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01 outubro 2012

Marvelous mondays

Reservo as segundas-feiras para utilizar a magnífica expressão "run some errands". É à segunda que trato de "fazer recados". Ir ao banco, ir pagar contas, engomar, arrumar os despojos de domingo... e tudo o que apareça. Às segundas raramente costuro, só mesmo se tiver alguma coisa para terminar. Caso contrário, a minha semana de "trabalho" começa à terça... e nunca acaba. Isto de ser uma espécie de stay-at-home-mom (ou soccer mom... estou rapida e irreversivelmente a transformar-me numa soccer mom!) é muito bonito, mas o sentimento é de que estou de serviço 24/7. Porque tudo o que acontece nesta casa faz parte do meu "trabalho". Portanto nem ao fim-de-semana me sinto de folga, embora me force a parar e a utilizar o tempo para fazer alguma coisa que goste de fazer em vez de o usar para fazer alguma coisa que tenha que fazer. É difícil estabelecer fronteiras quando se está em casa. Mas tem sido muito bom. Muito bom mesmo.


 


E, acerca desta coisa de estar em casa... Neste momento, é uma escolha. Decidimos, enquanto casal, que seria assim agora e pelos próximos anos. Claro que isto tem um contra, que é o facto de entrar menos dinheiro em casa. Mas tem muitos mais prós. A nossa escolha é esta e... não é raro sentir-me julgada, mesmo por amigas e amigos. E até percebo (até certo ponto!) a preocupação, mas nós não somos malucos irresponsáveis, portanto esta é uma escolha pensada, repensada e que, para nós, funciona. Se tenho saudades de trabalhar a tempo inteiro? Sim e não. Sim porque, enquanto trabalhava, tinha a cabeça dividida: metade do dia estava a trabalhar e na outra metade não, portanto conseguia perceber melhor o que era trabalho e o que era lazer. Não porque... não. Porque gosto muito desta vidinha calma e cheia. Sim, cheia. Porque a vida não é só ter uma carreira, ser promovida, aturar chefes doidos e patrões alucinados, entrar às 9 e sair às 18. A vida também pode ser ir buscar a filha à escola a meio da tarde, levá-la ao parque ou à biblioteca, ler um livro com ela, deixá-la fazer aguarelas enquanto adianto o jantar, ensiná-la a escrever as letras, ouvi-la cantar. Sim, deixei para trás as minhas perspectivas de trabalho e, calha bem, nunca fui muito ambiciosa. Não no sentido comum. Chegar a directora de comunicação de uma empresa qualquer é coisa que nunca me atraiu por aí além (não somos todos iguais, ok?). A minha ambição sempre foi outra - a escrita -, e essa vai sendo posta a mexer sem pressas.


 


Por isso, quando olharem para mim de lado porque "olha que idiota, a ficar em casa com os filhos, nunca vai ser ninguém na vida"... talvez tenham razão. Mas parem e pensem: "será ela (eu) feliz assim? E talvez até seja mais feliz do que nós (vocês) que andamos aqui a correr de um lado para o outro, feitas baratas tontas, a apagar fogos corporativos...". Eu diria que é por aí: eu sou feliz assim, neste momento não trocava isto por outra coisa. Talvez daqui a uns anos, com os miúdos na escola, volte ao activo a tempo inteiro. Talvez não. Talvez vá só tirar a licenciatura em Psicologia que sempre disse que um dia havia de tirar... Quem sabe?


 


[E as segundas-feiras também são isto: dias dados ao pensamento livre... Tenham uma boa semana!!]



13 comentários:

  1. Já te disse várias vezes, acho que é uma escolha de vida tão válida como qualquer outra, conseguindo o equilíbrio financeiro, não percebo o porquê de não o fazer.
    Eu também nunca ambicionei a vida corporativa, infelizmente não podemos depender apenas de um ordenado lá em casa, mas acredita que procuro incessantemente por alternativas. Um dia chegarei lá.
    Enquanto não acontece aproveito os momentos livres para me organizar e sonhar, imaginar que mudo mesmo de vida. Não há mal nenhum em fazer estes planos, quantos de nós não desejamos o mesmo? :)

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  2. Não acho estranha essa decisão, principalmente se o orçamento está assegurado (com mais ou com menos), e desde que a nível pessoal (como mulher, e profissional), te sintas realizada, ou não frustrada. Às vezes estamos tão perdidos com um trabalho, que nem gostamos assim tanto, e que nos traz muito mais preocupações e tristeza que realização, que se pudermos, mais vale parar, e aproveitar esta vida e o que ela nos dá. São opções. E desde que se esteja bem com elas, são as acertadas!

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  3. Confesso que é exatamente esse o estilo de vida que eu gostava de ter, mas infelizmente não o posso fazer. Quando comento isto com algumas pessoas, também elas não compreendem e olham-me de lado. Enfim.
    Beijocas

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  4. O importante deve ser mesmo a felicidade da pessoa (e dos seus). Se te sentes bem assim, força, continua. Parece que muitas pessoas criticam embora sintam vontade de fazer o mesmo. Eu própria, se pudesse, dedicava-me ao turismo rural, ou à criação de cães e tinha uma vida bem mais tranquila e feliz, a fazer coisas de que realmente gosto.
    Realço ainda dois aspectos: o facto de teres os teus objectivos definidos, por exemplo a escrita, e te dedicares a isso. Não pareces uma "dona de casa" que apenas vive a vida ao sabor da vida dos familiares. Quanto à licenciatura em Psicologia... é bem, mas só para crescimento pessoal... porque expectativas profissionais são reduzidas

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  5. O importante é sermos honestos connosco e procurarmos o que nos faz feliz. Eu preciso da adrenalina da vida profissional, mas o emu ideal era trabalhar em part-time como é tão habitual no estrangeiro para ter o melhor dos dois mundos. Porque de facto, não há nada melhor que acompanhar e viver de perto cada minuto e fase de crescimento da vida dos filhos. Bjs (mas como neste momento estou de baixa e sem perspectivas de trabalho futuro... vamos ver)

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  6. Não deixa de ser um privilégio mesmo com um maior aperto financeiro, e em nada faz com que seja menos mulher e menos profissional. E há tanta coisa que se pode fazer a partir de casa. O que interessa é que se sinta bem e feliz com a opção. O outros são o resto!

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  7. Acho que deve ser fantástico podermos gerir o nosso próprio tempo, organizar as nossas coisas, podermos estar na nossa casa. Se pudesse, sinceramente, optava por um trabalho que pudesse fazer a partir de casa. É que tal como dizes também não sou ambiciosa nessa maneira de comum de se entender o termo. A qualidade de vida não tem preço. Poder estar ao máximo connosco mesmas, com o que nos dá prazer, com os nossos filhos... acho que deve ser espectacular. E isso, ao contrário do que muita gente pensa, não é ser fútil e optar por não fazer nada porque não queremos trabalhar.

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  8. Tenho tanta vontade mas tão pouca coragem de fazer o mesmo...

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  9. Já o disse várias vezes (inclusive no meu blog) que o estilo de vida que descrevesque gostaria de ter. E não me envergonho nada por isso nem ligo nenhuma aos olhares de reprovação quando o afirmo. Infelizmente é impossível fazê-lo neste momento, mas ainda não perdi a esperança...

    Uma boa semana para ti também

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  10. É exactamente este estilo de vida que adorava ter... um dia vou conseguir! Aproveita ao máximo porque é fundamental estar presente nos primeiros anos de vida dos nossos filhos!
    bjs

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  11. E que saudades que eu tenho desses meus dias...

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  12. Aleluia!

    Há anos que defendo que ser mulher, mãe, dona de casa a tempo inteiro É BOM. Claro, para quem gostar, mas que se censurem as mulheres por terem prazer em desempenhar tarefas que são essenciais e que tradicionalmente são femininas é o fim da picada... Também eu não tenho ambição nenhuma de poder, nem de carreira, nem de treta nenhuma: já estive em cargos de direcção elevados e... preferia ser mãe a tempo inteiro! E esta é uma função absolutamente essencial para uma sociedade equilibrada.
    Infelizmente não posso ter essa opção, por cá em casa somos só eu e o infante, mas ainda bem que há mulheres que o podem fazer e mais importante ainda, que assumem frontalmente que gostam de o fazer! Parabéns!

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  13. Este tema dá pano para mangas... Em breve escrevo um post sobre a minha visão sobre isto da emancipação feminina...

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Obrigada!