do seu blog**

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Obrigada!