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05 setembro 2012

Blogosfera: um insight

Quando comecei a escrever em blogs, há nove anos e pouco, os blogs eram uns sítios onde as pessoas escreviam sobre o seu dia-a-dia. Havia variações, claro: havia o Gato Fedorento, havia O Meu Pipi, e por aí em diante. Mas, no essencial, os blogs eram exactamente isso: diários digitais (o termo "blog" é a versão short de "weblog", ou seja, diário-na-internet). A blogosfera estava longe de ser descoberta como máquina de fazer dinheiro. As marcas estavam longe de perceber o "poder" que os bloggers tinham.


 


Depois começaram os fenómenos: houve o boom-pipoca (anos depois de o blog ter nascido) e a coisa deu-se. As marcas começaram a olhar para alguns bloggers como opinion-makers/opinion-leaders e começaram a puxar por isso. E os bloggers foram-se rendendo ao lado comercial dos blogs. O que antes era um blog genuíno, com textos giros, pessoais, interessantes, passou a ser um intervalo publicitário (não estou a falar de um blog em particular, mas sim de vários - demasiados! - em que isto acontece).


 


Leio muitos blogs americanos e quase todos têm uma vertente comercial: espaços nas barras laterais para patrocinadores (que pagam um valor mensal para ter ali o anúncio/link), posts patrocinados, reviews de produtos pagas. Acontece que isso é claro e não é encapotado. Os posts patrocinados são assinalados, as reviews são identificadas (neste caso não há pagamento monetário mas sim oferta do produto/serviço sobre o qual é feita a review).


 


Cá não é bem assim. Fazem-se passatempos que, em muitos casos, são pagos (a marca que promove o passatempo oferece os produtos em questão e paga um determinado valor ao blogger para que o passatempo tenha lugar naquele blog). Escrevem-se posts patrocinados onde nada é explicado. Há uma política meio "subreptícia" e os leitores menos atentos podem perfeitamente achar que nada do que aparece naquele blog é comércio. Mas é.


 


Nada contra. Desde que esteja explícito, não vejo por que não o fazer. As marcas perceberam o potencial dos bloggers, os bloggers perceberam o valor do seu blog e tudo está correcto. Depois há erros grosseiros. Por exemplo: há umas semanas recebi uma oferta de uma marca. Ainda estou para saber como é que a marca conseguiu a minha morada, mas já nem vou por aí. Nunca me perguntaram se queria receber a oferta, se podiam enviar, se estava interessada. Nada. Mandaram, simplesmente. Ainda por cima, assumiram que o meu nome é a versão portuguesa do meu nickname. Não é. Isso fez com que, para poder receber a oferta, eu tivesse que pagar uma taxa nos Correios. Não teria acontecido se me tivessem pedido os dados correctos antes. A oferta que me foi enviada não tem rigorosamente nada a ver comigo nem com o meu blog. Podia aqui falar dela em concreto, mas não vai acontecer. Calculo que a intenção fosse boa, mas foi um tiro no pé. Já noutras ocasiões me ofereceram coisas que, por não terem nada a ver comigo, recusei. Agradeço a boa intenção, mas não vou pespegar com publicidade ao desbarato no blog. Muito menos com publicidade a coisas que não uso ou de que não gosto. Aconteceu também recentemente ser contactada por um serviço; pretendem que o teste e irei fazê-lo, até porque, mesmo antes de mo oferecerem, eu já andava para o experimentar. Depois logo conto como correu: bem ou mal, a verdade virá aqui parar.


 


Eu já fujo de blogs que são intervalos publicitários há muito tempo. Deixei de conseguir ler. Talvez por trabalhar em comunicação, não consigo olhar para aquilo com olhos de consumidora "normal", olho sempre pela perspectiva do marketeer. Por isso mesmo, não tenciono transformar isto num espaço carregadinho de publicidade. Claro que já aqui falei de produtos e serviços e sítios onde fui. Claro que voltará a acontecer, tantas vezes quantas eu achar que devo falar (ainda aqui há dias falei de fraldas e de marcas de fraldas, por exemplo. Ninguém me pagou para isso nem as marcas sabem que o fiz. Fi-lo enquanto consumidora e não enquanto folheto publicitário). No dia em que este blog tiver patrocinadores ou posts pagos ou reviews "pagas", vocês serão os primeiros a saber. Até lá, tudo o que aqui menciono tem apenas a ver com aquilo que experiencio enquanto consumidora, utilizadora e cliente.


 


Ah, e tenho saudades do tempo em que os blogs eram apenas blogs e em que se escrevia pelo prazer de escrever.


 


ADENDA: Alertou-me a Elsa para o facto de haver, neste post, algumas palavras com link a uma coisa qualquer para ganhar um iPhone4. Pois que é um bicho manhoso que se me agarrou à traquitana de escrever os posts no Sapo. Já tinha dado conta disto e sempre que me lembro de tal coisa apago os links. Aqui, no embalo da escrita, esqueci-me. Portanto, cenas para oferecer iPhones e tal, é SPAM. Sorry...!



16 comentários:

  1. Assino por baixo!

    Não ligo nada a esse tipo de blogues que referes. Até porque não costumo ligar à publicidade na barra lateral nem, tão pouco, comprar só porque determinado blogue recomenda. Não sou um bom público-alvo. :)

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  2. Apesar de não apreciar blogues que se tornaram espaços comerciais, não tenho nada contra. Tenho sim algo contra a desfaçatez das pessoas, que não querem assumir que é publicidade. Custa muito pôr uma etiqueta no fim da mensagem a dizer "publicidade"?

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  3. Curiosamente no Brasil esse tipo de posts é ilegal. Publicidade tem obrigatoriamente de ser assinalada. Na verdade até está a haver algum tumulto por causa de um processo contra algumas bloggers e a Sephora, aquando da abertura de uma loja onde várias bloggers foram pagas para apresentar sugestões de compras, em que nem foram elas próprias a escolher os produtos. É pena não haver disso por cá. Publicidade sim, mas devidamente assinalada.

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  4. Concordo e muito. Acho que fazer disto um trabalho, em que se faz publicidade, em que se começa a viver disto, torna tudo muito menos genuíno e põe-nos sempre com a pulga atrás da orelha no que toca a acreditar no que se está a ler. E eu acho que se nota quando as pessoas estão a dizer as coisas por mera publicidade ou quando é algo que acharam realmente porque foram, viram, experimentaram inocentemente. Acho eu que se nota, mas também nunca me deixei influenciar por nada do que leio em relação a marcas aqui.

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  5. Adoro ler alguém que ainda não perdeu o bom senso! Thank U!!*

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  6. Olá Marianne! Leio o seu blog há muito tempo mas não é meu hábito comentar. Decidi fazê-lo neste post pois o assunto vem de encontro a algo que me tem parecido estranho no seu blog: algumas palavras surgem com hiperligação dando a entender que a Marianne está a remeter para outro assunto, mas quando se clica na palavra surge publicidade para ganhar um iphone4. Nunca lhe falaria disto se não fosse o seu post de hoje pois fiquei com a sensação de que poderá não ter conhecimento do que está a acontecer. No post de hoje surgem sublinhadas as seguintes palavras: oferta, produtos, aqui e trabalhar. Posteriormente, a hiperligação desaparece do post. Fico também na dúvida se poderá ser algum vírus no meu próprio computador pois tenho recebido muita publicidade indesejada. Peço-lhe desculpa pelo incómodo se for esse o caso. Deixo-lhe o meu email pessoal caso pretenda mais alguma informação.
    Aproveito para lhe dar os parabéns pelo seu blog e desejar-lhe tudo de bom para si e sua família.

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  7. Eu também acho que se percebe... e esse é o problema. É que percebe-se mas não é assumido por quem escreve. E isso é que é, quanto a mim, errado. Eu também não me deixo influenciar pelo que leio aqui e ali, mas nem é essa a questão. Se há publicidade, tem que haver transparência. Qualquer coisa como:

    Título do post: XPTO lança nova colecção

    Post: Este é um post patrocinado pela marca XPTO.
    Blábláblá Fui ao lançamento, estava lá aquela outra blogger que tem um blog melhor que o meu blábláblá A marca lança esta nova colecção apostando nas trends mais trendy blábláblá Trouxe para casa uma saia e umas peúgas, generosa oferta da marca XPTO...

    Enfim, acho que o que falta neste "negócio" é clareza e transparência. Só isso.

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  8. Quanto às palavras sublinhadas, isso é virose, sofro do mesmo mal. :)

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  9. Eu dei pelo bug e ía avisar-te :) mas olha que o raio do bicho escolheu o post a dedo! Eu até apreciei a ironia...
    :D

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  10. É por isso que o meu blog é tão desinteressante. Escrevo sobre mim e os meus. LOL

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  11. Sem tirar nem pôr.
    Aliás, o facto de não haver transparência retira completamente o crédito aos autores dos blogues, a meu ver. Para além de ficar sempre com a sensação que nos estão a "comer por parvos".
    As próprias marcas também não estão isentas de culpa. Para ser sincera, quanto mais vejo posts desses, menos interesse tenho pelos produtos/serviços publicitados e, consequentemente, pela marca.
    beijinhos,
    W.

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  12. é caso para dizer que a blogoesfera já não é o que era. Tenho muitas saudades!

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  13. Compreendo perfeitamente. Acho que quem consegue fazer dinheiro com um blogue tem mérito mas gosto muito mais dos conteúdos simples e dos diários do dia a dia. Tanto que comecei a ler um blogue muito conhecido, mini-saia se não me engano, e embora a autora pareça ser uma simpatia não consegui continuar a ler, é demasiada publicidade para o meu gosto. Não dá. Acho que a a forma como os americanos, e pelos vistos os brasileiros, regulam os blogues é muito certeira!

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  14. alguém a fazer uma boa acção6 de setembro de 2012 às 20:49

    Em relação ás palavras com links para publicidade, o que tens a fazer é ir de novo editar o post, e no final do texto, vão-te aparecer dois quadradinhos cinzentos com um JS (JavaScrip). Se apagares esses quadrados, a publicidade desaparece toda.
    Isso apareceu-te porque deves ter instalado um plugin do Firefox chamado Videodownloader. Se o desistalares, isso deixa de acontecer nos posts.

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  15. Concordo inteiramente.
    E acrescento que não há nada pior que ver, em 5 ou 6 blogs em simultâneo (ou com diferença de dias), a oferta dos mesmos produtos/serviços em passatempos. Ainda menos credível se torna, a meu ver...

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Obrigada!