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19 agosto 2012

Férias - parte 1

Alentejo. A Aldeia que, não sendo minha (teoricamente, sou lisboeta. Na prática, sou suburbana. Na verdade, nasci no aviário), é a terra que considero minha. É a Aldeia da minha infância e adolescência, onde passei alguns dos melhores momentos da minha vida (e onde apanhei a mais decadente bebedeira de sempre... qualquer dia conto), onde vivi amores de verão, onde dancei até cair, onde vi estrelas cadentes, onde andei a "cantar" aos corvos, onde fiz amigas para a vida. A Aldeia que faz o meu coração bater, por ser a minha. Passámos lá os últimos dias e foi fenomenal. Claro que o ritmo não tem nada a ver com o ritmo de há... vinte (vin-te? Glup...!) anos, mas ainda bem (faz este ano precisamente vinte anos que me "emancipei" e comecei a sair sozinha nas férias, a combinar coisas com os amigos, a ir para o café sem os meus pais atrás. Estou em choque...).


Os dias foram passados entre comer, ir beber café, ir com os miúdos à piscina, ir com os miúdos ao parque, ler, dormir... e mais nada. Foram dias maravilhosos, sabem? A miúda mais velha fez amigos e adorou andar por ali. Diz que o momento preferido foi o passeio de ontem à noite, com a vizinha do lado. Fomos (dois casais e três miúdos) beber café e ao parque. E eles brincaram, correram, partilharam gelados, jogaram às escondidas... divertimento a sério! Quando estávamos a regressar cruzámo-nos com um grupo de adolescentes à porta de um dos cafés. Estavam na fase de decidir para que lado ir. E eu pensei em como era quando eu era daquela idade e fazia exactamente aquilo... O meu amigo (o pai da outra menina que, não sendo de lá, também adoptou a aldeia como dele) perguntou se me lembrava de como era... e ainda nos rimos! É impossível não andar para trás uns anos e recordar as brincadeiras, as saídas, as conversas, as situações. Espero mesmo que os meus filhos tenham a oportunidade de viver aquilo como eu vivi. E que façam amigos ali e que daqui a trinta anos passeiem por lá com os filhos e se riam a recordar os anos em que foram miúdos a "fugir" dos pais para poderem curtir os namoricos e os copos às escondidas.


 


Nestes dias alentejanos li muito (mas ainda não acabei o sueco - é a seguir e depois falo nisto), não vi filme nenhum (mas estou agora a meio de ver um - e depois falo nisso), mantei saudades de uma açorda alentejana comida no quintal e fui feliz.


 


Agora rumámos ao Ribatejo, à terra que, não sendo a do marido (lisboeta como eu), é a que ele adoptou como sua. So far... so good. Temos mais uns dias de dolce fare niente pela frente. Espero ler pelo menos mais um livro, ver pelo menos uns 10 filmes, passear um bocadinho, mimar os miúdos e molhar o rabo na piscina de plástico que, não sendo a piscina-da-Aldeia, é o que se arranja e vai ter que servir.


 



A piscina da Aldeia - muito, muito fixe! Tem uns 20 anos e eu costumava estar ali todos os dias das minhas férias, desde que acabava de fazer a digestão até estar a tiritar de frio.


 



Manhã: acabar de tomar o pequeno-almoço e instalar-me meio à sombra, a ler. Tão bom... (As férias na Aldeia sempre foram as alturas em que lia mais. Ia carregada com livros e lia tudo!)


 



A nossa piscina ribatejana, que é aí 1/10 da outra. Vantagens: fica no nosso terraço, não se paga entrada e mais ninguém lá vai. E dá para se estar assim, sentada numa cadeira e com os pés ali apoiados. Nada mau, hum?

1 comentário:

  1. palavrasesquecidaspelotempo20 de agosto de 2012 às 00:08

    Marianne , sendo eu alentejana nascida e criada aqui.
    Indetifico-me muito com este texto.
    Na minha aldeia vi toda a minha vida os amigos não nascido lá mas que amavam aquilo tanto como nós.
    Passavamos as ferias todas, principalmente o verão traz-nos alegria só de recordar as nossas aventuras.
    Agora adultos e a maioria com filhos é bom, muito bom ver os nossos filhos viverem as mesmas coisas que nós.
    Desejo uma continuação de boas ferias.

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