Conto-te #1_Aqui como na morte

novembro 07, 2012

Abre a janela. Espreita. Não te assustes com a chuva que cai, indolente. Não te assustes com o dia que anoitece cedo de mais. Deixa que a água que escorre pelos vidros siga o seu curso, inevitável. Aninha-te nas memórias e guarda-as, quentes, num lugar que deixes intocado. Relembra os sorrisos e os dias doces enquanto cresceste. Relembra os colos, mesmo que sejam lembranças vagas, baças. O que és é feito dessas recordações. Do que aprendeste, do que ensinaste, das lágrimas choradas no entretanto.


 


Hoje é o dia zero. Renasces. Refazes-te a partir de cinzas que agora doem mas que em breve vão ser um regato sereno. Terás sempre contigo parte desse código genético, dessa maneira de ser. Terás sempre contigo a memória, mais do que outra coisa qualquer. Deixa que a chuva te lave por dentro. Deixa os lamentos para mais tarde. Agora é tempo de recordações. 


 


Podia ter sido noutro dia qualquer. Ninguém foge da morte, nem a morte foge de nós.

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